Mosteiro! Mosteiro! Mosteiro!

Gostaria de aproveitar a profusão de mosteiros eleitos entre as sete maravilhas de Portugal para lembrar que esta é uma das palavras mais eufônicas da lingua portuguesa — tanto na prosódia tuga (mujtâiru) quanto na brazuca (isto é, quando a gente se dá ao trabalho de pronunciar o “i”; “mostêiiiru” é infinitamente mais bonito que “mostêru”).

Desculpem, mas eu não poderia perder essa oportunidade de fazer mais um protesto contra o uso da palavra “monastério” — que até existe em português, mas só aparece em textos de viagem, escrita por jornalistas que não se dão conta de que há uma tradução muito melhor para “monastery”.

Pronto, estou melhor. Volto a qualquer momento para esbravejar contra “vegetais” (por exemplo, “filé com vegetais”). Argh!

55 comentários

Taí, Leo, como sobrenome Monasterio é bem bonito! Mas, em relação às traduções, já dizia o velho ditado: “Traduttore, traditore…” 😉

Monasterio é o meu sobrenome, mas eu concordo plenamente que “Mosteiro” é bem mais eufônico do que a alternativa que os tradudores de TV por vezes usam. (Eufônico, por sua vez, não é uma palavra eufônica.)

Cuidado com essas tra(i)(du)ções….. uma vez já vi “vou comprar vegetáveis” (devem ser os tais vegetables……)

Alguém já disse aí que em Portugal se diz aparcar o carro, em lugar de estacionar? Essas questões linguísticas são um pântano. Como a Sylvia, adoro ouvir os pronomes no lugar como falam os portugueses. E como os portugueses, adoro a fluidez do português brasileiro, sem tanta garganta e nasal, com as sílabas perfeitamente divididas e as vogais sonoras e fiéis ao som que representam. Assim como é encantador ouvir o português, com influências do inglês e do indiano, falado com o sotaque das línguas nativas de Moçambique. Deve ser o mesmo em Goa, São Tomé e Príncipe, Angola, enfim, em todo lado onde se fale a nossa língua. Nas ruas e na roça, fala-se “errado” em toda parte. Mas é aí que a língua vive e se renova. Agora, má tradução, pseudopedantismo gongórico e desconhecimento dos significados são dose pra elefante. Acho que o importante é estarmos abertos às diferenças e não julgar que há uma só forma de se falar corretamente a língua. Com todo o amor que sinto pelos portugueses, vejo uma tendência (natural, reconheço) de acharem que só lá se fala o “verdadeiro” português. Em que língua escrevia Guimarães Rosa? Tá errado perguntar “oncotô”?

Putz, bem lembrado, monastério, legendário e vegetais! Tô tentando pensar em mais alguma… e contribuindo com uma mensagenzinha besta para chegar logo nos 1.000.000 de acessos!

Oi Lena, estou em São Paulo, mas essa perola foi muito escutada em Boston, junto com os vegetais 😆