luto

Paris, 13 de novembro de 2015

luto
Nas minhas três últimas passadas em Paris, me hospedei no Canal St.-Martin. Se eu estivesse nessa sexta-feira 13 em Paris, é possível que eu tivesse escolhido a mais simpática ruazinha paralela ao canal para ir jantar. Ali fica o restaurante que eu mais repito na área, o Le Cambodge. Dou a dica no meu post sobre esse pedacinho do 10è:


Outro clássico do bairro é o baratíssimo Le Cambodge (10 avenue Richerand, tel. 01 44 84 37 70), que não aceita reservas e serve comida cambojana autêntica (o prato mais pedido é o bobun, uma sopa com macarrão de arroz e rolinhos fritos). A espera é sempre tão grande que abriram uma filial no fim da rua, o Le Petit Cambodge (20 rue Alibert, tel. 01 42 45 80 88), aberto sem interrupção entre almoço e jantar. Entre os dois cambojanos, a cantina La Madonnina (10 rue Marie et Louise, tel. 01 32 41 25 26) prepara massas autênticas como no sul da Itália (comi um rigatoni à siciliana de chorar de bom), e o Le Carillon (18 rue Alibert) é o perfeito café de esquina onde vale a pena esperar por uma mesa na calçada.

Dois dos lugares citados nesse parágrafo, o Petit Cambodge e o Le Carillon, foram cenário do covarde massacre do 13 de novembro. Eu poderia estar lá. Um leitor poderia estar lá. Aconteceu a 10.000 km daqui, mas é como se fosse a três quadras de casa.

Eu não teria ido a um show da banda Eagles of Death Metal no Bataclan, mas nas minhas redes sociais já apareceram amigos dizendo que, caso estivessem em Paris, teriam tentado comprar ingresso para o show.

Até agora, 19 contatos do meu Facebook que estão em Paris já usaram a notificação “estou em segurança” para acalmar amigos e familiares. Um deles, o Luiz Horta, escreveu, ainda antes da contagem total de vítimas: “118 mortos. Cento e dezoitos pessoas que estavam apenas bebendo num noite de 6ª”.

Mas eles não vencerão. Passado o luto, e em respeito à memória de quem perdeu a vida de maneira tão covarde, continuaremos a sair, a beber e a nos divertir.

Qualquer outra reação signficaria capitular.

17 comentários

Não foi apenas um ataque à Paris. Foi um ataque à liberdade, à democracia, aos valores ocidentais. Parece que algumas pessoas ainda não perceberam isso. O que esses terroristas querem é acabar com o nosso estilo de vida para imporem a sua visão torta do Alcorão. Para todo o mundo !

Quanto a Israel, concordo com o Antonio Bellas. Como dialogar com pessoas que querem exterminar o seu país ? Israel é a única democracia da região. Diferente dos países islâmicos, lá os muçulmanos tem liberdade e democracia. Lá, as mulheres, não são propriedades dos homens, as pessoas tem liberdade religiosa. O assassinato de crianças inocentes, na maioria das vezes,é provocado pelos próprios muçulmanos, que fazem questão de colocá-las na linha de frente, para que possam criar mártires e assim alimentar a ideia de que o vilão é Israel, inclusive nos países ocidentais, como podemos perceber em alguns comentários.

Certamente se eu estivesse de passagem por Paris, grandes chances de ter ido no show do EODM. #PrayforParis

Certo Riq, eles não vencerão! Profunda tristeza pelos atos de insanidade daqueles que têm o fanatismo como razão de vida, não conseguindo conviver com os desiguais na fé, na crença e no seu “Deus”.

Resistir, ocupar, matar estes caras de raiva com nossos hábitos ” mundanos”
Temos sempre Paris! Não é meia dúzia de debiloides armados que vão destruir está cidade que está lá desde o Império Romano, antes da religião deles existir!
Quanto a Israel, são os únicos que tem a noção exata de como são e como lidar com esses animais! É uma guerra, vai morrer inocentes sim!

Dor… Muita dor… E o desejo de que os corações que ficaram quebrados tenham conforto.
Na verdade, foram vários de nós. Várias pessoas que só estavam se divertindo, vivendo, sem praticar qualquer ato provocativo para receberem tamanha violência. Estavam fazendo o que fazemos quando viajamos ou quando estamos alegres pelo fim de semana que chega….

Nao tem como ter dialogo c radicais religiosos. É preciso usar a força.

Mas junto a isso eu acho q as potencias ocidentais deveriam rever esse apoio irrestrito a Israel. O assassinato de crianças inocentes vai só aumentando o odio q esses radicais tem do ocidente.

Radicais religiosos c odio nao vai dar boa coisa. Se a oilitica para o Oriente Medio nao mudar vao estar sempre surgindo novos radicais.

O sentimento é exatamente esse que o Ricardo descreveu: “Aconteceu a 10.000 km daqui, mas é como se fosse a três quadras de casa”. Estamos todos de luto.
Bárbara.

Riq, voce tem razão. Mas é difícil lidar com isso. Pelo efeito surpresa, por ser aleatório, não depende de voce decidir se vai para lá ou para cá tentando evitar. Aqui lidamos com a insegurança diária e vamos levando a vida do jeito que dá evitando lugares e situações inseguras.

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