Comida de rua em São Paulo: 5 feirinhas e 1 mercado

Ricardo Freire
por Ricardo Freire

Feira Benedito Calixto
Comida de rua nunca faltou em São Paulo: do acarajé de domingo na Praça da República ao yakisoba dos fins de semana na Liberdade aos dogões espalhados pela cidade ao pastel de feira. Eu disse pastel de feira? É a suprema iguaria paulistana -- o candidato que eu escolheria para representar São Paulo num campeonato mundial de street food (harmonize com um copo de caldo de cana com limão).

Quando foi mesmo que começou a gourmetização da comida de rua em São Paulo? Acredito que foi em maio de 2012, quando Alex Atala liderou um grupo de cozinheiros famosos (e outros nem tanto) no evento Chefs na Rua, durante a Virada Cultural. Era a resposta paulistana ao Smorgasburg, a feirinha de comida foodie de Williamsburg, no Brooklyn nova-iorquino, que tinha começado em 2011. O evento foi ao mesmo tempo um retumbante sucesso e um estrondoso fracasso: apareceu tanta gente, que o perrengue foi generalizado.

Os organizadores resolveram fazer novas feirinhas, só que na Vila Madalena, aos domingos. Em agosto de 2013, a feirinha se transferiu para um espaço na Praça Benedito Calixto. Mas atraía tanta gente que precisou se mudar para um espaço maior, no Butantã (mas uma sucessora já ocupou o seu lugar).

Hoje já são três as feiras gastronômicas foodie em cartaz em São Paulo. Acrescento uma feirinha tradicional, ingourmetizável, e um mercado de bairro que parece talhado a se gourmetizar.

Butantan Food Park, a maior

Butantan Food Park
Este é o endereço atual dos organizadores das feirinhas gastronômicas da Vila Madalena. O espaço é amplo e lembra bastante o Smorgasburg. Tem muitas mesas ao ar livre e também uma área coberta para os dias de tempo instável.

Butantan Food Park
Os participantes vêm e vão. Dos chefs que participavam originalmente, ficou Rafael Despirite, com seu hot dog francês. Entre os destaques estão as massas fresquíssimas do Mondiale e os choripáns autênticos do El Chori Loco.

Butantan Food Park
Como está nas proximidades de prédios de escritórios, abre todos os dias. Para o visitante, porém, a localização é um problema -- só estará no seu caminho se o seu programa for passear na Cidade Universitária ou visitar o Instituto Butantã.

Butantan Food Park. R. Agostinho Cantu, 47. 2ª a 4ª das 11h às 16h. 5ª a sábado das 11h às 22h. Domingo das 11h às 19h. Estacionamento difícil na rua; estacionamento pago a R$ 20. Filial: Av Marquês de São Vicente, 2301, "Jardim das Perdizes" (Barra Funda). Sábado e domingo das 12h às 19h.

Panela na Rua, a dominical

Panela na Rua
Sucedeu a feirinha gastronômica original da Praça Benedito Calixto. Quem conheceu antes e voltar agora verá um espaço com menos stands, mas bem mais agradável de visitar.

Panela na Rua

Tem tacos, hamburger, ceviche -- mas o forte, na minha opinião, são os doces. Mesmo se você já tiver almoçado, vale a pena passar por lá. Sou fã do cannelé, um bolinho molhadinho natural de Bordeaux e que me faria mudar para lá.

Panela na Rua. Praça Benedito Calixto, 85, Pinheiros. Domingo das 12h às 18h. Estacionamento relativamente fácil na rua (mas há flanelinhas).

Calçadão Urbanóide, o central

Urbanóide
Desde janeiro deste ano, o Baixo Augusta também conta com a sua feirinha gastronômica. Num vão de paredes grafitadas que conecta a rua Augusta à rua Frei Caneca instalaram-se barraquinhas e food trucks. Há um pequeno espaço coberto com mesas.

Urbanoide

Urbanoide
Experimente o bagel recheado com salmão da Lox Deli e entre na fila do chope artesanal da Mr. Jones, made in Mooca.

Calçadão Urbanóide. R. Augusta, 1291, entre Matias Aires e Fernando Albuquerque. 3ª a 5ª: 12h às 23h. 6ª e sábado: 12h à 1h. Domingo: 12h às 22h. Fecha 2ª.

Marechal Food Park, trucks e containers

Marechal Food Park

Aberto em agosto de 2015 atrás da estação Marechal Deodoro do metrô (linha vermelha), em Santa Cecília, o Marechal Food Park é dos mesmos empreendedores do Butantan.

Tem ocupantes fixos, que funcionam em containers, e food trucks que operam em esquema de rodízio.

Marechal Food Park

Fui no primeiro mês de funcionamento, num dia de sol; a falta de sombra era um problema. Os preços estão mais para Higienópolis, o bairro chique que termina a um quarteirão de distância, do que para o Minhocão, que passa quase por cima do parque. O sonho da Confeitaria Dulca que, nas lojas, vem à sua mesa em prato de louça servido por uma garçonete por R$ 8, no food park sai por R$ 10...

Marechal Food Park. R. Albuquerque Lins, 504 (metrô Marechal Deodoro). 3ª 4 4ª das 11h às 16h. 5ª a domingo das 11h às 21h. Fecha 2ª.

Feira Kantuta, a andina

Feira Kantuta
Há 30 anos, quando cheguei em São Paulo, programa exótico era ir à Liberdade, o bairro oriental. A menção a "peixe cru" causava arrepios nos não-iniciados.

Agora que qualquer criança come sushi como se fosse pipoca, o programa mais exótico em cartaz em São Paulo é ir ao ponto de encontro dos imigrantes bolivianos (e peruanos): a Feira Kantuta.

Feira Kantuta
É espetacular. Nas barraquinhas de comida você vai ser apresentado a variedades de batata e milho que nunca pensou existir. Pode comprar Inka Cola em garrafas PET de 2 litros. Cortar o cabelo num barbeiro boliviano. Ou comprar cartões telefônicos para fazer DDI barato para a Bolívia (não é você que estava precisando?).

Feira Kantuta
Mas vamos ao que interessa: comida pronta. Você pode comer uma (quase) inocente salteña de fricasé (empanada recheada com frango ao molho), arriscar um anticucho (espetinho -- o mais típico é o de coração de boi, cortado fininho) ou sentar-se num dos pequenos restaurantes da feira e pedir o que os conterrâneos de Evo Morales estão saboreando na mesa vizinha.

Na minha última visita, dei sorte de pegar a comemoração de uma data nacional da Bolívia, com danças típicas. Mas mesmo sem festa, é um programa que vale demais a pena.

Feira Kantuta. Praça Kantuta (final da rua Pedro Vicente), Canindé. Desça no metrô Armênia (linha azul), saia à esquerda, atravesse a avenida Cruzeiro do Sul, siga pela Pedro Vicente e você chega à praça. Domingo das 11h às 19h.

Mercado de Pinheiros: agora com ceviche

Mercado de Pinheiros
E por falar em Bolívia, o mais famoso chef boliviano em ação no Brasil, Checho Gonzales, acertou em cheio na sua última empreitada: pegou um box do Mercado de Pinheiros e ali instalou seu fast-food para foodies, a Comedoria Gonzales.

Comedoria Gonzales
O cardápio é enxuto, com ceviches, empanadas, sandubas, huminta (pamonha doce assada), grelhados e cervejas artesanais. Há quatro opções de ceviche -- experimentei o que leva sumo de manga (que dá uma quebrada no limão do leche de tigre) e vem com bolinhas de sagu (fazendo as vezes da batata doce do ceviche tradicional). Sabrosísimo.

Comedoria Gonzales
Fiquei envergonhado de morar na cidade há 30 anos e nunca ter pisado no Mercado de Pinheiros: o lugar é lindo, com arquitetura anos 50 (no estilo da da Bienal e o Mercado Central de Fortaleza, só que petititico) e o estacionamento é coberto, fácil e grátis.

Comedoria Gonzales
A comedoria do Checho está fazendo tanto sucesso, que não duvido que outros sigam o mesmo caminho...

Comedoria Gonzales. Mercado de Pinheiros: r. Pedro Cristi, 71. 2ª a sábado das 8h às 18h. Fecha domingo.

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4 comentários

Alex
AlexPermalinkResponder

Se não me engano, tem uma "filial" da feirinha do Butantã na Marquês de São Vicente, em Perdizes. Já estive lá. Fica dentro de um condomínio fechado, em um espaço bem agradável.

A Bóia
A BóiaPermalinkResponder

Olá, Alex! Está no box de serviço do Butantan Food Park. Inclusive com esta definição, "filial". Dê uma olhadinha grin

Alex
AlexPermalinkResponder

Hahahaha!! Verdade. Foi mal. É isso que dá querer ler correndo as coisas.

marta k
marta kPermalinkResponder

Adoro essas feiras, frequentei no início, mas depois começou a ficar mais caro do que sentar numa mesa de restaurante. O estopim foi justamente o tal sonho da Dulca citado acima, que me revoltou! Mas de qualquer maneira é uma coisa muito boa, que nem a Paulista aberta aos domingos, que humaniza a cidade e proporciona o encontro de pessoas ao ar livre.

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