Colonia del Sacramento, a Paraty do Uruguai

Calle de los *Suspiros*

Eu sei, é o clichê do clichê do clichê. Mas é irresistível.

Museu Municipal

Uma cidadezinha colonial, à beira d’água, fundada por portugueses, patrimônio da Unesco, povoada por pousadas e restaurantinhos e galerias…

Num cantinho da Plaza Mayor

Só que o clichê acaba sendo útil pelo outro lado. Porque ajuda a contar as diferenças entre Colonia del Sacramento e sua — ahn — equivalente fluminense.

O Prata, prateado

Para começar, Colonia está à beira-rio: o histórico e o vizinho centro comercial ocupam uma peninsulazinha que avança no Rio da Prata. No lugar de traineirinhas e escunas, Colonia exibe veleiros e iates (no portinho da costeira norte) e ferry-boats (no terminal hidroviário da costeira sul). O centrinho histórico tem um passeio à beira-rio murado, voltado para o poente, e que não inunda nunca, o Paseo San Gabriel.

Coleira? O que é coleira?

Pouco resta da arquitetura original portuguesa; talvez o traçado, algumas casas e o calçamento pé-de-moleque, com canaleta no centro, da Calle de los Suspiros. A maioria das edificações é colonial espanhola ou neoclássica, com uma ou outra casa mais moderna no meio.

De novo: calle de los... *suspiros*

A Plaza Mayor, no coração do centro histórico, está mais para o Quadrado de Trancoso do que para qualquer outra praça de cidade colonial brasileira.

Estudiantes de la Plata?

Outra diferença: o entorno do centro histórico é muito mais bonitinho e arrumado do que o que estamos acostumados. O centro comercial de Colonia também tem seu charme; não sei se o interior do Rio Grande ainda tem cidades assim, que escaparam ao crescimento desordenado.

Fora do centro histórico

Trata-se de um lugar cuja visita não requer nenhum esforço além do de chegar lá. Caminhar, fotografar, tomar um café ou uma taça de vinho ao sol. Comprando apenas um ingresso pode-se visitar todos os museus da cidade — isto é, desde que não haja uma turma de escolares dentro, quando então pede-se ao turista para esperar. (Acabei não entrando no Museu Português porque sempre tinha uma turma na hora em que eu queria visitar.)

Lentas Maravillas

O jardim

Tostadas

Meu grande achado durante o dia foi a casa de chá Lentas Maravillas, que funciona na casa dos donos, argentinos de origem inglesa. Num dia de sol dá para ficar no gramado à beira-rio; mas fazer o brunch na sala, apreciando não só a vista como a coleção de livros de arte e fotografia, é o que há.

El Drugstore - de dia

O centro histórico está coalhado de restaurantes. Os mais chiques são o Mesón de la Plaza e o La Florida. Fiquei com vontade de jantar no La Florida, mas estava fechado no dia em que fiquei na cidade. Acabei, como todo mundo que estava por lá, no El Drugstore, que normalmente é o mais animado. Achei a decoração divertida; a comida, porém, me decepcionou muito.

Gibellini

Me arrependi de não ter jantado num restaurante de massas fora do centro histórico, mas que leva todo jeito de ser ótimo, o Gibellini, que funciona num salão revestido de azulejos brancos; praticamente um botequim.

El Drugstore - de noite

Vale a pena passar a noite na cidade?

Paraty, não: a Bruges do Uruguai!

Na minha opinião, passar a noite não faz falta, não. A cidade é perfeitamente visitável no bate-e-volta de Buenos Aires, ou num pit-stop entre Montevidéu e Buenos Aires (prefiro neste sentido do que Buenos Aires-Montevidéu). Revisitando o clichê: se fosse Paraty, eu diria que ficar à noite é essencial; em Colonia, eu acho opcional — vai do tempo, do ritmo e do estilo de cada um.

Claro que a iluminação noturna muda a paisagem e proporciona aquele momento “sou dono do lugar”. Vale num contexto bem slow travel. Eu achei repetitivo — mas talvez se tivesse gostado mais do jantar teria tido outra opinião 😮

Quem quer pegar a cidade com algum movimento pode vir no fim de semana.


Montevidéu: roteiro completo
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Onde ficar

Na calçada da Posada del Ángel (a amarelinha ao fundo)

Quem faz questão de ficar no coração do centro histórico tem três hotéis a escolher: o Plaza Mayor, a Posada del Virrey e o La Misión — todos com diárias a partir de US$ 100.

Fora do centro histórico — mas ainda na parte antiga da cidade — minha intuição aponta para a charmosa Posada del Ángel (na mesma rua do Radisson, desde US$ 85) e a econômica El Viajero B&B (à beira-rio, perto do portal da cidade, desde US$ 55).

Querendo conforto de hotel moderno, o Radisson, que já tinha sido indicado pela Carla Portilho, dá superconta do recado (e tem tarifas desde US$ 100). Seu maior mérito é o de ser discreto — mesmo sendo uma construção recente, não enfeia a cidade, não.

São Miguel Arcanjo

Como chegar

Colonia fica 180 km a oeste de Montevidéu (110 km em estrada duplicada). De ônibus, pela COT, o trajeto é feito em 2 horas e meia (veja horários e tarifas).

Buenos Aires está mais próxima: a travessia em buques (barcos) rápidos é feita em 1h pela Buquebus (que também trasporta carros) e Colonia Express. É possível fazer pit stop em Colonia entre as duas cidades — deixe a mala no maleiro da rodoviária, ao lado do terminal hidroviário (grátis) ou, se não couber, deixe na lanchonete (que cobra 50 pesos por peça).

Querendo passar o dia em Colonia e seguir viagem é preciso comprar as passagens separadamente: o Buquebus para a travessia, e o COT para o trecho a/de Montevidéu.

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224 comentários

Interessante a dúvida sobre se no Rio Grande do Sul ainda existem cidades assim.

Nas minhas andanças pelo RS vou começar a observar mais.

Do que vi ultimamente, as cidades de colonização açoriana e catellana estão bem decadentes no que diz respeito à conservação dos sítios históricos.

Já as cidades de colonização alemã e italiana se mantém bem melhor conservadas.

Eu adorei passar a noite lá. Não tinha nada para fazer na cidade, tava bem parado, mas o centro histórico fica lindo iluminado. Acho que compensa!

Quando estive em Buenos Aires (ou seria Buenos Ayres? hehehe) fiquei na dúvida se visitava Colônia e acabei não indo por falta de tempo. Depois desse post, estou tremendamente arrependido. Na próxima vez eu passo lá com certeza!

Eu e minha esposa fizemos uma viagem bacana passando por lá. Uma semana em Buenos Aires num apê alugado ( http://tinyurl.com/yl74ff5 ) em Palermo Viejo com uma localização excelente a duas quadras do metrô. De lá pra Colônia pelo Buque. Em Colônia é bacana alugar uma vespinha/scooter e roletar pela cidade, é diversão garantida. Alugamos um carro por uma semana e fomos a Punta onde nos hospedamos no La Bluettte ( http://www.hotellabluette.com/ ) por módicos US$ 80 a diária na baixa temporada. Depois seguimos pra Montevideo. Na Capital De La Republica não deixe de passar pelo restaurante La Corte ( http://www.lacorte.com.uy/ ). O cardápio é simplesmente sensacional e o preço dá água na boca. Buon viaje amigos!

    Também recomendo, com vigor, o La Corte. Para jantar, ligar antes (não abre todos os dias).

Toda vez que vou para BsAs decido ir também para Colônia. E toda vez deixo para a próxima. Mas com este post tudo vai mudar. IMPOSSÌVEL não querer ir depois desta leitura. Neste ano não tem volta! Vou visitar esta cidade charmosa. Obrigado mais uma vez! Abraço!

Estive em Colonia no dia 16/10 e achei a cidade uma graça. Concordo com você sobre a questão de passar ou não a noite na cidade. Eu acabei ficando e me hospedei no hotel Betran. Achei que cumpriu bem seu papel a um preço razoável (US$ 75).

Amei as fotos do lugar.

Se tem alguma coisa de Paraty eu não sei, porque infelizmente eu não conosco Paraty, mais as casas pequenhas de cores recordan a vilas ou vilarejos brasileiros tem um pouco das pequenhas casas de Trancoso. Um ar… A estrutura é diferente…mas há um ar charmoso e descontraido… Gostei, gostei!
Um saludo

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