AirBnB x Nova York: a pendenga continua 1

AirBnB x Nova York: a pendenga continua

AirBnB em Nova York

Nesta véspera de feriado, os clientes brasileiros do AirBnB foram surpreendidos com um email curioso, assinado por Douglas Atkin, diretor de Comunidade da empresa. Intitulado “Salve o AirBnB em Nova York”, o email convidava o cliente brasileiro a assinar uma petição online criada por uma anfitriã nova-iorquina para mudar as leis de aluguel em Nova York e evitar o fim do AirBnB na cidade.

A petição não é nova. Foi proposta inicialmente em 14 de outubro, com o objetivo de angariar 20.000 assinaturas eletrônicas. Está sendo relançada com um objetivo mais ambicioso, de chegar a 300.000 assinaturas. Deve ser por isso que agora os hóspedes estrangeiros também estão envolvidos.

A mais nova ameaça ao AirBnB em Nova York foi a requisição, pelo procurador-geral de Nova York, da lista de todos os anfritriões do AirBnB na cidade. Isso aconteceu no início de outubro.

Ao mesmo tempo em que tenta por meios judiciais não entregar o nome de seus anfitriões, o AirBnB começou um esforço de relações-públicas para demonstrar o impacto positivo do serviço ao turismo e às comunidades de Nova York.

Uma pesquisa divulgada pelo AirBnB em 22 de outubro mostra que o hóspede AirBnB fica 2,5 noites a mais do que o hóspede de hotel em Nova York e gasta outros US$ 880 na cidade (enquanto o hóspede de hotel gasta US$ 690). Além disso, os clientes AirBnB gastam esse dinheiro em muitas áreas não freqüentadas por turistas. Dos US$ 880 gastos pelo cliente AirBnB, US$ 740 ficam na própria vizinhança onde está o apartamento.

Com isso o AirBnB tenta demonstrar a tese de que o impacto da hospedagem alternativa é melhor distribuído pela cidade do que o turismo convencional, e que a receita de muitos anfitriões é vital para equilibrar suas contas numa cidade cara como Nova York.

Mas o que os procuradores, juízes (e muitos vizinhos) procuram combater é justamente o caráter de economia informal desses aluguéis (muitos deles, em regime de sub-locação). Num país em que o contribuinte paga imposto até sobre milhas acumuladas nas cias. aéreas, transformar seu apartamento num hotel sem pagar nenhuma taxa não é lá muito bem visto por quem não tira proveito disso.

Muitas cidades também enxergam no crescimento do mercado de aluguéis por temporada uma diminuição da oferta de aluguéis convencionais, o que faz subir o custo morar na cidade.

Só que… não foi o AirBnB quem inventou o aluguel por temporada. A atividade sempre existiu e sempre foi largamente feita por baixo do pano. Eu já alugava apês antes do AirBnB existir, e sempre precisei quitar o aluguel em dinheiro vivo, ao chegar. Algum anfitrião por acaso declarava essa grana? Duvideodó.

Enquanto isso, o AirBnB acena com a possibilidade de começar a pagar impostos hoteleiros, ao mesmo tempo em que defende que a lei precisa se adequar a um novo tipo de economia que surge, a economia do compartilhamento, em que pessoas se tornam empresas.

O que está em jogo em Nova York não é apenas a existência do AirBnB por lá. O que acontecer em Nova York será certamente imitado por muitas outras cidades mundo afora. O AirBnB vai precisar ser muito competente em provar que é uma força positiva para a economia das grandes cidades.

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48 comentários

Olá a todos: pretendo ir à NY em outubro e alugar um apartamento. Já estive em NY num apartamento alugado pela Airbnb em 2011 e deu tudo super certo. Porém agora, existe esse ‘problema’ com os aluguéis por temporada.
O que vcs aconselham? Esquecer os apartamentos e procurar só hotéis? Como está a situação por lá agora? Há algum tipo de ‘punição’ para os hóspedes ou só os proprietários têm algum tipo de problema?
Desde já, obrigada

    Olá, Naila! Continuam as audiências na justiça. A AirBnB está fazendo campanha para mudar a legislação. Se você não quer correr riscos, não alugue apartamento por temporada. Se alugar, não jogue a responsabilidade da decisão nas costas de ninguém.

Pessoal, estou tentando me acalmar com os esclarecimentos da galera que comentou como foi na imigração, mas ainda tenho um desconforto. Aluguei um apartamento por 13 dias começando em 21 de abril pelo Air Bnb, antes de saber que não era permitido. Alguém que passou na imigração, além de dizer o endereço, foi questionado sobre o que era o endereço e teve que responder que era apartamento alugado no AirBnb? Porque estou insegura de responder isso, caso me perguntem. Levo a confirmação ou não levo? Estou muito insegura com tudo isso.

    Calma, Alessandra… rs Quando perguntarem o endereço vc diz o endereço, rua, número e bairro. Não precisa falar se é hotel, albergue ou casa de alguém. SE o oficial perguntar, vc diz que alugou um flat no AirBnB. SE ele perguntar vc mostra a reserva impressa. E fica calma! rsrs Qto mais nervosa vc estiver, mais vai parecer que está fazendo alguma coisa errada de verdade.

    Muito obrigada pela orientação, Debora!!! Vou tentar e torcer para dar tudo certo!!! Depois conto aqui!

    Olá, Alessandra! Estamos com a Débora. Sempre fale a verdade. E fique tranqüila. 🙂

    Alguns leitores comentam como foi a imigração alguns comentários acima. Dê uma olhada.

    Muito obrigada pela orientação, Bóia (?)!!! Vou tentar e torcer para dar tudo certo!!! Depois conto aqui!

Tenho uma reserva para 10 dias em Dezembro em NYC, minha dúvida é: o que dizer na imigração? mostrar o comprovante de reserva do airbnb? dizer se é hotel/aluguel? Esta é a questão que mais me preocupa.. ao ser questionada mostrar os documentos do airbnb, considerarem ilegal e negarem a entrada no país.

Alguém que foi recentemente pode me contar como fez? 🙂

    Olá, Mayara! Na imigração só pedem o seu endereço. Se perguntarem o que é este endereço, fale a verdade, um apartamento alugado. Ninguém é barrado por causa disso. As pessoas só são barradas quando não respondem com a verdade.

    Olá,
    obrigado pela informação, eu estava com a mesma dúvida da Mayara, aluguei por 13 dias também pelo airbnb.
    Também imaginava mostrar a reserva ao fazer o controle de entrada, mas, sendo assim, vou apenas passar o endereço e dizer que é um apto alugado.
    Reforçando a pergunta da Mayara, algúem passou por essa experiência recentemente?

E a industria hoteleira conta muito com estas paranoias urbanas e tolas, invertendo os valores, transformando exceções em regras, para assim defender seus interesses econômicos.Vejo muita gente boa embarcando nessa, sem enxergar os interesses economicos poderosos das redes hoteleiras por trás de tudo. Próximo passo? Tvz inventarem lendas urbanas à respeito de crimes, estupros e outras bobagens envolvendo airbnb, não duvido de nada, pior, ver pessoas acreditando nisso e espalhando pela rede.

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