Congresso sabota lei que poderia trazer low-costs para o Brasil (e o público aplaude)

Ricardo Freire
por Ricardo Freire

Low costs no Brasil Norwegian

Quinta-feira passada a Comissão Mista da Câmara e Senado alterou o texto da Medida Provisória que autoriza a participação de até 100% de capital estrangeiro em cias. aéreas nacionais. A liberação do capital estrangeiro foi mantida, mas a comissão incluiu um 'jabuti' (medida fora do escopo principal da lei): a volta da obrigatoriedade de despacho gratuito de uma mala de 23 kg em vôos nacionais.

A medida foi vivamente comemorada nas redes sociais. Oba, bagagem vai voltar a ser grátis! Vai acabar essa pouca vergonha de cobrar bagagem!

Desculpa ser o tiozinho chato, mas: comemoramos errado, pessoal.

Só a concorrência baixa preço

A única situação que pode forçar uma queda de preço de bagagem é o aumento da concorrência. De preferência, com a chegada de cias. low-cost.

A liberação dos 100% do capital estrangeiro foi pensada principalmente para atrair cias. low-costs ao Brasil.

Só que, com obrigatoriedade de gratuidade de bagagem -- e sob um ambiente de insegurança jurídica em que o Congresso legisla sobre o modelo de negócio das low-costs, totalmente consolidado no mundo inteiro -- elas não virão.

As. Low-costs. Não. Virão.

Além disso, a lei não altera a cobrança de bagagens em vôos internacionais. Ou seja: aquelas duas malas de 32 kg gratuitas não vão voltar mais. Nem mesmo aquela única mala de 23 kg que vigorou durante algum tempo. O pessoal comemorou a manchete, sem ler o texto. Estamos jogando fora a possibilidade de ter low-costs por causa da nossa recusa em viajar só com mala de mão em vôo nacional.

Aviação brasileira: concentração e enxugamento

Com a falência da Avianca Brasil -- que, por sinal, está provocando um aumento traumático de tarifas nas rotas em que operava --, vamos ficar restritos a três cias. aéreas: Latam, Gol e Azul.

Desde o auge da recessão em 2016, a tônica das três tem sido o enxugamento de rotas e vôos. Novas rotas só têm sido implantadas mediante vantagens fiscais pontuais concedidas pelos governos dos estados. A competição diminuiu em inúmeras rotas importantes, aumentando os preços.

Agora veja você. O Brasil é o único grande mercado da América do Sul que continua sem uma única cia. low-cost operando vôos domésticos. Argentina (Norwegian Argentina, FlyBondi), Chile (Sky, SmartJet), Peru (VivaAir Peru) e Colômbia (VivaColombia, Wingo) têm low-costs. Todas cobram por bagagem nas tarifas mais em conta.

(No México, onde ainda existe lei obrigando ao transporte gratuito de bagagem em todas as tarifas, a super-low-cost Viva AeroBús oferece uma tarifa sem bagagem mediante uma declaração de renúncia pelo passageiro do seu direito à bagagem despachada.)

O 'jabuti' da bagagem deixa os deputados e senadores bem na foto com as redes sociais, mas torna a liberação do capital estrangeiro para cias. aéreas, na prática, inócua. Porque, repito, desse jeito as low-costs não virão.

A percepção é a de que estamos punindo as cias. que estão aí. A realidade é que vamos garantindo que as três vão continuar por mais e mais tempo sem concorrência.

Bagagem 'gratuita' foi só o último direito a cair

A lei mais importante para tentar destravar o mercado de aviação no Brasil está sendo sabotada por causa de um fetiche. O fetiche da bagagem 'grátis'.

A bagagem nunca foi grátis. Quando não é cobrada por fora, tem seu custo incorporado à passagem -- inclusive dos que não despacham bagagem.

O Brasil foi um dos últimos mercados importantes do mundo a liberar a cobrança de bagagem à parte, e ainda não nos conformamos com isso.

Ao longo dos últimos 25 anos, porém, vários outros direitos dos passageiros foram suprimidos.

Todos aumentavam o custo de voar e acabavam pagos por todos os passageiros, não apenas pelos que usufruíam deles. No começo, a supressão de cada um desses direitos doeu. Hoje, nem sequer lembramos de que já tivemos alguns deles. (Tomar whisky em vôo nacional, que tal?)

Uma pequena lista:

O fim do direito de reservar a passagem sem comprar na hora

Sim, qualquer reserva podia ser prorrogada indefinidamente -- bastava ter um bom agente de viagem. Um amigo meu tinha sempre reservas para Florianópolis, Rio e Salvador para o mesmo dia -- e confirmava na véspera para o lugar que tivesse melhor previsão do tempo. Como é que um sistema desses se sustenta? Não se sustenta. Varig, Cruzeiro, Vasp e Transbrasil não estão mais entre nós.

O fim do direito de remarcar a passagem sem custo

Nas décadas de 80 e 90, qualquer passagem tinha validade de 1 ano a partir da compra. Se não fosse usada no dia para o qual tivesse sido comprada, não havia nenhuma penalidade. Era só fazer uma nova reserva e usar a passagem já emitida. Em contrapartida, o overbooking era a regra (e não a exceção), e ir até o aeroporto para entrar na fila de espera de um vôo teoricamente lotado era uma experiência bastante comum.

O fim do direito de desdobrar qualquer passagem sem custo

Antigamente você podia 'desdobrar' uma passagem em vários vôos ao longo do itinerário, como se fosse trem. Em 1983 eu comprei uma passagem São Luís-São Paulo pela rota do litoral e vim parando em Fortaleza, Natal, Recife, Maceió, Aracaju, Salvador e Rio de Janeiro. Custo adicional: zero.

O fim do direito de comer e beber (inclusive bebida alcoólica) em todos os vôos

Até 2001, em qualquer vôo doméstico era servida comida quente, e o carrinho de bebidas incluía whisky, vinho e cerveja. Foi só com a chegada da Gol, em 2001, que o serviço de bordo ficou minimalista. A opinião pública reagiu inconformada ao fato de serem servidas apenas barrinhas de cereal, mesmo em vôos de longa distância. A Gol quer matar os passageiros de fome! (LOL)

O fim do acúmulo de milhas em todas as tarifas

O fato de nem todas as tarifas darem direito ao acúmulo de milhas ainda hoje traz indignação aos participantes dos programas de milhagem.

Por que tantos direitos foram perdidos? Será que é porque as cias. aéreas são malvadas e estão pouco se lixando para os seus clientes?

As cias. estão longe de ser santas -- como toda empresa, querem obter a maior rentabilidade possível.

Do outro lado do balcão, porém, estamos nós, os passageiros, que decidimos a compra de passagens basicamente por um fator: o preço.

Para oferecer preços mais baixos (e, internacionalmente, competir com as low-costs), as cias. aéreas precisaram enxugar custos, cortar privilégios e luxos (ao menos do passageiro da classe econômica).

Trocamos os nossos direitos pelos preços baixos que procuramos.

Tarifação de passagem: como funciona

Entender a tarifação das cias. aéreas não é para amadores. É o puro suco do capitalismo. O sistema atual foi inventado na década de 80 nos Estados Unidos e é conhecido como yield management (gestão de rendimento).

Esse sistema maluco é o que faz com que o seu vizinho de assento no avião possa ter pago o triplo do preço que você pagou -- ou um terço do preço que você pagou.

É esse sistema que permite que exista a megapromo -- e que faz o preço da passagem subir à estratosfera nas férias.

É esse sistema que faz com que um vôo direto a Paris custe mais caro do que um vôo a Roma com conexão em Paris, porque vôo direto tem mais valor (e, por isso, mais chance de atrair compradores dispostos a pagar mais caro) do que vôo com conexão.

É esse sistema que faz com que a ponte aérea entre Rio e São Paulo custe entre R$ 120 e R$ 1.400 o trecho, dependendo do dia e do horário do vôo e da antecedência da compra (eu já paguei esses dois preços, agorinha há pouco, e no mesmo mês -- abril).

Uma explicação bem grosso modo de como a coisa funciona:

  • O software da cia. aérea calcula quantas passagens podem ser vendidas pela tarifa mais cara possível num determinado trecho, dia e horário.
  • A partir desse número o software, baseado em histórico de vendas e buscando a máxima rentabilidade possível, determina quantas passagens podem ser vendidas em outras faixas de preço, e com quais antecedências devem ser postas à venda.
  • A conta inclui a expectativa de receita com alterações e cancelamento de bilhetes, além de receitas auxiliares (venda de produtos a bordo, embarque prioritário, marcação de assentos e despacho de bagagem por clientes que compraram a tarifa mais barata).

O objetivo das cias. aéreas, obter a maior rentabilidade possível, é o oposto do objetivo do passageiro, que é pagar o menos possível pela passagem.

Por isso as cias. aéreas, copiando o modelo das low-costs, retiram do preço da passagem tudo o que pode ser cobrado à parte, para a passagem parecer mais barata na hora em que o passageiro faz a pesquisa de preços.

Só não dá pra dizer que isso é uma trapaça porque você pode de fato voar com a tarifa mais barata publicada, sem pagar nada extra. Basta viajar com bagagem de mão e se conformar com não marcar assento na hora da reserva.

Ou seja: aquela tarifa de 1.800 reais ida e volta para Londres da Norwegian é de verdade. A ponte aérea de 120 reais ida, quando aparece, também é de verdade.

(É diferente de quando você fazia uma pesquisa de passagens e apareciam preços sem taxas incluídas. Na hora de fechar a compra, as taxas sempre acabam incluídas -- não dava para comprar a passagem sem pagar por elas. Mas não me lembro das pessoas reclamarem disso naquela época como reclamam hoje da bagagem.)

Se voltar a regra da gratuidade de bagagem em todas as tarifas, então a expectativa de receita de despacho de bagagem vai ser incorporada ao preço das passagens de todo mundo, até de quem não despacha bagagem.

Desde 2001 o preço das passagens é livre no Brasil. As cias. aéreas podem cobrar o que quiserem pelas passagens. O que não puder por lei ser cobrado de maneira avulsa pode ser cobrado, sem nenhum impedimento legal, dentro do preço da passagem.

As cias. aéreas sempre vão cobrar o máximo que puderem. O aumento da concorrência é a regulação mais eficiente que existe.

Por que o preço da passagem não caiu com a nova regra?

É unânime: o consumidor não percebeu diminuição no preço das passagens depois do início da cobrança da bagagem nas tarifas mais baratas. Em muitos casos, percebeu um aumento de preço.

Existem muitas razões para isso.

O início para valer da cobrança coincidiu com uma nova escalada do preço internacional do petróleo. Para complicar, estamos vivendo um novo ciclo de desvalorização do real. Dois fatores que encarecem as passagens.

Além disso, as cias. aéreas seguiram eliminando vôos e reduzindo a oferta de assentos, o que tende também a aumentar as tarifas -- sobretudo nas rotas em que sobre apenas uma cia. operando.

Quando a regra começou a ser implantada, eu avisei que não se deveria nutrir grandes expectativas. A grande qualidade da lei, eu escrevi, era preparar o terreno para a chegada de low-costs. Aí sim a gente ia ver vantagem.

A única low-cost que veio baixou o preço, sim

Pois bem: a única low-cost que veio para o Brasil depois da regra, a Norwegian, é prova de que eu estava certo. Se você entrar hoje no site da Norwegian, vai achar facilmente datas em que pode voar do Rio a Londres por 450 dólares ida e volta (sem bagagem; com bagagem, a conta sobe a 550 dólares -- ainda uma tarifa baratíssima para um vôo direto).

A Air Europa, que é uma semi-low cost, também tem oferecido tarifas parecidas para Madri.

Para que low-costs como a própria Norwegian (que abriu uma subsidiária na Argentina) possam operar vôos domésticos no Brasil e trazer os preços para baixo, é preciso que a legislação permita o funcionamento do modelo low-cost.

Só assim a liberação do capital estrangeiro em cias. brasileiras terá resultado no nosso bolso.

Por que lutar contra a vinda de low-costs?

É muito desagradável pagar para despachar bagagem, mas é o que acontece no mundo inteiro. Se essa regra não emplacar no Brasil agora, vai emplacar mais tarde, é questão de tempo.

A vantagem dessa regra ser validada agora é que pode acelerar a vinda de cias. verdadeiramente low-costs ao Brasil, como já ocorre na Argentina, no Chile, no Peru e na Colômbia.

Cias. low-cost que possam oferecer concorrência de verdade às cias. que a gente já têm -- e cuja vinda pode ajudar a forçar o governo a desarmar as outras bombas que encarecem a aviação no Brasil.

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66 comentários

Yara Xavier
Yara XavierPermalinkResponder

As pessoas aprendendo a viajar sem levar o guarda-roupa nas costas já seria um adianto.

Bruno Meireles

Não adianta um texto super correto ( no conteúdo ,inclusive, no qual concordo que somente com concorrência conseguiríamos baixar preços ) , enquanto que a promessa que tirar a bagagem iria baratear as passagens, e não foi isso que aconteceu , de sobremaneira. Foi exatamente o contrário : voar aqui dentro é caro , e está mais caro!

A Bóia
A BóiaPermalinkResponder

Olá, Bruno! Isto está comentado no texto, dê uma olhada com atenção.

Hegon Rocha
Hegon RochaPermalinkResponder

Concordo com o Bruno, a promessa foi baratear passagens, de fato não aconteceu. Mas na composição do preço tem diversos fatores e essa promessa se esvaiu, ficou só o gosto amargo do preço alto. Excelente Artigo!!

João
JoãoPermalinkResponder

A passagem estaria mais cara ainda. Tem acompanhado o preço do combustível? Sabe o peso do dólar na aviação?

Paulo
PauloPermalinkResponder

Texto excelente! Pena ver blogs de milheiros especializados aplaudindo a mudança. Vcs são sempre mto sensatos!

Bia Santos
Bia SantosPermalinkResponder

Olá, muito bom o texto, concordo com a necessidade de cobrança de bagagem, porque acredito na concorrência.

Uma dúvida, porque retirar a marcação do assento na hora da compra? O que isso interfere?

Obrigada

A Bóia
A BóiaPermalinkResponder

Olá, Bia! Essa é uma 'venda acessória' inventada pelas low-costs pra criar receita extra. Originalmente, nem havia marcação de assento em low-cost.

As cias. convencionais copiaram para diferenciar as tarifas e estimular a escolha de uma tarifa menos barata. A tarifa mais básica não dá direito a escolher lugar, o assento é determinado pelo sistema. Outras tarifas permitem a marcação já no momento da reserva. Certos lugares podem ter custo extra.

A política varia de cia. para cia.

RODRIGO LACERDA

O problema é que as companhias convencionais copiaram o modelo das low costs nos serviços mas não nos preços. Como é que o brasileiro médio vai aceitar numa boa? Isso me lembra o caso do preços dos combustíveis que quando sobrem nas refinarias, sobem nos postos, mas quando baixam nas refinarias, não baixam nos postos. O pessoal tá cansado deste tipo de coisa.

Ricardo Freire

Rodrigo, o problema é que não há low-costs no Brasil. E o brasileiro médio contribui para que a gente nunca venha a ter.

Eduardo Augusto

Muito bem dito.

Irene
IrenePermalinkResponder

Tem uma questão importante. Em duas viagens que fiz, levando apenas a mala de mão, do Rio/Recife e Rio/Ilhéus, ambas pela Gol, presenciei uma grande confusão na porta de embarque. Os funcionários, totalmente estressados, tentando impedir o embarque das malas (dentro do padrão estabelecido) na cabine, alegando que não havia mais espaço dentro. A minha não deixei que levassem. Não estava trancada, tinha objetos de valor e eu tinha pressa em desembarcar. Estava no meu direito. Se querem cobrar pela bagagem despachada, precisam estar preparados para acomodar bagagem de mão de todos os passageiros.

Bruna
BrunaPermalinkResponder

EXATAMENTE!!! Li em outro blog que em um Boeing 737-800 (capacidade para 184 passageiros) cabem 118 malas de bordo padronizadas. Ou seja, se todos levarem uma mala (por direito), 66 terão que ser encaminhadas ao porão. Mais de 1/3 teria que despachar!! Podem até não cobrar por essas bagagens, mas que causa um mal estar no embarque, ah, isso causa!

marilia gama
marilia gamaPermalinkResponder

Sim!!! Quando compro a passagem na qual diz que inclui bagagem de mao ate 10kg está incluso eu levar minha mala comigo.É abuso as cias me pedirem pra despachar na porta do avião. Que se virem as cias, não é problema do passageiro se não há lugar .

Nina Standerski

Texto perfeito, tinha dúvidas sobre essas questões e termino de ler com todas as dúvidas respondidas! Parabéns!

Edson
EdsonPermalinkResponder

O problema foi que a promessa era de redução de tarifa nas atuais empresas que operam no Brasil.
Criou -se uma expectativa de diminuição de preço a curto prazo.

Expectativa frustrada pelas razões aqui publicadas.

Maria
MariaPermalinkResponder

Exatamente! Todos sabíamos que o valor das bagagens estava embutido no valor das passagens. Nada é de graça ali. Com o fim da obrigatoriedade, ventilou-se que o valor das passagens iria cair, caiu? Não. Aí a justificativa para as companhias não reduzirem os valores foi da alta do petróleo, passando pela crise política, chegando até as eleições.

Cristina Maria Vieira Carvalho

Excelente texto!!!

Luiz Dias Neto

Excelente análise. Não é a toa que apenas no México não há low-costs. È o velho populismo político travestido de "meus direitos" que tanto encanta "ainda" os brasileiros. Tá na hora de acordar. Só o liberalismo econômico e a concorrência livre poderá solucionar esses problemas.

A Bóia
A BóiaPermalinkResponder

Olá, Luiz! No México até tem. Mas uma delas conseguiu driblar a obrigatoriedade da bagagem gratuita oferecendo esse contrato em que o passageiro abre mão do direito por uma passagem mais barata. E, claro, é a classe tarifária que esgota primeiro...

Roberto Pereira Franco da Fonseca

No primeirodia da Norwegian paguei Rio-London-Rio U$464 ! Dentro do esperado!!

Neftalí
NeftalíPermalinkResponder

Excelente texto, mais explicado impossível, estou 100acordo! Mas infelizmente, brasileiros adoram um populismo, hoje mais que nunca! E nossos políticos são simplesmente, o reflexo da sociedade brasileira.
Por mim, pagando barato, viajo até em pé. Acho injusto que eu, com a minha mochilinha, financie a mudança do cidadão que viaja com duas malas de 32 kgs. O curioso que essa mudança da lei original se dá quando há um interesse aparente da chilena JetSmart (dos americanos Indigo Partners) em entrar no mercado brasileiro. Isso sem falar na Norwegian...
Mas enfim, tentar explicar tudo isso, mesmo de modo tão brilhante como o expressado no texto, finalmente termina explodindo nesse grande muro da ignorância.

Dani S.
Dani S.PermalinkResponder

Mais um ótimo texto, Riq, lúcido e realista! Parabéns pela sensatez - e continuamos a campanha Riq pra Ministro-Rei do Turismo!!

Rafael Veloso
Rafael VelosoPermalinkResponder

Concordo em gênero, número e grau!! Parabéns pelo texto

Maria Emilia
Maria EmiliaPermalinkResponder

Low cost no Brasil não equivale a low price. As empresas desmembram todos os serviços agregados, cobram por fora, e mantêm o preço anterior sem qualquer vantagem para o usuário.
Num cenário de dólar caro, afetando o custo de leasing das aeronaves, combustível caro, tributação excessiva sobre bens e serviços, taxas e tarifas aeroportuárias escorchantes, ônus trabalhistas elevados, não é uma singela mala que vai afastar companhias aéreas estrangeiras interessadas em operar no Brasil.

Ricardo Freire

Maria Emilia, não existem low-costs no Brasil. Por isso as cobranças à parte parecem fora de lugar. Mas para atrairmos low-costs e esta regra fazer sentido, é preciso que a legislação permita o modelo de negócio das verdadeiras low-costs.

E não é 'uma mala' que vai afastar as cias. É o Congresso se meter a decidir o que pode ou não pode ser cobrado num vôo, e que inviabiliza, como eu disse, o modelo de negócios das low-costs.

Na verdade as cias. convencionais só precisam da lei para poder competir em igualdade de condições com as low-costs. Mas sem low-costs, elas estão apenas competindo entre si. É esse o círculo vicioso que precisamos romper.

Se você prefere que os R$ 60 da bagagem do vôo doméstico sejam incorporados ao preço da sua passagem, já pode fazer isso sem esperar o fim da gratuidade. É só comprar a tarifa que inclui a bagagem, ela normalmente custa os mesmos R$ 60 mais caro.

Paulo Maior
Paulo MaiorPermalinkResponder

Excelente texto. Tirou muitas dúvidas que tinha.
E brasileiro gosta de reclamar e de moleza, já dizia Gerson. Aqui no Brasil jogam lixo no chão e querem levar o guarda-roupas de graça no avião para uma viagem de três dias, mas esse mesmo brasileiro quando vai para o exterior não joga guimba de cigarro no chão, não atravessa fora da faixa de pedestres e não se importa de pagar trinta dólares por mala despachada num voo de meia hora. Vai entender....

Jorge Melo
Jorge MeloPermalinkResponder

Gostei do texto, parabéns como sempre! Respeito cada opinião complementar postada aqui, inclusive daquele que pretendeu ser o único a possuir toda a inteligência e certeza do universo. Vamos torcer para que alguém lá no poder possa achar a forma que melhor vá atender a todos nós de forma justa e correta. Eu já aprendi a rodar o mundo com apenas uma mala de mão e minha mochila.

Antonio
AntonioPermalinkResponder

O texto esta extremamente esclarecedor. Eu ja me acostumei a pagar por bagagem e escolher o assento. Mas como explicado no texto ha varios tipos de tarifa, cada um escolhe o que interesse. Sem concorrencia o preco nao vai abaixar nunca. Parabens pelo texto.

Pedro
PedroPermalinkResponder

Simplesmente sensacional o artigo.

Bianca
BiancaPermalinkResponder

Desculpa, mas como cidada mexicana discordo completamente de que no mx nao tem low cost. Existe a Volaris e a Viva aerobus, com voos de 20 a 50 dls o trecho. Qualquer extra, o preço sera um adicional e funciona muito bem.

Diogo Tiné
Diogo TinéPermalinkResponder

Não é porque algo é de 'graça' que não está sendo pago. Só está sendo repartido entre todos os passageiros. A medida mais eficiente para baixar os preços das passagens é aumentar a concorrência, não concentrar o setor mais ainda agora que a avianca está saindo do mercado. Queria só destacar uma parte do texto que pode passar batida: é só questão de tempo essa cobrança de bagagem se tornar a regra do mercado. O Brasil insiste no atraso mas um dia o futuro chega e quem não se adaptar (passageiros e empresas) vai ficar para trás. Parabéns pela análise, lúcida como sempre.

Luiz Franceschin

Mas uma vez nossos politicos acreditam que do plenário do congresso eles podem tudo.Além de imbecis algumas vzs e picaretas em outras eles acham que podem contrariar a lei de oferta e procura através de lei.
A imbecilidade dessa medida é tão grande que acredito que interesses pessoais estão em jogo.

Andre L.
Andre L.PermalinkResponder

Um comentário acessório: se tem uma cobrança que melhorou bem a experiência de viajar, ao menos a minha, foi a cobrança por assento reservado. Explico.

Quase todas minhas viagens (homem, saudável, na faixa 25 a 35, quase sempre sem companhia) são em voos bem cheios. Maioria dos meus trechos é em cias. mainstream.

Antes da cobrança por assento ser universalizada eu era quase um imã para,, "moço pode trocar esse assento comigo"? E a troca sugerida era quase sempre downgrade tipo sair de corredor e ir pra assento do meio, sair de fila mais na frente e ir pro fundão, ou aceitar viajar do lado de alguém com criança.

A cobrança de assento eliminou quase esses pedidos de troca. Principalmente se vc paga um pouco a mais pelos assentos preferenciais. Eu lembro, uma década atrás ainda no Brasil, como pessoal de certo perfil demográfico sentava na fila de emergência e tentatava convencer quem tava lá marcado a trocar. Ou como reservando assento naquelas duplas em avião grande chegava casal quase exigindo viajar ali se o voo fosse longo. Pagando, isso diminuiu muito.

Bruna
BrunaPermalinkResponder

Eu e meu marido já fomos constrangidos por uma comissária da Latam para trocar de assento. Isso com as novas regras, onde haviamos pago para estar naqueles assentos. Ela falou bem alto que eles contavam com a compreensão dos passageiros e se o voo atrasasse a culpa era nossa. Me recusei a trocar, pois havia pago... Deu um rolo geral e no fim percebemos que ela só queria que um trouxa trocasse o corredor para ela poder trocar outra pessoa que se recusava a deixar o seu assento que também era corredor.

Moacyr Lopes
Moacyr LopesPermalinkResponder

André, não tive essa sorte. Sou Diamante na Azul e tenho assento preferencial no espaço azul em todos os voos. O que tenho visto é que, com a cobrança de marcação do assento, muitas famílias e casais deixam o check in para a última hora. Ai, não conseguem assentos juntos. E a Azul coloca estas pessoas lá no espaço azul para fechar o voo, geralmente em poltronas separadas. Ai vem a aeromoça pedir para vc trocar, sair lá do Espaço azul e ir lá para trás, como citou a Bruna. Eu bato o pé e não troco, só em casos extremos, como uma pessoa idosa com acompanhante ou uma pessoa enferma. E a cobrança por malas e a briga por espaço nos bagageiros se dá por omissão das empresas em fiscalizar o tamanho das bagagens, o que começou a ocorrer agora. Já vi gente com 3 malas de mão e as aeromoças fazendo cara de paisagem. Numa ocasião, ela pediu para eu colocar minha mala embaixo da poltrona, eu recusei e deu o maior bafafá. Exigi meu direito ao espaço no bagageiro e ela acabou despachando a bagagem da outra pessoa, que ficou p... comigo. Voar tem sido uma verdadeira guerra. Um abraço

Andre L.
Andre L.PermalinkResponder

Ainda sobre low cost não tendo mais assento não marcado: isso aconteceu não só por quererem aumentar ancillary revenue mas principalmente pq chegaram a conclusão que o corre corre nos portões de embarque e ônibus de apron atrasava o embarque e as pessoas correndo pra guardar lugar pra família, namorado, amigo acabavam gerando discussões e mais atrasos. Além disso vários aerorprotos reclamaram do comportamento agressivo que a política do chegou sentou causava com gente formando filas muito antes to embarque, correria com acidentes (quedas, tombos em malas) quando havia troca de gare... Com check in online dominando o mercado ficou fácil atribuir assento, ganhar grana com isso e impedir o efeito estação terminal Barra Funda no embarque.

Andre L.
Andre L.PermalinkResponder

Infelizmente a lista de intervenções e propostas esdrúxulas das excelências do Congresso no transporte aéreo são muitas. Só que eu me lembre, nos últimos 3 anos houve propostas de lei para:
- limitar a diferença de preço máximo e mínimo de tarifas em um voo para um fator de 3 apenas.
- obrigar empresas aéreas a operarem voos regionais completamente antieconomicos como condição de acesso a novos slots em CGH, GRU, SDU
- assentos livres e/ou meia passagem para estudantes com cartão jovem e idosos
- obrigação de cias aéreas darem uma espécie de publicidade gratuita para os órgãos de turismo dos destinos onde operam
- descontos obrigatórios para casos de morte de parente, vestibular, concurso público, procedimento em tribunal fora da residência

E ainda teve o MP do Acre protestanto e entrando na Justiça para obrigar as aéreas a cobrar o mesmo valor por km em linha reta dos voos saindo de Porto Velho para os voos saindo de Rio Branco.

José Aguiar
José AguiarPermalinkResponder

Ótimo texto.

Na teoria, claro.

Na prática, no Brasil, as coisas funcionam ao contrário: com a vinda das Low Costs, ao invés de iniciarem competição pelo preço mais baixo, vão se “cartelizar” com as companhias brasileiras e cobrar o preço mais alto possível.

Infelizmente.

Ricardo Freire

Isso mesmo, José. O negócio é nem tentar. Deixar como estar. Porque se a Norwegian vier para o Brasil, ela vai cobrar caro, e não cobrar barato como ela está cobrando na Argentina. Não é? Você tá dizendo, então é isso mesmo. Pra que arriscar mudar, certo? Melhor continuar com essas três dividindo as rotas quase sem concorrência. Excelente!

(Juro que eu não sei o que é pior: ler e não entender, ou ler, entender e ter esse tipo de postura.)

ELIAS GEDEON
ELIAS GEDEONPermalinkResponder

Eliminar a gratuidade do despacho de bagagens, não é suficiente para garantir a vinda das low-costs. O governo precisa, também, assegurar slots em aeroportos mais movimentados para permitir a operação dessas cias no Brasil.

A Bóia
A BóiaPermalinkResponder

Olá, Elias! No exterior as low-costs costumam ser pioneiras em aeroportos secundários. Em Buenos Aires, por exemplo, a FlyBondi está usando o aeroporto de El Palomar. Dificilmente low-costs usariam aeroportos como Santos Dumont e Congonhas.

Andre L.
Andre L.PermalinkResponder

Se os slots forem precificados, em geral são caros onde há excesso de demanda (local e horário).

Isso dito, no Brasil só há 4 aeroportos com carga de vôos que os deixam com limitações para expansão rápida.

Congonhas é o caso de maior restrição, a demanda para voar direto à Zona Sul de São Paulo seria mais que o dobro dos voos atuais se houvesse espaço.

Santos Dumont é limitado nos horários de pico.

Guarulhos é bem carregado nos horários do fim da madrugada e início da noite (por conta dos vôos intercontinentais de longa distância bem concentrados ali).

Brasília tem restrições no horário de pico (embora isso tenha melhorado muito com a nova sinalização, agora as duas pistas operam de forma completmente independente lá).

Todos os outros aeroportos do Brasil tem capacidade ociosa pra acomodar sem muito problema vários novos vôos. E tem um mega-aeroporto para vôo internacional com mais de 70 ocisosidade das 6h a meia noite - Galeão.

Agora low-cost voando ponte-aérea SDU-CGH, esquece. Os slots são caros demais. E se estivessem ali não teriam porque não cobrar caro pelo vôo mais concorrido do hemisfério sul.

Marcelo Jesus
Marcelo JesusPermalinkResponder

Há uma frase tão famosa quanto antiga: "não existe almoço grátis...", simples assim.

Conveniência custa dinheiro. Quer levar uma mala despachada "sem pagar"? Ok. Mais alguma coisa senhor? "marcar assentos livremente?". Feito. Quê mais? "refeições com bebidas alcoólicas na faixa?". Pronto... Obviamente o custo disso vai ser diluído em todas as tarifas.

Fora do país, onde há competição, tudo isso é normal, é pago, e atende a conveniência de quem quer.

Viajo muito com adolescentes e terceira idade, pra mim é conveniente marcar os assentos previamente para que ninguém viaje "sozinho", resultado disso? Paguei à parte para marcar os assentos na Iberia, na Air Canada, na Air France, na Ryanair...

Casal viajando somente com uma mala M? Compro dois bilhetes com tarifação diferente, uma com mala despachada e a outra não.

O que parece que muita gente não entendeu é que não se trata de cobrar por despacho de bagagem ou não para atrair ou espantar companhias low-cost, mas sim o fato de que estas questões podem ser decididas e autorizadas (ou proibidas) via Congresso, ou até mesmo Medida Provisória (o que é mais rápido e inesperado...). Essa incerteza é que espanta as empresas.

Excelente o texto, claro, elucidativo, técnico, enfim, quem quiser subsídios para entender encontra.

Rodrigo
RodrigoPermalinkResponder

O grande problema na cobrança do despacho da bagagem foi a cartelização dos preços. Todos iguais e baseados sempre na empresa que cobra mais caro. Cabe salientar que a gratuidade de despacho de clientes ouro e diamante estão incluídos na passagem de todos, também.

Ricardo Freire

Rodrigo, o problema maior é a falta de concorrência. É da falta de concorrência que advêm todos os outros problemas. Colocar novos entraves à entrada de outras cias. aéreas justo no momento em que a lei permite capital estrangeiro é um tiro no pé.

Alessandro Ayres

Parabéns Riq por mais uma excelente análise!

O único ponto que me desagrada no modelo atual é a cobrança pela reserva de assento em voos que claramente não são low-costs. Quando compro uma passagem efetivamente barata, não vejo problema em pagar pela reserva de assentos. Inclusive costumo comprar. Agora, quando compro uma passagem internacional cara, me sinto um pouco ofendido por eles quererem cobrar a reserva, pois não tem custo algum para a companhia aérea e, portanto, não influencia em nada o custo da passagem. É comum passagens de mais de 4 mil reais não incluírem assento como se fosse algo muito natural. Além disso, nesses casos também não serve para seduzir o cliente a comprar uma tarifa mais cara, pois normalmente a tarifa imediatamente superior é tão mais cara que a reserva de assento não compensa.

Fazendo uma analogia, me sinto como se tivesse pagando caro para comer em um restaurante renomado e o mesmo resolvesse cobrar uma taxa extra para me sentar na mesma mesa que minha esposa e filho. Concordo com todas as outras reduções de custos das companhias aéreas, mas essa eu simplesmente não entendo.

Ricardo Freire

Alessandro, a gente só vai sentir efeito positivo desse sistema com mais concorrência. A cobrança à parte serve para low-costs oferecerem preços realmente baixos, e também permite às cias. convencionais concorrerem melhor com elas. Agora: sem a entrada de competidores low-cost, esse sistema traz pouco resultado. Nas rotas internacionais onde atuam Norwegian e Air Europa (e também nos vôos que saem do novo hub de Fortaleza para a Europa) já vemos tarifas mais em conta (mas sem bagagem).

Jorge
JorgePermalinkResponder

Parabéns! Texto correto, com dados e ainda com o viés político certo!

Vinícius
ViníciusPermalinkResponder

Sou totalmente a favor das entradas das low cost, apesar de ter 2 pés atrás que os preços das passagens venham diminuir. Sempre virão os Homens do mercado dizer que não foi possível devido ao dólar, ao petróleo, ao governo, a crise não sei de onde, etc...Porém é uma tentativa.
Bem antes de cobrarem por bagagem despachada já viajava com mala P dentro da cabine, então quando começou a cobrança pouco me importei, entretanto nunca me iludi que a passagem diminuiria pq não teria que pagar pela mala do outro despachada, tem que ser muito iludido para acreditar em promessas de empresas. A única coisa que mudou é que agora todos levam malas dentro do avião, então nunca consigo espaço no bagageiro próximo onde estou sentado, bagageiros entulhados. Mas tudo bem, temos que acostumar a ser gados, o Mercado funciona assim.
Agora, se voltar a ser "gratuita", o que acontecerá é que cobrarão no valor da passagem aquilo que nunca deixaram de cobrar.

Altino Briga Junior

Parabéns pelo texto. Muito esclarecedor e joga luz sobre o que está por trás da questão da cobrança ou não das bagagens. Há muito mais em jogo do que isso.

Marilia Gama
Marilia GamaPermalinkResponder

Já me acostumei a viajar só com a mala de mão é uma bolsa. Quem faz isso uma vez nunca mais quer saber de despachar mala. Só não concordo com o que estão fazendo agora de forçar o despache da mala de mão no portão de embarque.

Fábio Barros
Fábio BarrosPermalinkResponder

Parabéns pelo texto lúcido, realista e objetivo sobre um tema sensível no setor aéreo Brasileiro que está agonizando e que infelizmente não foi vislumbrado pelo congresso, onde infelizmente ainda se mantém o foco em medidas populistas de curto prazo.

Luis Eduardo Pontes

Todo livro introdutório de Economia traz a frase: "No capitalismo, não existe almoço grátis". Então, amigo, se você pensa que sua bagagem despachada é grátis, compre em desses livros.

Dionísio Renz Birnfeld

Bom dia! Ótimo post. O Brasil continua sendo o país do "me engana que eu gosto". Continuamos esperando que nossos nobres políticos regulem tudo que possa influenciar nossa vida, nem que seja o transporte de uma simples mala em um avião. Na verdade, nem é a ilusão da "bagagem grátis" que impede a chegada firme das low-costs, porque se as companhias aéreas quiserem elas poderão inverter o procedimento de compra e, no ponto exato, oferecer desconto a quem viajar sem bagagem ("voe sem bagagem despachada e economize tantos reais"). O que de fato atrapalha é a nossa cultura de o Estado regular tudo aquilo que não deve ser regulado. O Estado deveria permitir que as aéreas cobrassem as tarifas que quisessem e fossem agregando livremente tarifas para serviços adicionais, como despacho de bagagem, alimentação, amenidades durante o voo, acesso a sala VIP, assentos premium etc. Com isso, as low cost poderiam se estabelecer em um ambiente de estabilidade (está aí o nó: instabilidade regulatória é o que afasta qualquer companhia estrangeira séria). A partir daí, que todas elas possam competir livremente pelo consumidor. Por outro lado, o transporte aéreo é uma atividade econômica de especial interesse do Estado, porque é um dos motores da atividade econômica em geral, principalmente num país gigantesco como o Brasil. O Estado não pode simplesmente liberar tudo e deixar que o mercado simplesmente se autorregule, pois muitas vezes o próprio mercado se dirige à prática de atos contrários à ordem econômica, como dumping, oligopólio, conduta uniforme, cartel etc. Além disso, o transporte aéreo é extremamente sensível à variação do preço do petróleo e à variação cambial. Qualquer alta do preço do barril do petróleo no mercado internacional e/ou da cotação do dólar americano é um horror para a gestão de custos de uma empresa aérea, porque não há previsibilidade de quanto pagará por combustível e pelas prestações do leasing dos aviões, já no curto prazo. Com isso, claro, o Estado não pode permitir que as empresas simplesmente sucumbam, justamente porque o transporte aéreo é de extrema relevância econômica e social para o país. Devemos cobrar menos intervenção do Estado sobre o que não importa e mais sobre o que importa (como, por exemplo, não ser cego a ponto de deixar uma aérea continuar vendendo passagens estando prestes a quebrar).

Carlos Bronza
Carlos BronzaPermalinkResponder

Parabéns pelo artigo. Brasileiros tem que perceber que não é a cobrança ou não de bagagem que o preço irá cair e sim a concorrência. Sem menos empresas para concorrer preçosais altos. Mas fiquem tranquilo para os que comemoraram a retirada da cobrança. Bus esta tranquilo. Rio/Sao/ norte, nordeste, sul e sudeste leito lembrando daqui a pouco as empresas de onibus também vão cobrar. Devido a demanda . Rs vamos. Vamos

Leandro
LeandroPermalinkResponder

Ricardo, ótimo post. É uma pena que muita gente não entenda, mas enfim, lidar com finanças não é forte do brasileiro médio.

Dica para as companhias aéreas: ao anunciar o preço da passagem, ao invés de mostrar 200 reais, por exemplo, mostre 160 e mais 40 de franquia de bagagem, como algo obrigatório. Não sei se o valor seria 40, mas enfim, algum valor que pode ser facilmente demonstrado numa composição dos custos dividido pelo número de passagens promo e clássica - os prejudicados de fato, já que passagens mais caras já tinham uma bagagem incluída, via de regra.

Vai ser divertido uma galera que geralmente não despacha mala puta da vida reclamando que não quer pagar o adicional de mala obrigatório por lei, hehehe. No fim, tem que jogar o jogo psicológico e inverter a opinião pública.

Mas pensando bem... Não serão as três brasileiras que farão isso. Pra elas até é bom esses penduricalhos, evita a temida entrada das low-costs.

Ricardo P Garcia

O Brasil é um dos poucos países onde se corta os custos de fornecedores (como não precisar transportar uma mala de graça) e não ocorre o aguardado desconto nas passagens. A regulação por parte do governo em qualquer setor da economia causa distorções, porém, nossa economia não é de mercado e a concorrência está longe de ser livre, o que beneficiaria os usuários. Penso que, enquanto não tivermos uma economia 100% "de mercado", pequenas regulações como a exigência de transportar uma mala extra em voos nacionais é boa para os viajantes. Afinal, se a low cost quiser diferenciar quem despacha mala de quem viaja apenas com uma mochila, basta dar um desconto para o segundo viajante.

A Bóia
A BóiaPermalinkResponder

Olá, Ricardo! Desde o início de validade da regra, o petróleo só fez subir, o real só fez desvalorizar, e a crise provocou retração de vôos e assentos. O preço só vai baixar com entrada de empresas novas estrangeiras, e só vai baixar significativamente se elas forem low-cost. Sem legislação que ampare o modelo low-cost, elas não virão e continuaremos com o mesmo oligopólio cobrando o que quiser, incluído no preço ou à parte.

Dionísio Renz Birnfeld

Exatamente! A bagagem despachada incluída ou não é apenas um aspecto exemplificativo da cultura regulatória brasileira: instável, rasa e contrária à livre concorrência. Uma empresa low-cost, toda estruturada na contenção de custos, precisa de ambiente estável para atuar no mercado. O Brasil é o ambiente mais adverso possível, porque a qualquer momento nossos doutos governantes põem o dedo em qualquer assunto que lhes dá na cabeça e que se explodam o planejamento, o investimento, o lucro e o serviço ao consumidor.

Flavio
FlavioPermalinkResponder

O artigo foi muito bem construído, estruturado e coerente.

Uma pena discordar que no Brasil as coisas sejam bem diferentes do resto do mundo. 3 players no mercado não gera concorrência, e não vai ser o fato de se cobrar mala ou não que low-costs virão para o Brasil. O custo Brasil já esta inserido essa precificação. Enfim, a prática se mostrou danosa, e discordo veementemente do custo do petróleo, crise, política, porque todas as cias aéreas brasileiras oferecem serviço de low cost e cobram como se não fossem.
Minha opinião, mas acho engraçado falar que "brasileiro médio" não entende de finanças, besteira total, afinal, quero viver com 1/2/3 salários mínimos, tem que ter doutorado em economia.

A Bóia
A BóiaPermalinkResponder

Olá, Flavio! Ainda não houve a vigência da lei que permite 100% do capital estrangeiro em cias. aéreas no mercado doméstico. Enquanto esta lei não estiver devidamente regulamentada, convivendo com a legalidade do sistema de low-costs, você não pode dizer que as low-costs não virão. No internacional já veio: a Norwegian. E a Air Europe, que é uma semi-low-cost, está com preços ótimos também. Se você prefere que o mercado doméstico não mude, e fiquem apenas as três que aí estão, cobrando o que querem, é com você.

Natalia
NataliaPermalinkResponder

Olá! Seu site e canal do Youtube estão sendo ótimos pra eu planejar minhas viagens. Gostaria de uma opinião sua. Encontrei passagens para Barcelona saindo de Guarulhos, ida e volta por 2.700 - semana do Natal (24 - 31 de dezembro). Você acredita que sejam preços bons? Ou será que espero mais um pouco, já que ainda faltam 7 meses? Obrigada pelo conteúdo!!

A Bóia
A BóiaPermalinkResponder

Olá, Natália! Dá menos de 600 dólares, em plena alta temporada. Pode baixar? Pode. É garantido que baixe? Não. É um bom preço? Qualquer tarifa menor que 1.000 dólares é um ótimo preço.

Alexandre Breveglieri

Talvez pra vôos nacionais possa ser uma boa, mas ainda não me convenci pra vôos internacionais. Fui um entusiasta da retirada da franquia obrigatória (afinal 2 malas de 32kg era algo absurdo e que impossibilitava melhorias), mas saímos do exagero sem equivalente no mundo pro ZERO sem etapa intermediária.

Na prática os preços continuam altos, as cias. continuam cancelando vôos internacionais e agora só ficou mais difícil comprar passagem, porque temos que ficar tentando ver a franquia inclusa e quanto custa uma mala despachada quando o bilhete não inclui.
Continuamos com a esperança da chegada da low-cost, mas nesse "curto prazo" o prejuízo pra nós viajantes internacionais é CLARO E INEGÁVEL, infelizmente.

Paula
PaulaPermalinkResponder

Como sempre um texto muito sensato! Eu não entendo como as mesmas pessoas que falam sobre as vantagens de viajar com as low cost europeias (pelo custo) continuam sendo contra esse tipo de coisa no Brasil

Bóia de férias. Só voltaremos a responder perguntas que forem postadas a partir de 3 de junho. Relatos e opinões continuarão sendo publicados.
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