Fotoblog: inaugurando o Fasano Rio

A piscina

Eu tentava conversar com Isay Weinfeld, mas estava difícil. Cada pessoa que chegava ao coquetel de pré-pré-inauguração do Fasano Rio vinha dar os parabéns ao arquiteto pelo hotel. A todos Isay explicava, sem perder o humor, que não tinha participação no projeto; que os cumprimentos deveriam ser repassados a Philippe Starck e Rogerio Fasano. Será? Justa ou injustamente endereçados, porém, os elogios a Isay são a prova mais eloqüente de que estamos falando de um hotel  muito mais fácil de identificar como um autêntico Fasano do que como Starck ortodoxo.

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Não que eu seja, como tanta gente, anti-Starck desde criancinha. Tudo bem que eu não moraria no Sanderson ou no antigo Royalton, mas acho divertido, sim, passar uma noite ou outra. Quando estive há pouco no Faena, em Buenos Aires, escrevi que hospedar-se por lá era como sair na Imperatriz Leopoldinense. No quesito Rosa Magalhães, porém, o Rio já está muito bem servido. Mas fazia falta um hotel verdadeiramente charmoso (daqui a pouco eu digo de novo o que penso do Copacabana Palace). E seria uma pena que esse hotel, finalmente construído, fosse um lugar assim meio starckisitão.

Não é. Pode procurar à vontade, que você não vai achar nenhuma starckisitice em todo o hotel. Além de não ostentar os excessos do Starck designer, o Fasano Rio se revela uma peça inspirada do Starck arquiteto, que humildemente pôs seu projeto a serviço de um design incontestavelmente superior: o desenho de Ipanema e do Leblon, da pedra do Arpoador ao morro Dois Irmãos.

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Vou começar pela má notícia. A piscina é território exclusivo dos hóspedes. Só dá para subir acionando o elevador com a chave magnética do seu quarto. As diárias são salgadas (R$ 945 o quarto de fundos; assim que descobrir a diária do quarto de frente eu posto aqui a Sylvia cotou no site da Leading Hotels of the World: 800 reais o quarto de fundos, 1.030 o de frente, 1.240 esse deluxe em que eu fiquei), mas em dias claros incluem esse pôr-do-sol visto do bar do terraço.

Vamos descer ao apartamento. O hall do andar é visivelmente starckiano. (Essa é uma das diversões do hotel. Imaginar a discussão que levou à escolha de cada detalhe. Hmm, essa poltrona é Starck. Ah, mas essa aqui é Fasano. Olha só: o Fasano ganhou aqui, aqui, aqui… ah, mas deixou aqui pro Starck.)

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Se o hall induziu você a pensar num apartamento starckisitíssimo, você foi enganado. O apartamento é absolutamente Fasano. De Starck só dá para identificar, mesmo, a cama disposta de maneira enviesada, como no Faena. Sim, eu sei que os espelhos-ameba foram desenhados por ele; mas parecem tão anos 50 quanto as poltronas de Sergio Rodrigues (escolhidas por Fasano) que habitam todos os quartos. Li por aí que as mesinhas-tronco de cabeceira também seriam starckianas. Mas, assim como o tronco-balcão da recepção e as mesas-tronco do lobby, elas soam completamente Zanine Caldas. Mesmo sem querer — ou sem saber — Starck acabou assinando um hotel repleto de bossas brazucas.

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Ah, sim: o espaço. Os quartos “superiores” e “deluxe” são, como se diria, bem resolvidos — eufemismo para pequenos-pela-fortuna-que-estão-cobrando. Durante a obra, eu tinha visitado um de 35 m2 (superior); agora, dormi num de 45 m2 (deluxe). Não pedi para visitar as suítes (de 75, 115 e 120 m2); não gosto de julgar hotel pelas suítes.

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Do apartamento em que fiquei, tenho a dizer que só me dava conta de que não era grande na hora de ir ao banheiro (que é muitíssimo bem-resolvido). Mas mesmo ali, a foto sépia do Rio anos 50 na porta de correr me fazia esquecer do fato que o espaço é tão bem-resolvido que precisa de uma porta de correr.

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No resto do tempo, a parede de vidro escancarada para o mar, com a sacada praticamente sugerindo um trampolim, aumentava meu espaço vital ao infinito.

(Ou seja: nem pense em pegar um apartamento de fundos.)

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As sacadas são separadas por espelhos que inteligentemente ampliam a “tela”.

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E olha o que eu descobri: se você olhar num determinado ângulo, vai ver os Dois Irmãos e a Pedra do Arpoador lado a lado, num Photoshop físico, gentileza de messîê Stark.

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Não viu? Eu repito:

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Veio a noite e, desculpaê, não paguei o mico de levar a câmera para o Fasano al Mare, o restaurante do hotel, especializado em frutos do mar à italiana. (Parênteses: sempre reclamei do fato de o restaurante principal do Copacabana Palace ser italiano — o Cipriani. Mas aqui é diferente. A família Fasano é italiana, e tem restaurantes italianos há mais tempo do que eu e você podemos nos lembrar.) Comemos esplendidamente; meus favoritos foram os canapés de ovas de vieira e um peixe in crosta (assado envolto numa massa levíssima e crocante). Falo da decoração daqui a pouco, no café da manhã.

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Dormi com as cortinas abertas, para acordar com a primeira luz do dia.

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Recomendo: a alvorada é quase tão bonita quanto o pôr-do-sol.

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Vamos descer?

Confesso que eu nunca fui muito com a cara da fachada do hotel. Achava o prédio pesado demais para uma beira-mar. Não entendia o acabamento de madeira escura das sacadas. Continuo achando que o prédio não embeleza a avenida. Mas dentro do quarto, a moldura escura faz todo o sentido: as cores da praia ficam mais vivas, e a paisagem, mais elegante.

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Vamos entrar de novo? Aí está a recepção, fotografada quando cheguei, na sexta. Na hora não me dei conta de que o balcão era uma peça inteiriça de um tronco amazônico; por isso não fiz a foto, agora clássica, da fenda na lateral direita.

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O térreo é o andar mais starckiano — sem exageros — do hotel. Aqui estão as cortinas, ora brancas, ora de veludo, que fazem as vezes de paredes e criam corredores curvilíneos. Mas é também no térreo que está o ambiente que mais remete ao Fasano São Paulo: o lounge do lobby, com sofás, tapetes iranianos e poltronas brasileiras dos anos 50 garimpadas pessoalmente por Rogerio Fasano em antiquários fluminenses.

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Há um segundo lounge no térreo, mas esse não é delimitado por cortinas. Trata-se do Londra — uma versão rejuvenescida do Baretto paulistano, em que o palco para shows foi substituído por uma bancada para DJ’s. (foto de celular)

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O café da manhã é servido no salão do Fasano Al Mare; uma mesa para dez pessoas, localizada sob o excêntrico lustre de Murano (parece que é Fasano; eu teria apostado em Starck), é transformada pela manhã num buffet.

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O mobiliário foi escolhido por Fasano, mas as cortinas drapeadas da parede são as mesmas que fizeram sua primeira aparição no Asia de Cuba, do Morgans nova-iorquino.

A parede oposta é envidraçada, e dá para um terracinho estreito onde se vê outra marca registrada de Ph.S.: os vasos superdimensionados. (Mas compare com o Mondrian, que foi onde eles estrearam, e veja que no Fasano Rio eles estão praticamente pequenininhos.)

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Uma última passadinha na piscina antes de ir embora…

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Foi bom pra você? Pra mim foi espetacular.

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O Rio agora tem um hotel que estava em falta na cidade desde que Jorginho a família Guinle vendeu o Copacabana Palace para o grupo Orient-Express. Desde então o Copa é um prédio sem alma; um asset dentro de um portfólio; uma página bonita num catálogo. Seu vizinho, o edifício Chopin, tem mais relevância social na cidade.

Rogerio Fasano fez exatamente o oposto: interceptou um projeto psicografado à distância, que poderia resultar numa mera curiosidade excêntrica, e colocou de pé o primeiro hotel que oferece o melhor do Rio até para quem não quiser sair pela porta.

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(Repararou na nesga da favela acima da parede de espelhos? Mais um aspecto do design carioca incorporado ao projeto…)

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Se os hóspedes forem recebidos como os convidados da primeira noite, então o prato de frutas de boas-vindas vai conter cajus. Eu, que sempre fui fã do sabor, nunca tinha reparado no design.

Será que o Starck conhece? 😀

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Agradeço ao poderoso Arnaldo, que gentilmente sugeriu meu nome para a lista da noite inaugural. Obrigadíssimo!

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Guia do Rio de Janeiro no Viaje na Viagem

131 comentários

A fachada do Fassano é feiosa mesmo, mas o interior é bem legal, mas acho que isso é uma caracteristica do gosto paulistano.
Só não concordo que desmereçam o Copacabana Palace.
Ora o Copa esta numa categoria acima, é o único hotel aristocrático do Brasil. Já o Fassano é um hotel burgues, como tantos que existem no país, ainda que um hotel burguês caprichado.

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