Abaixo o maraturismo 1

Abaixo o maraturismo

Uma maratonita em Buenos Aires

Algumas dicas simples para diminuir o stress e aumentar o prazer das suas viagens:

1 | Vai fazer conexão? Em viagens muito longas (tipo: dois voos consecutivos de 12 horas cada), vale a pena considerar dormir uma noite na primeira escala, antes de seguir viagem. Para otimizar seu tempo, pegue um daqueles hotéis do entorno dos aeroportos. Mesmo que o check-in não esteja aberto, você deixa as malas e sai para passear na cidade, sem compromisso. Acaba (re)visitando uma cidade que não estava nos planos, e se poupa de viajar sob o stress de não saber se conseguirá pegar a conexão a tempo. E ainda evita mais uma sessão de espera interminável em saguões de aeroporto.

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  • Voando para a Europa: onde faço imigração e onde pego a bagagem?

  • 2 | Vai fazer uma viagem intercontinental e imediatamente pegar um carro para viajar até o destino final? Não faça isso. Ninguém merece: é exigir demais do seu corpo e do seu cérebro. Durma uma noite na primeira escala, e siga no dia seguinte, com a cabeça fresca e o corpo descansado.

    3 | A viagem de trem leva mais de quatro horas? Veja se não há um jeito de interromper a viagem no meio do caminho. Você deixa as bagagens no guarda-volumes, sai para esticar as pernas, passear, almoçar, e segue viagem dali a três ou quatro horas.

    4 | Ao elaborar o itinerário, imagine-se em cada momento da viagem. Não, você não merece chegar às 5 e meia da manhã no inverno numa cidade do Leste Europeu depois de uma noite maldormida no trem. E se o seu hotel estiver lotado e não deixar você subir? Eu sei, dali a uns dias você terá esquecido aquelas 4 horas de sofrimento que você vai viver até a cidade começar a funcionar. Mas terão sido 4 horas que você pagou caro para vivenciar — e que poderiam ter sido evitadas.

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    5 | Regra de ouro para bate-voltas: se você vai ficar mais tempo no deslocamento (ida + volta) do que no lugar que você foi visitar, o lugar não vale a pena. Ponto.

    6 | Uma tática que diminui radicalmente o stress é você substuir o pinga-pinga (uma nova cidade a cada um ou dois dias) por uma seqüência de bases (uma cidade a cada quatro ou cinco dias) de onde você possa fazer bate-voltas (a lugares a uma hora, uma hora e meia ou no mááááááááááximo, duas horas de distância). O bate-volta elimina um grande stress da viagem, que é o de achar o hotel e se instalar no quarto. Em lugares onde vamos ficar pouco tempo (24 horas ou menos), perdemos nessa operação um tempo e uma energia desproporcionais. Sair de manhã para algum lugar sem malas e sabendo direitinho onde vamos dormir deixa a gente muito mais leve — em todos os sentidos. E a viagem fica bem menos engessada: enquanto nos pinga-pingas você é obrigado a fazer todo o percurso, no esquema bases + bate-voltas você pode cancelar seus bate-voltas sempre que perceber que precisaria ou gostaria de ficar mais tempo na base.

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    7 | Outra coisa que você deve se perguntar ao montar um roteiro é: vale o desvio? Às vezes a gente dá voltas enormes e complica todo o deslocamento para ver um lugar bacana, mas que não vai mudar a vida de ninguém — só atrapalhar a viagem. Veja se não há coisas bacanas para ver no caminho natural da sua viagem ou nas redondezas de onde você passar.

    8 | Regra de ouro do dia-a-dia: no máximo duas filas a cada 24 horas! (O ideal é: uma fila por dia, e chega!)

    9 | Tenha sempre um plano B para dias chuvosos. Monumentos, mirantes e coisas que só são bonitas do lado de fora perdem o sentido num dia assim.

    Penne Siciliana

    10 | Inclua momentos gastronômicos na sua agenda. Associe seus passeios a almoços ou lanches ou jantares que dêem ainda mais sentido ao seu programa. Claro que não precisa ser alta gastronomia — aliás, a baixa gastronomia é quase sempre mais interessante. Não engula qualquer coisa entre uma fila e outra — isso você já faz todos os dias, entre o turno da manhã e o da tarde no escritório. Procure fazer de cada refeição um momento de prazer e descoberta. Você está de férias!

    11 | Para terminar, vou relembrar outra regrinha de ouro: pare de pensar em tudo o que você não conseguiu ver. Concentre-se em curtir ao máximo tudo o que dá para fazer com o seu orçamento e o seu tempo.

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    papiamento

45 comentários

Ótimas dicas, como sempre! Tb acho que ficar com calma num lugar em que as pessoas só passam o dia dá outra ideia do lugar. Já fizemos isso em praias do nordeste e em cidadezinhas europeias. Além disso, ficar com mais calma facilita em dias de chuva fora da programação, por exemplo… Neste momento, estamos em Salzburg, chove muito! Como decidimos ficar 2 dias, já curtimos a cidade e podemos apenas esperar a chuva passar pra ir a um lugar fechado. 😉
Daqui a pouco, vamos a Cesky Krumlov, onde as pessoas tb só passam o dia, mas ficaremos dois dias. Isso é slow trip, estamos evoluindo!! 😀
ABS.

Realmente uma viagem é para tranquilidade e não para carimbar pontos turísticos. Gosto de ser o turista acidental: vou para curtir o lugar, a vida e até os mercados. Um dos melhores comentários entre os excelentes desta página.

Estive no ano passado em Lisboa e fiz alguns bate e voltas e acabei não conhecendo a linda cidade. Resumo, tive que retornar agora para conhecê-la e admirá-la ainda mais.

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