Noves fora (minha crônica no Divirta-se do Estadão)

Ilustração: Daniel Kondo

Ilustração | Daniel Kondo

Ainda não mexi na agenda do meu celular. Estou esperando que três pessoas diferentes indiquem o mesmo aplicativo e me garantam não ter dado nenhum chabu na operação de acrescentar um novo 9 a todos os números locais de celular.

O problema – ou a solução – é que quase ninguém que eu conheço tem falado no assunto. Estou perto de acreditar que muita gente tenha aproveitado esse perrengue para aposentar de vez a telefonia como meio de comunicação. (De minha parte, eu ficaria feliz se toda interlocução pudesse ser resolvida por mensagens diretas no Twitter.)

Essa mudança nos números é o verdadeiro bug do milênio. Um bug para o qual nenhuma operadora se preparou. Num mundo civilizado, essa adaptação seria fluida e automática, tipo a mudança do relógio no começo e no fim do horário de verão. Do jeito que foi feito, porém, é como se a Anatel e as teles dissessem em coro: “Se vira, macacada!”.

Antigamente, quando não havia nem celulares nem agendas eletrônicas, ganhar um dígito a mais no telefone era sinal de status. Indicava que você morava numa cidade maior e mais adiantada do que as outras. Você sabia que uma cidade era pequena quando os telefones tinham só cinco dígitos. (Não que naquela época se falasse “dígito”. Até porque os telefones eram de disco.

Só no Rio de Janeiro os telefones tinham sete números. São Paulo, que eu me lembre, era uma mixórdia: houve um momento em que conviviam telefones de sete, seis e cinco algarismos. (Quer dizer: assim me lembro. Mas minha memória, além de enciclopédica, é criativa.)

Quando os telefones ganhavam um dígito a mais, o único problema era redecorar os números dos amigos. Aquele reles numerinho na frente causava total desconcentração – e a gente se via forçado a confirmar o número na agenda.

Hoje a tragédia é que ninguém sabe mais o telefone de ninguém. E quando aparece aquela maçaroca não identificada de nove números no visor do celular, pode ser tanto a sua querida mãe quanto o mais insuportável dos telemarketings.

E vamos combinar uma coisa: prefixo de cinco números não dá. O negócio é padronizar no formato 3-3-3: 987-654-321. Desligo!

19 comentários

Eu acho que o mais difícil é que os número da Nextel não mudam, seguem com 8 dígitos. E vai saber ainda por cima quem é Nextel, quem não é?!?…

Quando a notícia da mudança veio à tona, a discussão do almoço de Domingo em família foi sobre como iríamos falar os números novos. A opção mais aceita foi: 9 – uma pausa – número do celular ‘antigo’.
Adotei este formato e já usei 2 vezes. Mas nas outras, acabei esquecendo do 9 😮
também já ouvi outras pessoas falando neste padrão.

Hoje pela manhã, ouvi uma colega de trabalho falando: 99-4XX-XXXX.
😮

Também usei o 9+ e deu super certo.
Mas atenção pra galera que tem iphone: houve um problema de configuração nos micro sims de algumas operadoras.
Portanto algumas pessoas que tem iphone e estão fora do Estado de SP não conseguem ligar pra lá, com ou sem o 9 na frente.
Liguei pra operadora e eles desfizeram o bug rapidinho. Espero que já tenham solucionado o problema pra todos!

Na época em que ninguém ainda usava celular, eu tinha decorados os números de telefone de praticamente todos os amigos. Como eu morava em uma cidade pequena, o prefixo (de três dígitos) era o mesmo para todo mundo, então bastava saber os últimos quatro algarismos. Hoje tenho dificuldade para memorizar até o meu próprio número.

Eu, minha namorada e amigos usamos o aplicativo da VIVO.
Funcionou 100% e ainda mudou todos os codigos de operadora para o 15.
Perfeito.

Meu telefone é pobrinho e ainda por cima é TIM. Já viram né! Fiz a alteração na unha e depois não consegui ligar para ninguém. O sistema entende que eu estou fora de São Paulo e pede para que eu coloque 0 + o número da operadora + o código da cidade. Ou seja, para fazer uma ligação do Itaim para o Brooklin teria que pagar um interurbano. legal, né? A TIM não consegue resolver, claro. Resultado: joguei todos os noves fora.

Riq, o 9+ que a Marcie indicou pra Iphone funcionou super bem. Em segundos atualizou minha agente inteirinha (mas apenas os tels de SP). Indiquei para família toda, que aprovou.
Só dá um pouco de pau no IMessage, que você tem que configurar manualmente, mas no BLog do Iphone tem a explicação de como fazer isso, e é bem fácil:
http://blogdoiphone.com/2012/07/telefones-com-ddd-011-devem-alterar-os-ajustes-do-imessage-para-continuar-usando-o-servico/

A grande dúvida, realmente, é como íamos falar os números novos. Agora você esclareceu! 😉

Quanto às tais apps: eu já usei um, fiz a mudança. Só que as outras apps, que dependem do número do telefone ( a saber: whatsapp, voxer, viper, etc e talz…) não funcionam mais… Quer dizer…!

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