Gastos em alimentação em viagem: Polignano

Quanto vou gastar em alimentação?

Gastos em alimentação em viagem

Gastos em alimentação em viagem

Quais vão ser os gastos em alimentação na minha viagem? Talvez esta seja a pergunta mais feita nas caixas de comentário do blog nesses 16 anos.

A única resposta 100% certa é: a gente gasta o que pode. (E os felizardos quem têm grana sobrando — ou aquelas pessoas naturalmente controladas — gastam o que querem.)

Não existe um padrão único

Cada viajante tem seu orçamento. A noção do que é ‘barato’ ou ‘caro’ é pessoal e intransferível: varia de bolso para bolso.

Os hábitos gastronômicos também influenciam bastante nos gastos com alimentação em viagem. Cada pessoa tem um padrão de consumo diferente, seja na escolha do local (restaurante arrumado, restaurante simplesinho, lanchonete), seja na escolha do que vai comer e beber. Num mesmo restaurante, alguém que peça um prato de massa e um refrigerante pode pagar um terço de quem pede um filé alto e um bom vinho.

Esse padrão pessoal também muda conforme o câmbio. Uma mesma pessoa pode fazer questão de comer camarão graúdo todo dia em Maceió, mas se contentar com pizza e sanduíche durante um giro inteiro pela Europa.

O fato é que todo mundo se adapta. Quem comete uma extravagância num dia (tanto intencional quanto inesperada), passa os dois ou três dias seguintes economizando para equilibrar o orçamento. Normal. Todo mundo passa por isso.

Um exemplo prático

Gnochetti com vôngole - quanto vou gastar em alimentação

Vamos a um estudo de caso.

As fotos deste post são de um jantar em Polignano al Mare, na Puglia, considerada uma região barata da Itália (comparando com Milão ou Veneza, por exemplo).

Pizza del folle Polignano

O restaurante, porém, está numa localização nobre, a pracinha principal da cidade antiga (e foi escolhido por causa disso). Os preços eram um tico mais altos que a média da cidade (a gente sabia disso, porque os restaurantes têm cardápios com preços expostos). Daria para encontrar um lugar mais em conta? Claro! Mas a intenção era jantar com vista para a praça.

Gastos em alimentação em viagem

Pedimos dois pratos: uma pizza individual, porém grandinha (8 euros) e um gnocchetti com vôngole (13 euros). No câmbio do dia em que escrevo este post (1 euro = R$ 6,50), a pizza saiu R$ 52, e o nhoque, R$ 85. Tomamos uma garrafa de vinho chardonnay da Puglia, para experimentar (22 euros, ou R$ 143) e uma água com gás (2 euros, ou R$ 13). O restaurante cobrou o ‘coperto’ (couvert) para duas pessoas (6 euros, R$ 39). Total, com serviço, 51 euros (R$ 331).

(A sobremesa foram duas casquinhas numa gelateria, a 2,50 euros cada, ou R$ 32 as duas.)

Caro ou barato? Vai depender do seu orçamento e dos seus hábitos gastronômicos. Numa mesma caixa de comentários, vão aparecer reações que vão desde “tá louco, nunca gastei 330 reais num jantar!” até “rá, em São Paulo é mais caro!”.

É mais útil entender como daria para diminuir a conta (e como ela poderia ser ainda mais alta).

Tá barato! Veja como escapamos de pagar mais caro

Se em vez de uma pizza e o nhoque tivéssemos pedido um prato de carne (por volta de 15 euros) e o nhoque, a conta aumentaria em 7 euros e iria para 58 euros (R$ 377).

Se, além disso, tivéssemos pedido uma entrada para dividir, tipo um presunto cru com melão (8 euros), a conta iria para 66 euros (R$ 429).

Caso ainda dividíssimos um tiramisú (5 euros), chegaria a 71 euros (R$ 461).

E se, no lugar daquele vinho intermediário de 20 euros, tivéssemos pedido um vinho superior, na faixa dos 40 euros, a conta saltaria para 91 euros (R$ 591).

Finalmente, se tivéssemos pedido um filé alto ou um peixe fresco (no lugar do bifinho de 15 euros), a brincadeira custaria uns 15 ou 20 euros a mais. Poderíamos chegar a 110 euros (R$ 715). Mais que o dobro!

Ou seja: 51 euros (R$ 330) foi um jantar em conta!

Tá caro! Veja como poderíamos ter economizado

Caso o vinho escolhido fosse o da casa (10 euros), a conta de 51 euros baixaria para 39 euros (R$ 253).

Se tivéssemos apenas dividido a pizza (o garçom teria olhado feio, mas não poderia se recusar a servir), a conta teria baixado para 26 euros, com água e couvert (R$ 169).

(Não daria para dividir a massa. Em restaurantes da Itália a massa é ‘primo piatto’, a porção é pequena. Dá para dividir quando você pede também um ‘secondo’, de carne, e daí cada um na mesa come massa e carne. A propósito, é uma ótima estratégia na Itália.)

Caso não pedíssemos água, a conta baixaria para 24 euros (R$ 156). Menos da metade!

Se tivéssemos pedido para viagem (da sporto), pagaríamos só os 8 euros da pizza e beberíamos vinho ou cerveja comprados em supermercado (4 a 6 euros). Total, 14 euros (R$ 91).

Esses mesmos 14 euros dariam para dois pratos de massa, talvez até com duas taças de vinho da casa, num restaurante simplesinho fora da área turística que não cobrasse ‘coperto’.

Ou seja: 51 euros (R$ 330) foi um jantar caríssimo!

Conclusão: todo mundo se adapta!

Entendeu por que não existe resposta exata para a pergunta de quanto serão os seus gastos de alimentação em viagem?

Porque a gente acaba gastando o que pode. (Quem gasta “o que pode e o que não é pode” com alimentação é porque pelo menos pode se dar ao luxo de se endividar.)

Por isso é que o melhor é aprender como economizar em alimentação, para fazer render o seu orçamento sempre que for necessário.

Para isso a gente tem um post específico: 8 dicas para economizar na alimentação em viagem. Dê uma espiadinha!

Leia mais:


Al sugo

7 comentários

Adorei. É isso mesmo! Sempre faço um planejamento médio do quanto vou gastar na viagem. Acho que não dá pra gente ficar convertendo tudo, pois senão a diversão vai pro espaço, mas também não acho que dá pra chutar o balde e pensar em como vai pagar o cartão na volta. Já faz um tempo que proponho 50 ou 60 dólares ou euros pra alimentação e transporte por pessoa/por dia (considerando que não terei carro alugado). Costuma funcionar. Se numa refeição gasto mais, na próxima ou no outro dia compenso…se consigo economizar, posso fazer uma estravagância no final da viagem.

São excelentes perspectivas, muito bem Ricardo. Mas, infelizmente, com nossa moeda valendo quase nada, é complicado. Eu ainda sou da seguinte idéia, quem converte, não se diverte!

Interessantes as perspectivas trazidas no post. Sou do time que encara a alimentação parte importante da experiência de viajar. Então opto por experimentar o que o local tem de típico, gosto de programar os restaurantes a conhecer e eu gosto do programa “sair pra jantar” nas viagens. Mas, por outro lado, não faço questão de ir às compras quando viajo. Os gastos se compensam na minha perspectiva. Como dito, é mesmo uma questão pessoal.

Sr Boia.
Dizem que:”quem converte não se diverte”!
Já fomos, eu e minha mulher 5 vezes para o continente europeu. 25-29 dias….
Tudo planejado. Custo:mais ou menos 10.000 dinheiros europeus……Passagem, estadia, transporte, etc…..
É caro? Não..Nossa moeda é que não vale muito…..
Este valor se manteve nas 5 viagens….10.000 dinheiros europeus em todas…..
No ano que vem, caso façamos o mesmo que fizemos em 2019, pagaremos os mesmos 10.000 dinheiros porém com 50acréscimo em Real pela variação cambial…..
Simples assim

    Sinto discordar. O turismo fica cada vez mais caro em euros e em dólares. Somos duplamente penalizados pela desvalorização da moeda brasileira e pelo aumento dos preços.

Ricardo, só um palpite:
Acho que a pergunta mais feita no teu blog é “Que moeda levo pro país X?”… 🤑

Atenção: Os comentários são moderados. Relatos e opiniões serão publicados se aprovados. Perguntas serão selecionadas para publicação e resposta. Entenda os critérios clicando aqui.