Flamengo-Tietê

Minha coluna de hoje no Guia do Estadão.

Apesar de ter passado a metade mais recente da minha vida em São Paulo, não torço para nenhum time paulista. Gaúcho que é gaúcho não tem time em outros estados; pode até simpatizar com um ou outro, mas torcer está fora de questão.

Mesmo neutro futebolisticamente, nunca entendi como as outras torcidas paulistanas aceitaram que a estação do metrô em Itaquera fosse nomeada Corinthians-Itaquera, sem que houvesse nada do Corinthians nas redondezas – só o projeto de um estádio que provavelmente nunca sairá do papel.

Não se trata de uma estação qualquer. Itaquera está na cabeceira da linha, e por isso aparece em todas as estações intermediárias, nas placas que indicam o sentido dos trens. “Destino: Corinthians” é a frase que todo palmeirense, são-paulino e santista que se desloque do oeste para o leste pelo metrô precisa ler.

Deve estar escrito em alguma declaração internacional que todo cidadão tem o direito de se desligar do noticiário esportivo durante seus deslocamentos por transporte público. Só que, em São Paulo, não. Em vez darem um fim nessa aberração, ela foi estendida a outras estações e times.

Eu já sabia que a estação Barra Funda tinha sido rebatizada Palmeiras-Barra Funda, transformando a linha 3 do metrô num conflito de torcidas. Mas, sei lá por quê, não tinha registrado que a estação Tietê também tinha mudado de nome.

Eu estava indo a Santana de metrô, quando ouvi o condutor anunciar: “Próxima estação, Portuguesa-Tietê”. Portuguesa? Peraí! Essa é a estação mais importante do metrô. É por onde a maioria das pessoas chega a São Paulo. “Tietê” era um nome perfeito. Simbolizava São Paulo. Esse “Portuguesa” não acrescentou nada. Pelo contrário: parece que a estação ficou menor e menos importante.

(O nome ficou tão grande que, para caber na placa, precisaram diminuir o tamanho da letra. A palavra “Saida” tem mais destaque do que o nome da estação.)

Então me dei conta de algo interressante. A torcida do Flamengo na cidade de São Paulo deve ser infinitamente maior do que a da Portuguesa. Boa parte dessa torcida do Flamengo chegou à cidade, vinda do Rio e do Nordeste, pela estação Tietê. Que vem a ser, olhe que coincidência, a estação do metrô paulistano mais próxima do Maracanã.

Por que não homenagear essa imensa torcida, espalhada por tantas colônias, trocando o nome da estação para Flamengo-Tietê? Fica aqui a sugestão…

45 comentários

Hugo, futebol é futebol, visto ou praticado, é um esporte como outro qualquer. Não se deve confundir o esporte com o comportamento das pessoas sobre ele, pois este comportamento é fruto de uma mistura sócio-econômico-histórico-cultural muito complexa em nosso país. Neste caso, novamente abandonou-se a ojeriza por discriminações que é tão peculiar neste blog, para, de certo modo, se nivelar, mesmo que sem palavrões e ofensas, aos outros comentários.

Hugo, eu não me gusta o futebol, mais é imposible não saber que entre um hincha del Barça y um hincha del Madrid existe a posibilidad de poder llegar al desprecio y al odio más absoluto del uno por el otro.
Es algo universal entre equipos italianos, franceses, argentinos, colombianos, mexicanos, ingleses, alemanes etc….

He visto como se pegaban unos hinchas tras un partido. Es algo absolutamente violento y no tiene ningún sentido, mais existe.
Las personas no se pelean por entrar a un museo, pero sí por entrar en un campo de futbol.

Olha, não é por nada Riq, mas acho que a sequência de posts recentes destoam de seu modo de pensar, pois tenho acompanhado seus blogs (este e o anterior), e tenho sempre percebido a ojeriza por discriminações de qualquer tipo, que inclusive sempre se fez amplificar pelos visitantes comentaristas mais assíduos.
Ontem quando li o post “Resposta automática” já estranhei a condução do assunto, pois quero crer que um blog é escrito para ser lido pelos outros, caso contrário bastava uma agenda em papel, para vc guardar consigo na maleta. É lógico que volta-e-meia nos deparamos com pessoas que não exercitam o bom-senso, aqui no caso me refiro àqueles que questionam itens básicos e já postados anteriormente, porém para estes bastava a ausência de resposta, porque não vai haver coisa que vc escreva que irá resolver o modo de pensar e agir daqueles que sempre querem as coisas da maneira mais fácil.
Já com relação a este post ( ou ao artigo do jornal), talvez a essência do conteúdo não foi percebida pela maioria que aqui está comentando, que se sentiu ofendida e com razão, pois talvez existissem outras formas de expressar sua opinião.
Mas vale ressaltar que este blog é seu, é sua casa, e vc tem o direito de escrever o que bem entender e que, concordando ou não com sua opinião, as pessoas deveriam ter mais educação nos termos utilizados. Existem várias formas de se expressar uma opinião, porém é difícil ter o senso crítico de utilizar sempre a mais adequada.

Carmem, o problema é que no Brasil o futebol não apenas desperta “impulsos elementares”, como também serve de desculpa para que ofensas sejam proferidas e brigas iniciadas.

Na minha época de adolecente sem causa eu até já fui em estádios e gostava de falar sobre esse assunto, mas depois de um tempo vi que, para mim, existem um milhão de prioridades antes que eu dedique um minuto sequer ao futebol.

Ricardo, entiende ahora por qué en Europa no sé puede hablar de fútbol en una reunión???.

Es algo que tiene que ver con los impulsos más elementales y el fanatismo. Por esa razón me gusta el anonimato.

Por essas e outras que eu não gosto de futebol. As pessoas ficam tão fanáticas com esse esporte que passam a não respeitar a opinião alheia, e iniciam ataques infundados e absurdos como os que vimos agora.

Pelo visto, quanto mais futebol se assiste, menos se pensa.

Qué é isso???.
Fútbol???
Yo sólo sé que Brasil juega el día 1 de Junio contra Inglaterra, en España se comenta esto.

Sr. Turista Profissional,
nem precisa dizer que você não nasceu aqui em São Paulo… Se assim o fosse, muitas de suas estapafúrdias questões “existenciais” nem existiriam…. Nominar as estações que, principalmente, pela sua localização geográfica-histórica-afetiva remetem à um clube de futebol que está ligado ao bairro circunjacente, para além de uma homenagem, ajuda perdidos visitantes ou forasteiros moradores também a fixar melhor seu destino. Ninguém escolhe um time do coração; é uma paixão que não se explica. Algumas causas contribuem, mas a decisão não encontra justificação racional. Logo, se você realmente pudesse saber o que sente um torcedor apaixonado por seu clube, entenderia que é preciso para haver o espetáculo de outro time com outros torcedores que experimentam a mesma emoção por seu clube. O respeito pelo futebol e pelo seu oponente faz com que encaremos a nominação da estaçôes como uma homengem ao seu clube e aos demais; em nada suscitando revolta se dirigir ao destino de “outro clube”. Peço também respeito com a Lusa, que merece sua homenagem; apesar de não ser o meu clube. Se você for prestar um pouco de atenção é próxima ao Estádio do Canindé. O Flamengo já é mais que homenageado em sua cidade natal, no Rio de Janeiro. Existem muitas coisas em São Paulo que os forasteiros que se dizem “paulistanos de coração” jamais compreenderâo. Por exemplo, o respeito pelo diferente, a acolhida e o carinho para com o outro; suas raízes e clubes do coração, mas que preferencialmente por estarmos em São Paulo, bem fez a Prefeitura de acolher a sua história e seus membros nativos, não forasteiros. Entendeu porque sua sugestão não procede?
Abraço, Cecília.

Concordo com você, estão misturarando alhos com bugalhos.
E o Flamengo é realmente unanimidade nacional :mrgreen: ….. admito apesar de ser Fluminense 😉