O caos aéreo no carnaval (dos Estados Unidos)

Os jornais brasileiros só não falaram sobre os caos nos aeroportos durante o Carnaval porque não quiseram.

Bastava terem noticiado o inferno por que estão passando os passageiros da JetBlue nos Estados Unidos.

Para quem perdeu capítulos anteriores da novela: a JetBlue é a melhor companhia aérea de desconto do mundo. As tarifas são “low-cost”, mas os aviões são ultraconfortáveis (poltronas de couro, monitores individuais de TV com 30 canais da DirecTV) e em algumas linhas rola até um serviço de bordo bacana. Desde seu lançamento, em 1999, a companhia teve um crescimento estratosférico. O fundador, David Neeleman, é filho de um missionário mórmon e nasceu no Brasil — mais especificamente no Recife, onde morou até os 5 anos.

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Ano retrasado David Neeleman esteve no Brasil e deu uma palestra, num português bem razoável, em que explicou os fundamentos da JetBlue e, entre outras coisas, criticou os lucros da Gol — a seu ver, exagerados para uma low-cost.

Pois bem. Quarta-feira passada (dia 14) a JetBlue subestimou a previsão de nevascas generalizadas no norte dos Estados Unidos e não suspendeu preventivamente seus vôos, como fizeram todas as outras companhias.

Tentando cumprir os planos de vôo (que incluem, como em toda low-cost, uma permanência mínima em solo), vários pilotos embarcaram seus passageiros e deixaram os fingers, à espera de uma brecha para decolar.

Resultado: passageiros de diversos vôos ficaram horas presos dentro dos aviões; no pior caso, os clientes permaneceram trancafiados durante ONZE HORAS na pista de um dos aeroportos de Nova York.

Para complicar a situação, tripulantes ficaram presos pela nevasca e houve uma pane geral na comunicação entre a empresa, os funcionários e os passageiros, que ficaram dias sem saber direito o que fazer. (Hmm, acho que já vi uma história assim por aqui…)

A nevasca já passou, mas o plano de vôo da companhia continua zoneado. No sábado,  23% dos vôos foram cancelados, e 11 cidades da malha da JetBlue ficaram ilhadas. (É bom lembrar que as low-cost não têm acordo de endosso de passagem com outras companhias.)

Antecipando-se a deputados que querem aprovar leis mais rigorosas de defesa do passageiro, David Neeleman declarou anteontem ao New York Times que está repensando completamente o funcionamento da JetBlue e que, antes de qualquer lei ser aprovada, a própria JetBlue criará novas regras que indenizarão os passageiros caso falhas como a desta semana voltem a acontecer.

Tomara que os presidentes das nossas companhias aéreas estejam prestando atenção…

Atualizações:

– A “Declaração de Direitos do Cliente da JetBlue” já saiu. Promete créditos para partidas atrasadas (de um mínimo de 25 dólares ao valor da passagem ida e volta), para retenções em solo na partida e na chegada (também de um mínimo de 25 dólares até o valor da passagem de ida e volta) e para overbooking (1.000 dólares por ocorrência).

– David Neeleman publicou um pedido de desculpas no site.

[youtube=http://www.youtube.com/watch?v=-r_PIg7EAUw]

– O cara também gravou um vídeo hospedado no YouTube se desculpando com os consumidores.

24 comentários

Gostaria de saber, quais foram as medidas tomadas pelo CEO da Jet Blue Davud Neeleman no caso de 14 de fevereiro de 2005?Qual a intenção dele?

A JetBlue deve ser a maior cliente da Embraer serie 190, que baseado nos comentários deve ser um ótimo avião.

Pena que nós brasileiros não temos o prazer de voar nessas aeronaves. No Brasil parece ser melhor e mais barato comprar/alugar Fokker usado ou 737 velho do que um Embraer… Vai entender!

Pô Ricardo, o Neelman criticou a tarifa por milha voada da Gol, não o lucro. Lucro não se critica, se inveja !

Abraço.