Dê-se ao luxo

Na minha crônica desta semana na Época eu lembro que, se você pode, esta é a hora de cometer extravagâncias em moeda estrangeira.

Para muita gente, a valorização do real significa a possibilidade, enfim, de viajar ao exterior. Para uma minoria, porém, que não parou de viajar nem quando o dólar estava nas alturas, o real forte pode significar a oportunidade de cometer extravagâncias impensáveis até há pouco tempo. Dez anos depois do dólar de 1 real, o dólar de 2,10 oferece uma nova chance para quem quer aproveitar as férias para viver temporariamente acima de suas posses. A seguir, algumas idéias para grandes comemorações, segundas luas-de-mel ou para simplesmente chutar o balde:

Dê a volta ao mundo. A passagem custa menos do que você imagina – 3.000 dólares em qualquer uma das alianças internacionais de companhias aéreas. Monte um roteiro que não exija deslocamentos suplementares por terra, inclua paradas na Ásia (onde, com exceção do Japão, o real vale muito), e a diferença de preço com relação a uma viagem convencional não será tanta.

Viaje no Orient-Express. Leve roupa de festa. “Você nunca estará exageramente produzido no Orient-Express“, diz o folheto que vem junto com a passagem do trem mais célebre do mundo. Mas não vale a pena passar mais do que uma noite – as cabines não têm cama de casal nem chuveiro. A viagem mais romântica é a que vai de Veneza a Praga, três vezes por ano (em 2007, dias 18 de abril, 23 de maio e 26 de setembro), a US$ 1.600 por pessoa.

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Durma numa palafita chic. Quer realizar o sonho de passar uma temporada num bangalô construído sobre o mar? Se você comparar com os preços dos pacotes de réveillon nos resorts brasileiros de primeiríssima linha, já dá para encarar. Em agosto – alta temporada no Taiti – uma palafita no Bora Bora Lagoon Resort sai 900 dólares a noite. Aqui pertinho, em Bocas del Toro, no Caribe panamenho, há bangalôs sobre a água por 300 dólares, no resort Punta Caracol.

Cacife um chef seis estrelas. Por exemplo: Thomas Keller. Depois de criar aquele que é tido como o melhor restaurante dos Estados Unidos, o French Laundry, no Vale de Napa, Keller abriu uma casa em Nova York, o Per Se, e tornou-se o único chef não-francês da cidade a receber três estrelas no Guia Michelin. Para confirmar uma reserva é preciso ligar exatamente com dois meses de antecedência. Seu menu de nove micropratos custa 250 dólares por pessoa. Você pode? Aproveite antes que o real vire abóbora.

Hospede-se num Amanresort. Esta rede de pequenos hotéis sofisticados, nascida no Sudeste Asiático, inventou há vinte anos o conceito de luxo despojado. O melhor hotel de praia do Nordeste, o Txai, é confessadamente inspirado nos seus princípios. Quer experimentar o original? Em Báli as diárias começam em 700 dólares.

Vá à ilha dos paparazzi. Hotéis pequenos, praias lindas (com ou sem serviço de bordo) e mais bons restaurantes do que você pode experimentar em uma semana fazem de Saint-Barthélemy (St.-Barth, para os íntimos, ou St. Bart’s, para os americanos) a ilha mais badalada do Caribe. Com o dólar a 2,10, St.-Barth está só um pouquinho mais cara que Trancoso no réveillon. O hotel do momento: Le Séréno.

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Volte à Inglaterra antes que seja tarde. Por mais valorizado que esteja, o real continua sem força para enfrentar a indômita libra esterlina. Se a Inglaterra se mantém proibitiva mesmo em tempos de super-real, o que será dos viajantes anglófilos depois que a maré do câmbio virar? Cometa essa extravagância enquanto é possível.

57 comentários

Ricardo, concordo que essa é a hora.
Vou para Dublin agora no fim de semana, ver como é o St Patricks day bem de perto e no fim do mês vou Edimburgo e Glasgow.

Eu acho que muitos dos que gosam de viajar, como eu o Arnaldo, e o Riq, o Rodrigo, a Paula, dentre outros, tem sim uma posição razoável, e com orgulho, pois todos trabalhamos duro e honestamente para isto … Mas, a questão e priorizar o prazer de viajar na sua vida, e fazer escolhas, como não ter carros caros, fazer festas suntousas…. E, como ouvi uma vez que fui ao Rio : há uma diferença entre o pobre que desfila, e o turista que compra uma fantasia. Para o turista, é vestir, desfilar e acabou. Para o sambista,tem ensaio, planejar e as vezes costurar a fantasia, o grupo, a alegria da vitória, ou a perda da derrota… Acho que todos aqui curtem ivajar, se informam, trocam dicas e a viagem começa as vezes numa reportagem, as vezes num blog, vamos comprando os guias, se informando na internet… é isto que percebo por aqui.

Abraços a todos.

Arnaldo, resumir quase sempre dá errado, então vamos lá:
Se vc for um professor universitario ou um corretor da bolsa de valores
ou um cientista especialista em fisica quantica ou um ufólogo , e com
a sua profissão/ocupação realizar seus sonhos , é possivel que muitos
achem que a sua profissão/ocupação é o máximo !
É obvio que todos os viajantes frequentes são donos dos seus narizes,
e não precisam ficar esperando as férias de 30 dias.

Riq, só uma coisa: DEMAIS!!!!!!!!!!

Amei as dicas, e já estou revendo algumas coisas pra viagem que estou programando para setembro, pra europa novamente!

Abraços.

Bem, Rosa, de jeito algum gostaria de provocar qualquer sensação ruim a quem quer que seja. eu trabalho desde a juventude e meu luxo ´pe viajar. Não sou fissurado (termo carioca) em carros importados (não é que não goste deles) e jamais trocaria, por exemplo, um carro de maior valor (de novo nada contra NADA de maior valor) por uma viagem. É claro que tenho uma posição que me permite viajar e algumas facilidades como agentes de viagens amigos de infãncia que não me cobram comissão nas passagens aéreas, entre outras coisas. É claro que não percebi nenhuma inveja ruim de vc, até porque vc já me demonstrou isso muitas vezes, mas é que mesmo me sinto mal quando percebo que o que comento pode deixar alguém que não pode viajar com aquela pontinha de invejinha boa…vc entende, né?

Sylvia, ao contrário, a opção 1 é a que me garante o tempo, a disponibilidade e os recursos. Já a 2 e a 4 são as que definem meu jeito de ser e agir.

Rodrigo, arrume as malas e vamos nós! Só que a mala spo pode ter 20 Kg!

Grande abraço a todos! Obrigado, Ernesto.

Obrigada Silvia, obrigada Rodrigo. A intenção não foi jamais milindrar ou ofender qualquer um de vocês, comandante e tripulantes.
Uma palavrinha e olha a tempestade formada.
Se tiverem tempo e interesse, peço que leiam a crônica Melhor assim, de Celso Machado. Acontece muito comigo. Arnaldo, peço, mais uma vez, que me desculpe. Agora sou eu me recolho… Tudo de melhor para toddos vocês…

Arnaldo, creio que a imagem que você passa é de uma pessoa que leva a sério o planejamento de uma viagem e curte cada momento dela.

O termo inveja como consta no Aurélio tem realmente um significado pesado. Mas acredito que o termo inveja que a Rosa usou tem mais a ver com a tal inveja boa, ou em melhor português, aspirar a fazer o mesmo que você!

Eu gosto muito quando você viaja, pois de certa forma, você me carrega na mala, ou melhor no seu Blog!

Já estou me preparando para a África!
Um abraço.

Não é preciso se recolher não, Arnaldo
Mulheres são mesmo curiosas por natureza, e certamente o que
a Rosa gostaria de poder te perguntar é : ” como arrumas tempo e
dinheiro para viajar tanto?”
E eu aqui, metendo o bedelho e colocando perguntas pela Rosa e
respostas pelo Arnaldo vou arriscar tópicos curtos e resumidos:
1- Profissão e ocupação não garantem tempo disponivel ou divisas monetarias
2- Sensibilidade, dedicação,honestidade de propósitos, muito trabalho,foco, teimosia e obstinação é que somadas permitem
atingir objetivos.
3- Importa mais o que vc guarda do que o que vc ganha
4- Saber o que quer e direcionar TUDO para atingir seus objetivos
é o que diferencia um humano de outro.
Estamos aqui, usando nosso tempo ( que é o bem mais importante que existe) para trocar experiencias, e creio que é isto que devemos continuar fazendo.
Se alguem achar que este é um espaço de exibicionismo , certamente
está no lugar errado.

Desculpa Arnaldo, acho que não me expressei bem. Nada disso não Arnaldo, a inveja a que me refiro é em muito bom sentido, o de querer também fazer, de ter a mesma vontade, talvez eu devesse dizer admiração, é muito bom conseguir fazer um pouco daquilo que se gosta. Não vai nos privar de vivenciar suas deliciosas aventuras só porque ficamos com água na boca… Eu salvei todas as dicas de Portugal, que será a minha primeira opção no Velho Continente, como é que eu vou me virar sem isso? Se você se recolher, os órfãos farão greve.

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