De Salvador a Boipeba pra Emília

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Em linha reta, a ilha de Boipeba não deve estar a mais do que 100 km de Salvador. Mas não existe jeito simples de chegar. Vamos torcer para que continue assim. A dificuldade de acesso sempre é o melhor seguro contra a degradação de um lugar de praia.

Como eu te falei, Emília, julho não é a melhor época, mas também não é a pior. Os meses mais chuvosos em Salvador, no Recôncavo e arredores são abril e maio. Em junho a precipitação já diminui, e continua diminuindo em julho. Os meses mais secos (mas nunca secos-secos-secos à la Ceará) vão de setembro a fevereiro.

Direto

Eu disse que não existia jeito simples de chegar à Boipeba? Bom… na verdade, existe. Querendo, dá para fretar um teco-teco com a Aerostar, e em meia hora você está lá. Não conheço quem tenha ido desse jeito, mas, se você estiver curiosa, aqui vai o formulário de orçamento de charter da Aerostar…

Via Morro de São Paulo

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Boipeba é separada da ilha de Tinharé, onde está Morro de São Paulo, pelo rio do Inferno (foto acima). Para voar até Morro de São Paulo, porém, não é preciso fazer fretamento, não. Tanto a Aerostar quanto a Addey mantêm vôos regulares o ano inteiro (e uma verdadeira ponte-aérea na temporada). A viagem dura pouco mais de 20 minutos e custa R$ 170 por trecho. A Addey pousa na 3a. Praia;,e a Aerostar, mais longe, na 4a. Praia, atrás do resortinho Patachocas, que é do mesmo grupo.

Morro também é bem servido por catamarãs e lanchas (segundo a Flavia Penido, lancha enjoa menos que catamarã) que saem do cais atrás do Mercado Modelo em Salvador e fazem a viagem em duas horas. Para horários e telefones, consulte esta página aqui. (Mas vou avisando que é frustrante tentar comprar por telefone; manja o esquema fazer-depósito-bancário-e-mandar-fax-com-o-recibo? Eles ainda estão nessa época. É melhor passar direto no Mercado Modelo para comprar a passagem.)

Não existe uma “linha” de transporte regular entre as duas ilhas, mas praticamente todos os dias saem passeios de Morro para Boipeba, tanto de barco (indo por dentro, pelo braço de mar que passa por Cairu e dá no rio do Inferno), como  de jardineira movida a trator (pela praia até o Pontal, atravessando o rio do Inferno de barquinho). O maior operador dos passeios de trator-jardineira é o Expresso Madalena (75/3652-1317). Os grupos costumam sair às 9h30 e chegam a Boipeba às 12h30 (com paradas em praias desertas do caminho). Quem está em Morro e quer esticar alguns dias em Boipeba normalmente pega um passeio desses e combina a volta para alguns dias mais tarde.

Tudo isso para dizer que… indo de lancha ou catamarã, não tem jeito, você vai precisar dormir um dia em Morro. (Minha indicação: a Villa dos Corais.) A-go-ra: se você se abalar até o aeroporto de Salvador e pegar o vôo das 8h da Aerostar — que, se os orixás quiserem, chega às 8h25 na Quarta Praia — você pode tranqüilamente pegar o passeio-trânsfer das 9h30 e chegar em Boipeba na hora do almoço.

(Não que eu sinceramente ache que você ou alguém vá fazer isso, mas eu precisava dizer que essa possibilidade existe.)

De carro

Não vale a pena alugar carro para ir a Boipeba (nem a Morro de São Paulo ou Barra Grande/Maraú), já que durante toda a sua estada na ilha o possante permanecerá paradinho num estacionamento no continente. Mas se você estiver pela região com seu próprio carro, chegar a Boipeba fica meio que praticamente quase fácil. Saia de Salvador pelo ferry de Itaparica (consulte os horários, para não ficar mofando na fila: 71/3319-2890; a travessia dura uma hora), cruze a ilha, atravesse a ponte que liga ao continente, continue pela BA 001, tenha cuidado em Nazaré para não ir parar por engano na BR 101 (quando chegar à cidadezinha, confirme se você está na direção de Valença), cruze Valença, passe por Taperoá, e tão logo você passe por Nilo Peçanha, preste atenção à saída, à esquerda, para Cairu (existe um totem de concreto anunciando a estrada). Pegue a estradinha de asfalto, e 13 km depois vai aparecer a saída para Torrinha.

lanchatorrinha120.jpgDaí são 7 km de terra (total da viagem: 155 km desde o ferry-boat). Deixe o carro num estacionamento (deve ser uns R$ 10 por dia) e trate uma lanchinha (deve estar uns R$ 60 ou R$ 70 cada perna).  Leve bagagem impermeável e uma capa; se chover, serão 25 minutos debaixo d’água até a Boca da Barra, em Boipeba.

Tempo de viagem (a partir do momento em que você entra com o carro no ferry): 4 horas.

Para ir de carro sem precisar alugar um, você pode combinar com sua pousada um trânsfer desde Bom Despacho (o lugar onde o ferry chega em Itaparica) ou, para não ficar tão caro, de Valença (a 50 km de Torrinha; vá de ônibus até lá).

De transporte regular

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Pegue o mesmo ferry-boat de Itaparica (foto acima), só que na condição de passageiro. Em Bom Despacho há um terminal rodoviário de onde saem ônibus de hora em hora (em alguns horários, a cada 30 minutos) para Valença, operados pelas companhias Camurujipe (75/3641-4037), Águia Branca (0800-725-1211) e Cidade do Sol (75/3641-3617). A viagem dura entre uma hora e meia e duas horas.

A partir de Valença há duas opções de transporte público, segundo o site Ilha Boipeba (não deixe de confirmar essas informações com a sua pousada antes de ir):

1) De segunda a sábado, um barco de linha sai às 12h30 do cais de Valença. A viagem até Boipeba leva quatro horas e vale por um passeio (lentíssimo, mas, enfim, um passeio) pelos belos manguezais desse braço de mar, passando ao largo da cidade histórica de Cairu (uma das mais antigas do Brasil).

2) Há também dois ônibus, às 11h e às 14h, que levam a Torrinha (50 km), com conexão com um barco de linha a Boipeba; somando busão e barco, dá duas horas e meia de viagem.

O melhor esquema com transporte regular, então, é sair cedinho de Salvador para conseguir estar em Bom Despacho até as 8h, de modo a chegar em Valença a tempo de pegar o bumba das 11h pra Torrinha, chegando em Boipeba às 13h30.

Em Boipeba

Vale a pena todo esse trampo para chegar?

Garanto que vale. De toda a costa brasileira, acho que Boipeba é o lugar que melhor combina belezas preservadas com cor local, algum charme importado e preços em conta. Existe um fluxo de visitantes de um dia só, vindos de Morro de São Paulo, mas eles ficam pouco tempo (do meio-dia às quatro) e não dão conta da ilha inteira; sempre há para onde escapar (e as manhãs são exclusivas de quem está hospedado por lá).

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A maioria das pousadas fica na Boca da Barra, na foz do rio que separa Boipeba de Morro. Todas são simples (esqueça camas box spring, ar condicionado e TV) mas quase todas têm algum charme. A mais fotogênica é a Vila Sereia; eu gosto muito também da Santa Clara (fotos acima), que tem um bom restaurante aberto o ano inteiro, e da Marina de Boipeba.

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Caminhando para a esquerda, em cinco minutos você chega a Velha Boipeba (foto acima), um vilarejo do século 17 que por enquanto escapou de ver suas mercearias transformadas em lojas de biquíni. Mas alguns moradores instalaram pousadas simplérrimas em suas casas — para alegria de mochileiros gringos e durangos em geral.

Caminhando para a direita, a Boca da Barra acaba num morro. Pegue a trilha, e em dez minutos você estará numa praia totalmente virgem, Tassimirim. (No meio do caminho você pode subir até a mais nova pousada da ilha, a Mangabeiras — a primeira de luxo, com colchões box spring e ar condicionado split –, de onde se tem uma bela vista para o Rio do Inferno.)

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Na continuação de Tassimirim está a praia da Cueira, também praticamente sem construções. À sombra das amendoeiras da Cueira você vai encontrar nativos (o pioneiro foi o Guido) que cozinham lagosta na água do mar por preços irrisórios (tipo: R$ 25 ou R$ 30 a porção para duas pessoas). Se você vier caminhando direto, uns 45 minutos depois de ter saído da Boca da Barra você chega ao riozinho que marca o final da Cueira. Na maré baixa dá para atravessar (mas é preciso estar calçado; há ostras na margem oposta que cortam o pé — eu já afoguei uma câmera nessa travessia). Chegou do outro lado? Bem-vindo a Moreré (foto abaixo).

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Na maré baixa Moreré tem águas cristalinas. Preste atenção à sua direita — em algum momento, no meio das amendoeiras e coqueiros você vai ver a entrada para o Mar e Coco, o melhor restaurante da ilha, onde Jôsi (que esteve recentemente por uma semana em São Paulo cozinhando no Obá) prepara moquecas divinas acompanhadas por purê de banana-da-terra. Para alegria dos paulistas, as moquecas de Jôsi não levam coentro; a erva não é usada na culinária boipebana (boipebense? boipebeira? boipebaiana?).

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Continuando mais um pouco (sem paradas, no total a caminhada daria pouco mais de uma hora) você chega ao vilarejo de pescadores de Moreré, onde também há pousadas (os Chalés Colibri se espalham no alto de um morro e têm uma linda vista; a Pousada dos Ventos fica pé-na-areia no canto direito da vila).

Na maré alta (ou se você não quiser caminhar) dá para pegar o trator-jardineira que corta a ilha entre Velha Boipeba e Moreré (informe-se dos horários na pousada).

Moreré também é o nome das piscinas naturais em alto-mar que, como acontece com as piscinas naturais nordestinas, só aparecem na maré baixa. Dá para pegar um barco em Moreré ou ir de lancha rápida a partir da Boca da Barra. É bonito, mas, lá chegando, a magia rústico-alternativa de Boipeba se dissipa: você vai ver lanchões e grupos e bares flutuantes como em Maragogi (só que com bem menos gente).

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Enfim, Boipeba é para quem quer areias desertas, um pouquinho de conforto, algum charme, bons preços e nada a fazer a não ser caminhar por praias deslumbrantes. Me chama que eu vou…

😆

88 comentários

Olaaa… parabens pela EXCELENTE matéria!!!
vc só esqueceu de um detalhee mto importante da viagem. Valença é um dos principais pontos de saída de turistas para Boipeba. É possivel ir de lanchas rápidas ou barcos fretados. O passeio é mto bonito, por entre os rios com manguezais ainda intactos, ou pelo mar, beirando as praias desertas do Morro de São Paulo.
Já fiz os dois percursos, quem quiser dicas é so falar comigo.
Bjs a todos.

Bia,
Holliday Inn promoção de 145 reais a diária com café da manhã com muito queijo.

Riq,

2 superposts por aqui e mais um no Fatos e Fotos do Arnaldo: Vou ralar para tirar o atraso!!!

Se for no fim de semana, talvez você consiga tarifas boas no Mar Hotel (o mais perto do aeroporto) ou no Beach Class (no melhor ponto da noite de Boa Viagem).

Costumam ter preços bons sempre: o Holiday Inn, o Jangadeiro e o Vila Rica.

Obrigada Riq! Vou ficar na torcida de espera junto com o Hugo! Minhas passagens já foram emitidas pelo smiles da Varig…vou aproveitar 5 dias na semana do feriado de 7 de setembro!ALiás, se vc tiver uma outra dica de hotel bom, bonito e com preço razoável em Recife, me diz? Vou ter que pernoitar lá na volta! beijos!

Riq, estou esperando ansiosamente pelo roteiro de Noronha 🙂 .

Mas enquanto isso estou aqui morrendo de vontade de jogar tudo para o ar e pegar a BR262 rumo à Bahia.

Emília, aproveite bastante a sua viagem e não se esqueça de contar detalhes de tudo.

Majô, se eu não descansar desses dias em Boipeba…não descanso nunca mais 😀 Estou muito empolgada, mesmo que seja só alguns dias…
Carla, já tinha ouvido falar que esse pôr-do-sol no Rio do Inferno era lindo de morrer (ou de viver?).
Aliás, obrigada pelas dicas de Bonito, vou aproveitar todas as suas dicas de passeio (acabamos esticando de 4 para 5 dias para poder descansar mais e fazer mais passeios de um dia inteiro). Com relação ao hotel, eu consegui um preço melhor para um hotel que também me pareceu bacana, no centro da cidade, o Pira Miúna. E já reservei também o Anhumas (frio na barriga…), só estamos em dúvida se vamos fazer o mergulho com cilindro.
Agora que eu fechei Bonito e vi este post maravilhoso, finalmente me sinto mais perto das minhas férias 🙂

Riq, espero que como toda novela, esta tenha um final feliz ( e o que o Warapuru não seja a Odete Roithman).

Bia, tô devendo um Noronha desses pro Hugo já há vários meses. Deve sair até a semana que vem.

EduLuz, o Warapuru não é um hotel, é uma novela…

Ricardo,
sou leitora assídua, mas ainda não tinha te dado um “oi” antes. Como suas dicas já fazem parte do meu “caderninho” e me ajudaram várias vezes, resolvi te pedir um favor…será que vc tem uma listinha dos “imperdíveis” de Noronha? Um beijão e parabéns pelo site!

Riq, gratíssimo pelo roteiro Ilhéus – Salvador ( com ênfase em Boipeba). Esse é pra guardar e aproveitar !
Voce sabe alguma coisa de um provável soft opening do Warapuru ?

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