Airbnb: problemas em Nova York

Airbnb: problemas em Nova York, San Francisco, Berlim, Paris e Barcelona

Airbnb problemas em Nova York

Ao mesmo tempo em que se torna uma das empresas mais valiosas do mercado (atualmente avaliada em 25 bilhões de dólares; sua receita em 2015 foi de quase US$ 1 bilhão), o Airbnb enfrenta resistência redobrada em alguns dos destinos mais desejados do mapa. Atualmente o pioneiro da economia compartilhada enfrenta problemas em Nova York, San Francisco, Berlim, Paris e Barcelona.

Essas cidades alegam que o modelo do Airbnb está drenando para o mercado de locação temporária imóveis que deveriam ser usados para moradia, e com isso encarecem os aluguéis e descaracterizam bairros. O lobby do setor hoteleiro também contribui para a reação, sobretudo em Nova York. O alvo preferencial das autoridades são os investidores que compram imóveis exclusivamente para alugar para turistas.

Nova York

Neste mês o Senado do estado de Nova York votou uma lei que simplesmente proíbe a listagem de apartamentos de temporada para períodos inferiores a 30 dias — complementando a lei, já existente, que proíbe a locação de temporada para períodos inferiores a 30 dias. Se o governador assinar a lei (ele pode vetar), o Airbnb não poderá mais aceitar anúncios de locações por menos de 30 dias em Nova York (mesmo ilegais, elas continuam anunciadas, embora em menor número do que antes).


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San Francisco

Em julho entra em vigor uma lei que obriga os anfitriões do Airbnb em San Francisco a se cadastrarem junto à prefeitura. Sob essa lei, cada imóvel anunciado cujo proprietário não tenha se cadastrado pode render uma multa diária de US$ 1.000 ao Airbnb. O Airbnb resolveu entrar na Justiça contra a cidade, alegando que não pode ser processado pelo conteúdo publicado por usuários, traçando um paralelo com outros sites de conteúdo participativo, como Facebook e YouTube. Taí uma briga que eu gostaria de assistir em The Good Wife (saudades!).

Berlim

Desde 1º de maio de 2016 — depois de um período de transição de dois anos, dado para o mercado se adaptar — apenas apartamentos devidamente registrados junto à prefeitura de Berlim podem ser alugados para temporada. Apartamentos não-registrados que continuem a ser alugados se sujeitam a multas de até 100 mil euros; denúncias de vizinhos são estimuladas. Ou seja: não é ilegal alugar apartamento de temporada em Berlim; apenas certifique-se de que o apartamento esteja devidamente registrado.

Paris

A legislação de Paris impede que proprietários aluguem seus imóveis a terceiros por mais de 120 dias por ano. Em janeiro deste ano a prefeitura fez operação de fiscalização em apartamentos de temporada entre o 1º e o 6º arrondissements.


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Barcelona

O bode de Barcelona com o Airbnb — e com apartamentos de temporada em geral — é mais retórico do que prático; está inserido num crescente mau humor da cidade para com o excesso de turistas. Até agora a única providência prática foi multar o Airbnb em 60 mil euros (menos do que troco de bala para a empresa). Mas é bom ficar atento para ver como as coisas de desenrolam.

O que eu acho — e onde isso vai parar

Meus dois centavos de pitaco: o Airbnb é só um catalisador charmoso para um fenômeno que ocorreria de qualquer maneira — a migração do mercado de locação temporária para a internet.

Esse mercado sempre existiu e sempre foi bastante informal. Proprietários cadastravam seus apartamentos em várias imobiliárias, e a que alugasse primeiro ganhava uma comissão, que o inquilino pagava adiantado. O saldo era pago em dinheiro vivo, na chegada, direto na mão proprietário, que dificilmente declarava a receita ao governo.

Quando o Airbnb surgiu — originalmente, para alugar quartos vagos em casas e apartamentos habitados por seus donos — esses proprietários enxergaram uma plataforma muito mais eficiente para anunciar seus imóveis de temporada. Disfarçados de moradores, esses investidores do mercado imobiliário se sentiram seguros de sair à luz.

Talvez esse mercado tivesse crescido menos se o Airbnb não fosse tão bom — mas na minha opinião teria crescido de qualquer maneira, simplesmente pela natureza da internet.

Onde isso vai parar? Muita briga ainda vai rolar, mas no final eu acredito que aconteça uma regulamentação mais efetiva desse mercado. Proprietários vão pagar impostos e poderão ter dificuldades para registrar imóveis de temporada em algumas regiões de suas cidades. Os acordos que acabarem sendo feitos entre Airbnb e as cidades mais agressivas servirão de parâmetro mundo afora.

Por enquanto, eu evitaria alugar um Airbnb numa cidade hostil. Não por medo do governo — mas porque a convivência com vizinhos fica complicada. Pouca gente gosta de ver gente chegando com mala de rodinha todos os dias no seu prédio; se além de fazer barulho com a sua mala, você está fora da lei, a situação fica ainda mais constrangedora.

O melhor para todos é que esse mercado seja efetivamente regulamentado. No fim das contas, as locações devem encarecer um pouco — mas isso vai evitar que o prazer de alugar um apê e brincar de morador seja prejudicado pela sensação de ser um clandestino no prédio alheio.

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