A propósito: o Vietnã do Rodrigo

Nos comentários da charada da semana, cuja resposta era Ópera de Hanói, o Rodrigo disse que tinha gostado de Hanói e Ha Long, mas com “g” minúsculo, e que a companheira de viagem dele não tinha gostado nada. A Sylvia, que adorou Hanói, pediu para o Rodrigo dizer os porquês da sua meia-decepção. E eu joguei mais lenha na fogueira, dizendo que tinha achado Hanói mais bonita do que Kyoto… Então o Rodrigo mandou um relatão de quando foi ao Vietnã, com “umas fotos de uma antiga orientadora, que falava tão bem de lá, e as imagens do filme Indochina gravadas na minha memória”.

(As fotos da baía de Ha Long são do Rodrigo; as outras são minhas.)

Hanói. Eu devo ter ido a outra cidade ou não fui nos lugares certos….Mais bonita que Kyoto? Na minha opinião Kyoto dá de 10 a 0 em Hanói. (Estive lá em julho de 2005). Hanói é um contato com uma Ásia que está desaparecendo com a globalização. Uma cidade antiga com algumas construções de estilo francês, mas a maioria de seus prédios tem fachadas altas,  estreitas e pouco cuidadas. As ruas são repletas de motonetas e os semáforos são raridades, o que faz o ato de atravessar uma avenida uma experiência inesquecível (tenho um vídeo que só não é pior que um da Índia que vi esses dias na internet). As pessoas são amáveis, mas filas e organização não são com eles. Deu um espaço e povo ocupa, faça uma cara feia  ele recua…. Minha companheira ficou deveras chateada quando uma loja do aeroporto se negou a vender um doce, pois ela pagaria com moedas recebidas como troco no mesmo aeroporto. A menor menção de pagar com moedas faz um vietnamita de Hanói trocar a maior nota existente só para não receber moedas. A comida é cheia de vegetais com tempero muito suave comparado as demais culinárias asiáticas, eu gostei, mas não amei.

Lago Hoan Kien, Hanói. A lenda sobre a tartaruga e a espada é bonita, mas o lago anda meio caído. No final da tarde, a última moda é andar de pijama ocidental a beira do lago. O pequeno templo no lago está sem manutenção (como parece estar toda Hanói). A torre da tartaruga no meio do lago, símbolo informal de Hanói, até que fica bonita de noite.

A Catedral de São José tem traços medievais, mas a manutenção…. Olhando só por fora, parece que ela está fechada… O Mausoléu e o museu do Ho Chi Minh , como tudo que se refere ao governo ou ao grande herói local, estão bem cuidados . O mausoléu tem a maior cara de coisa soviética. A múmia do líder vai pra Rússia fazer manutenção todo ano. O palácio do governo está mais para um Palácio da Liberdade (sede do governo mineiro) pintado de amarelo gema de ovo.

As marionetes aquáticas: esse é o ponto alto da visita. Muito bonito. Mas o teatro precisa de manu…….

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Os passeios: Parece que a maioria das agências locais trabalham para apenas uma ou duas operadoras. Durante os passeios os grupos se juntam e se dividem todo tempo. Parece que existe apenas a opção do muito caro e o resto, que independente do que se pagou vai ser o mesmo tratamento.

Fiz um passeio à Baía de Ha Long: pega-se uma van que vai com o ar condicionado funcionando na ida e n volta não, pois quebrou..Sorry… Passa pela ponte inspirada na Golden Gate, distrito industrial (esse sim, novo em folha) e daí um tempo pelas estradas estreitas (mas sem nenhum buraco) chega-se ao porto.

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Lotado de barcos e pessoas. Pior que Ilha Grande em dia de feriado. Esperamos nosso barco atracar. Atracar que nada! Depois de tentar forçar a passagem entre os outros barcos, fomos nós pulando umas 4 escunas antes de entrar na nossa.

Exceto um único barco, todos os demais são muito parecidos. Uns em melhores condições outros precisando de manu…..

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Meu barco parecia a ONU, tinha gente de todo o lugar. Fazemos a refeição no caminho e após passear entre as rochas de Ha Long (Que lugar bonito, minha máquina fez uma das melhores fotos da sua vida lá, não sou um Arnaldo né!),  entrar em uma gruta (a Gruta de Maquiné ganha dela) e desembarcar o pessoal que dormiria nos hotéis na ilha de Cat Ba, fomos para o meio da baía para jantar e dormir.

Acordei de manhã com um calor danado e quando olhei o ventilador não estava funcionando, eles tinham desligado para poupar a bateria, sorry. Fui para o topo do barco e encontrei um alemão por lá e descobri que ele dormiu lá mesmo, pois não tinham reservado um lugar pare ele (ele pagou…) sorry…

Atracamos em Cat Ba e após ser transportado de moto táxi para o hotel, sorry, a van não estava disponível, e como o hotel não estava pronto, sorry…, fomos fazer um trekking. Que loucura! Começamos em uma trilha e quando vimos subíamos penhascos de pedras pontiagudas (tinha gente de chinelo…). A subida não acabava, mas meu fôlego acabou depois da minha camisa encharcar de suor. Me sentei em uma pedra, e como naquela hora já era conhecido como Fat Tiger pelo guia, assumi o papel. O pessoal voltou do pico, onde só dava para retirar uma foto muito vagabunda e após uma descida, mais uma subida, uma cobra no meio do caminho, que esse mineirinho mostrou para o guia, e mais uma descida chegamos a van. Os europeus e americanos exaustos e com fome voaram sobre as frutas de uma venda local.

Suados, voltamos ao hotel e fomos almoçar, já que os quartos ainda não estavam prontos, sorry.., mas o almoço sim! Fomos para o quarto com cheiro de maresia fúngica, tomamos um banho e saímos para passear.

Uma coisa inusitada aconteceu comigo em Cat Ba: Andava pela rua e um rapaz pegou no meu braço e depois continuou andando. Pensei que o banho não tinha dado certo e meus feromônios estavam atraindo o que não devia. Passou um tempo, e veio mais um. Depois de mais algum tempo, entendi que era meus pêlos no braço a causa do frissom! Coitados, não conhecem Tony Ramos…. E quando eu tirava a camisa na praia? Chamava atenção mais que o Tom Cruise, algo quase pornográfico. E teve gente preocupada comigo, já que aquele calor devia estar me matando.. Pobre estrangeiro peludo!

Fomos à Ilha do Macaco em um barquinho menor na manhã do outro dia e já engatamos a viagem de volta para Hanói em outro barco, mas um pouco menos caído que o da ida. Almoçamos no porto de chegada, onde conheci um médico local, que se casou com uma russa durante quando fazia faculdade por aquelas bandas. Ele me contou que medicina pública é pior que o SUS daqui. Paga-se ao médico para acelerar uma cirurgia entre outras coisa… Comunismo diferente esse.

Na volta e na van com ar condicionado quebrado, encontrei uma dupla de judeus, que já tinha visto em um restaurante vegetariano dias antes, que só comiam pão, já que tinham medo de comer comida não vegetariana ou que não fosse casher.

Voltamos para o hotel em Hanói, demos nossa última passeada e fomos dormir. De manhã, fomos acordado pelo carro da polícia que para em frente à casa de um devedor e começa a dar lição de moral via megafone…. Pegamos um táxi e fomos em direção ao aeroporto. Minha companheira só conseguiu esquecer o Vietnã, após uns 2 dias de Ko Samui na Tailândia.

Eu não tenho muita frescura para viajar, mas o Vietnã testa seus limites como a Índia também o faz.

Viajei por conta própria e fiquei em hotéis 2-3 estrelas. Tenho minhas dúvidas, se caso você ficar no Sofitel e pagar os melhores tours vai conseguir escapar dos sorrys.    

Rodrigo: entre as nossas duas idas, muita coisa parece ter acontecido no Vietnã. Mas escuta só: tem certeza que era pra lá que você tinha que levar essa sua amiga? (Brincadeirinha, brincadeirinha) 🙂

Minha história, rapidinho: fui em dezembro de 97, quando o país estava começando a receber turistas “independentes”, ou seja, os primeiros que não eram obrigados a usar os serviços da operadora de turismo estatal. Viajei em “private tours” (com guia particular; não havia grupos programados para o roteiro e as datas que eu queria) da Diethelm Travel, e recomendo o investimento 🙂 

Naquela época, Hanói ainda tinha quase tantas bicicletas quanto motos nas ruas, e muita gente ainda usando o chapéu-cone o tempo todo. Tirando dois arranha-céus que estavam sendo construídos, não havia absolutamente nenhum prédio novo ou reformado com materiais modernos na cidade. Era tudo ou antiguinho-chinês ou antigo-francês. E o único estrupício comunista era mesmo o mausoléu de Ho Chi Minh.

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Atravessar a rua já era caótico — mas atravessar a rua é tido como a experiência mais vietnamita que existe 🙂 Fomos a Ha Long de carro com motora (cinco horas intermináveis) e dormimos num hotel (novinho e horrível) antes de fazer o passeio. Nosso barquinho era uma traineirinha dessas de Paraty, só que com uma carranca de dragão na proa (ou popa, sei lá, não entendo). A única coisa que deu errado foi o tempo, nublado e frio. Também achei a comida do Vietnã do Norte sem-graça (mais chinesa do que sudeste-asiática; e sem os rolinhos frios do sul, que eu adoro). Ah, sim: e em Hanói fiquei no Métropole (eu me recuso a chamar de Sofitel…).

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