Enquete da semana: Europa no inverno

Hamburgo

Quando me pedem para destrinchar viagens à Europa no fim do ano e nas férias de janeiro, a minha reação inicial é tentar demover o perguntador. Me vêm à cabeça os dias curtos e gelados, às vezes molhados e ventosos, que desconvidam às caminhadas e deixam as fotos sombrias.

Claro que de vez em quando acontece aquele dia (ou, com sorte, aquela seqüência de dias) com céu claro e luz espetacular, em que as fotos saem mais bonitas do que nunca e você descobre o prazer de andar, andar, andar e não suar.

Mas na média acredito que não valha a pena torrar uma grana que nos faz falta para passar as férias brigando com as condições atmosféricas.

Mas se você só pode viajar no inverno europeu, bom, então sugiro que não monte um desses roteiros cheios de escalas e coisas para ver, ver e ver. O inverno é mais apropriado a experimentar.

Faça base numa cidade grande, aloje-se com conforto, e planeje seus dias em torno não de monumentos e vistas, mas de cultura e gastronomia. Fez um dia bonito? Ótimo, saia para para passear. Está chuviscando e ventando? Museu, cinema, exposição, visita ao mercado para fazer um piquenique no quarto. Alugar um apartamento é ideal: ao brincar de morador, você não sente o tempo passado em casa como perdido.

O inverno é uma época especialmente difícil para ir com dinheiro contado; ficar na rua o dia inteiro é muito mais tranqüilo no verão.

E você? Tem alguma experiência de férias no inverno europeu para contar?

E os nossos correspondentes europeus, o que dizem? O que podemos fazer para encarar a Europa no frio e aproveitar que os lugares não estão abarrotados de turistas?

Contem pra gente, pufavô…

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531 comentários

Vamos la, antes de eu ser “correspondente residente” eu vinha pra Europa visitar meu namorado todos os invernos (foram 3 no total)… e depois que vim morar continuei com a mesma rotina… da minha experência eu posso dizer que:

– Ja não se faz mais inverno como antigamente ! Quem quiser ver neve de verdade va para o leste europeu… o lado de ca so anda nevando 2 ou 3 vezes por inverno…

– Traga além de um bom casaco e uma capa de chuva ! Nao tendo neve tera chuva com certeza. Um guarda-chuva bem forte para resistir ao vento.

– Programa de inverno é visitar museus, exposiçoes, castelos… qualquer coisa em lugar fechado e com aquecimento. Paris é uma boa por ter muitos museus…

– Viajar na Europa no inverno é sinônimo de viagem gastronômica: depois de um passeio sempre rola tomar um cappuccino em qualquer café da esquina… aih com ele vem as tortinhas, crepes, waffels e milhoes de calorias. Os restaurantes mais finos sempre possuem o melhor menu nessa época (a época das caças)… e estao sempre lotados e recomendo sempre reservar antes (no verao o povo so quer ficar ao ar livre… mas no inverno restaurante vira diversao)

– O dia clareia as 9 da manha e escurece as 4 da tarde. Dezembro possui os dias mais curtos do ano.

– Geralmente as melhores EXPO’s sao durante o inverno.

– Quem quiser esquiar deve fazer reservas com MUITA antecedência, pois quem costuma esquiar frequentemente ja faz a reserva para a proxima temporada um ano antes… senão so sobra os resorts carissimos.

– Como alguém ja citou ai em cima, as fotos ficam lindas ! E a pele sequinha, os cabelos lisinhos !

Tinha viajado outras duas vezes no inverno antes de visitar a Itália agora em julho. Como a Mari Campos, só posso ir nessas duas épocas. E quer saber? As duas têm vantagens e desvantagens. Ameeei o verão, é muito alegre, mas para os lerês, é melhor no inverno. Não só por causa das filas, mas pq tudo fica mais tranqüilo. Adoro vinho tinto, mas acho que eles combinam com o inverno, assim como o chopinho combina com verão… Viajar de mala semi-vazia tb é bom. Mas… Não consegui ir ao último estágio da Torre mais linda do mundo… Não consegui passear pertinho do Sena, por causa do vento… Enfim, são realmente duas experiências muito diferentes. Numa opinião altamente pessoal, eu preferi o verão, mas eu moro em Fortaleza, então não conta…

Já fui à Europa no inverno, mas mais por falta de opção (as férias são bem maiores, na faculdade). Já fui fazer um curso de francês, aí o clima não incomodava tanto (fora acordar de manhã no BREU! Eu era mestre de chegar atrasada na aula).
Mas hoje o marido se recusa terminantemente a ir: diz ele que “árvore desfolhada, nunca mais”. É até legal da primeira vez (eu lembro da primeira neve que caiu: todo mundo – tá bom, só os alunos dos trópicos – saiu pra ficar sentindo a neve na cabeça). É lindo. Mas depois o marido tem razão: vira uma lama intransitável. Neve em cidade é horrível: só se você for pra lugares em que o frio faz parte da ambientação, como uma estação de esqui, ou a Suíça, ou uma feira de natal da Alemanha.
No geral, a gente planeja viagens justamente olhando a melhor época do ano para aquele lugar (evitando a chuva, que a pior coisa que pode acontecer a um viajante). Não que seja tiro e queda: escolhemos, escolhemos e escolhemos, e fomos pra costa leste do EUA na primavera. E não é que pegamos uma “primavera atípica” com temperaturas em torno de zero, e chuuuuuuuuuuva? Nem gostamos de Nova Iorque, chovia sem parar. O tempo anda louco.
Resumindo: da primeira vez, é uma experiência sociológica, e a gente quer mesmo ver como é inverno de verdade (não tem jeito: a gente só acredita, mesmo, que amanhece às 9 e escurece às 16 h da tarde quando vê) – e com pessoas na fase escolar, nada bate o tamanho das férias em janeiro. Mas depois disso a gente aprende a ir pra outro canto nessa época 😉

Ricaaaaaardooo, será que vc lembra que aquele dia no Terraço Itália eu tava tentando lembrar o nome de um museu que fazia parte do Met e que ficava pra lá do Harlem, cuja ida era um verdadeiro estudo sociológico?
Lembrei:
http://www.metmuseum.org/events/ev_cloisters.asp?HomePageLink=collections_cloisters_l
Dá uma olhada no site. Pra mim o que vale é o parque, a vista, a ida de ônibus e a volta de metrô naquela linha A1 que parece um bólido subterrâneo…é um passeio lindo pra quem acha que já viu tudo em NYork…

Ai ai…já contei um monte de vezes como foi a primeira viagem à Europa, com 18 anos, mas en passant. Agora é um post específico né? Meus pais só podiam viajar nessa época, e DE CARRO.

Eu fiz Paris Budapeste de carro em pleno dezembro europeu, passando exatamente pelos lugares que todo mundo fala para não ir. Óbvio que ir pra Europa em maio ou outubro é muito mais legal, mas as experiências de se viajar no inverno também são inesquecíveis. E vc foca na comida, no “sentir”, ao invés do “ver”.

Descemos de carro de Paris e fomos para Dijon (onde eu, com uma intoxicação de tanto comer chocolate na Fauchon não podia comer nada num restaurante de-li-cio-so, o Chapeau Rouge). De lá atravessamos para a Suiça pelo Jura (neve, neve, neve…trutas, vinhos….delícia…). Tivemos sorte e pegamos dias lindos em Munich, mas Salzburg aquele frio úmido gelava o cérebro – e minha irmã, fanática pela Noviça Rebelde, fez a gente fazer o tour das locações da noviça rebelde (programa 8 tacapes triple diamond). Fazia um frio, um frio, de gelar a medula. A gente bebia, bebia, bebia… Sabem aquela igreja onde ela (a noviça rebelde) casou? Então. Fica lááááá no alto. Vcs não imaginam o chocolate com cognac que tem numa brasserie ao lado…hehehe. Passei o Natal em Viena (ou melhor, disseram que era Viena e acreditei – os monumentos estavam todos cobertos de neve…). Em compensação, depois de um jantarzinho italiano descoladíssimo atrás da Catedral, vi uma das missas do Galo mais lindas da minha vida (eu não sou católica, mas coleciono missas do galo pelo mundo…).
Pegamos dias lindos de morrer em Budapeste (na época a Hungria, apesar de light, ainda fazia parte da cortina de ferro, e confesso que foi emocionante atravessar a fronteira de carro).
Um mico que rolou, graças a Deus na Alemanha: de repente o nosso caso (leasing Citroen, na época era o que valia a pena) parou, pifou, ne pas marchait. No meeeeeio da estrada. Nevava. Fazia muuuuito frio.

Meu pai meio que sem saber o que fazer, viu um posto láááá longe, e com aquela cara de vaca atolada, já ia se preparando para ir até lá quando…eis que a polícia chega e no nosso inexistente alemã, conseguimos falar “das engine kaput” (Ricardo, não é vc que fala que alemão inventou a palavra mais perfeita do mundo para isso?pois é, é mesmo!). Ato contínuo eles nos levaram ao posto puxando nosso carro com o deles, e lá, colocaram um sprayzinho na bobina, que tinha congelado. E pronto. Meu pai quis fazer o que todo mundo faz aqui – dar uma “cerveja” – e eles olharam pra ele como se estivessem vendo um ET (na verdade, estavam…). Disseram que era o trabalho deles, e pronto.
Passei o Reveillon em Paris. Não choveu, só o frio.
Minha experiência: é mais difícil, é outro tipo de viagem, mas tb é fascinante. E passar o Natal em Londres, Nova York, é uma super experiência – nada como White Christmas.

Já fui pra Montréal e Quebec no inverno (de carro). Já fiquei presa no aeroporto de Newark por causa de nevascas, morrendo de medo de entrar naqueles aviões…Nessa da Nevasca em NYork minha viagem virou um menu degustation de Manhattans e Dry Martinis pelos bares de Nova York.

Olha, não dá pra reclamar não viu?
Deixa eu parar porque já vi que escrevi um caderno…

Minha experiência na Andaluzia no Natal foi bem agradável.

Mas as duas últimas vezes que fui a Lisboa — no início de dezembro e no Réveillon — só me fizeram ficar com vontade de voltar com sol e algum calor.

O Norte de Portugal foi um pouco frustrante — muita chuva e muito frio no início de janeiro; estradas sempre molhadas e ameaça do Douro transbordar (no Porto eu estava hospedado na Ribeira).

Passei também um Réveillon em Paris e meio carnaval em Londres; das duas vezes estava superfrio, mas eu estava bem acomodado e dediquei boa parte do tempo a comer bem; então aproveitei bastante 😀

Já o março gelado e itinerante que passei na Alemanha eu não recomendo a ninguém. (E olhe que eu voltei adorando a Alemanha.)

Eu passei um pedaço do inverno na Europa há muitos anos e acho q o seu post vai direto ao ponto: se não tem como evitar a viagem, faça com poucas escalas. Entretanto, em minha opinião, as fotos no inverno ficam lindas, e depois do outono, é minha estação predileta para fotografar. Tudo fica amplo, pq as copas das árvores estão secas, então a paisagem arquitetônica, por exemplo, fica desobstruída. Abuso da lente wide angle. E a neve branca dá um contraste bonito, principalmente num dia de sol “daqueles”. Ver os moradores locais patinando nos lagos congelados, visitar um ski resort no auge da temporada… são atrações que o inverno permite. Mas é verdade que andar no frio pode ser uma tortura das piores possíveis; por outro lado, vc vai conhecer vários cafés, bistrôs e afins legais, onde se aquecer é um charme. Museus são aquecidos, então vc pode curtir bastante esse tipo de passeio. Aliás, ironicamente, esse é um dilema da viagem no verão para mim, pq me sinto compelida a não entrar em museu se o dia está bonito lá fora e convidativo a andar. O que no verão, a não ser q chova, é o q acontece.

Só não tente acampar, como eu o fiz em Munique (e ainda era fim de outono…): quase morri congelada à noite.

O detalhe maior é: eu detesto frio. Mas ele não me impede de viajar no inverno, não. (Contraditória? Eu? Imagina!) 😀

Eu não tenho experiência com o inverno europeu não, mas se eu pudesse viajar apenas no inverno, eu acho que dá para aguentar numa boa:

Paris e Londres (pode fazer frio um pouco além da conta, mas são lugares que tem tanta coisa legal pra ver sempre que não me importaria)
Roma, com certeza
Portugal (tudo, menos Algarve ou Açores), inclusive a Madeira no inverno europeu a ilha fica bem amena…
Andaluzia

Eu não arriscaria de jeito nenhum:
Escandinávia
Leste Europeu
Sul da França
Grécia
Alemanha

E com certeza, eu alocaria uma parte maior do orçamento à hospedagem do que faria em viagens em outras estações…

Eu costumo ir à Europa no começo do ano (janeiro ou fevereiro) e no meio do ano (julho). A parte ruim é que só posso tirar férias nesses meses de alta, mas a parte boa é que são duas experiências completamente diferentes. As cidades ficam muito diferentes, as paisagens e até as pessoas também. Como vc disse, Riq, a viagem de julho é para conhecer, visitar e passear – então eu opto por um destino que eu ainda não conheça ou que eu tenha ido pela última vez há muito tempo. No começo do ano, por causa do frio, invisto no experimentar e vivenciar – então geralmente “uso” a europa só como stop de viagens à África ou Ásia, ficando numa cidade só, que eu já conheça, e aproveitando dela o máximo possível como “moradora”. Ainda assim, acho que as duas viagens valem muuuuuito a pena; mesmo com temperaturas negativas e neve (caso que só peguei DE VERDADE MESMO na Alemanha), dá pra aproveitar muito. Eu acho que quando estamos passeando, este tipo de coisa (frio, chuva, vento, neve) não nos incomoda tanto como se estivéssemos trabalhando 😉

Riq, eu poderia recomendar diversos roteiros pela Europa, seja de trem, de carro, de avião, de navio….mas no inverno eu não saberia o que recomendar, porque já não faço mais viagens a países durante inverno rigoroso.

Se eu só tiver determinada época do ano para viajar, opto por fazer a países com invernos amenos. Minhas experiências em viagens no inverno (algumas vezes com temperaturas em torno dos 15 negativos e sob forte nevasca) foram aquelas que valeram para serem feitas apenas uma vez na vida.

Tudo se torna desconfortável, especialmente quando se tem que vestir muitas roupas que pesam e incomodam, além do fato de se tornarem extremamente desconfortáveis quando saímos do frio da rua e entramos em lugares fechados com calefação.

Além disso, a bagagem fica muito mais volumosa, e pesada!, quando se tem que levar roupas de inverno.

Se tivesse que ser inevitável, eu, reafirmo, escolheria países com temperaturas mais amenas.