Como voltaremos a viajar? Veja os resultados da nossa pesquisa

Ricardo Freire
por Ricardo Freire

Viagens pós-pandemia

Os planos dos viajantes brasileiros pós-pandemia

Quando voltarem a viajar, os brasileiros querem ir, especialmente, para destinos de praia. Pretendem se locomover principalmente de avião e indicam que os dados sobre o estágio da contaminação pelo novo Coronavírus no destino escolhido será o aspecto mais relevante na organização da viagem. Essas são algumas das informações reveladas pela sondagem "Como voltaremos a viajar? – impacto da Covid-19 no comportamento do viajante brasileiro".

A pesquisa, estruturada pela professora e pesquisadora Mariana Aldrigui, do curso de Lazer e Turismo da Escola de Artes, Ciências e Humanidades da USP, recebeu 3.243 respostas válidas de leitores e seguidores do Viaje na Viagem. Muito obrigado! Você que participou do estudo merece saber dos resultados em primeira mão.

Como a pandemia impactou as viagens já programadas?

Nada menos que 80% dos que responderam à pesquisa tiveram que adiar ou cancelar viagens por conta da pandemia da Covid-19.

Dos que adiaram, 53% ainda não sabem quando vão fazer a viagem; 14% planejam retomar os planos entre outubro e dezembro deste ano.

A maior parte das viagens canceladas ou adiadas era para o exterior (mais de 60%).

A crise econômica e os viajantes

A crise econômica derivada da pandemia já impacta os planos de viagem dos brasileiros. Os que perderam emprego, tiveram renda reduzida ou sofreram redução de renda no núcleo familiar somam 53% dos participantes da sondagem.

Vamos viajar a turismo ainda em 2020?

Quanto à possibilidade de viajar ainda neste ano, os participantes da pesquisa se divide em três grupos praticamente do mesmo tamanho. Pouco mais de um terço (35%) afirmam que vão viajar em 2020. 33% não planejam viajar este ano, enquanto 32% ainda não sabem.

Entre os que pretendem viajar em 2020, metade considera se locomover de avião (50,6%), ao passo que 45% têm intenção de usar o próprio carro.

Para onde queremos viajar?

Destinos de praia lideram a preferência pela primeira viagem pós-quarentena ou pós-pandemia – 33% das respostas. Cidades grandes (18%), destinos de natureza (17%) e cidades pequenas (12%) aparecem em seguida. O grupo dos viajantes que ainda não escolheu destino soma 14%.

O que vamos levar em conta para decidir a viagem?

Embora haja preocupação com os protocolos de segurança e higiene para uma viagem, o aspecto mais relevante na organização da viagem serão os dados sobre o estágio da contaminação pelo novo Coronavírus no destino escolhido.

Já em relação à hospedagem, hotéis, pousadas ou resorts são as principais opções que despontam nos planos dos participantes do estudo – somam 65% das respostas. Os que planejam alugar casa para férias ou feriado chegam a 14%.

Os participantes do estudo foram convidados a avaliar a importância de cinco critérios de segurança que constam dos diferentes protocolos adotados em destinos e estabelecimentos como hotéis e restaurantes. Todas as cinco afirmações foram consideradas 'Absolutamente importante' ou 'Muito importante', na seguinte ordem:

  • 1º Hospedagem com selo de higienização
  • 2º Evitar destinos com aglomerações
  • 3º Disponibilidade de álcool em gel, máscaras e outros no destino
  • 4º Hospedagem onde o próprio viajante possa controlar a higiene do quarto/casa
  • 5º Destino com selo de segurança emitido pelo governo ou entidades do turismo

Como estão distribuídos os perfis dos viajantes?

Viajantes pós-pandemia

A pesquisa convidou os participantes a se identificarem com uma entre cinco frases que sintetizam diferentes tipos de comportamento ante a pandemia.

Os viajantes que vão retomar primeiro as viagens são os Despachados, que somam 27,4% dos participantes, mas que se subdividem em três perfis bem distintos:

  • Os Tô-Nem-Aíners, que não têm medo da pandemia (1,6% dos participantes)
  • Os Fugitivos, que querem viajar para fazer quarentena em outro lugar (7% das respostas)
  • Os Desconfinados, que já retomaram parte de sua rotina anterior à pandemia e pretendem viajar aderindo aos protocolos de segurança (18,8% da amostra)

O segundo grupo é dos Ressabiados, que querem viajar, mas vão esperar até os índices de contaminação baixarem. Eles formam o maior grupo entre os participantes: 46,4%.

E o terceiro grupo, o dos Abstinentes, reúne aqueles que não tem a menor intenção de viajar enquanto não houver vacina, cura ou fim da circulação do vírus. Foram mais de 1/4 dos viajantes: 26,1%.

Quer assistir ao vídeo em que eu explico esses 5 perfis de viajante? Está no nosso IGTV -- clique aqui.

A pesquisa foi realizada entre 14 e 20 de julho. Conta pra gente: de lá para cá, mudou alguma coisa na sua cabeça? Você está mais aberto ou mais refratário a viajar do que antes?

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8 comentários

Ana Claudia
Ana ClaudiaPermalinkResponder

A cada dia que passa, minha vontade de viajar pra praia, pra Rota Ecologica mais especificamente, so aumenta.
O problema eh $$$

Izabella Zava
Izabella ZavaPermalinkResponder

Tô-Nem-Aíner presente e movimentando a economia. Me mantenho com hotéis reservados e remarcando as passagens, nada de cancelar.

Izabella Zava
Izabella ZavaPermalinkResponder

Retifico: desconfiados, porque sempre andei com álcool gel ?

Luis Claudio
Luis ClaudioPermalinkResponder

Tô-Nem-Aíners são o motivo pelo qual nos enfiamos nesse buraco absurdo. Enquanto países que tomaram medidas sérias para deter a expansão do vírus, nos quais a maioria da população entendeu e os mais vulneráveis economicamente tiveram respaldo governamental, estão retomando, a duras penas, suas atividades, aqui os sem-noção estão se lixando para 100 mil mortos e para os profissionais da saúde que batalham na linha de frente contra a pandemia. Por causa desses cloroquiners, as portas da maioria dos destinos turísticos do mundo estão fechadas para nós.

ANGÉLICA SAMANTA ABILA

Estou esperançosa devido às notícias que vem no exterior e já está virando uma realidade aqui (estabelecimentos abrindo aos poucos, diminuição dos casos, etc). Confesso que estou pagando minha viagem pois não tenho outro período para ir (outubro) e não tenho como adiar, pois vira férias compulsória. Trabalho em serviços essenciais e não tenho escolha se não trabalhar com os devidos cuidados, então acredito que fazendo as aberturas graduais com cuidados quem sabe até o final do ano a situação esteja melhor e quem sabe mais gente possa viajar.

Andrea Teixeira

Me encaixo no grupo dos ressabiados, e tive de cancelar minha viagem.
Como evitar aglomerações nos destinos?
Como viajar espremida num avião lotado? Nem filtro Hepa deve dar vazão.

Luciana Costandrade

Suas informações estão sendo excelentes pra mim. Tive que cancelar uma viagem (maravilhosa) para o exterior. Não queria esperar 2021 para viajar pelo Brasil. Não vejo a hora de ir à praia, mas as passagens estão os olhos da cara para alguns destinos no período que poderei ir. Pensei que encontraria ofertas maravilhosas diante da recessão que o setor de turismo passa atualmente. Não foi isso que vi nas empresas aéreas. Acho que vou de carro tomar banho de cachoeira mesmo. Descarregar...

Pedro
PedroPermalinkResponder

Enquanto existirem os Tô-Nem-Aíner, nada vai mudar, o Brasil nunca vai ver essa curva baixar!

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Bóia de férias. Só voltaremos a responder perguntas que forem postadas a partir de 3 de junho. Relatos e opinões continuarão sendo publicados.
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