Cica

Minha crônica no Guia do Estadão de hoje.

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Eu adoro caju. Não, não estou falando da castanha, nem do doce, da passa, do suco, da cajuína, da cajuroska ou do caju amigo. Quer dizer: amo muito tudo isso (ops!), mas acima de tudo gosto da fruta, fresquinha.

(Parênteses: eu sei que, tecnicamente, o fruto do caju é a castanha. Mas você sabe do que estou falando. Fecha parênteses.)

Ah, não existe nada como estar no Nordeste na época da fruta, entre setembro e dezembro, e chupar caju todos os dias. Minto: existe, sim. Aqui em casa tem caju praticamente o ano inteiro no café da manhã. Em qualquer época do ano, você abre a porta da geladeira e a cozinha fica instantaneamente tomada pelo inebriante (para mim, claro) cheiro de caju.

Não me pergunte como isso é possível. Se estiver à venda no sacolão de Santa Cecília, vem aqui pra casa. E isso acontece o ano inteiro. Não sei se congelam, se importam da Índia ou já estão plantando em Atibaia lado a lado com os morangos. Só sei que todas as manhãs tem um caju no meu prato.

Pois ontem, arrumando a geladeira, percebi que a bandejinha de caju dessa semana tinha vindo com rótulo. Um caju de marca! Fui ler as letrinhas miúdas. Era um legítimo caju piauiense! De Itaueira! Um caju muito chique. Um caju com site e tudo!

Entrei no site e descobri que os melhores cajus, a exemplo dos melhores vinhos, são aqueles que têm bons taninos. Ou boa cica, em português do meu tempo. Cica demais é ruim, mas cica na medida é fundamental. Realmente, que outra fruta tem um sabor tão complexo e estruturado? Me aguarde, Robert Parker!

A propósito – você já viu gringo chupando caju pela primeira vez? É muito engraçado. “É salgado!”, já ouvi um dizer. “Minha boca ficou seca!”, me disse outra. Só não é mais divertido porque esse pessoal acaba inutilizando cajus perfeitamente saborosos. Ei! Tem criancinhas morrendo de fome na África, sabia não?

Chupar caju só tem um segredo: parar no primeiro. Você começa pela ponta e vai continuando em direção à castanha – indo progressivamente do mais azedinho ao mais docinho. Se você atacar um segundo caju na seqüência, o azedinho do início vai parecer menos complexo e mais… azedo, mesmo.

Mas nada que um intervalozinho de quinze minutos não resolva. Servido?

* * * * *

Ainda a novela Coca Light x Coca Zero (Guia do Estadão, 22/6): o gerente de relações institucionais da Coca-Cola, Maurício Bacellar, garante que a Coca Light continuará no mercado. Aleluia, irmãos!

24 comentários

Também adoro caju
Na infância frequentava a praia de macae com vários cajueiros nativos
Delícia de fruta colhida no pé
E ainda assávamos as castanhas no fogão a lenha

Com a “carne” do caju, Vera? Porque com a castanha verde (maturi) eu já experimentei…

Mas moquequinha de banana-da-terra eu já comi, em Meaípe (Guarapari) e adorei. (A Jose do Mar & Coco de Boipeba também põe banana na dela.)

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