#Linkódromo | "Devo manter minha viagem a Paris?"

Ricardo Freire
por Ricardo Freire

Arco do Triunfo no dia 14 de Julho

Esta é a pergunta do momento, e ninguém melhor que o Conexão Paris para oferecer todos os aspectos que você precisa pesar para chegar à sua resposta.

Não, não existe uma resposta universal, unissex, tamanho único, a essa pergunta. Neste post, a Lina Hauteville está atualizando os dados de funcionamento das atrações (todas abertas no momento) e de possibilidades de alteração de passagens nas cias. aéreas. Os leitores do Conexão Paris também montaram um grupo de Whatsapp para ajuda mútua. Na caixa de comentários do post você acha.

Bom. Ninguém precisa de força para cancelar uma viagem a Paris nesse momento, certo? Já basta todo o povo ao seu redor achando que você vai para a guerra.

Mas... caso você precise de uma forcinha para manter sua viagem a Paris, sugiro que acompanhe os artigos que o Luiz Horta está publicando n'O Globo. O Luiz é o maior colunista de vinhos do Brasil, tem um texto delicioso e está passando uma temporada em Paris, na rive droite, a 1 km de onde ocorreram os dois atentados mais graves.

Inicialmente limitadas a pílulas na sua página do Facebook, suas reflexões sobre a Paris pós-atentados ganharam as páginas de internacional d'O Globo, com crônicas que dão uma dimensão humana ao noticiário, mostrando como Paris não desiste de ser Paris.

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32 comentários

Eleazar de Castro

Ricardo, e a Bélgica? Hoje saiu uma matéria sobre uma ameaça de atentado no metrô de Bruxelas. Você acha que é motivo para se preocupar? Estou liderando um grupo familiar pra ver os mercados de Natal e vamos ficar 3 dias em Bruges e 3 dias em Bruxelas. O problema é que eles não tem muita experiência e estão com muito medo. Pode ser que nem aproveitem por causa disso...

A Bóia
A BóiaPermalinkResponder

Olá, Eleazar! Quem responde é A Bóia. Paris é um caso especial porque a cidade está machucada; isso influi mais na decisão de visitar ou não agora. Mais do que uma questão de segurança, é uma questão de astral. Quanto ao terrorismo, a Europa inteira está sob ameaça, e os Estados Unidos também (lembre-se da maratona de Boston há dois anos). Infelizmente, porém, ainda é mais arriscado viver numa grande cidade brasileira do que fazer turismo em qualquer um desses lugares. Estatisticamente, corremos mais riscos ficando em casa do que viajando.

ATUALIZAÇÃO: vi agora a notícia do toque de recolher. É, passou do nível de alerta de Paris. Mas provavelmente seja passageiro, continue acompanhando.

Eneida Queiroz

Oi, eu moro em Bruxelas. Seguimos com o metrô fechado e sem entender direito até quando isso tudo vai. Porque não é possível que a capital do país siga assim fechada por muito tempo.

Assim que eu tiver notícias, venho aqui contar.

Também me preocupa a possibilidade de não haver o mercado de natal de Bruxelas que eu adoro!

Te conto brevemente.
Beijos

Eneida
EneidaPermalinkResponder

Pessoal, está tudo reaberto de novo aqui em Bruxelas.
E a feira de natal, ao que tudo indica, começa amanhã.

Leo Romano
Leo RomanoPermalinkResponder

Creio que os que levarem seus planos adiante pegarão uma Paris c preços mais baixos, visto que a queda do movimento deve estar sendo bem cruel.

Maria das Graças

Eu viajo ao exterior para passar uns dias relaxada. Para fugir da tensão diária da vida aqui no Rio. Eu não me sentiria relaxada em uma viagem à Europa nesses dias. E, além do mais, tem o sentimento em relação ao outro. Eles estão de luto. A vida continua mas deve ser muito difícil retomar a rotina diária numa situação como essa. Eu estava em Londres no dia 07/01/2015 eu não me senti nada bem vendo o aparato de segurança que se vê em todo o lugar depois de um atentado. Está difícil.

Estela
EstelaPermalinkResponder

Exatamente Maria das Graças, cheguei em Paris no dia do atentado e voltei no primeiro vôo que consegui. Ainda estava hospedada no bairro dos atentados, há 200mts de um deles.
Sabia que a situação ia se "normalizar" durante a semana, mas nao faz sentido justo quando saio para curtir viver num clima de tensão. E estavam todos enlutados e com medo, nao fazia sentido "turistar" numa ocasião dessas.
(O bairro estava absolutamente deserto a noite, em ruas que era bem movimentadas).
Particularmente, aconselharia para quem tiver esta opção adiar a viagem.

zenon marques tenorio

Riq, tenho viagem marcada para 21/12 com mulher e filha e em momento algum pensamos em desmarcar. Moramos em Sao Paulo e vivemos cada dia com sensação de que ao menos um assalto virá, isto é vivo em constante estado de alerta emocional; então Paris continua maravilhosa. Estamos lendo a Lina e o sensacional Luiz Horta n'O Globo para ficarmos atualizados. Ob. pelas informações.

Fernanda Rachel

Olá Boia, meu questionamento seria tb em relação a Bruxelas. Vcs poderiam tb fazer um post como esse de Paris sobre Bruxelas? Estou indo agora em dezembro e estou pensando em desviar minha rota de Bruxelas para Antuérpia. Sei lá, estou meio perdida. Help me.

A Bóia
A BóiaPermalinkResponder

Olá, Fernanda! Infelizmente não há o que fazer a não ser acompanhar o noticiário. Não jogue sua decisão nos ombros de ninguém.

Eneida
EneidaPermalinkResponder

Fernanda, acabei de responder ao Eleazar. Moro aqui em Bruxelas, quando as autoridades nos derem novas notícias eu volto aqui para dar impressões locais.

Mas estou com viagem marcada para Turquia, o que tb parece uma loucura.

Claudia Souza
Claudia SouzaPermalinkResponder

Eu tinha uma viagem marcada para Paris no dia 04/12 e resolvi cancelar. Não me agrada a ideia de viajar para uma cidade que está sob alerta e tensão. Na verdade, a Europa toda está assim. Acho que não ficaria a vontade para tomar um café na esquina ou pegar o metrô. Além disso, não queria deixar a minha família preocupada. No ano passado, estive em Paris nessa mesma época do ano e aproveitei muito. Por isso, prefiro esperar um pouco antes de programar uma nova viagem para lá. Apenas uma decisão pessoal.

Mariana
MarianaPermalinkResponder

Decisão sensata e realista...triste, porem realista. E corajosa. Abs!

Josnei Vinicius Montemor

Se a única preocupação for segurança. Pode ir despreocupado. A probabilidade de um novo atentado por estes dias é quase nula. Em fevereiro deste ano fui à Paris logo após o atentado ao Charlie Hebdo e me hospedei na Rue du Chemin Vert a poucos quarteirões do local. Quanto à segurança tudo normal, exceto o número maior de policiais nas ruas. O que realmente me marcou foi a sensação de luto. Isso foi o pior. Mas Paris é sempre Paris e nega ande render ante a violência.

Vivian
VivianPermalinkResponder

Estou em Paris, não cancelei a viagem e por aqui, tudo está muito tranquilo, atrações mais vazias do que o costume, nenhum preço baixou e o exército está presente nas ruas. Mas os parisienses vivem normalmente, tomam café nas áreas externas dos restaurantes, bares cheios. Não vejo diferença de hoje ou de 10 anos atrás quando estive aqui.

Bianca Dib
Bianca DibPermalinkResponder

E quem comprou viagem pra VITORIA-ES no reveillon. Deve manter a viagem ou cancelar? Risco da lama de MG chegar ao ES, Um problema contemporâneo ao de Paris e é no Brasil.

A Bóia
A BóiaPermalinkResponder

Olá, Bianca! Os jornais estão acompanhando, dá também para buscar no jornal A Gazeta. A foz do Rio Doce é em Linhares, 150 km ao norte de Vitória. Vamos ver se a mancha vai descer para o Sul.

http://agazeta.redegazeta.com.br/

Mariana
MarianaPermalinkResponder

Eu fui embora de Paris. Antecipei meu retorno por medo. Não acho que o que passei é parecido com o que passamos no Brasil. Pessoas não andam no meu telhado, não invadem meu prédio por uma lâmpada que estoura. Ou por uma pomba. Não há exercito nas ruas, apesar de achar que vivemos um problema gigantesco sobre segurança publica e que o exercito poderia agir.Acho meu pais problemático, mas a discussão hoje é Paris. O pior cego é o que não quer ver, com todo meu respeito. Amo Paris e os parisienses,o que aconteceu não é justo. Eu acredito que deva se cobrar muito mais das autoridades porque a população tem o direito de ir e vir. Mas não acredito que devemos falar que está tudo normal. Até porque o parisiense não pode ser rotulado de inconsequente. Não está tudo bem. Roupas de proteção foram roubadas de um hospital em meio a possível ataque químico. Isto não pode ser normal. Encontrar um colete com explosivos hoje em uma lixeira mostra mais uma vez como estão vulneráveis. No dia do atentado ao estádio, não conseguiram entrar porque a segurança estava reforçada diante da presença do presidente. Este mesmo reforço deve ser feito diariamente. Como pode uma pessoa circular até uma lixeira , hoje , com tanta policia e investigação e descartar um colete com bombas. Temos que cobrar que as autoridades resolvam o problema. Não está tudo normal para quem perdeu familiares, jovens nos ataques da sexta feira 13. Vamos ajudar os franceses a cobrarem das autoridades mais segurança e não passarmos a falsa ilusão de proteção, porque pessoas morrem e famílias se acabam. Se queremos ajudar , devemos incentivar a cobrança de um pais mais seguro. Como dizer que um ataque é nulo depois de um colete de bombas ser encontrado em uma lixeira.Não é ceder aos terroristas, é resolver o problema da melhor forma,da forma real. Eu quero que Paris volte a viver de verdade porque a população merece. A população do mundo inteiro merece viver bem.

Cris
CrisPermalinkResponder

Eu estava na Europa no dia 07/01/2015 (mais precisamente em Heathrow, para me deslocar de Londres a Berlim). Vi as notícias daquela manhã ainda no saguão de embarque, mas ao chegar em Berlim, tudo estava tranquilo durante minha estadia. Inclusive nao havia restrição de acesso à região do Portal de Brandemburgo, one está a embaixada francesa, onde eu imaginei que haveria um mega policiamento.

Naquela época, depois de cinco dias em Berlim, eu teria mais seis dias de estadia justamente em Paris. Tinha voo avulso Berlim - Paris com a Air France e hospedagem reservada em hotel (com cancelamento gratuito).

No mesmo dia que eu cheguei em Berlim, eu tinha decidido que manteria meu itinerário e iria para Paris no dia 13/01, conforme planejado. Mas eu estava viajando sozinha, e minha família no Brasil ficou histérica, especialmente porque após o ataque ao semaário Charlie Hebdo também houve outro ataque subsequente, além de diversas informações desencontradas.

Depois de dois dias em Berlim, eu decidi cancelar minha ida a Paris, estender minha estadia em Berlim por mais dois dias, pois estava me sentindo muito segura ali, e marcar passagem de trem e estadia de última hora para 4 dias em Praga, que estava um pouco mais afastada dos acontecimentos. Essa mudança de roteiro custou um pouco, pois tive de cancelar passagem aérea nao reembolsável e tive de alterar o ticket de volta ao Brasil. Mas como Praga é um destino barato, esses gastos foram compensados com uma estadia cinco vezes mais barata na capital da República Tcheca.

Mas eu só cancelei por muita insistência da família e porque a estadia em Paris seria na semana seguinte. Não cancelei por sensação de insegurança ou por medo, mas sim porque imaginei que pudesse ocorrer interrupções em linhas de metrô, fechamentos de atrações ou fechamento de restaurantes e bares (como está acontecendo em Bruxelas agora), pois não haveria sentido em ficar apenas seis dias em Paris nessas circunstâncias.

Se minha estadia em Paris fosse depois de umas duas ou três semanas após o atentado de janeiro, eu não teria cancelado.

A sensação mais estranha que eu tive, na verdade, foi que no dia 13/11/15, eu estava novamente na Europa! Estava em Barcelona, desta vez com minha mãe e meu irmão, quando recebemos uma ligação de um familiar perguntando onde estávamos e nos contando em tempo real o que havia acontecido novamente em Paris... Estávamos já no final da viagem (voltamos ao Brasil no dia 16/11) e, por isso, não cancelamos nada. Em todo o caso, o clima em Barcelona estava normal depois da noite de sexta-feira e apenas vimos um policiamento mais ostensivo na rua e helicópteros fazendo ronda na área da praia (Barceloneta).

O mais chocante é que por pouco não incluí Paris novamente na segunda viagem deste ano. A ideia original seria Paris no final da viagem (de 09/11 a 16/11). A idéia só foi descartada pela alta do Euro, quando optamos por Barcelona por ser um pouco mais em conta que Paris. Se estivéssemos ido a Paris, provavlmente teríamos nos hospedado no 5º Arrondissement e provavelmente teríamos ficado um pouco afastados do local dos ataques. Mas por outro lado, seria quase certo que iríamos ao Stade de France para assistir ao amistoso França x Alemanha!

Meu olhar sobre a situação na Europa hoje é que provavemente há um clima de tensão maior e com um alto nível de cuidado e vigilância.E posso parecer otimista demais, mas na minha opinião, apesar de uma vigilância maior, não se pode sucumbir ao medo e à paranoia.

A decisão de cancelar ou não a viagem, acho que depende de cada um. Se a pessoa tem medo, talvez não seja uma boa hora de ir mesmo, pois isso pode prejudicar a experiência de viagem. Mas caso a pessoa consiga lidar com esse nível de tensão e não se deixar levar pela paranóia coletiva e sua viagem é um pouco mais adiante (digamos daqui a umas duas semanas, por aí), talvez não seja necessário cogitar o cancelamento da viagem. Afinal, cada um sabe onde se sente mais seguro.

Abs,

Cris

Juvenal Rocha
Juvenal RochaPermalinkResponder

E agora?

http://noticias.uol.com.br/ultimas-noticias/efe/2015/11/23/eua-emitem-alerta-mundial-de-viagem-para-seus-cidadaos-por-terrorismo.htm

Com ataques chegando até na África, é difícil dizer para alguém viajar nos próximos meses...

Neftalí
NeftalíPermalinkResponder

Meu amigo, os EUA emitem dezenas de alertas e avisos todos os anos. Atualmente estão vigentes 48:
www.travel.state.gov/content/passports/en/alertswarnings.html
Tem advertências para a Colômbia, México e vários países da América Central. Tem alertas para ciclones no Pacífico Sul, para furacões no Golfo do México, para o Ébola e, claro, para possibilidade de terrorismo.
Evite transmitir essa paranóia coletiva. Mesmo a imprensa deve ser lida com parcimônia. Me lembro de, estando em Santiago do Chile para o terremoto de 2010, lendo jornais internacionais, inclusive brasileiros, a impressão era de que a cidade estava destruída inteira, com caos e histeria por todas as partes. Enquanto isso, em Santiago a vida continuava, com as pessoas trabalhando, comprando, namorando...As noticias ruins sempre vendem, "tudo voltando ao normal" nunca será manchete!

Robério
RobérioPermalinkResponder

Eu gosto de acompanhar os comentários aqui no blog e noto que as pessoas em geral tem muito medo de viajar. Tudo dá medo: a lingua que não conhecem dá medo, a comida que vão encontrar dá medo, o taxista em qualquer lugar dá medo, o cartão de crédito dá medo, o dólar dá medo, não conseguir fazer algum passeio dá medo, enfrentar fila dá medo, calor dá medo, frio dá medo, chuva dá medo, ir com criança dá medo, a cerveja que vão servir no resort dá medo, viajar dá tanto medo que eu não sei como é que esse povo sai de casa. Daí vem um troço desses e quem naturalmente já tem tanto medo é obvio que vai ter pânico. Olha só, moça que tá com medo de ir pra Europa inteira: tomara que tenha muitas e muitos como você no mundo inteiro. Sobra mais Europa pra nóis. Quem sabe os hotéis não baixam de preço?

Bete Amaral
Bete AmaralPermalinkResponder

Estou com viagem marcada de Madrid para Paris dia 30 de dezembro e passarei o Reveillon por lá...Já esta tudo reservado e pago, vou sim a Paris e curtir tudo. Acredito que o medo é exatamente o sentimento que os terroristas esperam de nos... entendo a insegurança de algumas pessoas, mas eu não me sinto assim.
Vamos trocando informações e eu assim que chegar, posto aqui minhas impressões sobre a cidade.

Abraços!

Melissa Viana
Melissa VianaPermalinkResponder

Entendo o medo que as pessoas estão. Fiz o roteiro Amsterdã/Londres/Paris em Novembro do ano passado e assim que desembarcamos no aeroporto em Schipol o que nos impressionou foi encontrarmos policiais altamente armados já nos acessos aos elevadores para pegarmos o trem. Já existia uma ameaça a bomba. Mantivemos nosso roteiro, e embora fosse muito comum ver aqueles policiais super armados, nossa viagem foi muito tranquila. Curtimos muito as 3 cidades, mas realmente, o clima em Paris era bem diferente. Logo depois, em Janeiro, aconteceu o atentado.

Neftalí
NeftalíPermalinkResponder

Oi Juliana. A Europa é um continente grande. Não acho que um português do Alentejo, um camponês suiço ou mesmo um vinicultor da Borgonha estejam sem dormir, com medo de atentados. Sem dúvida há uma situação anormal em alguns lugares específicos, mas você está exagerando bastante. Seria como recomendar ao turista estrangeiro que não viaje ao Brasil (ou à América do Sul), que evite ir às praias de Florianópolis, do Rio ou de Fernando de Noronha, pelo desastre ecológico no Rio Doce.
Achei brilhante o comentário da Bóia. Estatísticamente é mais perigoso morar em uma grande cidade brasileira que fazer turismo na Europa, mesmo na situação atual. Sem dúvida!
A vida sempre continua...Grande abraço!

Ricardo Freire

Juliana, nesse seu atual estado de pavor, realmente, viajar à Europa é um desperdício de dinheiro. Mas a colocação do Neftalí, desculpe, é totalmente cabida. Neste momento tem gringo vendo a foto do mar de lama no Espírito Santo e desistindo de vir ao Brasil porque na cabeça dele o litoral está todo contaminado...

Em 2006 eu estive em Angola, a trabalho, quando ainda era publicitário. Em Luanda os edifícios tinham marcas de bala nas paredes da guerra civil recentemente terminada. Estrangeiros não podiam pegar táxis na rua, porque não havia táxis na rua; todo o transporte era feito por carro com motorista previamente contratado. O lixo se amontoava (literalmente, eram montanhas de lixo) ao longo das ruas (não havia calçadas), e estrangeiros eram probididos de circular por determinadas partes da cidade.

Nas poucas vezes em que falei com angolanos, porém, eles manifestavam preocupação quando eu dizia que vinha do Brasil. "É muito violento lá, não?" Daí entendi: eles assistiam diariamente ao Datena pela Record Internacional, e tinham idéia de que o Brasil era mais perigoso que onde eles moravam, haha.

Em qualquer momento, se você caçar o noticiário querendo ver notícias ruins de qualquer lugar, encontrará. Mas enquanto isso, está todo mundo vivendo a sua vida e o mundo não pára de rodar.

Estive na Itália durante a guerra do Golfo. Todos os americanos tinham sumido, morrendo de medo de bombardeios. Foi uma das melhores viagens da minha vida.

Milena - Viver Plenamente Paris

Juliana, aqui na Europa SEMPRE que se encontra um objeto perdido (mochila, bolsa, pacote) o local é interditado até que o caso seja verificado. Pode ser uma meia hora ou 2 horas. Eh um procedimento de segurança, mesmo se em 99,99% dos casos foi simplesmente alguém que esqueceu a sacola. Isso jah acontecia antes desses ataques e vai continuar acontecendo, não tem uma relação direta com o que aconteceu agora. Mas como a oposição (e o povo) acha que isso aconteceu pois os governos deram bobeira (ausência de controle de fronteiras que deixa entrar armas, bombas, pessoas que não devem), os controles aumentaram.

Luciana Muhlert

Cheguei a pouco da Europa, estava em Évora no dia do atentado. Só soube quando cheguei tarde da noite no hotel quando recebi mensagens do Brasil me informando. Por lá tudo normal, sem nenhum problema. Estive também em Lisboa, no Porto e em Santiago de Compostela, tudo tranquilo também.

Milena - Viver Plenamente Paris

Escrevi recentemente sobre o assunto e morando em Paris, posso dizer que ha 20 anos a Europa (e a França) estão sob ameaça terrorista (e houveram muitos atentados nesse tempo), e não é por isso que as pessoas deixam de viver e de aproveitar. Morre-se muito mais em acidente de trânsito (no Brasil, mas isso em qualquer lugar), mas nem por isso as pessoas deixam de sair de casa de carro. Em Paris atualmente os lugares turisticos estão mais vazios, mas fora isso os moradores continuam saindo, se divertindo, indo a restaurantes, cinema, espetaculos, shopping.
Sim, sempre queremos mais segurança, mas é IMPOSSIVEL colocar um policial ou militar atras de cada individuo. E como os seres humanos são imprevisiveis, não existe o risco "zero".
Mas eu entendo e respeito quem queira mudar de planos!

Corina Damasio

Em janeiro, estava em Londres com meu marido e chegamos em Paris no dia do atentado ao Charlie Hebdo. Levamos um susto quando soubemos, à noite, o que tinha acontecido, mas mantivemos nossos planos é ficamos em Paris por quatro maravilhosos dias. Agora, estamos de novo com passagens compradas para Paris, em início de janeiro. Em nenhum momento pensamos em desistir da viagem. Moro em BH e a sensação que tenho é que a violência aqui é tanta que ja nos acostumamos com ela. Já não podemos andar com a janela do carro aberta, pois corremos o risco de sermos atacados com cacos de vidro por crianças e adolescentes em busca de um celular ou bolsa. Ao entrar na garagem, ficamos preocupados se tem alguém suspeito por perto. Não podemos ir ao centro da cidade com tranquilidade mais, em qualquer parte da cidade sentimos medo. Isso não é terrorismo? Paris, estamos chegando!

Bia Botelho
Bia BotelhoPermalinkResponder

Concordo com a conterrânea Corina. Aliás, concordo com o Guimarães Rosa: viver é perigoso.

Thiago
ThiagoPermalinkResponder

Tenho viagem marcada para Paris e Bruxelas, na segunda quinzena de março/16. Confesso que já pensei em desistir algumas vezes...

Atenção: Os comentários são moderados. Relatos e opiniões serão publicados. Perguntas serão selecionadas para publicação e resposta. Entenda os critérios clicando aqui.
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