Las Cabras

Quanto custa comer em Buenos Aires?

Las Cabras

Com a recente desvalorização do real (sim, o real desvalorizou até contra o combalido peso argentino), comer em Buenos Aires não está mais grátis como alguns anos atrás. Ainda assim, continua mais em conta que São Paulo. Estive por lá no iniciozinho de junho. Fiquei cinco dias. Troquei reais no câmbio paralelo pela cotação 1 real = 3,6 pesos, e paguei as refeições em pesos, cash. Vou postar as contas das minhas refeições para você ter uma idéia do quanto vai gastar.


Atenção: não é mais necessário trocar no câmbio paralelo

          Desde dezembro de 2015 o mercado de câmbio foi liberado na Argentina. Portanto, não é mais preciso recorrer às

cuevas  

          (casas de câmbio irregulares) ou

arbolitos  

        (cambistas de rua) para obter um câmbio decente. Com o câmbio oficial refletindo o câmbio real, já é possível novamente usar cartão de crédito (onde seja aceito). Portanto, desconsidere as dicas do paralelo.

Antes disso, porém, sempre é bom lembrar algumas peliculiaridades de comer em Buenos Aires:

  • Almoço sempre é mais barato que jantar
  • Refrigerante e água podem sair mais caro que cerveja ou vinho
  • Se vai pagar em dólar ou real, pergunte antes se aceitam (e qual é a cotação)
  • Sempre é bom reservar para o jantar
  • Há inflação na Argentina; os preços deste post são de junho de 2015.

Da refeição mais barata à mais cara:

La Hormiga

hormiga

Este restaurante simpático e informal escolhido ao acaso na hora do almoço em Palermo Soho serve milanesas com batatas fritas e salada por 69,50 pesos, no almoço e no jantar (R$ 19,30 na cotação que eu consegui no paralelo). Uma garrafa de 750 ml vinho da casa saiu 49 pesos (R$ 13!) — proporcionalmente mais em conta do que a água com gás, que saiu 28 pesos (R$ 7,70). Total, 216 pesos; com gorjeta, 240 pesos — ou R$ 33 por pessoa. La Hormiga: Armenia 1680, entre Honduras e El Salvador; tel. 4834-­6906; não aceita cartão; não fecha entre almoço e jantar.

El Sanjuanino

Sanjuanino

No clássico botequim da Recoleta, dividimos 5 empanadas a 19 pesos cada (R$ 5,30), enxugamos uma garrafa de Malbec (110 pesos, R$ 31 — havia opções mais baratas), tomamos duas águas com gás (total de 56 pesos, R$ 15) e terminamos com dois flans a 44 pesos cada (R$ 12). Total, 349 pesos; com gorjeta, 390 pesos — ou R$ 54 por pessoa. El Sanjuanino: Posadas 1515, entre Callao e Ayacucho; tel. 4804-2909.

Como en casa

Como en casa

Passeando pela Recoleta na hora do almoço, ficamos com vontade de experimentar os pratos do dia deste restaurante de rede especializado em comidas leves e rápidas. O meu goulash com spätzle saiu 125 pesos (R$ 35); o peito de frango empanado do Nick, 117 (R$ 32). Cada taça de vinho custou 51 pesos (R$ 14), enquanto uma água ficou por R$ 30 (R$ 9). Total, 374 pesos; com gorjeta, 420 pesos — ou R$ 59 por pessoa. Como en Casa: Quintana 2, esquina Juncal; tel. 4813-4828.

Social Paraíso

Social Paraíso

Entra ano, sai ano, e este discreto restaurante de Palermo Soho segue como um dos lugares com melhor relação custo x charme x benefício no almoço. O menu mediodía, com três opções de entrada + 3 opções de prato principal, estava a 115 pesos (R$ 32). Tomamos uma taça de vinho (55 pesos, R$ 15), um aperitivo (65 pesos, R$ 18), uma água (26 pesos, R$ 7) e dois cafés (23 pesos cada, R$ 6,50). Total, 422 pesos; com gorjeta, 470 pesos — ou R$ 65 por pessoa. Social Paraíso: Honduras 5182, entre Thames e Uriarte; tel. 4831-4556.

Sagardi

Sagardi

Aproveitando que íamos a uma milonga em San Telmo, fizemos uma boquinha neste gostoso restaurante de tapas bascas, ou pintxos. Os pintxos ficam prontos e à vista no balcão e têm preço único de 25 pesos (R$ 7); você se serve e depois contam os palitinhos para ver quanto você consumiu. Comemos 7 pintxos, bebemos uma garrafa de Malbec (175 pesos, ou R$ 48) e uma água (35 pesos, ou R$ 10) e de sobremesa um arroz con leche (100 pesos, ou R$ 27 — caríssimo, acho que não reparei no preço quando pedi). Total, 485 pesos; com gorjeta, 540 pesos — ou R$ 75 por pessoa. Sagardi: Humberto Primo 319, entre Balcarce e Defensa; tel. 4361-2538. O forte é o happy-hour.

Uco

Uco

Esta foi nossa única incursão a um restaurante de cozinha de autor. O Uco é o bistrô do hotel-boutique Fierro, em Palermo Hollywood, e no jantar serve menus de até 7 passos. Fomos no almoço, quando o menu tem 2 ou 3 passos. Pedimos um menu de 2 passos (a 225 pesos, R$ 62) e um de 3 passos (a 260 pesos, R$ 72). Ambos menus incluíam uma taça de vinho e uma garrafa de água. Foi servido um creminho como amuse-bouche. Minha entrada era uma salada com ovo de gema mole empanado; o prato principal foi fraldinha sobre leito de humita. De sobremesa, pudim de pão. Um café Nespresso saiu 30 pesos (R$ 9). Total, 515 pesos; com gorjeta, 570 pesos — ou razoabilíssimos R$ 80 por pessoa. Uco: Soler 5862, entre Carranza e Ravignani; tel. 3220-6800.

Azema

Azema

Buenos Aires já foi um deserto de comida exóticas, mas hoje pululam restaurantes asiáticos de todos os matizes. Fiquei com vontade de experimentar este bistrô pan-asiático em Palermo Hollywood. O cubierto saiu 22 pesos por pessoa (R$ 6). De entrada, repartimos uma porção de rolinhos vietnamitas (70 pesos, R$ 20). Meu prato, um curry vermelho de frutos do mar, saiu 115 pesos (R$ 32); o do Nick, 140 pesos (R$ 39). Cada Stella Artois long-neck saiu 47 pesos (R$ 17); tomamos três. Uma tarte tatin de sobremesa custou 60 pesos (R$ 16). Total, 570 pesos; com gorjeta, 630 pesos — ou R$ 87,50 por pessoa. Azema: Carranza 1875, entre Costa Rica e El Salvador; tel. 4774-4191.

Sudestada

Sudestada

A um só tempo escurinho e clean, este pioneiro da comida do Sudeste Asiático em Buenos Aires continua ótimo. Pagamos 20 pesos por cada cubierto (R$ 5,50), 114 pesos pelos raviólis vietnamitas de entrada (R$ 32), 189 e 194 pelos pratos principais, ambos curries de frango (R$ 52 e R$ 54), 55 pesos por cada um dos três chopes artesanais (R$ 15 cada) e 50 pesos por cada sobremesa (um almendrado, uma porção de bolinhos de chuva, R$ 14 cada). Total, 782 pesos; com gorjeta, 850 pesos — ou R$ 118 por pessoa, no único jantar com preços parecidos com os que encontramos para jantar fora em São Paulo. Sudestada: Guatemala 5672 esquina Fitz Roy; tel. 4776-3777.

Não fomos a churrascarias, mas acredito que um La Cabrera deva custar um pouco mais que o Sudestada. Mas você encontrará ojo de bife e bife de chorizo oferecidos em muitos restaurantes que não necessariamente são parrillas.

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35 comentários

Gracías, Freire! Como sempre, uma viagem sai sempre redondinha quando seguimos suas sugestões. Quanto aos preços em Buenos Aires, também não podia ser diferente, apesar da inflação por aquelas playas…

Este site é excepcional. Estive em Buenos Aires esta semana com orçamento feito com base na atualização de junho e, mais uma vez, bingo, o Freire só acerta! Para quem anda preocupado com os preços, lá vão alguns. Troca de reais (Florida, 250, lj 11): 1 real = 4 pesos! ; 2 empanadas (15 pesos cada) + 1 jarrito de limonada com mel e gengibre ((35,5,pesos), ambos deliciosos, no Cumaná, 80 pesos (já incluída a gorjeta); locro, também no Cumaná (sim, eu amo este lugar), 65,5 pesos;

Puxa ! Que competência. Falou (e mostrou!!) tudo que eu precisava saber. O mais importante, em se tratando de país com inflação e pedaladas, é que as informações estão atualizadas. Estamos indo em 04 pessoas e alugamos um apto. via Airbnb. Na volta comentarei sobre o custo de pratos semi-prontos, frutas e vinhos comprados em mercados, para algumas refeições que faremos no apartamento. Parabéns !

Fomos ha 3 meses, realmente para quem vai regularmente os precos mudaram muito, mas para quem gosta de vinho e gosta de uma boa carne, ainda continuam atrativos, fomos ao La Cabrera e ao El Establo que me surprendeu novamente, melhor carne de BAs com o melhor preco!

Há uns 2 anos fiquei em San Telmo e escolhi o Sagardi Hotel (hoje Sagardi Loft Osteria ), que fica na esquina, de frente para a praça (e sua agradável bagunça domingueira). Pertence ao grupo do bar de tapas e é lá que é servido o café da manhã (simples e bom). Um dia pedi a entrega de umas tapas no quarto há noite… demorou e foi servido quase como um favor… espero que tenha melhorado o serviço.

Olá, bom dia. Dicas muito boas. Mas eu queria saber em relação ao dólar. Vale a pena pagar em dólar em Buenos Aires ou é melhor levar real?

    Olá, Rebeca! Real vale mais a pena se você trocar em cueva em dia de semana. Para usar direto no comércio/restaurantes, dólar pode ser melhor.

    Olá, Leonardo! Cuevas são agências de câmbio paralelo. Funcionam em dias de semana em galerias da Calle florida. O Ricardo Freire usou a da Florida 142 loja 36 (subsolo). A fachada é de loja de negociação de moedas antigas.

Fui agora em junho, final de semana do dia 12. Os preços aumentaram muito em relação às minhas viagens anteriores. La Cabrera 900 pesos por casal (e atendimento muito pior que em anos passados! Parece que o sucesso subiu à cabeça.), Crizia 1100 pesos por casal.
Está valendo muito a pena o Miranda, em Palermo Hollywood: ambiente legal, atendimento excelente, carne espetacular (melhor asado de tira que já comi) e preço 700 pesos por casal (os preços acima sempre com vinho).

Fomos em duas pessoas ao La Cabrera Norte, agora em maio e gastamos cerca de 900 pesos (R$250), sem vinho. Não sei se pagaria menos aqui no Leblon.

Eu fui jantar no Uco e adorei. Mesmo com a desvalorização do Real frente ao peso, pelo visto ainda está valendo muito a pena comer por lá.

Excelente. Já cheguei no nível de anotar os preços das refeições. Em 483 anos chegarei no nível de fotografar o prato e a nota. =)

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