Por que eu não recomendo o bate-volta de Maceió a Maragogi

Galés de Maragogi

Muita gente fica perplexa, quando não injuriada, ao ver a Bóia, sob minha orientação, tentar demover quem vai a Maceió de fazer o passeio bate-volta às Galés (piscinas naturais) de Maragogi.

Eu sei que, para a imensa maioria das pessoas, tudo o que eu vou falar aqui é irrelevante, porque ir a Maragogi (e quem sabe até a Porto de Galinhas) durante a estada em Maceió equivale a fazer três viagens pelo preço de uma.

De fato, contra a aritmética não há argumentos 😀

Só que uma das missões deste site é tentar ajudar o leitor a viajar melhor. E tecnicamente, o bate-volta de Maceió a Maragogi apresenta uma série de inconvenientes (que são elevados ao cubo quando o bate-volta é de Maceió a Porto de Galinhas).

Vamos a eles:

1) Você passa meio dia na estrada. São pelo menos duas horas, duas horas para voltar (fora o pinga-pinga para pegar e devolver passageiros nos hotéis). Pode acontecer de você passar mais tempo no ônibus do que fora dele. (Para Porto de Galinhas são 4 horas em cada sentido. Uma insanidade.)

Maceió a Maragogi

2) O caminho não é bonito. Não é que você vá por uma costeira avistando o tempo todo. Nos 50 km entre Maceió e a Barra de Santo Antônio você enxerga o mar em dois trechinhos apenas. E depois da Barra a estrada vai para o interior, e você só reencontrará o mar quando faltarem 10 km para Maragogi. Reze para não haver um engraçadinho no grupo fazendo showzinho  não-requisitado…

3) O tempo pode virar no caminho. Piscinas naturais não dependem só da maré para ser apreciadas. Dependem da luz. Se não houver sol, e sol alto, a transparência diminui de maneira drástica. Com chuva, não há transparência. Quando você já está no lugar onde estão as piscinas naturais, você pode decidir se o tempo está adequado ou não para fazer o passeio. Mas quando você vem de longe… não há como tomar essa decisão a tempo. Entre abril e agosto, quando as chuvas são mais freqüentes, o passeio fica ainda mais arriscado. Será que valem cinco horas de ônibus para não pegar as piscinas naturais no seu melhor momento?

4) Tem certeza que o ônibus vai chegar num horário favorável para a maré? O fenômeno das piscinas naturais só acontece durante a maré baixa. O horário da maré baixa muda todo dia, avançando entre meia hora e 45 minutos. O ideal para encontrar as piscinas mais cristalinas é chegar 90 minutos antes do ponto mínimo da maré. A partir do momento em que a maré começa a encher, a água vai ficando mexida, com areia em suspensão. Quando você já está no lugar das piscinas naturais, pode programar a sua ida para o horário certo. Quando você vem de longe, tem que se conformar com o horário em que dá para chegar. Os operadores não costumam ser inteiramente sinceros com relação à maré e levam excursionistas mesmo em condições desfavoráveis. Numa ocasião, em 2007, essa atitude de oferecer o passeio em qualquer circunstância resultou numa tragédia. Um ônibus que levava clientes de uma grande operadora de Maceió a Maragogi capotou na chuva às 6 da manhã nas imediações de Porto Calvo, matando 10 passageiros. O detalhe sórdido é que a maré baixa naquele dia ocorreria apenas até as 7h30 da manhã. Ou seja: os passageiros tinham acordado de madrugada e estavam fazendo um passeio perfeitamente inútil, já que, mesmo se não estivesse chovendo, eles chegariam às piscinas naturais quando o fenômeno já teria acabado.

Ponta de Mangue

5) Maragogi não é só Galés. Há praias lindas, ao norte da vila (Burgalhau, Barra Grande, Ponta de Mangue), onde o mar, apesar de não ser cristalino, tem um belíssimo tom azul-bebê. Dificilmente quem faz o bate-volta tem tempo de ir (ou aproveitar) essas praias; você acaba ticando Maragogi do seu mapa sem ter visto um dos trechos mais bonitos da costa brasileira (e, pior, achando que as praias de Maragogi são feiosas como a praia do centro, de onde saem os barcos para as piscinas naturais).

6) Maceió tem praias lindas nas redondezas — e as piscinas naturais de Paripueira, bem pertinho. Paripueira está a apenas 30 km da orla urbana de Maceió; você visita suas piscinas naturais sem os perrengues de se deslocar até Maragogi.

Galés de Maragogi

Para aproveitar Maragogi e suas Galés

– Hospede-se em Maragogi. Assim você poderá fazer o passeio na hora mais propícia, chegando às Galés uma hora e meia antes do nível mínimo da maré, sem se preocupar com deslocamento.

– Vá numa época de lua cheia ou nova. É quando a maré baixa é mais acentuada, aumentando a sensação de aquário nas piscinas.

Quer matar três viagens em uma? Pois não

Se você quer visitar Maceió, Maragogi e Porto de Galinhas numa mesma viagem, o ideal é ir por conta própria, comprando a passagem de ida ao Recife e a volta desde Maceió. Entre as duas cidades você aluga um carro. Mesmo tendo que pagar sobretaxa de devolução em outra cidade, vale a pena, pelo enorme ganho prático. Numa viagem de 9 noites (saída na sexta, volta no domingo), fique duas noites no Recife, duas noites em Porto de Galinhas, visite a Praia dos Carneiros a caminho de Maragogi, passe duas noites em Maragogi e as três últimas em Maceió. O roteiro inverso também dá certo, mantendo os dias de permanência.

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385 comentários

Muito bem colocado no texto.

Acabei de voltar de férias.
Costeei da Praia do Francês até Porto de galinhas de carro.

Comento que para piorar, as estradas de Alagoas são bem problemáticas. Além da estrada não estar tão bem conservada há muita falta de sinalização e por haver muita cidade e vila na estrada há muitas lombadas na pista. Tudo isso acaba dificultando bastante a viagem.
Fizemos nossa entrada e saída por Maceió mas analisando bem sugiro fazer isso por Recife. Há mais voos disponíveis e as estradas em Pernambuco são um pouco melhor conservadas e sinalizadas.

abs.

O melhor, sempre, pelas bandas de cá, é pegar um bom mapa, ler todas as dicas possíveis, alugar um carro (se você for de fora, claro) e organizar o seu roteiro. Turismo aqui é caro e não é organizado. Palavra de quem é da terra! Um abraço, Ricardo! (:

Gostaria de relatar uma experiência vivida em Maragogi e acredito que este seja o espaço ideal. Em nov/2011 estive com meu marido em Porto de Galinhas e resolvemos fazer um bate e volta em Maragogi. Acontece que os operadores não explicam a diferença entre as piscinas naturas de Maragogi. Na verdade, são três. As galeias são as maiores, as mais bonitas e, portanto, as mais atrativas. Depois de uma intervenção do Ministério Público para tentar preservar o patrimônio natural de Maragogi, os operadores (aqueles restaurantes que são proprietários dos barcos) têm dias específicos para visitar as galeias e, nos demais dias da semana, só podem levar os turistas às outras piscinas naturais. O turista chega achando que está vendo as galeias – aquele paraíso das fotos das empresas de turismo – e, na verdade, não está. Além disso, somos praticamente obrigados a consumir nos restaurantes conveniados com as operadoras (cujo serviço é péssimo) e os funcionários das operadoras/restaurantes são instruídos a forçar os turistas a comprar serviços como fotografia subaquática e mergulho. No barco onde eu e meu marido estávamos, primeiro paramos numa das piscinas naturais – em que maré já estava bem alta – e somente aqueles que compraram os pacotes de foto e mergulho seguiram num barco menor – lotado e em precárias condições – para uma outra piscina, que ainda não eram as galeias verdadeiras. Ficamos muito indignados com a situação, principalmente pensando nas pessoas – crianças e idosos – que permaneceram no catamarã acreditando que haviam recebido o produto pelo qual haviam pagado. Nem puderam descer do barco devido à maré alta, coitados! Então, minha dica para quem pretende conhecer Maragogi é a seguinte: verifique com antecedência qual dos três operadores/restaurantes tem autorização para levar o catamarã até as galeias (verdadeiras) e em que horário a maré estará propícia para o passeio. Quase sempre, os barcos saem atrasados, principalmente se o horário de maré baixa for bem cedinho. A não ser que vc esteja muito a fim, fuja das “pegadinhas” para comprar mergulho e fotos se vc se sentir submetido a alguma venda “casada”.

    Olá, Cristiane! Ratificando o conteúdo do post, esses detalhes só são verificáveis por quem já está no destino. Quem vem de outro lugar se sujeita a toda espécie de pegadinha com relação a horário de marés (você nunca tem controle total sobre o horário em que seu ônibus vai chegar) e até destino.

Realmente esse negócio de bate e volta pra Maragogi não tem nem lógica. Faz uns 8 anos que deu bobeira eu passo uns dias por lá , em ponta de mangue/ peroba… Mas não adianta inventar, tem que ir de setembro a fevereiro, que é quando tem muito sol, e olhar primeiro a tábua de marés (a maré zero é perfeita, a praia fica um aquário. Lindo demais pra passar só meio dia!

Cara Boia,

como faço para enviar um email para o cmdt com uma sugestão de tema? não postei aqui, pois é totalmente offtopic!

obrigado!

    Olá, Thiago! Pode deixar em um post com um tema que pareça mais pertinente. A gente vê todos os comentários 😉

Sem contar o atendimento lá nas barracas…aff o pessoal acha que a gente “nada” em dinheiro…
Otimo post mesmo..Parabéns!!!

Ricardo, depois de uma excelente explicacao sua.. so me resta compartilhar… compartilhar… e compartilhar o teu post.
Mais uma vez obrigada por alertar aos viajantes que este bate-volta de Maceió a Maragogi nao tem nada de bom!
Parabens pelo post!

Para quem esta em um grupo de 4 pessoas e quer mergulhar e ver os peixes, recomendo pegar um barco pequeno e chegar nas Gales uns 40 minutos antes dos catamarans. Porque quando chegam vários barcos com a galera ouvindo axe e pagode nas alturas, jogando comida na água e principalmente 100 pessoas andando pela areia, não tem peixe bonito que fique por perto, só aqueles que estão acostumados a comer as migalhas que o pessoal joga. Cheguei mais cedo com meus filhos e eles adoraram.

Mas para quem gosta de farra e as Gales são apenas uma desculpa para sair com os amigos e beber, os catamarans são a melhor pedida. Como fui em 2008 e ainda não havia a restrição ao número de visitantes por dia não sei dizer se de lá para cá melhorou.

    Olá Marcio trabalho lá e posso te garantir que as coisa agora estão diferente, pois a prefeitura junto com o IBAMA e outros órgãos limitaram a quantidade de pessoas e embarcações, inclusive distribuíram para outras piscinas naturais e cada embarcação tem limite de pessoas, e as pessoas que forem pegas dando ou jogando comidas receberão notificação e multa. É por isso que o preço foi alterado para R$50,00.

Fiz o passeio a Maragogi saindo de Maceio mas sem incluir Porto de Galinhas que já conhecia.
Ric vc tem razão quando fala do tempo que pode estar cinzento ou mesmo do horário das marés.
Consegui fazer um bom passeio o céu estava azul e calculamos o horário certinho e fomos por nossa conta com carro alugado. Entretanto o que não é calculado é a infinidade de barcos e consequentemente de pessoas que fazem a visita ao mesmo tempo. Não sei até quando a natureza resistirá a tão pouco controle, fora a comilança e bebelança e suas consequencias. Por mais que distribuam saquinho e peçam para preservarem o local não é isso que vemos.
Acho que o número de turistas deveria ser controlado, tem dias que com a movimentação das pessoas na água vc para ver alguma coisa precisa se afastar bastante.

Concordo com tudo que está escrito.
Interessante destacar a parte que fala de Paripueira. Estive nessas piscinas e achei muito legal. Vale a pena.

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