Fim da hipocrisia: México passa a aceitar visto americano

Pirâmide em Teotihuacán, Cidade do México

Por mais que o México (inclusive uma amiga minha ligada ao consulado) desmentisse, sempre me pareceu óbvia que a exigência de visto para brasileiros (e mais 134 nacionalidades) era uma exigência dos Estados Unidos para coibir a entrada de imigrantes ilegais pela porosa fronteira entre os dois países.

Para o turismo, a medida foi um tiro no pé. Vamos nos lembrar da última vez em que o real esteve supervalorizado — havia dois vôos diretos semanais do Brasil a Cancún, porque não havia a exigência de visto. A obrigação de ir pessoalmente a um consulado para tirar o visto (muitas vezes tendo que fazer uma viagem de avião dentro do Brasil só para conseguir o carimbo) é um dos melhores motivos para se decidir uma viagem a qualquer outro lugar do Caribe que não proporcione esse perrengue.

(Concorda comigo? Pois acontece a mesmíssima coisa com o turista americano que pensa em vir para o Brasil. Quando descobre que precisa mandar seu passaporte para um consulado, ganha mais um motivo para ir às Bahamas, a Porto Rico ou à República Dominicana.)

O presidente Calderón resolveu ser pragmático e, a partir do dia 1° de maio, quem tiver visto americano válido pode entrar no México e permanecer por até seis meses.

Claro que a medida não vai repetir o estouro da boiada da década de 90, porque muitos dos candidatos a férias em Cancún não têm visto americano. Mas a medida certamente vai pôr o México na rota de quem já tem o visto americano. A propósito, a combinação Flórida + Riviera Maia é perfeita (desde que você tenha aí umas duas semanas).

Vasculhei a internet, e em português só achei a notícia na Zero Hora; mas você pode ler direto da fonte nos jornais mexicanos: El Universal e La Jornada.

Atualização/correção:

A Folha de S. Paulo tinha dado a notícia anteontem, dia 13, na editoria Internacional. Talvez por ser uma página fechada para assinantes, estava mal indexada no Google, no rodapé da segunda página, depois de muitas notícias velhas.

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96 comentários

Ricardo, devidamente citado e referenciado no meu blog.

meu reveillon ficou bem mais proximo agora.

Gente, tenho o visto americano e vou pros EUA em setembro. Navegando pela net, fui fisgada pelo preço da Companhia Mexicana de aviação. Comprei ida e volta são paulo x nova iorque, por 500 dólares. Mas o vôo faz uma parada no México. Acreditam que só depois que comprei as passagens é que me liguei na questão do visto??? Vc podem imaginar a minha felicidade ao ler essa notícia, né… rsrsrsrs

Eu nao tenho visto, mas tenho o green card. Sera que preciso de visto pra ir ao Mexico? Nao sabia que brasileiro precisava de visto pra o Mexico e acabei marcando viagem pra o final de Maio. Caso precise, tenho que apressar a saida do meu visto!

    Oi Carolina:

    Se tiver Green Card, e so levar tambem o passaporte brasileiro -sem visto- y apresentar os dois documentos. DICA: Pergunta a linha aerea.

Agora o México voltou a ser uma opção de viagem. Porque, sinceramente, me mandar para São Paulo durante um dia de semana para tirar um visto para o México estava completamente fora de cogitação.

Eles nem precisavam aceitar o visto americano, bastava fazer feito o Canadá e aceitar que se mandasse o passaporte via despachante. Já resolvia a parada e não ficava com essa cara de capacho dos EUA.

De qualquer forma, no Chile eu vi uma forma bem interessante de aplicar o princípio da reciprocidade, sem perder (muitos) turistas.

Lá no aeroporto tem um guichê para se tirar um visto, na hora (leia-se: pagar por um visto) para os países que exigem visto dos chilenos. É uma idéia muito boa, que poderia ser adotada por nós.

    Márcio, eu discordo da maioria da tripulação no tema reciprocidade. Não somos uma ilhota no Caribe que depende do turismo para sobreviver ou empobrecer (tá, pode ser o caso de alguns vilarejos de praia e cidades “exóticas” na floresta, e só). O Brasil não precisa ficar se submetendo a relações consulares desiguais para atrair mais algumas centenas de milhares de turistas. Nem de dólares precisamos mais, nosso balanço internacional de pagamentos vai bem, obrigado.

    Agora essa de dar visto em aeroporto é uma solução chinfrim. Não é visto na prática, é cobrança por um carimbo. Pois eu duvido que o procedimento para entrada dos nacionais sujeitos a visto em aeroporto seja muito diferente daqueles que podem entrar sem visto. Logo a INFRAERO pressiona as cias. aéreas para receberem essa taxa antes do embarque lá fora, como ocorrem em alguns outros países com soluções parecidas.

    A reciprocidade pode dar resultados. Na década de 1980, os EUA impuseram vistos para os franceses devido aos sucessivos ataques de terroristas argelinos na França. A França revidou, e os americanos – de famílias em Spring Break a executivos de multinacionais – passaram a ter de enfrentar filas e viajar às cidades onde havia repartições consulares francesas. A medida caiu rapidinho.

    Mas como acho que o Brasil entrará logo no VWP, em 3/5 anos no máximo se nada dramático ocorrer no cenário internacional, a tal reciprocidade vai perder o sentido, pois será possível viajar sem visto de/para ambos os países.

    Eu concordaria contigo se o processo de visto para americano não fosse, em si, uma palhaçada. Eles não são entrevistados, eles não correm o risco de terem o visto negado. É só birra, mesmo.

    Birra, por birra, melhor cobrar uma taxa no aeroporto, em vez de fazê-la no consulado. Mas respeito o seu ponto de vista.

    Lá vou eu me meter em briga de gente grande…

    André Lot, não é questão de o Brasil depender ou não do turismo para sobreviver ou empobrecer. É a questão do Brasil ser pragmático e usar o turismo para se ajudar a crescer, ou seja, como um reforço, como algo a mais. A França, p. ex., é um país (bem) mais rico e desenvolvido que o Brasil e nem por isso trata o turismo com indiferença. Aliás, muito pelo contrário. “Ah, mas quando os EUA endureceram lá, a França também endureceu”. Tudo bem, mas a França tem poder de fogo para isso. O turismo, se não for equilibrado dos dois lados, é mais favorável aos franceses. Por isso os EUA acabaram cedendo. No caso do Brasil, de que adianta, na prática, a reciprocidade? Os americanos simplesmente deixam de vir. Já os brasileiros não deixam de ir justamente porque os EUA são um destino atraente. Acontece com o Brasil o mesmo que acontecia com o México. Por ser difícil, os americanos deixam o Brasil de lado e vão para outros países. Por ser difícil, os brasileiros deixaram o México de lado e foram para outros países.

    A visão tem de ser pragmática, realista, sem patriotismos/nacionalismos despidos de conseqüências práticas. O Brasil, ao impor reciprocidade aos EUA (e, de regra, a todos os demais países), só tem a perder (os EUA, ao menos, supostamente ganham em segurança, já que ninguém vai negar que eles são sim um país “alvo”). Já o Brasil não ganha rigorosamente nada de útil, só o “gostinho de vingança” disfarçado de reciprocidade. Se os americanos viessem, tudo tenderia a melhorar (o mesmo vale para todos os demais países). Haveria mais vôos (gerando mais concorrência e possível diminuição de preços), haveria mais demanda por hospedagem em todas as faixas de preço (ajudando a perfeiçoar a hotelaria brasileira), enfim, todas essas vantagens vindas direta ou indiretamente com o incremento do turismo. Por isso é que eu acho que, antes de criar dificuldades para o ingresso de estrangeiros (seja lá de onde eles forem), o país, seja qual for, tem de pensar muito nos prós e nos contras. Para o Brasil, eu só vejo contras.

    Sobre vistos em si, eu sonho com um mundo tão livre e sem fronteiras que PêEsse Soyinka von Virtanen III, meu trisneto, filho de nigeriana descendente de finlandesa e nascido no Catar, acesse de seu iAll a versão em árabe do VnV (que na ocasião já será uma holding da qual farão parte não só o hoteis.com como também a British Airways e a Pousada do Zé Maria) e leia e ouça e veja em ambiente 4D um post comentando que dez anos atrás o desemprego entre os despachantes e agências de viagem que intermediavam a concessão de vistos só não tinha sido maior do que aquele causado às casas de câmbio pela adoção em nível mundial de uma só moeda, o unicus, cinco anos antes. 🙂

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