Uma outra Maragogi é possível :-) 1

Uma outra Maragogi é possível :-)

Croa de São Bento

| Croa de São Bento: sai o catamarã, entra a jangada |

É difícil não associar Maragogi automaticamente ao turismo das multidões. Endereço das maiores e mais vistosas piscinas naturais do Nordeste, Maragogi é um ímã de passeios bate-volta. Diariamente chegam turistas às centenas, vindos de Maceió (a 130 km) e Porto de Galinhas (a 110 km), em busca da chance de se deixar fotografar na água transparente em meio a peixinhos. Mesmo com a instituição de um limite diário de visitantes e a abertura de mais duas áreas de corais para visitação (com normas rígidas de conduta), a densidade demográfica nas piscinas continua elevada.

Entre os que não voltam no mesmo dia, boa parte se hospeda nos dois (bons) resorts da região, o Salinas do Maragogi e o Grand Oca Maragogi, que operam no sistema all-inclusive e têm grande ocupação.

Pois bem. Semana passada fui conferir uma Maragogi diferente. Uma Maragogi petit-comité. Para ser curtida em modo slow. Sim, é possível.

Duas pousadas, a Praiagogi e a Camurim Grande, formam um incipiente circuito de charme em Maragogi, direcionando seus hóspedes a piscinas menos concorridas — e oferecendo uma base perfeita para incursões ao grande tesouro da Maragogi continental, que são suas praias ao norte da vila.

Praiagogi

PraiagogiPraiagogi

[Praiagogi]

A pequena Praiagogi já funciona há sete anos, mas só entrou no meu radar depois que foi selecionada pela Alison McGowan para o elenco das Hidden Pousadas Brazil. Na hora, pensei: ué, como assim, charme em Maragogi? Mal sabia eu que tinha um pouco a ver com isso. O holandês Sandrijn e a brasileira Fernanda trabalhavam em hotelaria em Amsterdã quando resolveram vir para o Brasil montar uma pousada. Procurando um lugar tranqüilo à beira-mar, descobriram o Freire’s, meu antigo site de praias do Nordeste. Foram parar na Rota Ecológica alagoana. Adoraram, mas acharam que seria complicado criar filhos num lugar de acesso tão difícil. Continuaram um pouco para o norte, e descobriram, na sossegada praia do Camacho, uma pousada à beira-mar que estava à venda.

Praiagogi

Praiagogi

PraiagogiPraiagogi

[Praiagogi]

E realmente: a Praiagogi traz a Maragogi o modus operandi da Rota. São apenas seis quartos, compactos mas agradabilíssimos — o jeitão é Grécia-no-Nordeste. O staff é pra lá de simpático e os donos estão sempre presentes. A praia  do Camacho é protegida por dois rios que dificultam o acesso pela orla.

Praiagogi

PraiagogiPraiagogi

[Ceviche & tahine | Trio de brûlées]

E assim como na Rota, a comida é um dos destaques da pousada (e o prato principal do jantar está incluído na diária). Sandrijn é chef e cria pratos instigantes, como o ceviche acompanhado por um creme à base de tahine e o tagliatelle com camarão e carne de caju. Falei da caipiroska de tangerina e gengibre? Não perca. De sobremesa, um sensacional trio de brûlées: capim-santo, chocolate e sagu de tapioca. O Sandrijn, que tem ascendência indonésia, está preparando uma seção do cardápio com especialidades do Sudeste Asiático.

Little Praiagogi

Little PraiagogiLittle Praiagogi

[Little Praiagogi]

Nas próximas semanas a Praiagogi vai inaugurar sua nova ala, duas casas adiante: a Little Praiagogi, equipada para aceitar crianças: a pousada tem piscina, um dos quartos está adaptado para ter um berço, o jardim tem pula-pula e balanço, e o cozinheiro prepara as papinhas que as mamães pedirem.

Foi na Praiagogi que fui apresentado ao passeio que acabou com qualquer resistência que eu ainda tivesse a Maragogi. Faltava uma hora para a maré atingir o ponto mais baixo naquela manhã quando apareceu o jangadeiro (jangadeiro!) que ia nos levar (um casal e eu) à Croa de São Bento, a menos badalada das piscinas naturais de Maragogi.

Com uma área pequena de corais, a Croa não comporta a vinda de catamarãs. Por isso, acaba sendo visitada por pequenos grupos que vêm de lancha. Como a praia do Camacho está mais próxima da Croa, dá para ir de jangada.

Croa de São Bento

Croa de São Bento

[Croa de São Bento]

Chegamos primeiro à área dos corais e tivemos o lugar só para nós por quase vinte minutos. Quando as lanchas começaram a chegar (no total, vieram seis), estava na nossa hora de prosseguir até uma prainha temporária que se forma no extremo sul da Croa.

Croa de São Bento

[Croa de São Bento]

Sem corais para ver de snorkel, o barato da prainha é a extrema transparência da água, graças à areia branquinha, calcárea. É um pedacinho das Maldivas em Maragogi. Fiquem vocês com os corais, que eu me divirto muito mais nessa prainha aqui…


Atualização: Croa inacessível. Faça o ‘passeio de orla’

  • O passeio à Croa de São Bento, que era perfeitamente legal quando fizemos, hoje não está mais permitido pela prefeitura.
  • Em compensação, as agências de Maragogi passaram a oferecer um passeio sensacional: o ‘Passeio de Orla’. Trata-se de um passeio de lancha ou catamarã pela costa norte de Maragogi, parando em bancos de areia nas praias de Ponta de Mangue, Antunes e Burgalhau. Nesses bancos de areia não há corais nem peixinhos, mas o banho de mar é delicioso.
  • Dica: não faça o passeio de catamarã. Faça o passeio de orla em lanchas pequenas. A diferença de preço compensa.

Na volta do passeio, peguei o carro para rever o meu xodó na região, que são as praias ao norte da vila. De Burgalhau a Ponta de Mangue, a areia tem algum componente que tinge o mar de um azul-bebê que não tem igual na costa brasileira.

Praia do Antunes

Praia do Antunes

[Praia do Antunes]

Visitar essas praias está mais fácil: agora há sinalização na estrada. Graças às novas placas visitei pela primeira vez a praia do Antunes (7 km ao norte da vila), um trecho extenso e quase desabitado. Foi pensando em lugares assim que inventaram as geladeirinhas portáteis, tenho certeza.

Praia de Barra Grande

[Barra Grande]

Seguindo uma dica do Sandrijn e da Fernanda, achei também a melhor entrada para Barra Grande. Não é a da placa, que dá no vilarejo, num trecho que fica sem praia na maré alta. Siga um pouquinho adiante; depois que aparecer um motel à sua esquerda, preste atenção à direita, e entre na rua da pousada Costeira da Barra (6 km ao norte da vila). É o ponto mais fotogênico dessa costa, graças à curva da enseada.

Os únicos senões das praias ao norte da vila são a passagem de bugues (até quando Alagoas permitirá isso?) e a falta de serviço de bordo charmoso. Só há bares na praia do Burgalhau (um deles, monopolizado pelos ônibus de bate-volta) e em Ponta do Mangue (bem sinalizados). Algo tipo o Hibiscus de Ipioca seria muito bem-vindo.

Camurim Grande

[Camurim Grande]

A tarde já caía quando cheguei à Camurim Grande. Fiquei sabendo dela pelos leitores. A primeira pergunta apareceu em novembro de 2012; o primeiro relato, em abril de 2013. A associação Roteiros de Charme abriu uma exceção e admitiu essa pousada antes mesmos dos dois anos de funcionamento regulamentares. E durante toda a minha estada em Alagoas este ano, várias pessoas tinham falado bem. A expectativa era alta.

Camurim Grande

Camurim Grande

[Camurim Grande]

Não estavam exagerando: o lugar é um arraso. Seus donos, o fazendeiro (e windsurfista) alagoano Marcelo e a pernambucana perfeccionista Cristiane, criaram o meio-termo inusitado entre um resort de charme (como o Nannai ou o Kiaroa) e uma pousada de charme (como as da Rota).

Camurim Grande

Camurim Grande

Camurim Grande

Camurim Grande

Camurim GrandeCamurim Grande

[Camurim Grande]

O terreno é de resort: a Camurim Grande ocupa uma peninsulazinha entre o rio Maragogi e o mar (é vizinha ao resort Salinas, e tem o filé mignon do terreno). Uma trilha de 500 metros (própria para caminhadas ou passeio de bicicleta) contorna a beira-rio e a beira-mar sem que o hóspede veja uma construção. A propriedade é grande, mas os apartamentos são poucos: os 10 mais novos (e luxuosos) se situam em cinco bangalôs de dois andares — todos com jacuzzis que se incorporam ao quarto quando você abre a porta de correr do banheiro.

Camurim Grande

A piscina é daquelas cheias de nichos — raia para quem quer nadar, deck molhado para quem quer pegar sol, pontos intermediários para brincar. É tão bacana que merecia eu ter voltado no dia seguinte para fazer fotos com sol alto. (E sim: tanto os bangalôs novos quanto a piscina foram projetados pelo mesmo arquiteto que desenhou o Nannai.)

Camurim GrandeCamurim Grande

[Geléias do buffet de entradas | Camarão gratinado na concha de vieira]

O restaurante está sob o comando da chef Mara Cardoso e seu marido Pedro, que durante vários anos tocaram a Estalagem Caiuia, em Japaratinga (e ainda hoje mantêm o restaurante da Mara, na praia de Peroba, norte de Maragogi). As diárias incluem o buffet de entradas (pasteizinhos de moqueca de camarão… quiche de legumes… saladinha…) e o prato principal do jantar (o generoso camarão gratinado na concha de vieira com arroz de castanha é uma das marcas registradas da Mara).

Croa de São Bento

É oficial: Maragogi agora está no meu mapa :mrgreen:

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131 comentários

Que delicia de novidade! Boia, a Camurim Grande é boa para famílias? Se sim, para crianças pequenas ou maiores? Obrigada!

Ricardo Freire,

Fui a Maragogi no final de 2012 e fiquei hospedado com minha família em uma pousada bem agradável, Pousada Encontro das Águas,localizado na Praia de Peroba,distante cerca de 15 km do Centro, bom atendimento, área comum muito agradável, com espreguiçadeiras e salão de jogos, em frente ao mar, café da manhã razoável,restaurante com pratos saborosos que servem em boa quantidade. Para quem não quer gastar muito ou não tem grana para ficar no Salinas, recomendo.

Eu me considero muito afortunada por ter encontrado o sua site em internet, entre muitos outras sites que não me interessavam nada.
Quando eu li o a sua site eu pode apreciar o esforço de um trabalho bem feito. Além disso, eu sempre acho interessantes e deliciosos os novos lugares para conhecer no Brasil (e outros lugares).
Eu conosco a praia da Ponta do Mangue… mais esse Maragogi… não. Ele virou charmoso, amigo!

As diárias foram pagas pelo próprio site ou foram parcerias? Não consigo entender pq tanto jabá sem sinalizar que a estadia foi com base em cortesia ou parceria pra que os hotéis fossem divulgados por aqui

    João Carlos, eventualmente faço viagens ou me hospedo a convite — como neste e neste caso. Sempre que isso acontece, a circunstância é devidamente informada no texto.

    Não foi o que aconteceu nesta viagem a Maragogi. Me hospedei uma noite numa pousada no centro da cidade e duas na Praiagogi, com despesas arcadas pelo site. Sequer entrei em contato com a secretaria de turismo da cidade. As reservas foram feitas via Booking e a intenção era permanecer anônimo (não consegui, pois fui reconhecido na Praiagogi). Cada diária na Praiagogi (dormi lá dias 15 e 16 de janeiro) custou R$ 499, com jantar incluído (R$ 998 total). As diárias foram descontadas antes da hospedagem, conforme as regras de venda da pousada, do meu cartão de crédito pessoal.

    A visita à Camurim Grande não me custou nada — foi uma visita. Tampouco custou algo à pousada. Sua acusação de jabá é bastante grave. Quando o Viaje na Viagem faz posts patrocinados, eles são claramente sinalizados — como nesta série aqui.

    Somos parceiros, sim, do Booking. Como já fomos do Hoteis.com. Mas isso não interfere nas minhas opiniões sobre localização, conforto, charme ou custo x benefício de um meio de hospedagem 😀

    Vejo que é o seu primeiro comentário no site e convido você a seguir o nosso trabalho. Você verá que não há nada que seja publicado aqui que não passe pelo meu crivo. Mesmo que uma ou outra viagem não seja exatamente a minha cara, ela só sairá aqui se eu entender que a dica será útil para algum nicho do meu público.

    E quando você vir elogios desabridos num texto assinado por mim, tenha certeza de que se trata da minha opinião. E que a minha opinião não muda se sou convidado ou se precisei desembolsar R$ 998 do caixa. A credibilidade do Viaje na Viagem é dada pela quantidade de leitores que voltam para agradecer as dicas que a gente dá aqui. Seja bem-vindo e volte sempre :mrgreen:

    Amigo, em tempos de mensalão e propinas institucionalizadas, ser correto e honesto até assusta. Não escrevo aqui com tanta assiduidade mas leio o RF desde o tempo do Freires. A 10 anos atrás quando fui a desconhecida Rota ecológica sem nenhuma outra referência talvez tenha tido o mesmo receio. Mas te garanto que nunca tive um furo (inclusive dos viajantes que se ajudam). Acredite, seriedade ainda traz bons frutos.

    O site do Ricardo me ajuda a elaborar meu próprio roteiro, dentro do meu orçamento e perfil de passeios com duas crianças pequenas, é claro. Dá uma boa referência e dicas preciosas pra não perder a viagem, como a questão das marés. Até meu guri de 9 anos olhou um vídeo sobre o Chile e disse (bah, esse cara sabe das coisas né, mãe).. É meio que amargura da parte de alguém criticar o trabalho dos outros. Se rola algumas cortesias de estadia, refeição, passeios, descontos, enfim..bem, faz parte do trabalho e não é ilegal. Se quiser curtir blogs de outras pessoas que apontam outros roteiros e estadias mais em conta, faça o favor, esteja livre. Eu pesquiso e uso os sites como referência, como já disse. Nem sempre um Camurim Grande ou Antuninna vai se encaixar no meu perfil, ou um resort all inclusive badalado e barulhento (pra nós que não gostamos de axé, shows de humor nordestinos, nem bebemos bebidas alcoólicas). Já falei demais. Mas achei um abuso e comentário bem invejoso e amargurado de quem não tem 1.500 reais pra pagar de diária na deliciosa Camurim Grande, mas queria ter.

Muito bom o post! Ficamos na praiagogi há uns 3 anos atras e só tenho ótimas lembranças!Uma viagem maravilhosa, os donos ultra simpáticos e o lugar nem preciso falar muito né!Recomendo muito uma visita!!e quero voltar logo!!

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