Pousadas em Noronha: o pelotão intermediário

Pousada Colina dos Ventos, Noronha

Recapitulando: Fernando de Noronha era uma vila militar. Quando a ilha foi aberta para o turismo, nos anos 80, os visitantes passaram a ser acomodados nas casas dos moradores – em sua maioria, casinhas pré-fabricadas de madeira escura, besuntadas com um verniz não muito cheiroso. Para chegar ao seu quarto o hóspede passava pela sala onde a família via TV aboletada em sofazinhos cobertos com plástico para não estragar o estofado. Em meados da década de 90 havia duas pousadas, digamos, de elite: a Solar dos Ventos, a única que tinha chalés individuais, e a Zé Maria, que tinha a melhor comida da ilha.

No fim da década de 90, programas governamentais de financiamento permitiram às pousadinhas equipar os quartos com o trio básico ar-TV-frigobar. Pouco a pouco elas foram deixando de ser ‘domiciliares’, com as famílias se mudando de suas casas originais para que mais quartos pudessem ser alugados.

No início deste século iniciou-se uma nova fase na hotelaria da ilha, com a autorização para a instalação de pousadas de luxo. Capitaneado pela Maravilha e por uma inteiramente reconstruída Zé Maria, surgiu um grupo de hotéis com conforto, charme, serviço – e diárias que, hoje, começam na faixa de R$ 900 na alta temporada.

Quem não quer entrar na loteria das pousadinhas domiciliares (nos pacotes mais em conta você só sabe qual será a sua na hora da chegada) nem cogita cacifar as pousadas mais caras, deve dar uma estudada nas pousadas do pelotão intermediário.

Algumas delas aproveitaram o fato de estar em terrenos grandes e/ou bem-localizados e coseguiram autorização para construir anexos nos fundos. Outras deram um upgrade no equipamento (ar split, cama box) e capricharam na decoração.

As mais caras do grupo estão num nível de preço próximo ao praticado pela tropa de elite. As pechinchas estão mais ao pé do post.

Deck do segundo andar da Pedras SecasQuarto da Pedras Secas

PEDRAS SECAS Fica na Floresta Nova, a uma distância caminhável da Vila dos Remédios, o centrinho da ilha. Uma construção nova e muito bem-acabada; a dona é a filha do major Brussolo, da Solar dos Ventos, que mora ali com a família. São apenas quatro apartamentos – um deles, duplex. Serve como alternativa para clientes habituais da Solar dos Ventos que não conseguem vaga por lá. Confira preços aqui.

Apartamento da sede na Pousada do Vale POUSADA DO VALE. É uma pousada mista – seus dois bangalôs duplex pertencem ao universo das pousadas top (os preços estão no parágrafo mais acima), enquanto os apartamentos da sede se enquadram melhor no pelotão intermediário. São confortáveis (cama box e ar split) e deixam você a uma pequena caminhada da Vila dos Remédios.
A situação da pousada é interessante, sem vizinhos, rodeada por mato. Confira preços aqui.

Pousada do MarcílioPOUSADA DO MARCÍLIO.
Fica bem na BR, estrategicamente posicionada entre a Vila do Boldró (onde se realizam as palestras no Tamar) e a estrada da Alamoa (que dá acesso à Conceição).
Das pousadas que antigamente eram pequenas, o Marcílio foi a que mais cresceu.
O terreno dos fundos ganhou uma ala de bangalôs.
O jardim é muito bem cuidado.
A piscina dá vista para o Morro do Pico.
Confira preços aqui.

Piscina do hotel DolphinHOTEL DOLPHIN. Primeira construção de alvenaria da ilha (do início da década), o Dolphin fica na estrada, entre a estradinha da Alamoa (acesso à praia da Conceição) e a Floresta Velha.
Os apartamentos são distribuídos em módulos de quatro; há uma piscina.
Seria o equivalente mais próximo em Noronha de um hotel de pacote de nível intermediário.
Confira preços aqui.

Pousada Morena POUSADA DA MORENA. É simpática e muito bem localizada, com vista para o Morro do Pico e possibilidade de ir a pé à Vila dos Remédios (para quem encara uma subidinha na volta). Tem três tipos de acomodação: os apartamentos (pequenos na sede), os chalés intermediários e um chalé luxo (que não chega a ser luxuoso, não)
Atualização: inaugurou no fim de 2013 uma ala de superbangalôs, que fazem dela a mais nova integrante do grupo das “top”. Confira preços aqui.

Beco de Noronha: entradaBeco de Noronha - ofurôBeco de Noronha: pátio interno

BECO DE NORONHA. Num fim de rua na Floresta Nova (a uma caminhadinha boa da Vila dos Remédios), é a pousada com estrutura de pousadinha domiciliar que injetou mais charme nos ambientes sociais. Tem ofurô, espaço zen, uma graça.
Confira preços aqui.

Pousada da FilóPOUSADA DA FILÓ. Vizinha da Morena e do Zé Maria, tem uma fileira de apartamentos com vista para o Morro do Pico, uma fileira de apartamentos intermediários e uma suíte master — e por isso, três faixas de preço.
(Os móveis das varandas não precisavam ser de plástico.)
Confira preços aqui.

Estrela do MarESTRELA DO MAR.
Fica nos fundos da Floresta Velha; é a única do bairro com vista plena para o horizonte (e o aeroporto).
Tem chalés individuais, mais antigos, e geminados, mais novos.
Eu prefiro os geminados, que além de menos caros têm acabamento interno de massa corrida (os mais antigos são todos de madeira).

Confira preços aqui.

Varanda da Colina dos VentosCOLINA DOS VENTOS.
Acredito que, de todo o pelotão intermediário, a melhor relação custo x benefício continua nesta pousada.
Fica localizada entre a Vila dos Remédios e a Vila do Trinta.
A vista é linda, e o terreno ao redor da sede é aproveitado com charme.
Vale a pena estar de bugue.
Confira preços aqui.

Simpatia da IlhaSIMPATIA DA ILHA.
Todos a quem perguntei em Noronha me responderam ser esta a melhor opção para ficar na Vila dos Remédios, próximo à vida noturna e a uma caminhada encarável à praia da Conceição.
Há apartamentos na sede e numa ala nos fundos da propriedade, com vista para a mata (onde se instalou um gostoso redário).
Confira preços aqui.

Pousada SuesteSUESTE.
Fica à mesma altura da Maravilha e da Solar dos Ventos – só que do outro lado da estrada, sem a vista das duas chiquérrimas.
Dá para ir a pé à praia do Sueste mas, assim como na Colina dos Ventos, estar de bugue quebra bastante o galho.
A dona é uma senhorinha fofíssima, que tem muitos fãs.
Confira preços aqui.

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359 comentários

Uau, bem diferente do que eu imaginava… Bem caro mesmo!! Bom saber do pelotão intermediário!!

Perguntinha: tem alguma pénareia???

    Não. As mais próximas de uma praia são a Maravilha, Solar dos Ventos e Sueste, que estão perto da praia do Sueste.

    As da Vila dos Remédios estão perto da praia do Cachorro, que só existe de abril a setembro.

    Oi Cynthia… Na verdade agora existe mais uma opção mais próxima da praia. É a casa do Joab, fica na praia da Conceição e com certeza é a pousada que fica mais próxima de qualquer praia na ilha. O valor gira em torno de R$300,00 a diária para o casal. Lembre que você estará pagando pela localização apenas, ok. A pousada é bem simples mas temos tido um bom feedback dos clientes dele.

Riq,

Como um dos fãs da Sueste, eu discordo da necessidade de um buggy, já que nas duas vezes que lá fiquei, eu não estava com buggy. 🙂

Normalmente eu usava um táxi ou o ônibus, que para na frente da Sueste (A Sueste fica na beira da BR).

Agora, com a mudança na entrada de Atalaia, a Pousada Sueste perdeu um de seus trunfos.

Explico: É que na época em que se podia ir a Atalaia de buggy, era preciso chegar cedo para pegar um lugar na fila. Mas como a fila começava em Sueste, era só pedir para o taxista ir direto para a fila e descer a ladeira a pé, um pouco mais tarde e com tempo para tomar o café da manhã tranqüilamente. Com a proibição dos buggies irem até Atalaia, essa vantagem foi para o brejo. Ainda que continue sendo a única pousada mais em conta que permite a ida a praia de Sueste (ponto das tartarugas) a pé.

    Como é, em média, o valor da tarifa do táxi? Sai mais barato do que alugar um buggy???

    Entre R$ 10 e R$ 25 a corrida. Vou fazer um post com a tabela completa em breve.

    Felipe, depende. Se você quiser perigrinar por várias praias no mesmo dia, o táxi não sai em conta. Mas se você resolver ir para uma praia de manhã, almoçar em algum lugar no caminho e ir para uma outra praia de tarde e voltar para a pousada (ou passar o dia numa praia). O táxi vale mais a pena.

    E para o primeiro dia em Noronha (não o que você chega, já que o avião só chega de tarde) eu recomendo o Ilhatour, em que você visita diversas praias de uma vez só. Depois é só escolher as que agradaram mais.

    Concordo com o Felipe. Fiquei em Noronha com e sem buggy e com buggy foi muito mais legal.

    Motorizado, tu podes escolher uma praia de manhã, curtir bem, sair, ir almoçar em qualquer restaurante da ilha, e voltar à mesma praia ou a qualquer outra, asism como aproveitar para ficar na praia até o escurecer e não sofrer para ir embora. De noite dá pra ir tranquilo escolher um restaurante, ir ao Ibama, tomar um café etc.

    Claro que dá pra fazer tudo isso de táxi, mas se cada trecho for pago, vai-se um dinheiro bem alto, sem a mesma liberdade de estar com um buggy. Ou, então, se a pessoa ficar “com pena” de gastar tanto dinheiro em táxi, vai acabar ficando mais restrita nos deslocamentos ou dependendo de ônibus.

    Acho que uma boa fórmula é metade do tempo com buggy, metade sem buggy.

    Em tempo: para quem se hospeda na Pousada do Vale, há um buggy com valor de locação abaixo do mercado. Sugiro conferir isso com o Cadu, gerente da pousada.

RIQ, parabéns por este post muito útil. Quando fui a Noronha me guiei pelos posts e comentários esparsos, o que me ajudou muito, mas foi mais trabalhoso.

Agora, ficou muito mais fácil.

Em tempo: fiquei fã da Pousada do Vale.

Em 2002, passei pela loteria das pousadinhas e fiquei na Pousada Nativa, meio do mato, mais básica, impossível. Mas, o mais importante mesmo não estava na pousada, então relaxei e curti… Com os preços atuais, eu vou ficar no continente mesmo, por maiores que sejam as dificuldades na ilha, os valores extrapolaram o bom senso.

Maíra, acho que depende da pousada. Por exemplo: Em agosto para a pousada do Vale é alta, já no Zé Maria é baixa.. Vai entender!!

    HAHAHH essa é toda a minha dificuldade… pelo jeito nem eles chegaram num acordo. Obrigada Fernanda.

Em Fernando de Noronha quando é alta e baixa temporada? Pra mim isso nunca ficou muito claro e agora acho que tu pode me ajudar!

    Oi Maira… Na verdade isso não é muito bem definido. Se pensar em hospedagem, cada pousada considera um período diferente como alta temporada. Algumas pousadas consideram os meses de agosto e setembro como alta temporada pois a ilha fica lotada de europeus. Já outras pousadas consideram baixa temporada. Baixa temporada mesmo é de abril a junho. No segundo semestre os meses de setembro a 15 de dezembro são considerados baixa também. Espero ter ajudado.

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