Enquete: brigas em viagem (conte a sua!)

Ricardo Freire
por Ricardo Freire

Brigas viagem

Mural de visitantes na Casa de Julieta, em Verona

Viajar em boa companhia é tudo de bom. A gente tem com quem dividir as experiências, as alegrias, as eventuais frustrações -- e, claro, as despesas.

Mas tem o outro lado da (ops) moeda. Viagens em dupla, em família ou em turma põem à prova namoros, amizades e até casamentos.

Não tem jeito: viajar junto é ter que escolher, e portanto negociar, a todo momento. Pizza ou sushi? A pé ou de táxi? Uma noite ou duas nesse lugar? Pelas placas ou pelo Waze? A dica da sua amiga ou a dica do meu amigo? Economizar ou abrir o bolso? Vamos garantir agora ou deixar para o último dia?

A diferença de personalidades e de aptidões -- que costuma temperar os melhores relacionamentos -- em território desconhecido pode ser fatal. Quando co-viajantes não levam doses iguais de espírito esportivo na bagagem, perrengues corriqueiros podem ser alçados a situações-limite.

Em viagem se faz, em viagem se paga. A pessoa que planejou a viagem inteira e executou todos os movimentos -- simplesmente porque é melhor nisso do que a outra metade da dupla -- pode ser crucificada por um errinho besta. Por outro lado, o perdedor de qualquer queda-de-braço será o primeiro a apontar o dedinho do 'Eu avisei!' quando ficar claro que tinha razão.

Às vezes, um caso de compatibilidade total de gênios fica prejudicado por uma incompatibilidade total de ritmos. A dupla mais desastrada de viagem que pode existir é formada pela sra. Nãodurmo Endólar com o sr. Nãomadrugo Nasférias. (E eles vivem viajando juntos mesmo assim.)

Sem falar que todo mundo está sujeito a acessos de mau humor que não dava para prever quando a viagem foi planejada. De TPM à perda de um campeonato, passando por dor de dente e extravio de mala, o que não falta são imprevistos que afetem apenas um dos viajantes e prejudiquem a harmonia do grupo.

E tem outra. Antigamente você podia brigar em paz durante toda a viagem. Mas hoje precisa manter as aparências no instagram. Atire o primeiro pau de selfie quem nunca deu um sorriso falso ao lado de quem queria esganar.

Mas quem é que nunca brigou com sua companhia de viagem, não é mesmo? (Se não brigou, lamento informar: um dia ainda vai brigar.)

Conte daquela sua briga em viagem

Conta pra gente: como foi a sua briga em viagem? Foi passageira (ops) ou estragou a viagem inteira? (Ou, pior, o relacionamento?) Você já viajou de novo com alguém depois de vocês terem brigado em viagem? E mais: a partir da sua experiência, que conselhos você dá para evitar brigar com quem viaja junto?

À caixa de comentários, viajantes do meu Brasil!

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63 comentários

Patrícia
PatríciaPermalinkResponder

Fiz minha primeira viagem internacional no ano passado. Fui à Tailândia e, pra não ir sozinha, fui impelida a pagar toda a viagem para uma terceira pessoa, uma familiar. Organizei absolutamente tudo, desde a compra das passagens até a seleção das cidades e passeios. Arquei com todos os custos, exceto a compra de lembrancinhas.
Não teve nenhum arranca rabo sério, mas algumas pequenas discussões e momentos de um clima esquisito. Algo que me deixou bem chateada foi o fato de que a pessoa vez ou outra reclamava que queria ir embora, que queria voltar pra casa. Um desânimo enorme pra fazer os passeios. Assistindo o pôr do sol maravilhoso no alto de uma montanha em Pai, e ela reclamando que já queria ir embora pro hotel.
Comendo um Pad Thai com a vista incrível de Railay Beach, e ela estressada, me dando patada.
Se eu escolhia um lugar que, apesar de parecer legal por fotos, era uma porcaria pessoalmente (aconteceu 3 vezes), ficava aquele “peso” sobre mim. Mesmo que ela não dissesse nada, aquele olhar julgador, entediado estava ali.
Acabei perdendo vários passeios muito legais, porque ela estava tão desanimada pra ir que eu já ficava acanhada em insistir. E eu não poderia deixá-la sozinha, porque não falava nada de inglês e se sentia insegura.
De qualquer forma, a viagem foi ótima. Mas acho muito importante escolher muito bem a companhia antes de ir e não arcar com todos os custos de ninguém. É muito injusto.

Denize
DenizePermalinkResponder

Minha mãe brigou comigo porque..."esqueci: de levar TODO guarda roupa dela para uma viagem de três dias. Ah, ela tem 80 anos...melhor ficar em casa com o guarda roupa dela.

Tânia
TâniaPermalinkResponder

Estive em Santorini, na Grécia, com o meu marido. Ele encheu o saco porque não queria que eu entrasse nas lojinhas espalhadas pelo percurso. Como eu não liguei, ficou de cara amarrada o tempo todo. Ao final, entramos em um restaurante maravilhoso de frente para o mar, pedimos um vinho e um peixe delicioso e tudo acabou bem!

Denise
DenisePermalinkResponder

Gosto muito de viajar sozinha mas nos últimos tempos uma grande amiga que tem a mesma sintonia viaja comigo. Uma gosta do dia e a outra da noite, mas acontece o respeito entre nós... Hoje uma cede porque amanhã é a outra que vai ceder em alguma coisa. Tem que ser assim ... Então dá certo. Fazemos um caderno com as dicas daqui inclusive e levamos anotado tudo... os passeios, os museus, os valores de cada um, os restaurantes mais em conta dentro do nosso paladar... Sempre dá certo. O chave do sucesso é planejamento. Antes de viajar tbm fazemos vários encontros já determinando tudo. Boas viagens para todos.

Francisca
FranciscaPermalinkResponder

Exatamente como ocorre na vida real. A minha dica é escolher bem a pessoa e definir o que se espera da viagem antes de ir. Pq interesses podem até ser diferentes , mas o perfil das pessoas têm que bater. Eu sou muito independente, então, preciso estar com alguém no msm estilo, pq qdo os gostos e necessidades conflitarem, cada um p lado naquele momento. É a melhor coisa p preservar a amizade.

Sandra Nascimento

Eu julho de 2010 eu tinha 10 dias de ferias para tirar, mas como eram uma sobra do primeiro período, minha filha estava na sua primeira viagem internacional e meu dinheiro estava empenhado nas despesas dela, a grana estaria mais curta, entao ficaria em casa para fazer passeios por perto.
Uma amiga que com quem eu ja havia viajado algumas outras vezes me ligou dizendo que compraria um daqueles pacotes "compre 1e leve 2" parcelado no cartao dela, pagaria todas as despesas altas que fizessemos e eu pagaria a ela parcelado em varias vezes, comecando depois do segundo mês da viagem. Mesmo com toda essa oferta, relutei por dias para aceitar, mas fui convenvida por ela e por mais dois amigos que seria otimo negocio. Fomos para Joao Pessoa para ficar 7 dias...
Nos 3 primeiros dias fizemos os passeios basicos e mais baratos, mas como começou a garoar muito (disseram que la chove muito apesar do calor), decidimos conhecer Olinda, que fica vizinha alguns quilômetros.
Para essa viagem minha amiga decidiu alugar um carro e dividiriamos o valor (a conta viria depois do segundo mes). Ai começaram os problemas...
So depois de alugar o carro ela me perguntou se eu ja estava fera no volante (eu tinha acabado de tirar a carta e nunca tinha pego um volante sozinha) e qdo eu disse que nao, ela ja se estressou pq teria que dirigir o tempo todo.
A estrada para Recife estava em obras e em pessimas condições. Toda hora tinha que frear e fazer um desvio do nada. Muito cansativa pra ela, eu concordo!
Qdo chegamos em Recife ja era tarde, mas adoramos a cidade e conhecemos quase tudo. Como nao tínhamos programado nada tivemos que procurar um lugar para dormir e o valor da hospedagem para um dia foi o olho da cara. Mesmo assim aproveitamos a cidade.
Na volta para Joao Pessoa de novo o estresse da estrada em obras e qdo chegamos no hotel, minha amiga estava ate com febre por causa do estresse e do cansaço. Resultado: ficou de cama os dois ultimos dias da viagem e veio pra casa doente.
Mas o pior ainda estava por vir.
Nossa viagem foi no final de julho e pela logica das negociações eu so começaria a paga as despesas feitas com ela, no final de setembro.
Mas para minha surpresa, ja no mes de agosto, um dos nossos amigos em comum me liga pra dizer que minha amiga de viagem estava p...da vida comigo, pq havia arcado com toda as contas na viagem e eu ainda nao tinha pago nada a ela, que o aluguel do carro ja havia sido pago e que eu havia mentido sobre dividir o volante na estrada com ela o que a deixou doente e sem aproveitar direito a viagem.
Ainda disse a ele que apesar de eu dizer que nao tinha dinheito pra viajar, tinha aproveitado todas as feirinhas da cidade, comprado lembrancas pra todo mundo (comprei 1 vidro de pimenta para meu pai e 2 camisetas para minha irma e mae) e ainda tinha escolhido o hotel mais caro em Olinda para ficar mesmo sabendo que ja tinhamos pago a hospedagem em Joao Pessoa.
Fiquei tao indignada com a história que ela contou aos amigos que fui ao banco, peguei um emprestimo, depositei na conta dela tudo de uma vez o que devia e nao falei nada.
No mes seguinte ela me ligou perguntando se eu havia esquecido nosso trato de comecar a pagar as despesas. Desliguei o telefone na cara dela sem resposder nada, tirei uma xerox ampliada do comprovante de depósito e mandei em um envelope por correio.
Depois desse episodio fiquei sem falar com ela por um ano. Ela me ligou e liga sempre perguntando o "por que" nao a chamo para as viagens que faco e comenta que lembra com carinho da viagens boas que fizemos, mas decidi nunca mais dar margem para acontecer a mesma coisa daquela nossa viagem.

Marcela
MarcelaPermalinkResponder

Olha, a primeira coisa que aprendi é sempre viajar com quem está no mesmo espírito que o seu. Perrengues vão surgir, e se a pessoa já não se entende bem como você nessas situações no Brasil, não é fora do Brasil que vai dar certo.

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