7 dias na Itália, chegando e saindo por Milão

Esse foi o quebra-cabeça que mais me propuseram ultimamente. Por que sete dias, e não nove ou dez? Descobri: por causa da BRA, que entrou na rota agora e não oferece o vôo todos os dias (do Recife, por exemplo, é só uma vez por semana).

O complicômetro é essa chegada incontornável por Milão, que é a primeira cidade italiana que você não incluiria numa viagem de apenas sete dias.

Acho uma temeridade indicar a continuação dessa viagem por avião, porque somando-se o caos aéreo brasileiro ao histórico da BRA há uma possibilidade muito grande do passageiro perder o vôo de conexão e ter que pagar uma multa grande para remarcar (ou perder totalmente o investimento, se a passagem tiver sido comprada numa low-cost).

Eu resolveria essa viagem com o trem.

Aí vão dois itinerários. Um (quase) sereno e outro, apressado.

7 dias (quase) serenos

Os vôos da BRA chegam a Milão (horário previsto) às 8h50. Eu iria direto à Estação Central (clique aqui para ver as duas maneiras de fazer esse trajeto) e pegaria um trem para Veneza.

Por que Veneza? Porque, por mais que você enfrente problemas durante a viagem (atraso, desconforto, os primeiros problemas em se virar num outro idioma e entender outros costumes), quando você chegar a Veneza, não importa a hora em que você conseguir chegar, você vai se esquecer de tudo. No restinho de primeiro dia não há esforço nenhum a ser feito: basta sair na rua que você estará num lugar mágico (mas claro que isso não vale se você se hospedar em Mestre, fora de Veneza propriamente dita).

Compre pelo site da Trenitalia uma passagem a Veneza para as 12h55 (acho que esse você não perde). Você chega às 15h30 em Veneza; a passagem custa desde 26 euros. Você compra por cartão de crédito e recebe o recibo por e-mail (a passagem é “ticketless”); basta mostrar ao cobrador quando ele passar no trem. Caso o seu vôo atrase muuuito e você perca o trem, passe num guichê da estação para ver se é preciso pagar alguma multa (normalmente, 8 euros) para embarcar no trem seguinte.

Fique três noites (na verdade, pouco mais de dois dias) em Veneza.

No quarto dia, pegue o trem das 8h50 (em Mestre) para Roma; a chegada é às 13h08 e a passagem custa 51 euros. (A RyanAir voa por 30 euros, mas você precisa pegar o vôo em Treviso).

Fique três noites e aproveite o quarto dia até o último instante em Roma.

Pegue o trem das 18h05 para Milão; a chegada é às 22h10 e custa 60 euros. (A RyanAir voa por 30 euros, mas o vôo é de manhã cedo, e o destino é Bérgamo.) Existe um trem noturno, que sai às 23h e chega às 7h15 (a 62 euros dormindo em couchette). O problema é que o vôo da BRA sai às 10h50; eu não acho uma boa política chegar em cima da hora num vôo da BRA, não.

Durma a sétima noite num hotel próximo ao aeroporto. A Sylvia já pesquisou o link.

7 dias apressados

Siga a Veneza do jeito que eu descrevi acima, mas fique só duas noites (um dia e pouco).

No terceiro dia, pegue o trem das 7h23 para Florença (via Bolonha). Você vai chegar às 10h30; custa 32 euros. Não esqueça de reservar com antecedência dois horários à tarde para visitar a galeria Uffizi e o Davi na Accademia (só por telefone: 39-055-29-4883; escolha entre atendimento em inglês ou italiano).

Reserve duas noites em Florença. No dia seguinte você vai pegar o trem a Pisa (1h de viagem; um trem a cada meia hora), já com o horário para subir na Torre devidamente reservado. De lá você vai de trem a Poggibonsi (1h20), onde pega um ônibus (20 min.) a San Gimignano; depois volta a Poggibonsi e continua de trem a Florença (1h).

No quinto dia, saia no trem das 8h19 a Roma (chegada às 9h55; 33 euros). Fique duas noites na cidade, mas aproveite o terceiro dia até o finzinho. Pegue o trem das 18h05 a Milão e siga as instruções do itinerário (quase) sereno.

Agora — se em vez de 7 você resolver ficar 14 dias, dá para praticamente seguir esse outro roteiro aqui.

136 comentários

Riq , assim é que é bom …
Dar gargalhada depois do jogo com essa tua ótima obs de 77 😆

E a culpa já sabes de quem é né?
Do Diogo que não marcou uma conVnVenção para hoje a tarde ..

Ha ha, tudo a ver com a nossa metade do Rio Grande 😆
Eu já tinha esse pressentimento, mas esse ano eu não tô nem aí. Acho que é um revival de 1977 — tu não era nascida ainda 🙂
Se não rebaixar tá de bom tamanho….

Riq , nada a ver com este assunto , mas tudo a ver com nós gauchos
🙁 🙁

Maria Flávia, o que eu quis dizer é que, se você ficar em Mestre, não bastará sair na rua para se sentir em Veneza… você vai ter que pegar o trem à estação Santa Lúcia (10 min.) e então se afastar da estação Santa Lúcia para entrar no clima.

Concordo plenamente com a Sylvia — vale a pena investir um pouquinho mais e ficar em Veneza de verdade.

Maria Flavia :
Mestre é uma cidade industrial , feia pra dedéu , charme zero.
É um desperdicio de tempo e de neuronios ficar em Mestre.
Ter que sair da ” bela-venezia ” e ir dormir em Mestre destrói
o romantismo que é estar em Veneza .
Acredite , vale muito pagar mais e ficar em Veneza por inteiro.
Olha hospedagem em http://www.venere.com

Ricardo, não entendí????
Ficar em Mestre é tão complicado assim????
è tão longe assim????
E o transporte´de Mestre prá Venicia?? è tão difícil assim???
Me dá uma luz????

Melhor impossivel Riq ❗

Mas, engrossando o coro : por favor pessoal : 14 dias tá ?
Sete dias não dá nem para curar o jet leg ( leva cinco dias para este
“milagre” acontecer ..), e com o jet leg no pé a produtividade é muito
pequena , não dá para absover quase nada e curtir então.. quando
começar a se “sentir em casa” vai estar na hora de voltar.

Também sou assim, Riq: uma semana tem que ser para um único destino, para aproveitar tudo e ter tempo pra se perder várias vezes por lá… 😉

Eu também acho pouquíssimo, Mari… mas eu não invento os quebra-cabeças, eu só resolvo 🙂

Acho que 7 dias dão viagens maravilhosas de um lugar só (a “viagem-pizza” de que eu falo no VnV de papel). Paris, Londres, Barcelona, Lisboa, Berlim, Nova York, Rio, Salvador, Buenos Aires… djilícia.

Riq, sempre falo pra todo mundo: sete noites na Itália é muito pouco! Além das atrações tooodas, o preço que pagamos pelo aéreo Brasil-Itália ainda é muito alto pra ficarmos tão pouquinho fora… Ainda assim, se estivesse indo pela primeira vez, e por tão pouco tempo, e mesmo sendo tão avessa a roteiros corridos, acho que faria o seu roteiro “apressado”… 😆