Isenção de visto para americanos

Durante 140 dias, americanos entraram no Brasil sem visto. Foi difícil pra você?

Isenção de visto para americanos

Este texto é o segundo de uma série que prometi no post Pra tudo não se acabar na segunda-feira e que teve início com o post Brazil com s: até quando o turismo brasileiro vai brigar com a língua inglesa?. De vez em quando você vai encontrar aqui mais um pitaco não-solicitado sobre como podemos avançar no turismo internacional.

Poucas coisas ferem tanto o orgulho nacional quanto a humilhação que passamos para solicitar visto de entrada nos Estados Unidos. A única coisa que nos serve de consolo é que submetemos os gringos que querem visitar o Brasil a uma humilhação parecida. Quando alguém, tipo eu, lembra que exigir visto de turistas americanos vai contra os nossos melhores interesses comerciais, e que o Brasil é um dos pouquíssimos países do mundo a usar da tal ‘reciprocidade diplomática’, o orgulho brazuca só aumenta. Somos muito poderosos! Os f#d%es do Terceiro Mundo! Chupa, Tio Sam!

Infelizmente todo esse orgulho não serve para diminuir um centavo sequer do déficit anual de US$ 11 bilhões da balança comercial do turismo. Somos o triste exemplo de um país com vocação turística que se conformou em ser exportador líquido de turistas, de receitas turísticas e de empregos no setor turístico (como se não bastassem todos os empregos de manufatura perdidos para a China). O México, a República Dominicana, a Costa Rica, o Peru, a Colômbia e a Argentina, que não exigem visto de norte-americanos, agradecem.

Americanos entraram sem visto na Olimpíada; sua vida piorou com isso?

No final de 2015, o Ministério do Turismo conseguiu emplacar uma exceção temporária na política de reciprocidade diplomática para viajantes de quatro países: Estados Unidos, Canadá, Japão e Austrália. A desculpa usada para conseguir dobrar o dogma do Itamaraty (compartilhado, diga-se, pela imensa maioria da população) foram os Jogos Olímpicos e Paralímpicos. Entre 1º de junho (pouco mais de dois meses antes do início da Olimpíada) e 18 de setembro (último dia dos Paralímpicos), americanos, canadenses, japoneses e australianos não precisaram de visto para entrar no Brasil, com direito de permanecer no país por até 90 dias depois da entrada.

Como eu já tinha comentado neste post, a medida foi tímida (deveria ter maior duração), foi anunciada tarde demais (sem tempo para a devida divulgação), numa época em que nem seria tão necessária assim (Olimpíada é um evento que justifica o esforço de solicitar um visto para um país que a pessoa não visitaria em outro momento se o visto fosse necessário), e em termos de resultados seria inócua. Ainda assim, segundo pesquisa do Ministério do Turismo, 75% dos visitantes destes países durante a Olimpíada — algo como 40.000 turistas — aproveitaram a isenção do visto, e 82% afirmaram que a dispensa do visto facilitaria um retorno ao Brasil. A Embratur está usando esses dados para pleitear uma extensão da isenção do visto por mais tempo, para que o impacto da medida possa ser ser corretamente avaliado.

A meu ver, o melhor resultado prático dessa isenção temporária foi que o tabu foi quebrado — e ninguém notou.

Durante 140 dias, americanos (nem falo dos outros; nosso problema é com os americanos — a reciprocidade é contra eles) entraram no Brasil sem visto prévio. Muitos deles ainda devem estar por aí (quem entrou até o dia 18 de setembro pode ficar por aqui até 17 de dezembro). E, pasme: ninguém perdeu o sono com isso. O Brasil não foi rebaixado no cenário mundial. Nenhum americano passou pela imigração tirando sarro da gente. Nenhum brasileiro foi individualmente prejudicado ou sofreu alguma humilhação a mais do que já sofre.

Nesse meio tempo, tivemos suspensão de presidente, mais fases da Lava-Jato, decretação de calamidade pública no estado do Rio de Janeiro, Olimpíada, o caso Ryan Lochte, impeachment (ou golpe, pode escolher), Paralimpíada, eleições municipais, PEC do Orçamento. Todos esses assuntos afetaram o dia a dia do país e muitos deles tiveram alguma repercussão internacional, influenciando a imagem do Brasil lá fora e a auto-estima dos brasileiros. Isenção de visto para americanos? Não foi assunto, não é assunto. Só é notícia quando se tenta mudar a lei. E só é importante naquele momento em que o brasileiro vai ao consulado americano solicitar visto e deseja que os americanos passem exatamente pelo mesmo calvário se quiserem vir para o Brasil.

O problema é que essa sede de vingança, que é natural e compreensível, é dirigida ao alvo errado — o viajante, coitado, que não formula a política de imigração americana. E acaba não prejudicando em nada os Estados Unidos; o prejuízo fica todo com o Brasil.

Por que os Estados Unidos requerem visto de entrada para brasileiros

Porque são imperialistas, racistas e paranóicos? Em parte, sim. Mas o fundamento principal para os Estados Unidos exigirem vistos de visitantes de outros lugares é o potencial de enviar imigrantes ilegais. Os únicos países que não pertencem ao Primeiro Mundo e têm isenção de visto são a Coréia do Sul, Cingapura (ambos com renda per capita de país rico) e o Chile, que ganhou a isenção em 2013. (Antes do Chile, a Argentina chegou a ser isenta, mas voltou a precisar de visto depois da decretação da moratória.)

No auge da prosperidade dos anos Lula, quando nos tornamos o país emissor de turistas mais cobiçado pelos Estados Unidos, o Brasil chegou a ser seriamente cogitado para a isenção de visto (“visa waiver”). Mas as negociações esbarraram na intransigência da diplomacia brasileira, que não concorda com as exigências do programa aceitas por todos os países participantes do visa waiver: troca de informações sobre perdas e furtos de passaportes; troca de dados sobre ‘passageiros que possam constituir ameaça criminal ou terrorista’; repatriações imediatas no caso de denegação de entrada. A União Européia, o Japão e a Austrália aceitam as exigências; o Brasil, não. (Segundo informa o Andre L., a AGU entende que aceitar essas exigências requereria uma emenda constitucional. Obrigado, Andre.)

Esquece, gente. Pro brasileiro ter isenção de visto aos Estados Unidos, a gente precisa enricar de novo, os dinossauros precisam ser extintos no Itamaraty e ainda precisamos emendar a Constituição. Não vai ser nesta encarnação.

Por que o Brasil requer visto de entrada para americanos

Porque somos xenófobos, burros e temos baixa auto-estima? Você provavelmente não vai concordar comigo, mas esta é a minha opinião. A nossa ‘reciprocidade diplomática’ não se deve aos mesmos motivos dos Estados Unidos — ameaça de imigração clandestina ou paranóia terrorista. É a reciprocidade pela reciprocidade. Em que século estamos, Talião?

Temos a mais longa baixa temporada do planeta — os 10 meses do ano em que não há férias escolares, e o turismo interno é devagar. Boa parte dessa baixa temporada não se justifica em termos climáticos — o tempo às vezes é até melhor fora de temporada. Temos quartos de hotéis e pousadas e assentos em vôos sobrando, que poderiam ser ocupados por turistas estrangeiros. Mas daí achamos lindo criar uma barreira comercial para vender esses quartos e lugares vagos a um dos mercados mais importantes do mundo.

Não existe diferença entre uma barreira comercial auto-imposta para dificultar a venda de um excesso de produção de laranjas e uma barreira comercial auto-imposta para dificultar a venda de um excesso de vagas em hotéis. “Ah, mas laranja não tem honra”. Tá bom. O problema é, de novo, usar o coitado do turismo como bode expiatório para nossos problemas de auto-afirmação.

Salvar a honra do país com a imposição de visto para americanos não cria um emprego sequer em Manaus (onde a crise causou a demissão de 37 mil pessoas na Zona Franca nos últimos 12 meses). Em compensação, ajuda a criar mais empregos no turismo de selva da Costa Rica e do Equador. Mas não tem problema: nossos desempregados acordam todos os dias de cabeça erguida, felizes de saber que nenhum turista americano folgado entrou livremente no Brasil como se aqui fosse um paiseco feito Argentina, México ou África do Sul.

Como o brasileiro consome viagens aos Estados Unidos

É difícil encontrar algum brasileiro que não se interesse em viajar para os Estados Unidos. Disney, outlets e Nova York estão sedimentados no imaginário do viajante em potencial e não têm substitutos à altura. (Uma visita à Disneyland Paris apenas aumenta a vontade de ir à Disney de verdade.)

A necessidade do visto não nos detém. E olhe que as regras são draconianas. Os americanos nos obrigam a preencher um formulário longuíssimo em inglês (sem opção em português) e a solicitar o visto pessoalmente, em consulados localizados em apenas quatro cidades brasileiras. Precisamos ‘provar vínculos com o Brasil’, e para isso temos que levar ao consulado mais documentos do que os exigidos para alugar um imóvel ou comprar um carro. Na primeira solicitação, precisamos fazer duas entrevistas – uma na triagem, outra no consulado – em dias diferentes, o que penaliza o solicitante que venha de outra cidade com gastos não apenas com passagem, mas também com hospedagem, só para tentar o visto. Mesmo assim, em 2015, 2.200.000 brasileiros estiveram nos Estados Unidos. Isso é 1% da população brasileira.

Em meio em toda essa via-crúcis – que, compreensivelmente, revolta o portador de passaporte brasileiro –, a diplomacia americana pelo menos teve o discernimento, há alguns anos, de desvincular a concessão do visto da compra prévia de uma passagem para os Estados Unidos. Pelo contrário. O consulado orienta os solicitantes a primeiro obterem o visto, e só então comprarem passagem ou pacote de viagem. Além disso, há uns três anos o sistema foi modernizado, e quem solicita renovação de visto nem precisa mais ir ao consulado: resolve tudo na triagem, que é terceirizada. Tirar o visto continua uma humilhação, mas um crédito deve ser dado: os caras se esforçaram de verdade para melhorar o processo (e o índice de vistos negados caiu).

O brasileiro se submete à humilhação da solicitação do visto porque os Estados Unidos são um destino desejado e insubstituível. Muita gente rentabiliza o perrengue fazendo várias viagens durante a vigência do visto. Outros procuram ter o visto válido para poder aproveitar promoções de passagem. O visto só é um impeditivo para a viagem do brasileiro… quando é negado, mesmo.

Como o americano consome viagens ao Brasil

É muito raro encontrar um americano que tenha tanta determinação de viajar ao Brasil quanto o brasileiro médio tem de viajar aos Estados Unidos. Para os americanos, somos um lugar exótico, mas também perigoso. E estamos longe de ser um destino insubstituível: no imaginário americano, fazemos parte do grande borrão chamado América Latina, onde as experiências são mais ou menos intercambiáveis.

(Cá entre nós: dificuldar a vinda de americanos só faz ajudar a perpetuar essa ignorância.)

Quando um americano/uma americana decide viajar ao Brasil, ele/ela já relevou o fator distância (o México e o Caribe são mais próximos) e desconsiderou o noticiário, repleto de crise econômica, violência e zika. Um americano/uma americana que decida ir ao Rio em vez de Cancún, à Amazônia em vez da Costa Rica e a entrar em Iguaçu pelo lado brasileiro em vez do argentino devia ser recebido/recebida com tapete vermelho, sorrisos e fitinha do Bonfim.

Ao contrário dos brasileiros, que sabem desde sempre que é preciso de visto para ir aos States, os americanos só descobrem a exigência quando partem para os finalmentes – muitas vezes, tarde demais. Só países muito fuinhas exigem visto de americanos. Na América Latina, além do Brasil, apenas Bolívia e Venezuela. (Cuba vende o visto no guichê do check-in da cia. aérea, ainda em solo americano.)

O mais curioso é que as exigências da tal reciprocidade diplomática, fonte de tanto orgulho para os brasileiros, são bastante assimétricas. A gente não tem coragem de retaliar olho por olho, dente por dente. Os americanos não precisam preencher um longo formulário em português. Não precisam comparecer em pessoa ao consulado. Não precisam levar escrituras de imóveis ou carteira assinada para provar que têm ‘vínculos’ com os Estados Unidos. Você que se sente humilhado na fila ou na entrevista do consulado americano, saiba que essa humilhação não é retribuída pela reciprocidade diplomática. Não, você não está vingado.

Em compensação, a nossa política de reciprocidade exige dos candidatos a viajar para o Brasil algo que os Estados Unidos não exigem dos brasileiros: passagem aérea comprada e hotéis reservados antes de pedir o visto. O Itamaraty está tão defasado na compreensão do turismo que não entende que passagens internacionais com preços abordáveis são normalmente não-reembolsáveis. Pedir a um solicitante de visto que invista numa passagem não-reembolsável sem garantia de que vai receber o visto (ou que o visto chegue a tempo para a viagem) não faz o menor sentido em 2016. Isso vai muito além de infligir constrangimento (que, admitamos, é a idéia central da reciprocidade): isso inviabiliza viagens. O americano não pode fazer como o brasileiro: tirar o visto e esperar aparecer uma passagem promocional. A reciprocidade, além de incompleta, é burra.

Além disso, o atendimento nos consulados brasileiros nos Estados Unidos está cada vez mais confuso, graças às verbas minguantes – uma situação sem solução à vista.

Seja sincero, viajante brasileiro: se o México pedisse para você primeiro comprar uma passagem aérea internacional para depois pedir o visto, tendo que se mandar seu passaporte pelo correio e ficar longe dele por três a quatro semanas, você continuaria querendo viajar para Cancún, ou trocava rapidinho pra Punta Cana ou Cartagena?

México, Chile, Argentina

Muitos negacionistas do turismo brasileiro (gente que acha que o Brasil não tem condições de receber turista estrangeiro, e que é melhor nem fazer esforço) justamente se tornam negacionistas do turismo brasileiro quando vão a um destino organizadíssimo de país pobre, tipo Cancún. O fato de o Brasil não ter nenhum lugar ‘de primeiro mundo’ como Cancún seria a prova de que a gente não pode competir nesse mercado.

Veja: eu nem acho Cancún tudo isso, e não acredito que o Brasil precise ter um lugar assim. Mas uma coisa é certa: Cancún não existiria se o México retaliasse os americanos com exigência de visto de entrada. E não só Cancún: o México tem hoje uma coleção de destinos impecáveis, que não dependem do mercado interno para prosperar. E os mexicanos ganham não só os empregos gerados pelo turismo estrangeiro, como a possibilidade de viajar com melhor infra pelo seu próprio país.

Mesmo no campo da reciprocidade, há maneiras mais inteligentes de retaliar. Em meados da década passada, cansado de esperar na fila do visa waiver, o Chile resolveu instituir a reciprocidade pecuniária aos países que exigem vistos de entrada para chilenos. Ao desembarcar no Chile, viajantes desses países têm que pagar uma taxa equivalente à cobrada dos chilenos para requerer vistos (no caso dos Estados Unidos, era US$ 160). É um jeito de preservar a honra dos chilenos (ou dos diplomatas chilenos) sem exportar empregos e receitas de turismo para o Peru, a Noruega ou a Nova Zelândia. Em 2013, as negociações pela isenção do visto americano para chilenos chegaram a um bom termo, e hoje só australianos pagam a taxa de reciprocidade (obrigado pela correção, Neftalí).

Durante os governos K a Argentina também se encheu de brios, mas não teve coragem de ir tão fundo quanto o Brasil. Adotou o modelo chileno de taxa de reciprocidade. A taxa foi abolida este ano, pelo presidente Macri, ante promessas americanas de aceleração do processo argentino no corredor do visa waiver. Com isso, a visitação de americanos no lado argentino de Iguaçu já aumentou 25%. A Embratur está pleiteando conceder um visto especial para americanos que estejam em Puerto Iguazú, para tirar uma casquinha do pragmatismo comercial argentino.

O fim do visto não vai funcionar sozinho

A Organização Mundial do Turismo, um órgão da ONU, aponta a exigência de visto de entrada como a barreira mais importante ao crescimento do turismo estrangeiro em qualquer país.

No caso do Brasil, é importante acabar com essa barreira, mas sem alimentar expectativas de estouro da boiada (que é que aconteceria se os Estados Unidos derrubassem o visto de entrada para brasileiros).

Não há demanda reprimida de viagens para o Brasil nos Estados Unidos, no Canadá, na Austrália ou no Japão. Mas são mercados promissores, que podem enviar muitíssimo mais turistas do que enviam. Fora do Cone Sul e de Portugal, que são mercados que conhecem e entendem o Brasil, nos outros países o Brasil interessará apenas a uma fração de viajantes. O importante é dar todas as condições a que esse público-alvo efetivamente venha (e ajude com o boca a boca a alargar o nosso público potencial).

Num primeiro momento, o que o fim do visto pode proporcionar é um pequeno aumento inicial de turistas vindos desses países. Mas a medida prepara o campo para que ações de promoção sejam mais efetivas e, no médio prazo, o Brasil consiga realizar o seu verdadeiro potencial nesses mercados.

Os negacionistas do turismo internacional no Brasil acham que não temos condições de receber turistas estrangeiros, e que não vale a pena nem tentar. Estão errados: basta ver o sucesso da Copa e da Olimpíada. O que o Brasil — governo, iniciativa privada e povo — precisa entender é que não deveríamos precisar de mega-eventos para receber turistas. Mas para trazer os turistas de fora é preciso reverter percepções internas, quebrar dogmas (como o da reciprocidade) e promover o país.

O fim do visto é apenas uma entre várias medidas que precisamos tomar. Nos próximos posts, escritos sempre que der tempo no fim de semana, vou apontar mais coisas que devemos fazer/mudar para tornar o Brasil competitivo no turismo internacional.

E se você não se conforma com a isenção temporária do visto para americanos, saiba que até o dia 17 de dezembro o último que entrou sem visto já deverá ter saído do país. Então você vai poder finalmente se olhar no espelho de novo e ver nossa dignidade nacional restaurada.

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Turismo depois da Olimpíada

83 comentários

Sei que a isenção de vistos para americanos poderia ajudar um pouco a atraí-los, mas continuo achando que isso é um detalhe. Afinal, mesmo com exigência de visto é possível que esse processo seja facilitado. Por exemplo, esses dias tirei o visto pra ir pra China, não é preciso ir pessoalmente à embaixada, e o visto fica pronto em uma semana. Ou seja, a não ser o caso de você realmente não ter como justificar os recursos ou tiver algum outro problema, o seu visto será aprovado. Se a isenção do visto fosse uma solução deveríamos estar cheios de turistas europeus, visto que esses não precisam de visto.

Aliás, não precisamos de visto para ir à Europa, apesar de também existir um pouco da paranóia terrorista e problemas imigração ilegal. Porque é que pros Estados Unidos isso não seria nunca possível? Lembrando que isenção de visto não significa direito garantido de entrada.

Outra questão que não entendo é que muitos dos comentários desse blog são muito focados em turistas americanos. Ora, os americanos nem são grandes viajantes assim, a maioria viaja só dentro dos EUA, e quando muito vão para os países fronteiriços. Claro, é importante atrair turistas de todas as origens, mas não vejo essa medida como essencial. A simplificação da obtenção do visto (como os EUA já estão fazendo) pode ser suficiente. Acho que os problemas do turismo no Brasil são muito mais profundos e estruturais, e estão ligados aos próprios problemas do país, e que os turistas nacionais também enfrentam.

    Gustavo, isso que você falou sobre turismo doméstico c internacional nos EUA vale para qualquer país do mundo.

    Os americanos são muitos – 318 milhões – e são muito ricos. Ano passado 78 milhões viajaram ao exterior. 7,5 milhões foram ao México (550 mil ao Brasil). 1,2 milhão de canadenses foram a Cuba (40 mil ao Brasil). Se você acha que não temos potencial para crescer, parabéns pelo apurado tino comercial.

    Mas não se preocupe. Dia 17 de dezembro sai o último americano que entrou sem visto e voltaremos a ser a potência diplomática que éramos. Os outros países são muito burros de não seguir o nosso exemplo, né! Vlw flw

    Riq, tô esperando vc comparar o Brasil com outro país da América do Sul ou Africa, que estão bem distantes dos EUA/Canadá… e não com países da América do Norte/Central como México e Cuba, que estão a 2/3h de voo. Vlw flw

    Seu raciocínio é excelente! Já que estamos mais longe do que o Caribe e o México, vamos oferecer maiores dificuldades para os mercados emissores mais ricos do continente! Já é tão difícil chegar aqui, o que custa colocar mais uns empecilhozinhos no caminho, não é? Dá mais emoção. Valoriza o destino. E se você parar pra pensar, quando é que o Brasil, com Amazônia, Pantanal, 5 mil km de costa, cidades históricas, Iguaçu, Chapadas, Rio de Janeiro, vai poder competir com Punta Cana, não é mesmo? 1.800.000 de turistas americanos na República Dominicana contra 550.000 visitantes americanos ao Brasil (uma boa parte deles, vindo a trabalho) está de excelente tamanho, não acha? Vamos deixar assim. Os desempregados da Zona Franca também devem concordar com você. Abraço!

    867.000 visitantes americanos à Tailândia em 2015, tá de bom tamanho pra você? (Isso é 50% a mais do que os que vêm para o Brasil — e olha que o turismo de negócios de americanos no Brasil é bem mais significativo do que na Tailândia).

    E a Argentina, que é mais longe que o Brasil, e está buscando atrair o americano jutamente para preencher o declínio do mercado emissor brasileiro? Ah, mas eles são entreguistas. A gente não. A gente só entrega empregos, e de mão beijada…

    Achei as dúvidas do Gustavo pertinentes, apesar de não concordar com todas elas e, infelizmente, achei sua resposta muito grosseira e irônica. Desnecessário.

    Bacana! Concordo com vocés! Os ganhos podem ser diminutos ou irrelevantes a ponto de não justificar um rebaixamento de tal monta do Brasil no âmbito internacional e do trauma que isso infligiria nas famílias brasileiras! vlw flw!

    O Gustavo nem discordou, necessariamente, do seu texto. Só o abordou por outra perspectiva, aliás, com alguma pertinência, apesar de não achar q ele está certo em todos os pontos.

    Concordo com o teor do seu texto (sempre achei bem idiota essa reciprocidade), porém achei interessantes os pontos que o Gustavo colocou. É para isso que serve um fórum não é? Para que fazer um texto desses e ter sessão de comentários se alguém não pode refletir sobre ele (o texto), ainda que esteja errado? Bastava vc ter parado no final do segundo parágrafo; o terceiro foi totalmente desnecessário, como o Ray (que tb foi ironizado desnecessariamente) falou.

    Thiago, eu não tenho a ilusão de convencer quem não quer ser convencido. Para isso já inventaram o Facebook. E isto não é um “fórum”. Estou escrevendo esta série nos fins de semana para compor uma grande pensata sobre como fazer o turismo internacional no Brasil pegar no tranco, já que nem Copa e Olimpíada deram jeito. E na boa, não tenho tempo pra ficar contrapondo argumento de negacionistas (falo deles duas vezes no texto, caramba), de gente ingênua (que acha que conseguiremos mudar unilateralmente a política de entrada nos Estados Unidos como esse comentarista a que você se refere) e de gente presa a uma idéia de soberania nacional que seria compartilhada com qualquer general da ditadura. Nenhum dos comentaristas, repito, nenhum, contrapôs ao texto alguma vantagem em manter a política de manutenção de vistos. Só vêm com a mesma ladainha “não estamos preparados”, “não vai fazer diferença”, “os americanos são bobos e feios”, “não sou como o povão, não tenho a menor vontade de viajar para os Estados Unidos”. Tudo isso já devidamente abordado no texto.

    E cá estou eu, perdendo meu tempo para responder patrulha de comentário. Eu mereço…

Excelente texto como sempre.. Não dá mesmo para entender esse negócio da reciprocidade diplomática, o que importa no final das contas são as divisas trazidas pelos turistas estrangeiros ao pais.. Nunca me conformei e não consigo me conformar por exemplo que um país com o tamanho de Singapura, consegue receber muito mais turistas que um pais com dimensões continentais e potencial como o Brasil….
Um ótimo exemplo de como a eliminação da exigência de visto alavanca o turismo é a Indonésia, que acabou com visto para os últimos 79 países em 21 de Março desse ano (inclusive o Brasil que tinha o visa upon arrival) e agora conta com 169 países livres de visto..
A titulo de curiosidade, em 2015 eles receberam 10,2 milhões de turistas estrangeiros, este ano a expectativa é de ultrapassar os 12 milhões.. em Julho a numero de turistas que visitaram o país já era de 300.000 visitantes a mais que o mesmo período do ano anterior.. Para 2015 a expectativa é de alcançar a marca de 15 milhões e chegar aos 20 milhões até o final de 2019.. Nestes últimos meses estive na Indonesia algumas vezes e inclusive participei de uma feira do trade em Jakarta na qual o ministro do turismo falava sobre esses planos que vão muito além da abolição da exigência do visto, mas também inclui a melhoria de aeroportos e criação de infra-estrutura para outras áreas com grande potencial turístico fora de Bali (principal destino de turismo daquele país), promoção comercial de outros destinos através da mídia tradicional e até mesmo através de influenciadores (blogs e redes sociais).. Ou seja com vontade política e com pessoas gabaritadas no Mtur e na Embratur e não seria difícil implementar políticas para atrair o turista estrangeiro..

Texto irretocável! Essa “reciprocidade” nos leva a lugar algum. Quer dizer, leva para um buraco mais fundo o que o que já nos encontramos…

Que texto maravilhoso, Ricardo! Acompanho seu trabalho há anos, desde a minha adolescência, quando encontrei um dos seus livros perdido em uma prateleira da biblioteca do colégio. Desde então, sigo lendo o que você escreve. Hoje, como viajante apaixonada por aventura (seus livros me inspiraram a escrever sobre viagens no meu blog!), também acho esse lance do visto uma bobagem sem fim. Já fui a favor desse visto para americanos, mas hoje vejo com outros olhos e posso entender a necessidade de acabarmos com esse visto. Quem sabe alguém no Itamaraty não esteja lendo seu blog e entenda de uma vez por todas que o visto para americanos é desnecessário?

Abraços!

Sao vários os argumentos que o caso comporta e um deles é que a “reciprocidade” entre nações soberanas é um princípio importante.
Os EUA acaso fazem ou fariam isso com o Brasil se os jogos olímpicos fossem lá? É crível que não…
a questão não é se o cidadão comum nada sofreu pela vinda de americanos sem visto mas o de que o Brasil perdeu boa oportunidade de exigir reciprocidade para que os brasileiros não precisem de visto para entrar lá.

    Desculpe Rogerio, mas como o Riq brilhantemente expôs em seu texto, a reciprocidade é uma política apenas estúpida. E essa opinião não é baseada em argumentos, mas em fatos, apenas. É só pensar em termos econômicos. O quanto se ganha impondo reciprocidade? NADA. O quanto se perde? Todos os turistas que deixam de visitar o Brasil e vão gastar seus dólares em outros países. É razão mais do que suficiente para abolir essa jabuticaba.

    Rogério, obrigado por não ter entendido nada do texto! Prometo aprender a escrever! Abraço!

A gente sabe que essa situação do visto para norte-americanos é ridícula, mas ver toda a estupidez organizadinha num texto mostra que ela é muito maior do que o imaginado.

Cara, que texto!! Estava em dúvidas com relação à esta reciprocidade diplomática mas sai de cima do muro agora. Parabéns! Ricardo Freire para Ministro do Turismo!!!!

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