Berlim pra Mira

A Mira vai fazer uma viagem rapidinha agora em maio, ficando três dias em Berlim e três dias em Amsterdã. Estive em Berlim no ano passado, então está tudo fresquinho ainda na memória do laptop. A Amsterdã, porém, eu não vou há séculos, então abri um post à parte imediatamente abaixo desse. Eu espero contribuições nos dois, mas no de Amsterdã estou mais necessitado 🙂

Mira, como três dias em Berlim é um tempo exíguo, eu tentaria me hospedar direto no ber-dom150.jpglado oriental, que é onde as coisas estão acontecendo. É na antiga parte comunista que estão os melhores museus, os monumentos restaurados, as novas construções e a vida noturna. A cidade é espalhada, e você vai andar bastante de metrô; hospedar-se no lado oriental faz você economizar algumas baldeações. O lugar ideal para você ficar é a Mitte, o enorme bairro “central” da cidade reunificada.

Se eu voltasse hoje a Berlim, eu tentaria me hospedar no Lux-Eleven, que fica na parte mais descolada da Mitte, mas estava um pouquinho fora do meu orçamento quando viajei pela V&T. Para ficar na rua mais movimentada do bairro, a Oranienburger Strasse, fique no Arcotel Velvet. Querendo um ambiente romântico, sem minimalices, o Honigmond Garden entrega. Na fronteira da Mitte com Prenzlauer Berg, o Prinzalbert é djizainezinho, econômico e recomendado tanto pela Traveler quanto pelo Lonely Planet.

[Colchetes: desta última vez eu fiquei no Ku’Damm 101, que é ótimo — barato (consegui por 80 euros), bem-freqüentado, com um café da manhã sensacional (cobrado à parte),  cheio de coisinhas orgânicas e gostosas e diferentes servidas em copinhos e pratinhos. Mas a estação mais próxima não era conveniente, então eu tinha que pegar um ônibus, rodar meia Ku’Damm (a antiga avenida chique do lado ocidental) e então pegar o metrô na estação Zoo. Fecham colchetes.]

O passeio fundamental pela nova Berlim começa quando você emerge da estação Potsdamer Platz e dá de cara com o Sony Center – uma praça futurista delimitada por prédios disformes e coberta por um teto de vidro.

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Há 17 anos ali só havia a desolação do entorno do Muro de Berlim – cuja história você pode conhecer numa exposição montada em frente à praça, usando fragmentos do Muro como suporte.

Continue o passeio pela Eberstrasse. Em poucos minutos você vai avistar, à sua direita, um campo de lápides sem identificação, construídas num labirinto de vielas que afundam no terreno e parecem engolir seus visitantes: é o tocante Memorial das Vítimas do Holocausto.

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Mais um pouco e você chega ao Portão de Brandemburgo. Ali fica a atração mais procurada da nova Berlim: a cúpula de vidro do Reichstag, o Parlamento Alemão, desenhada pelo inglês Norman Foster.

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Lá em cima é lindo, mas eu não consegui subir. Como a subida é grátis, a fila sempre é enorme. Por mais bacana que seja, não recomendo ficar duas horas na fila de nada no primeiro dia de uma cidade. Deixe para o último — ou para a próxima. (Sempre é bom ter uma desculpa para voltar. Eu preciso voltar a Berlim, não subi no Reichstag!!!)

De um lado do Portão você tem o parque Tiergarten e, no meio dele, a Siegessäule (diga: ziguessóile), a coluna da vitória onde se encontravam os anjos de Wim Wenders em Asas do Desejo. Mas não agora: a pé fica longe, e de metrô tem baldeação, então deixe para passar lá quando você for ao lado ocidental.

Do outro lado do Portão começa a majestosa avenida Unten den Linden, com sua coleção de palacetes. Pegue um velotáxi (um divertido táxi-bicicleta, que faz tours a 7,50 euros por pessoa) e percorra a avenida até a Museuminseln – ou Ilha dos Museus.

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Visite ao menos o Museu Pergamon, um dos mais importantes museus de arqueologia do mundo. A novidade da ilha é o Bode Museum, que reabriu no ano passado. Os dois foram muito bem descritos pela Jurema aqui.

Depois você pode caminhar até a Alexanderplatz, para subir na Torre de TV, ou, querendo dar o fecho mais charmoso ao passeio, ir até o Gendarmenmarkt (foto abaixo), a mais bonita das praças de Berlim, para sentar num dos cafés da calçada ou traçar um schnitzel chique no Lutter und Wegner.

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(Na mesma praça também fica um bar decorado com painéis gigantes de fotos semipornôs de Helmut Newton, o Newton Bar.) Trouxe a carteira? Você estará nas imediações das ruas mais comerciais da Mitte, Französischer Strasse e Friedrichstrasse.

Mas a muvuca noturna fica do outro lado da Mitte. A rua da noite institucionalizada, com restaurantes e bares já absorvidos pelo circuito convencional, é a Oranienburger Strasse — um endereço histórico na reocupação de Berlim Oriental, já que foi ali que artistas plásticos ocuparam ilegalmente um prédio caindo aos pedaços, o Tacheles, que continua até hoje meio decrépito, contrastando com o mauricismo da noite em redor.

A noite vai ficando menos óbvia, e mais interessante, na região da Rosa-Luxemburg-Platz, já na direção de Prenzlauer Berg. A Alte Schönhauser Strasse tem restaurantes bacaninhas, como o bem-freqüentadíssimo (e relativamente barato) vietnamita Monsieur Vuong (foto abaixo). Na mesma rua também tem um italiano interessante, o Cantamaggio. Caminhando por ali você vai descobrir outros lugares maneiríssimos.

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Um bairro que merece ser visitado de dia antes de você voltar à noite é Prenzlauer Berg, o primeiro a nordeste da Mitte. O bairro foi construído no início do século 19, com predinhos de cinco ou seis andares. À época da reunificação, os edifícios estavam em estado de penúria, e foram aos poucos restaurados e reocupados por casais jovens que queriam criar seus filhos num bairro tranqüilo e verde. Hoje Prenzlauer Berg é um lugar gostosíssimo de passear, com lojas, cafés e restaurantes transadinhos.

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Desça na estação Eberswalder Strasse. Se o tempo estiver bom, o biergarten da cervejaria Prater, no comecinho da Kastanienalee, estará aberto. A região mais bonitinha é o entorno da praça Kollwitzplatz. Dois bons restaurantes por ali: o tailandês Mao Thai e o italiano Paparazzi. Mas se quiser autêntica comida alemã, a currywurst (salsicha levemente temperada com curry) mais famosa da cidade é vendida no Konnopke’s Imbiss que fica embaixo do trilho do trem na estação Eberswalder Strasse.

[Novos colchetes: um bom programa para antes desse passeio prenzlauer-berguiano é dar uma passada no austero Memorial do Muro (desça na estação Bernauer Strasse), onde um trecho dos dois muros (eram dois, com um espaço baldio no meio para praticar tiro-ao-alvo em fugitivos) foi preservado, com direito à instalação de um muro perpendicular de titânio (você vê tudo isso ao rés-do-chão e depois sobe a um mirante).

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De lá são menos de 15 minutos a pé, pela Bernauer Strasse, que vira a já famosa Eberswalder Strasse. Fecham novos colchetes.]

Um outro roteiro bacana, que pode ser feito também a partir da região comercial da Mitte: desça na estação Kochstrasse para visitar o ótimo museu privado do Checkpoint Charlie.

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De lá você pode ir a pé (ou tomar o metrô de novo até a próxima estação, Hallesches Tor) até o Museu Judaico, que tem uma ala que descreve a história, a cultura e os costumes dos judeus na Alemanha, e outra sobre o Holocausto e a diáspora judaica pós-guerra. Essa ala consegue ser extremamente emocionante, mesmo sem fazer uso de nenhuma imagem ou documentos da época dos campos de concentração.

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Desça três estações depois, em Kottbusser Tor, e você estará no coração turco de Kreuzberg. Aproveite que a elegante matriz da rede Hasir abre 24 horas e experimente o mais autêntico döner kebap (o churrasquinho grego dos turcos) que pode existir — porque o dono do restaurante, Mehmet Aygun, afirma ser o inventor do prato. Será?

E pensar que houve um tempo em que a maior atração de Berlim era a Igreja Memorial de Guilherme I, mantida de propósito no estado em que ficou depois dos bombardeios da 2a. Guerra. Hoje há tanta coisa para ver do lado oriental que você pode esquecer dela… Dá para encaixar a visita no mesmo passeio à Coluna da Vitória. Desça na estação Bellevue para a Siegessäule e na estação Zoo para a igreja; aproveite para seguir o conselho da Jurema e subir ao 6o. andar da KaDeWe (Kaufhaus Des Westens, ou Loja do Ocidente), o decano dos andares gastronômicos das grandes lojas de departamento do mundo, onde o comércio se confundia com a propaganda da fartura do capitalismo.

ber-ampelmannverm801.jpgber-ampelmannverde801.jpgNessa minha última viagem, não tive tempo de fuçar a cena chique de Charlottenburg, no antigo lado ocidental, nem o circuito alternativo-vanguardeiro de Friedrichshain (tido como o novo Prenzlauer Berg). Se você puder, fica aí a dica.

(Curiosidade: querendo ler o meu postal por escrito berlinense de 1998, clique aqui.)

Tem dicas de Berlim pra Mira? Deixe aí na caixa de comentários, bitte!

188 comentários

Olá Ricardo. Estou no terceiro ano de Europa com filhas adolescentes, e em julho próximo as paradas são Amsterdam e Berlim, 7 dias e 5 dias respectivamente. Alguma sugestão específica para jovens, duas moçoilas, com 13 e 17 anos? São ótimas companhias: vale música, história, moda… Se tiver alguma dica fora do circuitão turístico, também vale. Abraços.

Olá!!!! Estarei em Berlim no início e abril. Adoraria assistir a Filarmônica de Berlim…Será q devo comprar os ingressos já de uma vez pela internet ou posso comprar lá? E, qual seria o traje?
Obrigada!!!!Abs

    Olá, Michele! Depende do programa. Se você topar qualquer programação, dá para comprar quando chegar na cidade. Se quiser ver algo específico, com um grande solista ou um repertório especial, é bom garantir o ingresso com antecedência.
    Vista-se como se fosse a um concerto na sua cidade. Não é um traje de gala, mas as pessoas tendem a se arrumar um bocadinho mais.

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