Bar Léo: o Jobi de São Paulo?

Bar Leo

Nos últimos tempos, a cidade de São Paulo criou uma grande tradição no campo dos bares tradicionais sem tradição nenhuma. Traduzindo: inventou-se uma maneira de fazer brotar bares novinhos com cara de estarem há cinqüenta anos naquele lugar onde foram inaugurados anteontem. A coisa funcionou tão bem, que a moda acabou exportada para o Rio.

Veja bem, não estou reclamando — prefiro mil vezes bares novos com jeito de antigos a bares novos que vão ficar datados daqui a seis meses.

Até porque existem poucos bares e restaurantes paulistanos realmente tradicionais que sobreviveram com dignidade.

Entre os botecos, talvez o único que continue com o prestígio inabalado seja o Bar Léo, na rua Aurora, esquina com Andradas, no Centrão. O chope ali ainda é o mais conceituado da cidade, e ninguém consegue copiar seus canapés de carne crua (Hackpeter). Fazendo uma analogia com o Rio, o Bar Léo seria o nosso Jobi-Bracarense-Bar Luiz versão três-em-um.

barleo2.jpg

Talvez o que tenha permitido ao Bar Léo chegar vivo à era dos neobotecos fake seja o fato de estar a apenas uma quadra da rua Santa Ifigênia, próspero centro de comércio de peças e eletrônicos. Não há nada como fazer pesquisa de preço de placas de memória para dar aquela vontade de tomar um chope.

barleo3.jpg

Fazia muito tempo que eu não passava por lá; fui sábado e fiquei feliz de ver que o lugar estava não apenas cheio, como também mais organizado. Há mesinhas altas e numeradas na calçada servidas por garçons; antigamente você precisava cavar um espaço nas imediações do balcão para ser atendido.

Se deu vontade de tomar o chope tirado na chopeira de porcelana do bar, vá logo — o Bar Léo entra em férias coletivas de 15 a 31 de julho. O chope custa 4 reais.

barleo4.jpg

Prost!

26 comentários

Fui comprar janelas de madeira na Rua do Gasômetro, e almocei com minha mulher no Castelões, que tem incríveis 83 anos.
É muita coincidência com esse post.
Estou no MotoQ, quando voltar para o interiorrr, encontrarei um YouTube adequado 🙂 rsrsrs

Conheci o Leo na época em que morei aí. Não tem a descontração do Jobi e nem a alegre bagunça do Bacarense. É um bar à paulista, o que não é nenhum defeito.
gd ab

É bom mesmo! E fiquei com vontade de ir lá 🙂
Eu vi um livro dos 1001 bares que você tem que conhecer antes de morrer, folheando vi que minha lista esta grande, pelo menos nos de SP eu conheço quase todos, e lógico que o Léo estava lá.

Eu adoro o Léo! Sem dúvida o melhor chope de São Paulo.

Foi ele que serviu de inspiração para dezenas de novos botecos de boa qualidade em SP.

Ufa que saudade!!! No fim do ano mato a saudade e a sede!!!

Abs!

Outra coisa Ricardo, se formos lembrar todos os restaurantes paulistanos tradicionais que mantém a dignidade, a lista não vai ser pequena não…

O lance do Léo é ir durante a semana, antes das 16:00. Aí você consegue sentar numa boa, pedir o que você quiser e receber seu chope imediatamente após ser tirado, antes que o colarinho abaixe.
Outros bares que têm um chope perfeito e mantém a dignidade de décadas são o Bar Barão, na região do Mercado e o Amigo Leal na Vila Buarque. Ambom têm a mesma gênese do Léo, foram fundados pelas mesmas pessoas.
Outra coisa que não acredito muito é nessa tese que os botecos de Sampa copiaram os do Rio (a parte dos neo-butecos de Sampa sendo copiados no resto do Brasil faz mais sentido) Esses três aí de cima têm uma decoração alemã, pois foram fundados por descendentes. A não ser que alguém me mostre um boteco no Rio com a mesma cara fundado antes de 1940 eu não compro a idéia.
Outro fato é que nunca tomei um chope no Rio que chegasse perto dos de Sampa…e olha que estou tentando. Sempre chegam exageradamente gelados e sem colarinho nenhum, o que é um sacrilégio em matéria de chope. O que compensa é o ambiente, o clima e a frequência…sentar num boteco do Leblon depois da praia é muito bom, nem importa que o chope seja praticamente uma cerveja…
Só deixo um pedido para que os cariocas nos digam quais são os melhores chopes da cidadde!

Atenção: Os comentários são moderados. Relatos e opiniões serão publicados se aprovados. Perguntas serão selecionadas para publicação e resposta. Entenda os critérios clicando aqui.