Gripe suína e viagens

gripe

Pronto. O Brasil acaba de entrar na fase que eu já tinha cantado aqui: há transmissão sustentada de gripe suína, H1N1, nova gripe (você escolhe), e ninguém mais precisa viajar para ficar gripado.

O governo de São Paulo decidiu adiar por duas semanas a volta às aulas. Quando o México (no início de maio) e a Argentina (no fim de junho) tomaram medidas semelhantes, esta foi a senha para que se instaurasse o pânico entre os turistas que estavam de viagem marcada. Se o ministro da saúde do Chile quisesse, poderia ir para a TV recomendar que os chilenos não viajem ao Brasil, igualzinho ao que o nosso ministro da saúde fez com o Chile.

Como algumas escolas particulares resolveram acompanhar o adiamento das escolas públicas, muitas crianças que deixaram de ir a Bariloche agora vão ficar presas em casa por conta do mesmo assunto.

Mas nada impede que essas crianças que não foram a Bariloche e não voltaram às aulas peguem a gripe no shopping, no cinema, no ônibus.

(A Argentina, que se tornou o maior foco da gripe suína na América do Sul, foi o único país que proibiu vôos de e para o México durante duas semanas. Adiantou? Claro que não.)

Ou seja: cancelar viagens por causa da gripe já se revelou inócuo. A gripe já chegou aqui — trazida não pelos turistas, mas por caminhoneiros, por gente que viaja a negócios, pela geografia, pelo inverno. Talvez seja até mais fácil se prevenir (e cuidar das crianças) durante uma viagem do que ficando em casa, quando o nosso nível de atenção é menor.

É bom lembrar que, até o momento, não há turistas entre os mortos por gripe suína. Com exceção dos caminhoneiros, todos os mortos pegaram a doença aqui no Brasil.

Como não se noticiam as mortes por gripe comum, nem por dengue, nem por infecção hospitalar, nem por nenhum outro motivo, temos a sensação de que a gripe suína é incrivelmente mortal. Não é. Talvez venha a ser, caso o vírus se torne mais virulento numa segunda onda. Se isso acontecer (tomara que não!), é provável que quem tenha tido gripe suína apresente imunidade contra a nova versão mais robusta. O que pode ser mais do que um consolo para todos os que pegaram a gripe agora e sofreram a discriminação e a quarentena.

O assunto deve continuar em pauta, porque tudo indica que a gripe suína vai voltar no hemisfério norte no segundo semestre, no início do outono deles.

É por isso que eu quero deixar este post pronto, para lembrar que, dois pontos, parágrafo:

 Viajar, por definição, é correr riscos.

Ao decidir viajar, você pode se envolver num acidente de carro, sofrer um desastre de avião, ser barrado na alfândega, ter a bagagem extraviada, ser assaltado, perder os documentos, ter problemas com o cartão de crédito, enfrentar overbooking, ter suas reservas engolidas pelo sistema, ser atropelado, sofrer intoxicação alimentar, quebrar a perna, ter problemas de coluna, sofrer uma luxação ou entorse, ter que encurtar a viagem por causa de um imprevisto em casa, ser envolvido num ataque terrorista e, por que não, pegar gripe suína.

Ou seja: pegar gripe suína é só mais um dos inúmeros inconvenientes que podem acometer um viajante. Não dá para dizer que você não vá pegar gripe suína em viagem, como também não dá para dizer que você não vá ser assaltado — nem que você não vá pegar gripe suína sem sair da sua cidade.

(Ficar em casa, por sinal, também envolve outros riscos, de tomar choque a bala perdida.)

O que dá para dizer é que, mesmo com todos esses riscos, a imensa maioria dos viajantes volta sã, salva e feliz de suas viagens.

Não, você não será um mau pai ou uma má mãe se levar seus filhos para viajar. Provavelmente você será um melhor pai e uma melhor mãe se viajar com seus filhos — já que durante esse tempo eles estarão sob a sua atenção, coisa que não deve acontecer se vocês não viajarem.

E se você não conseguir se livrar da paranóia, então programe viagens apenas para lugares quentes.

Mas daí, cuidado com a dengue, viu?

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38 comentários

Quando estava grávida, quase desisti de ir ao Rio por conta do surto da dengue. Fui, ouvindo muito e um pouco assustada, mas preparada, com três tipos de repelentes diferentes, não usei, shorts nem chinelos, etc. Pergunta se mais alguém aí no Rio estava de calça e tênis? Me sentia uma alienígena. Cheguei à conclusão que nós, brasileiros, nos preocupamos mais quando a coisa está longe. Quando passa a ser (mais) um problema do nosso dia-a-dia, a gente anda com fé, que a fé não costuma falhar…

Netto, não é possível prever quantos brasileiros serão contaminados. Orientamos que todos sigam as medidas preventivas de contágio afim de minimizar os riscos de contrair o vírus Influenza A (H1N1). O vírus da Influenza A (H1N1) já está em circulação no território nacional.

Pois é, minha gente. Eu estive em BsAs em abril e essa história de gripe nem tinha aparecido. Ontem, no final do dia, me sentí mal. Passou 1 hora eu estava pior. Mais 1 hora estava no hospital. Resultado = afastamento do trabalho! Sim, estou gripado! A gripe bateu aqui na minha porta. Nem precisei viajar ou fazer qualquer outra aventura perigosa. Hoje me sinto super bem. É mole? Quem sabe ao certo o que foi ou o que tenho? Frescurite aguda! Risos…

Estou em observação. Na verdade só eu me observo. Até pq não posso ter contato com ninguém, disse a médica. Avião…

1) Vocês que estão desmarcando viagens, mandem os vouchers para mim. Depois eu passo o endereço.

2) Uma grande vaia para a Secretarira de Educação de SP que fez com que as escolas particulares entrassem na onda e suspendessem a volta às aulas. Onde eles acham que as crianças vão ficar? Em casa? Ou no shopping, cinema. brinquedotecas, buffets infantis e outros lugares tão ou mais fechados do que as escolas.

Clap, clap, clap!
Estou imprimindo o seu post e, a partir de agora, todo mundo que me falar “você é louca, vai para bsas com essa gripe!!!!” eu vou dar o seu post e mandar a pessoa ler.
Já cansei de falar a mesma coisa e as pessoas continuarem “sua louca…”
To indo na próxima semana, vou ficar sete dias com meu filho. Na volta eu conto como foi.
Detalhe: moro em uma cidade, no sudeste, na qual morre gente com dengue quase todo dia. No verão, é terrível! Mas, obviamente, aqui não corro riscos kkkkkkkkk
bjs e muito obrigada pelo post!

“Navegar é preciso, viver não é preciso”… 😉 Viver é correr riscos mesmo, não há precisão – o que podemos fazer é correr riscos calculados, e aí entra o cuidado, a prevenção…

Ainda volto a Bs.As. esse ano!!! 😀

(Queridos, desculpem o sumiço! Entreguei a tese e estou alérgica ao computador… 😳 Vou hibernar em Penedo uns dias!)

Alguns já devem ter recebido por e-mail uma lista imensa de prevenções contra a gripe suína em nome de um médico professor da Faculdade de Medicina de Ribeirão Preto. Pois bem, o e-mail é falso (como 99,999999% do que circula na internet), mas o médico existe. Entrei em contato com a Faculdade questionando a autenticidade do e-mail e ele gentilmente me respondeu que não é dele a autoria do tal e-mail, mas vai correr atrás para saber quem foi. Pois é…

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