Índia pra Elvira

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A Elvira quer ir pra Índia, talvez também pro Nepal, em janeiro de 2008, e pede dicas de roteiro, hotéis etc. (A época é ótima, Elvira: no norte da Índia faz frio à noite, mas o tempo está seco no país inteiro, e mesmo no sul o calor não será sufocante.)

A Sylvia, rápida como só ela, já indicou a agência online India Travelite e os pacotes da Indian Airlines Packages.

Elvira, a primeira coisa que você tem que decidir é qual a intensidade do contato que você quer ter com a Índia durante a sua viagem. Dá pra montar desde uma viagem levemente exótica até uma expedição verdadeiramente antropológica. As duas vertentes vão ter defensores apaixonados; decida-se por uma delas, estabeleça os seus limites (de investimento, de conforto, de segurança, de aventura) e vá atrás das dicas da turma que você escolheu.

Simplificando bastante, dá para viajar à Índia de um jeito Frommer’s ou de um jeito Lonely Planet. A diferença entre os dois estilos fica flagrante no capítulo “transporte interno”. Enquanto o Frommer’s recomenda que você vá de avião (pela JetAirways) e para as distâncias curtas alugue carro com motorista (viajando sempre de dia), evitando o máximo possível o trem, o Lonely Planet manda fazer quase o contrário: para eles, o trem é um aspecto fundamental da experiência indiana.

Quando eu fui, em janeiro de 93 (e voltei, em janeiro de 96), viajei do jeito mais burguês que existia: me hospedei em antigos palácios de marajá no Rajastão, cacifei vista para o Taj do quarto do meu hotel em Agra, viajei de carro com motorista quando a Indian Airways me deixou na mão (e ela me deixou na mão nas duas vezes: em 93, por causa de uma greve; em 96, porque perdeu minha reserva e eu precisei atravessar a Índia de costa a costa — de Goa a Madrás — por conta própria).

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Se eu voltasse hoje à Índia tentaria misturar as duas vertentes — grandes trechos antropológicos com pequenos respiros burgueses. (O interessante de viajar burguês na Índia é que mesmo na classe pra-inglês-ver você continua vivendo uma experiência exótica.) Meu problema é que, não tendo viajado à maneira não-burguesa, não tenho como recomendar nada com segurança. Entenda: eu sou louco para me meter numa aventura dessas, mas não tenho como recomendar a ninguém antes de ter vivido na pele.

Se você optar por um passe aéreo (é a única maneira de cobrir vários lugares em 15 ou 20 dias), sugiro que você siga o Frommer’s e compre o passe da Jet Airways, que é a melhor companhia aérea privada indiana. Na minha primeira viagem, fiquei 20 dias, e fui a Délhi, Varanasi, Khajuraho, Agra e quatro cidades do Rajastão: Jaipur, Jodhpur, Jaisalmer e Udaipur. Na segunda viagem, fui a Bombaim, Goa e Madrás. (Madrás hoje se chama Chennai, e não vale nem um pouco a pena.) Achei Goa divertido, mas se fosse indicar algum lugar no sul da Índia para compor esse roteiro, seria o Kerala.

E tente incluir Katmandu, sim. É lindo — sobretudo Bhaktapur, a cidade (contígua) onde foi filmado o Pequeno Buda. No meu tempo havia um vôo direto entre Katmandu e Varanasi. Katmandu seria um ótimo ponto final deste périplo. (Você pode começar por Bombaim, fazer o Rajastão e Agra, então Khajuraho e Varanasi, daí a Katmandu e de lá para o lugar onde você vai começar a viagem de volta.)

Mas será que nos últimos anos viajar pela Índia ficou mais light? Quem já foi à Índia e pode dar uns pitacos? Conta pra gente!

43 comentários

Sylvia, entendo a tua decepção; mas também explico: Agra e Jaipur não valem esse trabalho todo (o Taj vale, claro; mas tanto Agra quanto Jaipur são cidades bem desinteressantes). Ver os rituais do amanhecer no Ganges, em Varanasi; os templos eróticos de Khajuraho; a cidade brâmane, azul-celeste, de Jodhpur; as muralhas e os havelis de Jaisalmer, no meio do deserto; e o palácio flutuando no lago de Udaipur — tudo isso compensou todos os percalços do caminho. E, mesmo tendo saído da Índia me prometendo nunca mais voltar, três anos depois eu já estava de volta 😆 e agora estou louco para ir de novo.

Sem falar que eu amo a comida 😯 🙄 :mrgreen:

Karinissima,
Terminei de ler “O caçador de pipas”, como acompanhei a sua viagem no seu blog, lembrava de você durante a leitura do livro, agora ficou o vínculo, é a sua cara. Adorei o livro, triste, mas muito bom…

India é dificil , muuuito dificil mesmo .
Eu queria só me tele-transportar , baixar no Taj e ir embora.

Depois de muito pensar , estudar e estudar acabamos incluindo a India
num RTW em 2005 .Chegamos lá vindos do Nepal na ultima semana de
setembro ( no fim das monções, e não vi uma gota de chuva ).

O melhor da India é o Nepal 🙄 , belissimo, magico e facinho.
É preciso para sobreviver ao caos estar num esquema hiper-luxo
(para eles ) e assim mesmo é haaaard …

Saimos do aeroporto de Delhi ( light total ) direto para Agra num carro
alugado ( o motorista vem sempre de brinde quando se aluga um carro na India ) . Levamos 5 horas para percorrer 200 km numa auto estrada.

Na India ir até a esquina leva no minimo uma hora 🙁

O motorista era ótimo , super querido e paciencioso e o carro era assim..
grande, confortavel , com um ótimo ar condicionado .
Ficamos 5 dias com o carro e o motorista-guia .Esta foi a melhor parte
pois sem a dupla ai de cima seria um desatre sair de Agra e ir para Jaipur
( outros 200 e poucos km e um dia inteiro na estrada )

A hospedagem é fundamental na India e no Nepal , hoteis 5* ou mais
se houver 🙄
Ficamos num palacio em Jaipur e no Hilton em Agra .
Para sair de Jaipur resolvemos dispensar o motorista e pegar um voo
para Delhi de onde seguimos direto para Praga ( via Viena ) .

Ao Nepal eu voltaria amanhã mesmo !
Gostei muito, me senti confortavel e segura e Kathmandu-Bhaktapur foram mais do que eu esperava ; é lindo. mistico e divertido .
Hoje eu digo que o Nepal é no minimo 100 vezes mais facil que a India.

Ficamos sózinhos em Kathmandu , contratamos taxi para fazer os passeios
e não tivemos nenhum problema .Quer dizer, era uma dificuldade encontrar carros que tivessem ar condicionado funcionando 🙁 , sem
falar que eles não querem ligar o ar para não gastar combustivel …

É preciso muito folego mental para a India ( e se preparar não serve para
muita coisa 🙄 )

Depois de ler o livro do Airton Ortiz que o Ernesto menciona acima (Expresso para Índia), eu me convenci que não tenho condições de ir à Índia, ao menos na primeira vez, fora de um esquema bem patrão…

Ele mesmo precisou fazer descompressão durante a viagem e se instalou num hotel bacana por uma semana…

O Nepal já está “reaberto”, sim, Ernesto. Já estão até fazendo trekking de novo.

A dica da Emirates é ótima. Até agora o caminho mais curto era por Joanesburgo, passando obrigatoriamente por Bombaim. Indo por Dubai as alternativas de conexões devem se multiplicar; vai dar para começar e terminar o tour indiano nas cidades que o freguês escolher, sem precisar voltar a Bombaim para iniciar o périplo de volta.

Eu nunca fui,mas faz parte dos sonhos… Será que servem algumas pesquisas? A penúltima proxim a viagem trouxe uma bela reportagem sobre a India (E a concorrência Riq, mas a reportagem estava boa)…. Tem um livro do Airton Ortiz, no qual ele narra as viagens dele de trem (Expresso para a India), e por último embora o Nepal seja interessante, vale a pena verificar no Site do Departamento de estado americano a situação politica por lá antes de fechar o pacote, pois ela anda meio instável. … Uma vez eu telefonei para o consulado da India para obter informações sobre vistos,e foram muito simpaticos! Creio também que o voo da Emirates deve ser uma boa opção, tanto pelo preço em conta, como por reduzir o tempo de viagem. Reomendo também contactar o departamento de viagens da Faculdade de Medicina da USP, para se informar sobre vacinas (que ainda que não sejam obrigatórias são fundamentais para a sua sáude), e outros cuidados que voce deve tomar. Deve ser muito interessante, e eu gostaria da saber as dicas de todos.