Durante 140 dias, americanos entraram no Brasil sem visto. Foi difícil pra você?

Ricardo Freire
por Ricardo Freire

Isenção de visto para americanos

Este texto é o segundo de uma série que prometi no post Pra tudo não se acabar na segunda-feira e que teve início com o post Brazil com s: até quando o turismo brasileiro vai brigar com a língua inglesa?. De vez em quando você vai encontrar aqui mais um pitaco não-solicitado sobre como podemos avançar no turismo internacional.

Poucas coisas ferem tanto o orgulho nacional quanto a humilhação que passamos para solicitar visto de entrada nos Estados Unidos. A única coisa que nos serve de consolo é que submetemos os gringos que querem visitar o Brasil a uma humilhação parecida. Quando alguém, tipo eu, lembra que exigir visto de turistas americanos vai contra os nossos melhores interesses comerciais, e que o Brasil é um dos pouquíssimos países do mundo a usar da tal 'reciprocidade diplomática', o orgulho brazuca só aumenta. Somos muito poderosos! Os f#d%es do Terceiro Mundo! Chupa, Tio Sam!

Infelizmente todo esse orgulho não serve para diminuir um centavo sequer do déficit anual de US$ 11 bilhões da balança comercial do turismo. Somos o triste exemplo de um país com vocação turística que se conformou em ser exportador líquido de turistas, de receitas turísticas e de empregos no setor turístico (como se não bastassem todos os empregos de manufatura perdidos para a China). O México, a República Dominicana, a Costa Rica, o Peru, a Colômbia e a Argentina, que não exigem visto de norte-americanos, agradecem.

Americanos entraram sem visto na Olimpíada; sua vida piorou com isso?

No final de 2015, o Ministério do Turismo conseguiu emplacar uma exceção temporária na política de reciprocidade diplomática para viajantes de quatro países: Estados Unidos, Canadá, Japão e Austrália. A desculpa usada para conseguir dobrar o dogma do Itamaraty (compartilhado, diga-se, pela imensa maioria da população) foram os Jogos Olímpicos e Paralímpicos. Entre 1º de junho (pouco mais de dois meses antes do início da Olimpíada) e 18 de setembro (último dia dos Paralímpicos), americanos, canadenses, japoneses e australianos não precisaram de visto para entrar no Brasil, com direito de permanecer no país por até 90 dias depois da entrada.

Como eu já tinha comentado neste post, a medida foi tímida (deveria ter maior duração), foi anunciada tarde demais (sem tempo para a devida divulgação), numa época em que nem seria tão necessária assim (Olimpíada é um evento que justifica o esforço de solicitar um visto para um país que a pessoa não visitaria em outro momento se o visto fosse necessário), e em termos de resultados seria inócua. Ainda assim, segundo pesquisa do Ministério do Turismo, 75% dos visitantes destes países durante a Olimpíada -- algo como 40.000 turistas -- aproveitaram a isenção do visto, e 82% afirmaram que a dispensa do visto facilitaria um retorno ao Brasil. A Embratur está usando esses dados para pleitear uma extensão da isenção do visto por mais tempo, para que o impacto da medida possa ser ser corretamente avaliado.

A meu ver, o melhor resultado prático dessa isenção temporária foi que o tabu foi quebrado -- e ninguém notou.

Durante 140 dias, americanos (nem falo dos outros; nosso problema é com os americanos -- a reciprocidade é contra eles) entraram no Brasil sem visto prévio. Muitos deles ainda devem estar por aí (quem entrou até o dia 18 de setembro pode ficar por aqui até 17 de dezembro). E, pasme: ninguém perdeu o sono com isso. O Brasil não foi rebaixado no cenário mundial. Nenhum americano passou pela imigração tirando sarro da gente. Nenhum brasileiro foi individualmente prejudicado ou sofreu alguma humilhação a mais do que já sofre.

Nesse meio tempo, tivemos suspensão de presidente, mais fases da Lava-Jato, decretação de calamidade pública no estado do Rio de Janeiro, Olimpíada, o caso Ryan Lochte, impeachment (ou golpe, pode escolher), Paralimpíada, eleições municipais, PEC do Orçamento. Todos esses assuntos afetaram o dia a dia do país e muitos deles tiveram alguma repercussão internacional, influenciando a imagem do Brasil lá fora e a auto-estima dos brasileiros. Isenção de visto para americanos? Não foi assunto, não é assunto. Só é notícia quando se tenta mudar a lei. E só é importante naquele momento em que o brasileiro vai ao consulado americano solicitar visto e deseja que os americanos passem exatamente pelo mesmo calvário se quiserem vir para o Brasil.

O problema é que essa sede de vingança, que é natural e compreensível, é dirigida ao alvo errado -- o viajante, coitado, que não formula a política de imigração americana. E acaba não prejudicando em nada os Estados Unidos; o prejuízo fica todo com o Brasil.

Por que os Estados Unidos requerem visto de entrada para brasileiros

Porque são imperialistas, racistas e paranóicos? Em parte, sim. Mas o fundamento principal para os Estados Unidos exigirem vistos de visitantes de outros lugares é o potencial de enviar imigrantes ilegais. Os únicos países que não pertencem ao Primeiro Mundo e têm isenção de visto são a Coréia do Sul, Cingapura (ambos com renda per capita de país rico) e o Chile, que ganhou a isenção em 2013. (Antes do Chile, a Argentina chegou a ser isenta, mas voltou a precisar de visto depois da decretação da moratória.)

No auge da prosperidade dos anos Lula, quando nos tornamos o país emissor de turistas mais cobiçado pelos Estados Unidos, o Brasil chegou a ser seriamente cogitado para a isenção de visto ("visa waiver"). Mas as negociações esbarraram na intransigência da diplomacia brasileira, que não concorda com as exigências do programa aceitas por todos os países participantes do visa waiver: troca de informações sobre perdas e furtos de passaportes; troca de dados sobre 'passageiros que possam constituir ameaça criminal ou terrorista'; repatriações imediatas no caso de denegação de entrada. A União Européia, o Japão e a Austrália aceitam as exigências; o Brasil, não. (Segundo informa o Andre L., a AGU entende que aceitar essas exigências requereria uma emenda constitucional. Obrigado, Andre.)

Esquece, gente. Pro brasileiro ter isenção de visto aos Estados Unidos, a gente precisa enricar de novo, os dinossauros precisam ser extintos no Itamaraty e ainda precisamos emendar a Constituição. Não vai ser nesta encarnação.

Por que o Brasil requer visto de entrada para americanos

Porque somos xenófobos, burros e temos baixa auto-estima? Você provavelmente não vai concordar comigo, mas esta é a minha opinião. A nossa 'reciprocidade diplomática' não se deve aos mesmos motivos dos Estados Unidos -- ameaça de imigração clandestina ou paranóia terrorista. É a reciprocidade pela reciprocidade. Em que século estamos, Talião?

Temos a mais longa baixa temporada do planeta -- os 10 meses do ano em que não há férias escolares, e o turismo interno é devagar. Boa parte dessa baixa temporada não se justifica em termos climáticos -- o tempo às vezes é até melhor fora de temporada. Temos quartos de hotéis e pousadas e assentos em vôos sobrando, que poderiam ser ocupados por turistas estrangeiros. Mas daí achamos lindo criar uma barreira comercial para vender esses quartos e lugares vagos a um dos mercados mais importantes do mundo.

Não existe diferença entre uma barreira comercial auto-imposta para dificultar a venda de um excesso de produção de laranjas e uma barreira comercial auto-imposta para dificultar a venda de um excesso de vagas em hotéis. "Ah, mas laranja não tem honra". Tá bom. O problema é, de novo, usar o coitado do turismo como bode expiatório para nossos problemas de auto-afirmação.

Salvar a honra do país com a imposição de visto para americanos não cria um emprego sequer em Manaus (onde a crise causou a demissão de 37 mil pessoas na Zona Franca nos últimos 12 meses). Em compensação, ajuda a criar mais empregos no turismo de selva da Costa Rica e do Equador. Mas não tem problema: nossos desempregados acordam todos os dias de cabeça erguida, felizes de saber que nenhum turista americano folgado entrou livremente no Brasil como se aqui fosse um paiseco feito Argentina, México ou África do Sul.

Como o brasileiro consome viagens aos Estados Unidos

É difícil encontrar algum brasileiro que não se interesse em viajar para os Estados Unidos. Disney, outlets e Nova York estão sedimentados no imaginário do viajante em potencial e não têm substitutos à altura. (Uma visita à Disneyland Paris apenas aumenta a vontade de ir à Disney de verdade.)

A necessidade do visto não nos detém. E olhe que as regras são draconianas. Os americanos nos obrigam a preencher um formulário longuíssimo em inglês (sem opção em português) e a solicitar o visto pessoalmente, em consulados localizados em apenas quatro cidades brasileiras. Precisamos ‘provar vínculos com o Brasil’, e para isso temos que levar ao consulado mais documentos do que os exigidos para alugar um imóvel ou comprar um carro. Na primeira solicitação, precisamos fazer duas entrevistas – uma na triagem, outra no consulado – em dias diferentes, o que penaliza o solicitante que venha de outra cidade com gastos não apenas com passagem, mas também com hospedagem, só para tentar o visto. Mesmo assim, em 2015, 2.200.000 brasileiros estiveram nos Estados Unidos. Isso é 1% da população brasileira.

Em meio em toda essa via-crúcis – que, compreensivelmente, revolta o portador de passaporte brasileiro --, a diplomacia americana pelo menos teve o discernimento, há alguns anos, de desvincular a concessão do visto da compra prévia de uma passagem para os Estados Unidos. Pelo contrário. O consulado orienta os solicitantes a primeiro obterem o visto, e só então comprarem passagem ou pacote de viagem. Além disso, há uns três anos o sistema foi modernizado, e quem solicita renovação de visto nem precisa mais ir ao consulado: resolve tudo na triagem, que é terceirizada. Tirar o visto continua uma humilhação, mas um crédito deve ser dado: os caras se esforçaram de verdade para melhorar o processo (e o índice de vistos negados caiu).

O brasileiro se submete à humilhação da solicitação do visto porque os Estados Unidos são um destino desejado e insubstituível. Muita gente rentabiliza o perrengue fazendo várias viagens durante a vigência do visto. Outros procuram ter o visto válido para poder aproveitar promoções de passagem. O visto só é um impeditivo para a viagem do brasileiro... quando é negado, mesmo.

Como o americano consome viagens ao Brasil

É muito raro encontrar um americano que tenha tanta determinação de viajar ao Brasil quanto o brasileiro médio tem de viajar aos Estados Unidos. Para os americanos, somos um lugar exótico, mas também perigoso. E estamos longe de ser um destino insubstituível: no imaginário americano, fazemos parte do grande borrão chamado América Latina, onde as experiências são mais ou menos intercambiáveis.

(Cá entre nós: dificuldar a vinda de americanos só faz ajudar a perpetuar essa ignorância.)

Quando um americano/uma americana decide viajar ao Brasil, ele/ela já relevou o fator distância (o México e o Caribe são mais próximos) e desconsiderou o noticiário, repleto de crise econômica, violência e zika. Um americano/uma americana que decida ir ao Rio em vez de Cancún, à Amazônia em vez da Costa Rica e a entrar em Iguaçu pelo lado brasileiro em vez do argentino devia ser recebido/recebida com tapete vermelho, sorrisos e fitinha do Bonfim.

Ao contrário dos brasileiros, que sabem desde sempre que é preciso de visto para ir aos States, os americanos só descobrem a exigência quando partem para os finalmentes – muitas vezes, tarde demais. Só países muito fuinhas exigem visto de americanos. Na América Latina, além do Brasil, apenas Bolívia e Venezuela. (Cuba vende o visto no guichê do check-in da cia. aérea, ainda em solo americano.)

O mais curioso é que as exigências da tal reciprocidade diplomática, fonte de tanto orgulho para os brasileiros, são bastante assimétricas. A gente não tem coragem de retaliar olho por olho, dente por dente. Os americanos não precisam preencher um longo formulário em português. Não precisam comparecer em pessoa ao consulado. Não precisam levar escrituras de imóveis ou carteira assinada para provar que têm ‘vínculos’ com os Estados Unidos. Você que se sente humilhado na fila ou na entrevista do consulado americano, saiba que essa humilhação não é retribuída pela reciprocidade diplomática. Não, você não está vingado.

Em compensação, a nossa política de reciprocidade exige dos candidatos a viajar para o Brasil algo que os Estados Unidos não exigem dos brasileiros: passagem aérea comprada e hotéis reservados antes de pedir o visto. O Itamaraty está tão defasado na compreensão do turismo que não entende que passagens internacionais com preços abordáveis são normalmente não-reembolsáveis. Pedir a um solicitante de visto que invista numa passagem não-reembolsável sem garantia de que vai receber o visto (ou que o visto chegue a tempo para a viagem) não faz o menor sentido em 2016. Isso vai muito além de infligir constrangimento (que, admitamos, é a idéia central da reciprocidade): isso inviabiliza viagens. O americano não pode fazer como o brasileiro: tirar o visto e esperar aparecer uma passagem promocional. A reciprocidade, além de incompleta, é burra.

Além disso, o atendimento nos consulados brasileiros nos Estados Unidos está cada vez mais confuso, graças às verbas minguantes – uma situação sem solução à vista.

Seja sincero, viajante brasileiro: se o México pedisse para você primeiro comprar uma passagem aérea internacional para depois pedir o visto, tendo que se mandar seu passaporte pelo correio e ficar longe dele por três a quatro semanas, você continuaria querendo viajar para Cancún, ou trocava rapidinho pra Punta Cana ou Cartagena?

México, Chile, Argentina

Muitos negacionistas do turismo brasileiro (gente que acha que o Brasil não tem condições de receber turista estrangeiro, e que é melhor nem fazer esforço) justamente se tornam negacionistas do turismo brasileiro quando vão a um destino organizadíssimo de país pobre, tipo Cancún. O fato de o Brasil não ter nenhum lugar ‘de primeiro mundo’ como Cancún seria a prova de que a gente não pode competir nesse mercado.

Veja: eu nem acho Cancún tudo isso, e não acredito que o Brasil precise ter um lugar assim. Mas uma coisa é certa: Cancún não existiria se o México retaliasse os americanos com exigência de visto de entrada. E não só Cancún: o México tem hoje uma coleção de destinos impecáveis, que não dependem do mercado interno para prosperar. E os mexicanos ganham não só os empregos gerados pelo turismo estrangeiro, como a possibilidade de viajar com melhor infra pelo seu próprio país.

Mesmo no campo da reciprocidade, há maneiras mais inteligentes de retaliar. Em meados da década passada, cansado de esperar na fila do visa waiver, o Chile resolveu instituir a reciprocidade pecuniária aos países que exigem vistos de entrada para chilenos. Ao desembarcar no Chile, viajantes desses países têm que pagar uma taxa equivalente à cobrada dos chilenos para requerer vistos (no caso dos Estados Unidos, era US$ 160). É um jeito de preservar a honra dos chilenos (ou dos diplomatas chilenos) sem exportar empregos e receitas de turismo para o Peru, a Noruega ou a Nova Zelândia. Em 2013, as negociações pela isenção do visto americano para chilenos chegaram a um bom termo, e hoje só australianos pagam a taxa de reciprocidade (obrigado pela correção, Neftalí).

Durante os governos K a Argentina também se encheu de brios, mas não teve coragem de ir tão fundo quanto o Brasil. Adotou o modelo chileno de taxa de reciprocidade. A taxa foi abolida este ano, pelo presidente Macri, ante promessas americanas de aceleração do processo argentino no corredor do visa waiver. Com isso, a visitação de americanos no lado argentino de Iguaçu já aumentou 25%. A Embratur está pleiteando conceder um visto especial para americanos que estejam em Puerto Iguazú, para tirar uma casquinha do pragmatismo comercial argentino.

O fim do visto não vai funcionar sozinho

A Organização Mundial do Turismo, um órgão da ONU, aponta a exigência de visto de entrada como a barreira mais importante ao crescimento do turismo estrangeiro em qualquer país.

No caso do Brasil, é importante acabar com essa barreira, mas sem alimentar expectativas de estouro da boiada (que é que aconteceria se os Estados Unidos derrubassem o visto de entrada para brasileiros).

Não há demanda reprimida de viagens para o Brasil nos Estados Unidos, no Canadá, na Austrália ou no Japão. Mas são mercados promissores, que podem enviar muitíssimo mais turistas do que enviam. Fora do Cone Sul e de Portugal, que são mercados que conhecem e entendem o Brasil, nos outros países o Brasil interessará apenas a uma fração de viajantes. O importante é dar todas as condições a que esse público-alvo efetivamente venha (e ajude com o boca a boca a alargar o nosso público potencial).

Num primeiro momento, o que o fim do visto pode proporcionar é um pequeno aumento inicial de turistas vindos desses países. Mas a medida prepara o campo para que ações de promoção sejam mais efetivas e, no médio prazo, o Brasil consiga realizar o seu verdadeiro potencial nesses mercados.

Os negacionistas do turismo internacional no Brasil acham que não temos condições de receber turistas estrangeiros, e que não vale a pena nem tentar. Estão errados: basta ver o sucesso da Copa e da Olimpíada. O que o Brasil -- governo, iniciativa privada e povo -- precisa entender é que não deveríamos precisar de mega-eventos para receber turistas. Mas para trazer os turistas de fora é preciso reverter percepções internas, quebrar dogmas (como o da reciprocidade) e promover o país.

O fim do visto é apenas uma entre várias medidas que precisamos tomar. Nos próximos posts, escritos sempre que der tempo no fim de semana, vou apontar mais coisas que devemos fazer/mudar para tornar o Brasil competitivo no turismo internacional.

E se você não se conforma com a isenção temporária do visto para americanos, saiba que até o dia 17 de dezembro o último que entrou sem visto já deverá ter saído do país. Então você vai poder finalmente se olhar no espelho de novo e ver nossa dignidade nacional restaurada.

Leia mais:

83 comentários

Anna Francisca

Inútil e bobo esse nosso orgulho nacional.

Rafael Carvalho

Adorei o texto. Parabéns!

Rodrigo Alves Lacerda

Cara, que texto!! Estava em dúvidas com relação à esta reciprocidade diplomática mas sai de cima do muro agora. Parabéns! Ricardo Freire para Ministro do Turismo!!!!

Ines Martins Santos

Pensei a mesma coisa ao ler o texto. Riq para Ministro!

Gabriel Britto

A gente sabe que essa situação do visto para norte-americanos é ridícula, mas ver toda a estupidez organizadinha num texto mostra que ela é muito maior do que o imaginado.

Rogerio
RogerioPermalinkResponder

Sao vários os argumentos que o caso comporta e um deles é que a "reciprocidade" entre nações soberanas é um princípio importante.
Os EUA acaso fazem ou fariam isso com o Brasil se os jogos olímpicos fossem lá? É crível que não...
a questão não é se o cidadão comum nada sofreu pela vinda de americanos sem visto mas o de que o Brasil perdeu boa oportunidade de exigir reciprocidade para que os brasileiros não precisem de visto para entrar lá.

Rafael
RafaelPermalinkResponder

Desculpe Rogerio, mas como o Riq brilhantemente expôs em seu texto, a reciprocidade é uma política apenas estúpida. E essa opinião não é baseada em argumentos, mas em fatos, apenas. É só pensar em termos econômicos. O quanto se ganha impondo reciprocidade? NADA. O quanto se perde? Todos os turistas que deixam de visitar o Brasil e vão gastar seus dólares em outros países. É razão mais do que suficiente para abolir essa jabuticaba.

Ricardo Freire

Rogério, obrigado por comentar sem ler o texto! Vlw flw!

Ricardo Freire

Rogério, obrigado por não ter entendido nada do texto! Prometo aprender a escrever! Abraço!

Dri
DriPermalinkResponder

Talvez o Rogério seja um dos dinossauros do Itamaraty...

Julie Garcia
Julie GarciaPermalinkResponder

Que texto maravilhoso, Ricardo! Acompanho seu trabalho há anos, desde a minha adolescência, quando encontrei um dos seus livros perdido em uma prateleira da biblioteca do colégio. Desde então, sigo lendo o que você escreve. Hoje, como viajante apaixonada por aventura (seus livros me inspiraram a escrever sobre viagens no meu blog!), também acho esse lance do visto uma bobagem sem fim. Já fui a favor desse visto para americanos, mas hoje vejo com outros olhos e posso entender a necessidade de acabarmos com esse visto. Quem sabe alguém no Itamaraty não esteja lendo seu blog e entenda de uma vez por todas que o visto para americanos é desnecessário?

Abraços!

Hellen Chaves
Hellen ChavesPermalinkResponder

Texto irretocável! Essa "reciprocidade" nos leva a lugar algum. Quer dizer, leva para um buraco mais fundo o que o que já nos encontramos...

Camila Torres
Camila TorresPermalinkResponder

Agora é só o MTur enviar esse texto junto com o ofício solicitando a isenção. Só obviedades!

Oscar | Viajoteca.com

Excelente texto como sempre.. Não dá mesmo para entender esse negócio da reciprocidade diplomática, o que importa no final das contas são as divisas trazidas pelos turistas estrangeiros ao pais.. Nunca me conformei e não consigo me conformar por exemplo que um país com o tamanho de Singapura, consegue receber muito mais turistas que um pais com dimensões continentais e potencial como o Brasil....
Um ótimo exemplo de como a eliminação da exigência de visto alavanca o turismo é a Indonésia, que acabou com visto para os últimos 79 países em 21 de Março desse ano (inclusive o Brasil que tinha o visa upon arrival) e agora conta com 169 países livres de visto..
A titulo de curiosidade, em 2015 eles receberam 10,2 milhões de turistas estrangeiros, este ano a expectativa é de ultrapassar os 12 milhões.. em Julho a numero de turistas que visitaram o país já era de 300.000 visitantes a mais que o mesmo período do ano anterior.. Para 2015 a expectativa é de alcançar a marca de 15 milhões e chegar aos 20 milhões até o final de 2019.. Nestes últimos meses estive na Indonesia algumas vezes e inclusive participei de uma feira do trade em Jakarta na qual o ministro do turismo falava sobre esses planos que vão muito além da abolição da exigência do visto, mas também inclui a melhoria de aeroportos e criação de infra-estrutura para outras áreas com grande potencial turístico fora de Bali (principal destino de turismo daquele país), promoção comercial de outros destinos através da mídia tradicional e até mesmo através de influenciadores (blogs e redes sociais).. Ou seja com vontade política e com pessoas gabaritadas no Mtur e na Embratur e não seria difícil implementar políticas para atrair o turista estrangeiro..

Gustavo
GustavoPermalinkResponder

Sei que a isenção de vistos para americanos poderia ajudar um pouco a atraí-los, mas continuo achando que isso é um detalhe. Afinal, mesmo com exigência de visto é possível que esse processo seja facilitado. Por exemplo, esses dias tirei o visto pra ir pra China, não é preciso ir pessoalmente à embaixada, e o visto fica pronto em uma semana. Ou seja, a não ser o caso de você realmente não ter como justificar os recursos ou tiver algum outro problema, o seu visto será aprovado. Se a isenção do visto fosse uma solução deveríamos estar cheios de turistas europeus, visto que esses não precisam de visto.

Aliás, não precisamos de visto para ir à Europa, apesar de também existir um pouco da paranóia terrorista e problemas imigração ilegal. Porque é que pros Estados Unidos isso não seria nunca possível? Lembrando que isenção de visto não significa direito garantido de entrada.

Outra questão que não entendo é que muitos dos comentários desse blog são muito focados em turistas americanos. Ora, os americanos nem são grandes viajantes assim, a maioria viaja só dentro dos EUA, e quando muito vão para os países fronteiriços. Claro, é importante atrair turistas de todas as origens, mas não vejo essa medida como essencial. A simplificação da obtenção do visto (como os EUA já estão fazendo) pode ser suficiente. Acho que os problemas do turismo no Brasil são muito mais profundos e estruturais, e estão ligados aos próprios problemas do país, e que os turistas nacionais também enfrentam.

Ricardo Freire

Gustavo, isso que você falou sobre turismo doméstico c internacional nos EUA vale para qualquer país do mundo.

Os americanos são muitos - 318 milhões - e são muito ricos. Ano passado 78 milhões viajaram ao exterior. 7,5 milhões foram ao México (550 mil ao Brasil). 1,2 milhão de canadenses foram a Cuba (40 mil ao Brasil). Se você acha que não temos potencial para crescer, parabéns pelo apurado tino comercial.

Mas não se preocupe. Dia 17 de dezembro sai o último americano que entrou sem visto e voltaremos a ser a potência diplomática que éramos. Os outros países são muito burros de não seguir o nosso exemplo, né! Vlw flw

Santos
SantosPermalinkResponder

Riq, tô esperando vc comparar o Brasil com outro país da América do Sul ou Africa, que estão bem distantes dos EUA/Canadá… e não com países da América do Norte/Central como México e Cuba, que estão a 2/3h de voo. Vlw flw

Ricardo Freire

Seu raciocínio é excelente! Já que estamos mais longe do que o Caribe e o México, vamos oferecer maiores dificuldades para os mercados emissores mais ricos do continente! Já é tão difícil chegar aqui, o que custa colocar mais uns empecilhozinhos no caminho, não é? Dá mais emoção. Valoriza o destino. E se você parar pra pensar, quando é que o Brasil, com Amazônia, Pantanal, 5 mil km de costa, cidades históricas, Iguaçu, Chapadas, Rio de Janeiro, vai poder competir com Punta Cana, não é mesmo? 1.800.000 de turistas americanos na República Dominicana contra 550.000 visitantes americanos ao Brasil (uma boa parte deles, vindo a trabalho) está de excelente tamanho, não acha? Vamos deixar assim. Os desempregados da Zona Franca também devem concordar com você. Abraço!

Ricardo Freire

867.000 visitantes americanos à Tailândia em 2015, tá de bom tamanho pra você? (Isso é 50% a mais do que os que vêm para o Brasil -- e olha que o turismo de negócios de americanos no Brasil é bem mais significativo do que na Tailândia).

E a Argentina, que é mais longe que o Brasil, e está buscando atrair o americano jutamente para preencher o declínio do mercado emissor brasileiro? Ah, mas eles são entreguistas. A gente não. A gente só entrega empregos, e de mão beijada...

Ray
RayPermalinkResponder

Achei as dúvidas do Gustavo pertinentes, apesar de não concordar com todas elas e, infelizmente, achei sua resposta muito grosseira e irônica. Desnecessário.

Ricardo Freire

Bacana! Concordo com vocés! Os ganhos podem ser diminutos ou irrelevantes a ponto de não justificar um rebaixamento de tal monta do Brasil no âmbito internacional e do trauma que isso infligiria nas famílias brasileiras! vlw flw!

Thiago Castro
Thiago CastroPermalinkResponder

O Gustavo nem discordou, necessariamente, do seu texto. Só o abordou por outra perspectiva, aliás, com alguma pertinência, apesar de não achar q ele está certo em todos os pontos.

Concordo com o teor do seu texto (sempre achei bem idiota essa reciprocidade), porém achei interessantes os pontos que o Gustavo colocou. É para isso que serve um fórum não é? Para que fazer um texto desses e ter sessão de comentários se alguém não pode refletir sobre ele (o texto), ainda que esteja errado? Bastava vc ter parado no final do segundo parágrafo; o terceiro foi totalmente desnecessário, como o Ray (que tb foi ironizado desnecessariamente) falou.

Ricardo Freire

Thiago, eu não tenho a ilusão de convencer quem não quer ser convencido. Para isso já inventaram o Facebook. E isto não é um "fórum". Estou escrevendo esta série nos fins de semana para compor uma grande pensata sobre como fazer o turismo internacional no Brasil pegar no tranco, já que nem Copa e Olimpíada deram jeito. E na boa, não tenho tempo pra ficar contrapondo argumento de negacionistas (falo deles duas vezes no texto, caramba), de gente ingênua (que acha que conseguiremos mudar unilateralmente a política de entrada nos Estados Unidos como esse comentarista a que você se refere) e de gente presa a uma idéia de soberania nacional que seria compartilhada com qualquer general da ditadura. Nenhum dos comentaristas, repito, nenhum, contrapôs ao texto alguma vantagem em manter a política de manutenção de vistos. Só vêm com a mesma ladainha "não estamos preparados", "não vai fazer diferença", "os americanos são bobos e feios", "não sou como o povão, não tenho a menor vontade de viajar para os Estados Unidos". Tudo isso já devidamente abordado no texto.

E cá estou eu, perdendo meu tempo para responder patrulha de comentário. Eu mereço...

Neftali
NeftaliPermalinkResponder

Excelente texto. So uma pequena correcao, atualmente so australianos tem que pagar a taxa de reciprocidade ao entrar em territorio chileno, ja que o Canada tambem eliminou a exigencia de visto aos chilenos. O Japao tambem nao pede. Grande abraco, e espero que alguma autoridade brasileira leia o artigo.

Ricardo Freire

Corrigido, obrigado!

Túlio
TúlioPermalinkResponder

Perfeito. Realmente perder visita de gringo pro lado argentino das Cataratas é uma humilhação. Puerto Iguazu é uma cidade horrível sem nenhuma estrutura, enquanto Foz está ali do lado cheio de coisas para fazer.

Livia @liviajando

Riq, te amo! Mais um texto excelente! E muito sensato!

FLAVI
FLAVIPermalinkResponder

CARAca.... resumiu tudo!!!

Ricardo Freire, resumiu o supra sumo da coisa. O nosso orgulho nacional só serve pra o nacional. Nunca entendi mesmo esse lance de reciprocidade, vamos ver se sem o governo esquerdista as coisas melhorem! Luz no Itamaraty....

Parabéns pelo texto, ótimo como sempre

Ricardo Freire

Flavi, o antiamericanismo pode ser um sentimento mais facilmente atribuível à esquerda, mas essa questão da reciprocidade vai encontrar muitíssimos defensores à direita, também.

Erico Maia
Erico MaiaPermalinkResponder

A porta de entrada do canadense que quer ir ao Brasil se resume a São Paulo. O voo da Air Canada para o Rio de Janeiro foi cancelado semana passada. Tirando viajantes de negócios (cada vez menos) e brasileiros, quase nenhum canadense viaja ao Brasil devido ao transtorno que é o visto. Sinceramente, tem que ter muita vontade! Se não houvesse a necessidade do processo atual de visto, o potencial mencionado pelo Ricardo seria bem maior.

Cenário potencial: os canadenses acabam indo para o sul dos EUA e caribe nas férias de julho/agosto mesmo quando lá é muito quente e úmido. Sem visto, poderiam optar por uma semana no nordeste onde as temperaturas estão ótimas nessa época e, quem sabe, até num voo direto! Com o visto: não tem procura, o voo atual supre somente a demanda básica com raras promoções, além de que se for para ir a qualquer outro destino fora de SP/RJ se paga ainda mais, bem mais. Produto difícil de vender.

João
JoãoPermalinkResponder

Ótimas informações! Obrigado!

Fernanda
FernandaPermalinkResponder

Ótimo texto e com sempre com bons embasamentos! Preciso fazer um adendo .... kkkkkkkkkkk adorei os comentários do Riq... Vlw Flw

Daniel
DanielPermalinkResponder

Também gostei muito Fernanda. Só com o puro sarcasmo do Ricardo para o povo entender e refletir sobre o tamanho do problema e da perda de receitas e postos de trabalho no nosso Brasil. Que o Itamaraty avance nesse processo urgentemente. Parabéns Ricardo Freire pelo excelente artigo. "Vlw Flw"

Bruno
BrunoPermalinkResponder

Parabéns, os argumentos são muito sólidos. Facilitar a entrada de norte-americanos e canadenses no Brasil só traria benefícios. Tem que esquecer o revanchismo que gera a "reciprocidade diplomática". É humilhante obter o visto para ir aos EUA? É, mas o que o Brasil ganha praticando algo similar? Nem adianta falar em política pública, de direita, esquerda ou o caralho a quatro. Mudança dessa só sai na marra por meio de algum obstinado que queira comprar a briga.

Helder Ribeiro

É humilhante tirar visto de entrada nos EUA? Pra mim não. Não sou obrigado a ir pra lá, vou porque quero. Porque quando peso os benefícios e os sacrifícios (aqui incluindo o visto) eu acho que vale muito a pena. Não vejo nada de humilhante nisso. Ah, mas pra Europa não precisa de visto! Comparar os dois lugares não me interessa, mas se algum dia eu estiver entre um e outro e o visto for um empecilho eu ESCOLHO ir pra Europa porque vai me dar menos trabalho, não por ser humilhante.
Parabéns, ótimo texto as usual.

Alê
AlêPermalinkResponder

Ótimo texto. Eu sempre fui a favor da reciprocidade pois, confesso, queria que eles passassem pelos mesmos perrengues que os brasileiros. Mas nem sabia desses detalhes todos (que o visto deles nem era assim tão difícil) e nunca tinha pensado por esse ângulo. Concordo que a exigência de visto atrapalha o turismo. Eu, por exemplo, já não tenho muita vontade de ir para os EUA, quando penso que tenho que tirar visto então esse destino é descartado imediatamente. Mas bom seria que os milhões de americanos viessem gastar seus milhões de dólares no Brasil. Em outros tempos me preocuparia a invasão cultural norte-americana. Mas se esta já ocorreu mesmo, que pelo menos venha acompanhada de uma compensação financeira pro Brasil. Além do que, EUA dita moda no mundo inteiro (infelizmente). Então poderíamos também pegar uma onda nessa propaganda caso eles resolvam adotar o Brasil como destino turístico.

Guilherme
GuilhermePermalinkResponder

Parabens, Riq!
So tome cuidado com uma coisa, nesta serie que você se dispôs a escrever:
Corre o risco do Michel Temer ler , perceber que você é o cara que mais entende de turismo no Brasil, e te intimar a ser Ministro ... wink

Carlos Ribeiro

Eu sou um simples funcionário público, que em viajem à Europa em duas ocasiões, respeitosamente e quase anonimamente entrei e saí de países como Suíça, Áustria, Alemanha entre outras potências econômicas da Europa. Nós brasileiros no mínimo poderíamos sermos vistos e tratados com mais respeito por parte das "otoridades" do Tio Sam. Culpar a Diplomacia Brasileira por não concordar com as regras impostas pelo governo de Americano, não muda absolutamente nada, pois da forma que foi citado no texto, parece que os estadunidenses salvariam o turismo brasileiro de um colapso, visto que foi o contrário durante muitos e muitos anos o Brasil enviou muita gente pra gastar dinheiro por lá.

Ricardo Freire

Muito bem, Carlos! A gente não precisa do dinheiro desses estadunidenses mesmo não. Nem sei que moeda que eles têm. Deixa eles gastarem só no Caribe, até porque os pobres de lá precisam mais do que os pobres daqui, e se tem uma coisa que o brasileiro tem, é a generosidade com outros povos. Pensando bem, esse negócio de turismo é uma vergonha mesmo, se rebaixar para receber gringo, vamos nos concentrar em fazer aviões, que é algo muito mais digno (apesar de empregar bem menos gente). Abraço!

Marcia Ramos
Marcia RamosPermalinkResponder

concordo plenamente com o que foi dito...Mas confesso que devo ser uma das únicas pessoas que tem um visto dos EUA há cerca de 3 anos e não fui ainda e nem estou programada para ir ( última vez que lá estive foi na década de 90). Mas nesses 3 anos já estive no Peru, Bolívia, México, Guatemala, Honduras e Panamá, além de uma passadinha na Europa.

Andre L.
Andre L.PermalinkResponder

Acho que isenção de visto americano para brasileiros realmente vai demorar, menos pela rejeição (que já anda baixíssima) de vistos solicitados, e mais pelo fato de que compartilhar informações criminais sobre pessoas não condenadas, no entender da AGU e outros órgãos, exigiria uma Emenda Constitucional (violação da forte presunção de inocência no Direito brasileiro).

Como solução intermediária, poderia deixar o processo de visto brasileiro automatizado, documentos enviados por scanner se for o caso, formulário online, pagamento das taxas por cartão. O sistema usado pelos consulados brasileiros no Exterior é muito mal organizado, eles mal dão conta dos pedidos de vistos que realmente tem de ser bem avaliados (imigração, visto para cônjuge de brasileiro que quer se mudar ao Brasil etc).

Ricardo Freire

Obrigado, Andre! Eu já tinha lido sobre isso (será que foi você mesmo que escreveu?), mas tinha esquecido (e não apareceu na hora da pesquisa para compor o texto). Acrescentei ao texto.

Claudia
ClaudiaPermalinkResponder

Eu sou casada com um americano e enquanto moramos no Brasil, a mãe dele categoricamente disse que nunca viria nos visitar, por causa do visto, entre outras coisas. E em 2013, pelo menos, meu então futuro marido e o pai dele tiveram sim que ir pessoalmente no consulado brasileiro em dia marcado pra poder tirar o visto. E os dois tiveram que pagar essa taxa de reciprocidade pra poder ir na Argentina.

Ricardo Freire

Claudia, ir pessoalmente ao consulado, se existe consulado na sua cidade, deve ser o jeito mais rápido de conseguir. Mas dentro de suas áreas de jurisdição, os consulados brasileiros aceitam solicitação pelo correio. A taxa de reciprocidade argentina caiu este ano.

Claudia Lina
Claudia LinaPermalinkResponder

Os dois primeiros textos da série "Para tudo não se acabar na quarta-feira" já se mostraram ao que vieram: sacudir o mercado nacional de turismo. Ninguém melhor do que o viajante experiente para trazer novos ares a esta discussão. O Brasil (ou Brazil para o estrangeiro ler melhor) tem uma vocação imensa para o turismo, mas precisa facilitar a vida do turista internacional que não precisa de uma preocupação extra na sua viagem. Estou aguardando ansiosa os novos textos, muito bem vindos, sobre esse assunto.

Rejane
RejanePermalinkResponder

Excelente texto, esclarecedor!
Temos que repassá-lo para que mais pessoas tenham as informações corretas e repensem seus conceitos.

Igor
IgorPermalinkResponder

Os resultados do Brasil no turismo, tendo em vista as suas potencialidades, são ridículos, principalmente por problemas que afligem também os residentes: transporte coletivo ruim, insegurança, atendimento de saúde precário, dificuldade de acessar serviços, etc. Quanto ao visto exigido pelos americanos, eu acho que o maior interessado na continuidade das dificuldades que eles nos impõem para entrar lá seja o governo brasileiro. Vide o citado defícit de 11 bi.

Eduardo Barros Leal

Estive nos EUA há 25 anos, e não pretendo voltar, é nojento adular por um visto para poder gastar meu suado dinheiro em terras americanas. Dia 01/11/16, passarei minhas férias em três países do Oriente Medio, Emirados Árabes, Jordania e Israel, em todos, precisarei de um visto, mas apenas pagar uma taxa de imigração, cópia do passaporte e definir o tempo de permanencia .

Marcela
MarcelaPermalinkResponder

Acho tão triste esse pensamento de "nojento adular" por visto e perder a chance de conhecer um país tão incrível, com belezas naturais de todos os tipos (superem a ideia que EUA é só Florida e Nova Iorque, pelo amor de deus - acabei de voltar do Alasca e nunca vi lugar tão lindo na vida), que sabem receber seus turistas como ninguém e com uma estrutura de fazer MUITA inveja. Não acho humilhante tirar visto pra lá, não acho humilhante passar pela imigração. Acho humilhante a falta de estrutura e falta de vontade do nosso país em investir no potencial gigante de turismo que poderíamos ter.
Riq, palmas pra você, como sempre.

João das Neves

Quanta patada desnecessária nas suas respostas para quem, educadamente, discorda de seus textos Riq! Totalmente desnecessário!
Me parece que anda faltando tino comercial à você, por tratar seus leitores dessa forma. "Vlw! Flw!"

Ricardo Freire

Obrigado, João! Vlw flw!

Agora, a sério: o único argumento contra que eu aceitarei sem ridicularizar é "O Brasil tem uma posição geopolítica a resguardar e os interesses comerciais do turismo são pequenos diante disso". Discordarei, evidentemente; talvez lembrarei do aspecto social e dos empregos em questão, mas não contestarei a lógica da argumentação. Mas dizer que "o Brasil perdeu uma oportunidade de exigir o fim do visto durante a Olimpíada" ou ficar no achômetro negativista sem base nem números, desculpa, vai levar tiro. Esse negócio dá muito trabalho pra escrever pra deixar barato, entende?

Marcie
MarciePermalinkResponder

Texto lúcido e sensacional, como sempre.

Durante este período de isenção de visto, só eu conheço 7 pessoas que foram ao Brasil. Todos, sem exceção, voltaram encantados e jurando que voltariam muitas vezes se não tivessem que lidar com burocracia.

Sim, sei que 7 pessoas não salvariam a pátria, mas pensem para quantas pessoas eles contaram da viagem sensacional que eles tiveram.

( e nem vou falar, aqui, do perrengue que é ir ao consulado brazuca de NY...).

Rita
RitaPermalinkResponder

Gostei muito do texto. Bem explicado. Enquanto ficamos gastando nosso tempo com bobagem os outros países aceleraram muito em termos de turismo. Parabéns Ricky. Te admiro muito.

AIRMA
AIRMAPermalinkResponder

Tão longa dissertação sobre assunto que não interessa em nada aos seus leitores. ..
Parece que há um interesse oculto?
Sou uma viajante contumaz... encontro essa gente americana por toda parte...
Nunca vi alguém deixar de conhecer um país por causa do visto! É sempre chato, mas por que tanto interesse nesse assunto? Tá demais! Insultos, escárnio, desqualificação... relaxa cara! Toma remedio se precisar, mas mantenha-se calmo!

Ricardo Freire

Oi, Airma! Que eu saiba, quando um assunto não interessa, ninguém lê! Mas olha, gostei dessa teoria do interesse oculto, depois me esclarece qual seria por favor! Beijo no coração!

PS: eu tô calmo. Eu tô me divertindo, me deixa!

Neftalí
NeftalíPermalinkResponder

Interesse oculto? Ok, Comandante, confessa aí quanto a CIA está te pagando!
Mas realmente é necessária a exigência de visto aos americanos, pois se o Brasil liberar, corremos o risco de sermos invadidos por milhões de gringos ilegais, em busca do "sonho brasileiro", tirando nossos empregos e destruindo nossa cultura tropical. Deveríamos construir um muro em nossas fronteiras para prevenir essa ameaça, e como Trump, enviar a conta para os EUA.
PS: Estamos todos nos divertindo!

Tatiana
TatianaPermalinkResponder

Ricardo, gosto do seu tom irônico, o tema é tabu, mas achei que você pesou a mão...sabe, quando você usa termos "chulos" perde a razão?
Uma tecla que sempre é batida aqui, sobre letra maiúscula é gritar, comentar sem ler, fazer perguntas fora do contexto...enfim.
Nesse mesmo caminho, me senti agredida pelo seu texto.
Porque não sabia destes argumentos ( vamos combinar que não sou estudiosa de turismo, sou uma viajante), nunca encontrei ou sequer procurei maiores esclarecimentos nesse sentido.
Nunca fui pros EUA, não está na minha lista apesar da pressão dos meus filhos pequenos e da sociedade, porque sempre achei que "sair de férias" não inclui o sacrifício do visto.
Porque não curto a relação abusadora dos americanos com o mundo, nem o American Way of Life tão propagado entre nós.
Enfim, acho que quando for vou AMAR, mas não sinto vontade de pedir prá ir.
Não quero entrar no mérito da discussão, adorei seus esclarecimentos, só vim dar um toque:
Achei agressivo.
Não é seu estilo.
E nesse sentido, não entendi o objetivo.
( Sim, é por sua causa que viajo, mais e mais, adoro mesmo essa embarcação!?)
Com amor e gratidão,
Dadi

Ricardo Freire

Tatiana, infelizmente não dá pra agradar todos o tempo todo. Fui irônico (vou continuar sendo -- todos os meus argumentos sérios já estão no texto), mas não usei termo chulo nenhum. E veja: estou sendo irônico nas respostas. O texto não é agressivo, é incisivo. Eu sempre escrevi (já toquei nesse assunto inúmeras vezes anteriormente, apenas não fui tão completo) que, no Brasil, ser a favor da liberação do fim do visto para americanos é mais grave do que ser a favor da liberação da eutanásia. Comprovado mais uma vez.

Gustavo
GustavoPermalinkResponder

Texto impecável.

Só uma observação:
Vê-se que as críticas são fraquinhas, preconceituosas e meras variantes de "não gosto de americanos, logo não quero que eles venham aqui a despeito de qualquer benefício que eles possam proporcionar aos demais".

São apenas egos que, de tão exercitados em redes sociais, não admitem algo em que seu próprio umbigo não seja diretamente beneficiado.

Por fim, e algumas frases ditas revelam bem isso, temos o que fizemos por merecer. Resta ao máximo de nós exercitarmos a razão, como bem fez o Riq, e multiplicarmos a visão de um Brasil menos isolacionista.

Sabemos que estamos num estágio tão arcaico, logo, qualquer contribuição pode gerar um efeito positivo significativo.

Sabrina Bello
Sabrina BelloPermalinkResponder

Adoro a página. Escuto sempre que estou dirigindo, as matérias na rádio Band News fluminense. Sempre que vou viajar, dou uma garimpada no site pra saber mais sobre o destino escolhido! Desejo sucesso!!!

Raíssa
RaíssaPermalinkResponder

Que texto, Riq! Que texto! (cadê as palminhas dos emojis quando precisamos???)

vf
vfPermalinkResponder

O seu texto é muito interessante e com excelente argumentos, que causam alguma discussão. Como muitos sou grato a todas as informações que recebi aqui. Acho apenas que essa atitude "vlw flw " nas respostas surpreende, pois soa desrespeitosa.

Ricardo Freire

Encare como uma pequena política de reciprocidade diplomática. Assim como o interlocutor retruca por retrucar, sem demonstrar nenhuma, mas absolutamente nenhuma vantagem da manutenção do visto, desviando do assunto ou, em alguns casos, comentando sem ter ludi o texto com atenção, eu me dou o direito a não levar adiante a discussão. Abraço!

Próximoooo! Mais alguém do movimento Visto Sim, Flw Vlw Não? Pegue sua senha!

vf
vfPermalinkResponder

Mas eu concordo com o texto !

A Bóia
A BóiaPermalinkResponder

Que bom! Vlw flw!

Zara
ZaraPermalinkResponder

A isenção do visto é um primeiro passo importante, mas é preciso transformar o Brasil em um destino desejado. Afinal, não medimos esforços pra tirar o visto pros EUA ou pro Japão, outro país que exige um visto chatinho. Quem sonha em conhecer esses países vai, apesar do visto. E é aí que temos muito o que fazer.
Esperando pelos próximos textos!

Lola
LolaPermalinkResponder

Rogério concordo com você, acho que tem que ter reciprocidade sim. Se os brasileiros deslumbram tanto ir para os EUA, nada mais justo que quem queira vir para o Brasil também queira com tanto afinco. Não só de turistas americanos vivem os países turísticos. Tenho vários amigos europeus e asiáticos que vieram ao Brasil.. e detalhe meu melhor amigo um Taiwanes teve que solicitar visto para vir e não viu problema algum nisso.
Claro que quando é necessario tirar visto a viagem twm que ser mto mais planejada (viajei diversas vezes para europa antes de pensar em ir para EUA e Canada).
Bom espero ter deixado clara minha opinião. . Assim como Ricardo Freire o fez (forma mto mais elegante e bem escrita). .

Ricardo Freire

Excelente, Lola! Precisamos de idéias inovadoras como a sua para tirar o Brasil do marasmo na captação de turistas estrangeiros e e reduzir o déficit na conta-corrente do turismo. Realmente, dificultar a entrada é o melhor caminho, você acabou de me convencer com seus sólidos argumentos. Imagine se o seu amigo taiwanês pudesse ter vindo sem precisar de visto! Você se sentiria muito mal, não? Abraço!

Alexandre
AlexandrePermalinkResponder

Eu estava me preparando pra perguntar a sério quem realmente é contra a suspensão do visto pra americanos, pois pessoalmente nunca conheci ninguém que achasse que a tal da reciprocidade fosse uma boa idéia.

Aí vejo os comentários e vejo que, mais uma vez, o Ricardo tem razão. Uma coisa tão boba e inútil como essa realmente mexe com uma parcela dos nossos compatriotas.

Também gostei de ver gente que não leu direito os dois textos e já vem dizendo que a questão do visto é só uma ponta... como se o próprio Ricardo não tivesse deixado claro que esse era só o começo de uma série de posts sobre o assunto.

Alexandre
AlexandrePermalinkResponder

E quem escreve "estadunidense" já devia cair num filtro especial do blog

josé almeida
josé almeidaPermalinkResponder

Concordo realmente com essa bela reportagem, porém, Gustavo não deixa de ter razão, Europa não precisa de visto e nem assim temos tantos turistas de lá.
Triste é ver que o turista aqui é tão explorado qto em Buenos Aires; explorado mesmo! Ficam o ano todo sem ganhar e qdo vê um turista acha que vai tirar dele o que não ganhou fora do veraneio.
Parabéns pela reportagem..pega leve Riq, humildade é bacana, aceita as pessoas criticarem seu modo grosseiro que tratou alguns leitores. Abços.

Ricardo Freire

Estou esperando que alguém explique por que é vantajoso manter a dificuldade de entrada de cidadãos de qualquer país vir gastar seu dinheiro no Brasil. se pelo menos dissessem: eu acho, sim, que é que uma questão de soberania e que não podemos abaixar as calças para esses americanos, OK. Mas é sempre o "ah, não adianta mudar", "ah, é justo", "ah, não temos como receber turistas mesmo". A ~vantagem~ de manter uma política restritiva de entrada de turistas (não é de imigrantes, não é de ninguém que vai roubar empregos de brasileiros -- pelo contrário, é de gente que pode criar empregos para brasileiros) não foi demonstrada por nenhum dos contestadores. Desculpe, se a pessoa lê um texto todo concatenado e não consegue deixar de contestar com uma besteira qualquer (síndrome de Facebook), eu é que não vou deixar batido. Vlw flw!

Leonardo Bopp
Leonardo BoppPermalinkResponder

Estou aqui aplaudindo de pé.
O complexo de vira-lata está incrustado na alma do brasileiro.

Jorge Ricardo
Jorge RicardoPermalinkResponder

Parabéns pelo excelente texto, nos deu argumentos para começar a questionar e modificar esta situação.
Fico a pensar nos postos de trabalho que poderiam ser criados... e em todas transformações na cadeia produtiva do turismo brasileiro.

luiz silva
luiz silvaPermalinkResponder

Como seria otimo se os congressistas pensassem assim. Os USA tem muitos outros problemas que e claram forcal eles a serem mais cautelosos com a imigracao. Apesar da violencia no Brasil nao temos perigo iminete de atentatos terroristas. Nem temos o mundo todo querendo entrar nos USA pra viver la legalmente ou iligalmente.
Essa politica de olho por olho e dente por dente so faz o nosso povo perder milhoes dedolares, empregos e a possibilidade de crescer no turismo.
Mas, nao podemos esquecer que so isso nao e nescessario para crescermos no TURISMO. Precisamos aumentar os investimentos em divulgacao no exterior. Gastamos 17 milhoes em publicidade. A pequena ilha da republica dominicana gasta varias vezes mais o que gastamos, o Mexico uns 450 milhes de dolares. Cada dollar gasto em publicidade no exterior, se for bem direcionado traz muito mais ao Brasil.
Nunca vi um comercial na TV aqui nos USA do Brasil. E sempre estamos vendo comercial das Bahamas, Bermudas, Sta Lucia, etc. O povo americano precisa lembrar do Brasil para compra pacotes para o Brasil. Precisamos ter comerciais nas revistas, nas agencias de viagens e na tv.
Obrigado pelo post excelente. realmente voce e o cara.
Abs do Mister Brazil.

Diogo
DiogoPermalinkResponder

cara, concordo com tudo que vc disse, mas surpreendentemente no período de isenção vieram menos americanos que no ano passado: http://blogs.oglobo.globo.com/lauro-jardim/post/cai-numero-de-turistas-americanos-durante-periodo-da-dispensa-de-visto.html

Ricardo Freire

Diogo, o Itamaraty está operando uma guerra intensa de contra-informação porque a medida de isenção está sendo enviada para a (desgastadíssima) Câmara nesta semana.

O fato é que, como eu já tinha advertido aqui -- https://www.viajenaviagem.com/2016/01/dispensa-visto-olimpiadas -- a isenção foi anunciada muito tarde, e sem divulgação necessária. Acabou beneficiando unicamente a quem veio para a Olimpíada -- justamente aqueles que, por causa exatamente da Olimpíada, viriam de qualquer jeito, mesmo se o visto fosse ainda mais trabalhoso do que é.

Divulgada em cima da hora, a medida só beneficiaria viagens de impulso. Daí entram dois fatores: zika e a cobertura negativíssima do Brasil nos meses pré-Olimpíada. A zika, para mim, é o fator mais relevante, e vai impedir todo crescimento de turismo vindo do hemisfério norte. Mais uma razão para a gente impor menos barreiras para quem se dispõe a vir (e a investir em promoção e divulgação, coisa que simplesmente não fazemos).

Mas olhe: eu já joguei a toalha. Vou continuar escrevendo minhas coisinhas porque eu quero completar essa 'tese', mas tenho cada vez menos esperança de que a gente realize o nosso potencial turístico. A maioria dos brasileiros pensa exatamente como o Itamaraty: turismo internacional é coisa de paiseco, atrair visitantes é entreguismo, turistas estrangeiros atentam contra a soberania nacional, e digno mesmo é vender avião. Essa politização/ideologização do turismo é uma tristeza.

Beto
BetoPermalinkResponder

Agora precisa ser atualizado novamente o texto. As novas medidas do Trump de janeiro de 2017 acabam com a isenção de entrevistas para renovação do visto americano - essa isenção de entrevista era (ainda é?) uma prática adotada nos consulados no Brasil e alguns outros países (essa isenção de entrevista também valia para alguns outros casos).
Ou seja, se não for pensado um outro meio de agilizar o processo de obtenção do visto norte-americano, vamos voltar para aquele esquema de muita paciência e perda de tempo para renovar um... aqui está o trecho do decreto ("executive order") do Trump que suspende o "Visa Interview Waiver Program":
" "Sec. 8. Visa Interview Security. (a) The Secretary of State shall immediately suspend the Visa Interview Waiver Program and ensure compliance with section 222 of the INA, 8 U.S.C. 1222, which requires that all individuals seeking a nonimmigrant visa undergo an in-person interview, subject to specific statutory exceptions."
como o texto diz "imediatamente", parece que as entrevistas para todos voltam já.

Atenção: Os comentários são moderados. Relatos e opiniões serão publicados. Perguntas serão selecionadas para publicação e resposta. Entenda os critérios clicando aqui.
Bóia de férias. Só voltaremos a responder perguntas que forem postadas a partir de 3 de junho. Relatos e opinões continuarão sendo publicados.
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