Blog de viagem: você ainda vai ter um

                blogando351.jpg

Este texto foi originalmente escrito para a filial deste blog no ViajeAqui. Mas como o permalink não funciona mais, aqui vai a transcrição integral.

Há mais ou menos uns dez anos (ops, é a segunda semana consecutiva em que eu conto uma historinha de dez anos atrás), eu estava na casa do meu irmão, quando o meu sobrinho, que então tinha uns 7 ou 8 anos, atende o telefone.

Dali a pouquinho ele grita para o meu irmão:

– PAI! O FELIPE QUER SABER SE A GENTE TEM PROJETOR DE SLIDE!

Meu irmão diz que não. O garoto passa a notícia adiante, desliga o telefone, e então grita lá de longe:

– PAI, O QUE QUE É PROJETOR DE SLIDE?

Os adultos caíram na gargalhada, e acho que ninguém deu uma resposta. Pois hoje eu sei que eu perdi uma oportunidade de dar uma pequena aula de história:

– Projetor de slide era um instrumento de tortura muito usado nas décadas de 70 e 80, operado por pessoas que voltavam de férias e aproveitavam jantares ou festinhas para fazer reféns entre parentes e amigos.

Assim como outros instrumentos de tortura, o projetor de slides saiu de circulação mais ou menos lá pelo fim do regime militar – não por causa da chegada da democracia, mas pela invenção da câmera de vídeo (inicialmente conhecida no submundo da muamba como “camcorder”).

Como ninguém nunca aprendeu direito a editar as fitas, parentes e amigos viram-se repentinamente livres de assistir às intermináveis reconstituições audiovisuais das viagens à Disney de seus entes queridos.

Durante mais ou menos duas décadas, portanto, a arte de registrar uma viagem para o público externo ficou limitada a um único, digamos, suporte: o álbum de fotografias.

Na virada do século, a disseminação da fotografia digital veio bagunçar esse esquema. Primeiro, porque todo mundo começou a fotografar dez vezes mais do que antes: em vez de voltar de viagem com 4 ou 5 filmes de 36 poses (lembra? “poses”!!!), passamos a encher cartões de memória de 500 mega, 1 giga.

Com a banda larga (e a familiaridade com programinhas de edição tipo Photoshop e quetais), passamos a mandar fotos por e-mail, botar no Orkut, subir tudo para o Flickr ou fazer Powerpoints e entupir a caixa postal dos amigos. Ops! Entupir a caixa postal dos amigos, não!

Aceita uma sugestão? Faça um blog.

Não, não estou falando de um blog comum, que você precisa atualizar todo dia, cuidar, alimentar, podar e dar banho, como se fosse um Tamagochi. (Sim, hoje eu estou nostálgico, ou velho, o que dá no mesmo.)

O que eu estou sugerindo é que você tire proveito das excelentes ferramentas oferecidas (na maior parte das vezes, gratuitamente) pelos portais de blogs, como Blogger ou WordPress, para confeccionar maneiríssimos cyber-álbuns das suas viagens.

Misturando texto e foto (e, se você tiver a manha, vídeo, com telinha do YouTube), você conta sua viagem de um jeito muito mais completo do que simplesmente mandando fotos por e-mail. O leitor escolhe o que quer absorver do conteúdo simplesmente rolando a página (não tem aquela chateação de quinhentos mil cliques do Flickr). E você só precisa mandar o link do endereço para os amigos, sem entupir a caixa postal de ninguém.

Se bem que todos esses benefícios ficam pequenos perto do prazer de viajar de novo que esse negócio proporciona.

Como é que eu sei disso? Nesse ano está havendo uma epidemia de abertura de blogs de viagem entre os leitores (ou tripulantes, que é como eu chamo) lá do meu outro blog. E chega um momento em que todos falam: blogar uma viagem que passou é como continuar viajando.

Quer dar uma passeada por aí nos blogs da minha tripulação? O do Arnaldo é o mais antigo (o blog, Arnaldo! O blog!), e traz relatos extraordinariamente fotografados de viagens ao redor do mundo. A Carla montou o dela faz pouco, e está fazendo uso dele para não terminar nunca uma viagem ao Uruguai e à Argentina. Já o Jorge está relembrando viagens à Provence, a Nova York, à Chapada Diamantina… Enquanto isso, o Arthur, que começou por Noronha, resolveu mostrar sua aldeia, Niterói. E o JB, que já tinha feito um blog sobre uma viagem ao Peru, abriu um novo blog para contar sua expedição pela América Central. Até uma leitora espanhola, a Carmen, se animou a postar sobre suas andanças pelo litoral brasileiro.

Nenhum deles é fotógrafo profissional, jornalista ou blogueiro contumaz. Mas todos arranjaram um jeito de registrar suas viagens e deixar à disposição dos amigos e dos freqüentadores da blogosfera.

E você? Quando começa o seu?

43 comentários

Riq, não sei como agradecer, e retribuir. Logo eu, que fiz um blog de viagens por “inveja” do seu, por admiração ao seu jeito de escrever e relatar viagens, pela maneira com que conseguiu fazer o melhor guia do litoral brasileiro jamais escrito, pelo modo como nos acjuda, nos responde, nos recebe e nos trata aqui, pela forma com que se dá ao trbalho de trabalhar para aqueles que pedem dicas e sugestões, mesmo até desconhecidos…é realmente um prêmio, uma satisfação e um orgulho ser não apenas citado por você aqui e lá, como também ser carinhosamente destacado. MUITO grato, reconhecido mesmo.

😀 “Influência maligna” foi ótimo… Mas a gente faz o mesmo. Outro dia mesmo eu estava enchendo o saco da Sylvia dizendo que ela devia fazer um blog pra compartilhar esses milhões de dicas que ela tem na cabeça… 😉

Ricardo, eu tenho dito para todo mundo também a mesma coisa: “faça o seu, faça o seu”. Mais uma vez, obrigado pelo apoio. Estou adorando meu hobby novo. Tremenda influência positiva.

O fenômeno dos blogs já atinge todas as áreas da informação, mas sobre viagens em especial causa um fascínio a parte, pois a maioria é ilustrado por belas fotografias, escrito numa narrativa de descobertas e sensações, fazendo o internauta viajar junto com o autor. Abraços!

Oi Ricardo, tudo bom?

Acompanho as publicações e acho muito bacana a maneira como você trabalha nele (no blog).

Trabalho com hotelaria e gastronomia (assessoro algumas pousadas e restaurantes sofisticados) e gostaria de saber como participar, sugerindo dicas de viagens e boa gastronomia, roteiros…….coisas assim.

Obrigada pela atenção e um grande abraço,

Maria Rita Fava
Rogler Comunicação
Tel. (11) 3891-0080
[email protected]

Aproveito o momento para fazer jabá do meu blog coletivo de viagens, que está perenemente aceitando inscrições de gente disposta a participar. Já somos 15 autores e aumentando.

Ricardo, obrigado pelo link na barra lateral 🙂