Meu primeiro Varigol

    varig400.jpg

Eu já tinha ido ao Santos Dumont na sexta-feira, para pegar o carro alugado na Localiza. Ou seja — já estava de coração partido com o que fizeram com o ex-aeroporto mais charmoso do planeta.

Não é que a ampliação seja um puxadinho do aeroporto original; o aeroporto original virou um puxadinho do trambolho novo. Não houve um mínimo de preocupação em harmonizar linhas ou valorizar o prédio histórico. O horror, o horror, o horror.

Às 10 da manhã, já fora do pico da ponte aérea, a área nova de check-in é um cemitério. Não há filas no balcão de nenhuma das companhias. A obsessão da Infraero em construir aeroshoppings e a incompetência da Anac em regular a malha aérea acabaram dando ao Rio não um, mas dois elefantes brancos: o terminal 2 do Galeão e, agora, o novo Santos Dumont.

Meu vôo (emitido com milhas) estava marcado para as 11h; a moça do check-in me perguntou se eu não queria antecipar para as 10h30, porque “o das 11h vai atrasar muito”. (Isso, em checkinês, deve significar “o vôo das 11h vai ser cancelado e você vai ter que esperar pelo próximo avião que a gente conseguir lotar”.)

O vôo saiu e chegou na hora, e foram servidos dois salgadinhos quentes como lanche.

O céu estava azul quando chegamos a São Paulo, mas a partir de agora toda aterrissagem em Congonhas vai ser nervosa até percebermos que o avião conseguiu frear.

Enfim… que venha o trem-bala.

49 comentários

Governo decide pisar no freio da ligação Rio-SP
Valor Econômico, 13/08/2007

“O governo agora trata com extrema cautela o projeto de construção de um trem de alta velocidade (TAV) entre Rio de Janeiro e São Paulo. Por enquanto, há mais dúvidas do que entusiasmo. Tantas são as incertezas que os ministros envolvidos com o assunto resolveram pisar no freio: só voltam a analisar o projeto após a conclusão de um estudo aprofundado do BNDES sobre a viabilidade técnica e econômica do trem, que levará tempo e deverá envolver a contratação de consultores internacionais.
Na melhor das hipóteses, uma licitação sai só em 2009 – e isso se o BNDES mostrar que o projeto é viável, com ou sem recursos públicos, diz um alto funcionário do governo que participa ativamente das discussões. …”

Subsídio e demanda limitam trem de passageiro
Valor Econômico, 13/08/2007

“Na região metropolitana de São Paulo, garantir a movimentação de 380 milhões de passageiros por ano nos trens interurbanos custa R$ 1,1 bilhão, dos quais apenas 42% provêm da tarifa de R$ 2,30 paga pelos usuários. Na linha Belo Horizonte-Vitória mantida pela Companhia Vale do Rio Doce, o fluxo de passageiros paga a operação porque o trem usa a mesma linha férrea e estações do transporte de carga, essa sim uma operação rentável.
O Brasil possui hoje 28 mil quilômetros de ligações ferroviárias, mas apenas três linhas de transporte de passageiros de longa distância, fora de regiões metropolitanas. Em 2005, os trens interurbanos de passageiros transportaram, no Brasil, 1,6 milhão de pessoas – equivalente a apenas 1,13% do total de 141 milhões de passageiros transportados pelos ônibus ou 1,6% do total de passageiros em aviões no mesmo ano.

Os especialistas no assunto, contudo, observam que no mundo todo (mesmo na Europa onde essa opção foi assumida por vários governos) não há transporte ferroviário de passageiros possível sem subsídios do governo. Mesmo onde a demanda é forte. O professor de Logística da Fundação Dom Cabral, Paulo Resende, é taxativo. “Não existe um único lucrativo em todo o mundo”, afirma. Em parte, é essa dúvida que chegou ao governo federal na discussão do trem-bala entre o Rio e São Paulo….”

A questão não é por quem fomos colonizados. Com todo respeito, os holandeses teriam que aprender muito sobre construções em meio a serras, uma vez que a “montanha” mais alta da Holanda tem pouco mais de 320m, no marco das fronteiras entre Alemanha, Bélgica e Holanda.
http://en.wikipedia.org/wiki/Vaalserberg

O problema continua sendo outro bem mais sério: corrupção, falta de planejamento de médio e longo prazos, influência dos “poderosos”, despreparo do povo para eleger e cobrar dos eleitos…e tantas outras coisas mais.

Em 1996? Então eu acho que a última vez que andei foi mais ou menos 1 ano antes de fechar. Que pena, era uma graça mesmo…

Somente para comentar: o trem Matias Barbosa-Juiz de Fora não existe mais desde 1996. Um dos trens turisticos mais bonitos do Brasil e que pouca gente conhece está no sul de Santa Catarina e liga a cidade de Piratuba (um balneário) a Marcelino Ramos, esta no RS (outro balneário), cruzando o rio Uruguai numa ponte histórica e maravilhosa.

Eu tenho uma visão romântica e utópica, achando que com a volta dos trens, nossas estradas ficariam em boa parte livres dos caminhões, os custos de frete ficariam mais baratos, queimaríamos menos diesel, teríamos menos burados e acidentes e para completar, as linhas férreas seriam lindos programas de final de semana, bucólicos e completamente fora de todo o caos urbano do nosso dia a dia…
Hellowwww, acorda, criatura!

Ah, lembrei de mais 2 passeios de trem:
– o de Tiradentes x SJ del Rey, há muitos anos e que foi bem legal mesmo.
– o de Matias Barbosa x Juiz de Fora, tb há uns bons anos atrás e que foi divertido.

Atenção: Os comentários são moderados. Relatos e opiniões serão publicados se aprovados. Perguntas serão selecionadas para publicação e resposta. Entenda os critérios clicando aqui.