Quer entrar pra minha ONG?

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Este é mais um dos textos que escrevi para a filial deste blog no ViajeAqui — mas que, devido à falta de permalinks, eu resolvi transcrever para cá.

Já passei dos 40, mas mesmo assim ainda tenho grandes planos para a minha vida. Sonho em ficar rico e virar um filantropo. Quero abrir uma ONG. Meu objetivo: salvar as praias do planeta da invasão das cadeiras e das mesas de plástico.

Poucas coisas me deixam mais triste do que ver uma praia bonita infestada de móveis de plástico. Para mim, uma cadeira de plástico (mesa, pior ainda) sobre a areia é como uma garrafa PET sobre a areia: lixo.

Não, não estou dizendo que todas as praias têm que ser ocupadas com o charme dessas cabanas e desses sofás aí da foto, do Cauim, um bar à beira do rio Trancoso. Adoraria, mas sei que isso seria impossível.

Mas acho, sim, que as cadeiras de plásticos podem ser substituídas, com ganho de conforto e funcionalidade, pelas cadeirinhas dobráveis de estrutura de alumínio e encosto de nylon – aquelas que continuam em uso na Zona Sul do Rio, em Boa Viagem, no Recife, e no Porto da Barra, em Salvador.

Minha ONG ainda não foi fundada, mas já tem nome e sigla: vai ser o PCECPP – Primeiro Comando de Extermínio das Cadeiras de Plástico na Praia.

Não tire conclusões precipitadas – nossos métodos de atuação não serão violentos.

Planejo exterminar as cadeiras de plástico com argumentos científicos. Assim que ficar rico e virar filantropo, contratarei eminentes pesquisadores que tentarão por todos os meios descobrir alguma relação entre as cadeiras de plástico na praia e o aumento do buraco na camada de ozônio; entre as cadeiras de plástico na praia e o aquecimento global; entre as cadeiras de plástico na praia e o aumento de incidência do melanoma; ou de preferência entre as cadeiras de plástico na praia e tudo isso junto.

Em pouco tempo teremos fatos concretos e irrefutáveis para divulgar, como por exemplo “quem senta em cadeiras de plástico na praia tem 55% de chance a mais de desenvolver diabetes antes dos 45 anos” ou “nos lugares onde as cadeiras de praia predominam notou-se um aumento de 3 dias de chuva por mês de verão”. Ainda não tenho nenhum desses dados na mão, mas tenho certeza de que meus cientistas não me desapontarão.

Enquanto isso, nada me resta senão recomendar os trechos de praia que ainda não foram incoporados ao império da cadeira plástica.

Se você quer ir a uma praia que seja bonita também do lado de cá do mar, escolha um dessas barracas, bares e clubes:

– Clube dos Ventos, Jeriacoacoara (CE)

– Ponta do Pirambu, Tibau do Sul (RN)

– Bar do Marinheiro, Praia do Amor, Pipa (RN)

– Arte Bar, Praia de Tabatinga, Conde (PB)

– Arikinda, Praia dos Carneiros (PE)

– Bar das Meninas, Taipus de Fora, Maraú (BA)

– Bar do Francês, Taipus de Fora, Maraú (BA)

– Bar do Gaúcho, Taipus de Fora, Maraú (BA)

– Bar do Sting, Praia de Araçaípe, Arraial d’Ajuda (BA)

– La Plage Blanche, Praia de Mucugê, Arraial d’Ajuda (BA)

– Magnólia Club, Praia de Mucugê, Arraial d’Ajuda (BA)

– Casa Sol, Praia do Parracho, Arraial d’Ajuda (BA)

– Tostex Praia, Praia dos Nativos, Trancoso (BA)

– Cauim, Praia dos Coqueiros, Trancoso (BA)

– Bar do Andrea, Praia dos Coqueiros, Trancoso (BA)

– Bahia Bonita, Praia do Rio Verde, Trancoso (BA)

– Pé na Praia, Praia do Rio Verde, Trancoso (BA)

– Club de Mar, Praia do Rio Verde, Trancoso (BA)

– Estrela do Mar, Praia do Espelho (BA)

– Recanto do Espelho, Praia do Espelho (BA)

– Bar do Baiano, Praia do Espelho (BA)

– Bar da Praia, Caraíva (BA)

Não fui este verão ao sul, então não sei se os lounges de praia de Camboriú e Florianópolis usaram ou não plástico na areia.

Se você souber de algum bar ou barraca de praia que não tenha cadeiras de plástico e não esteja nessa lista, por favor, deixe nos comentários, sim? Nossa ONG agradece…

172 comentários

Riq,

Seria bom rever a lista de bares e cabanas de praia sem cadeiras de plástico, no Arraial e em Trancoso. O Sting encheu o pedaço de praia do bar com cadeiras e mesas de plástico amarelo Skol. O Cauim também aderiu à maldita praga.

Bah Riq… É difícil degustar as praias de floripa e região sem acabar engasgado com alguma farofa… Bom gosto na areia fica mais restrito ao fornecido pelos bons hotéis… O que mais rola é ou o desertão (que em vista não é ruim) ou os “budegão” como os existentes em praias que seriam lindas, como a praia da barra da lagoa em floripa, mas que perdem todo o charme por conta da exploração feia e desordenada. Pode ser que os frutos demorem um pouco para serem colhidos, mas as bigornas, digo bombas, ops, digo sementes estão sendo lançadas… hehe.

Ola querido Ricardo,
gostaria de fazer uma correçao, o restaurante estrela do mar na praia do espelho, hoje esta em trancoso e seu nome é CABANA LUCIA DO ESPELHO, e tb. nao temos cadeiras plasticas….

um grande abraço e muito obrigada.

Bom, não achei um post específico sobre barracas de praia, mas uma notícia boa, ou não – dependendo do ponto de vista – é que a derrubada das barracas de praia em Salvador foi feita com rara eficiência. Mais de 220 barracas, de quiosques de palha a megacomplexos, foram postos no chão por ordem judicial.

O lado bom é que aquelas instalações que emporcalhavam a orla soteropolitana foram removidas. O lado alvissareiro é que o argumento legal utilizado foi o de que a faixa de praia é de propriedade da União, e a prefeitura não poderia simplesmente se apossar da regulamentação, muito menos da transferência dos direitos de uso, das mesmas.

Se o “precedente” pegar, eu digo que facilmente 90% das instalações existentes na faixa de areia (ou de pedras, se for o caso) da costa brasileira estão em potencial perigo – todas aquelas às quais a Marinha do Brasil ou a SPU não concedeu autorização.

Acho que essa questão vai dar muito pano para manga. Eu particularmente prefiro praias sem nenhuma instalação dentro da faixa de areia, mas entendo que é preciso algum tipo de meio-termo e planejamento, pois há diferentes públicos que preferem mais infra-estrutura pé-na-areia, além de perceber que uma coisa é uma orla abarrotada de barracas e com isso emporcalhada como ocorre no Rio (Barra e Copacabana), outra coisa são instalações mais espaçadas e que oferecem serviços necessários (Espelho, Galinhos e – apesar do péssimo gosto musical-artístico – Trancoso).

    Mais ou menos 120% delas eram horrorosas. A única que se salvava era a Goa, em Pedra do Sal, que a Flavia Penido (ladyrasta) me apresentou e que nem deu tempo de blogar.

    Mas eu não ficaria tão otimista. Resta ver como ficará a situação da “ambulância” na praia. O rapa não é tão eficiente quanto o trator, e eu temo que, nos pontos mais disputados, a coisa fique ainda pior.

    O problema da ocupação das praias no Brasil, a meu ver, é que ou 1) pode tudo ou 2) não pode nada. Regulamentar e disciplinar são verbos que não existem. Pessoalmente acho praia sem serviço de bordo — sobretudo quando urbana — uma tristeza. Tomara que não haja violência para redemarcação de territórios…

    Concordo AndreL! Sou soteropolitana, temos casa no Litoral Norte e não conseguimos ver a praia por conta de barracas enooormes e ligadas umas nas outras (TchÊ e vizinhas junto ao Hotel Mamelucos). Até hoje pela manhâ as barracas da Praia de Ipitanga – deliciosa para andar – ainda estavam pendentes das evoluções da prefeita de Lauro de Freitas e dos barraqueiros, para a derrubada final que deve ser amanhã (existe uma dúvida sobre o limite dos municípios, se a P de Ipitanga é Salvador ou L de Freitas).
    A Placafór (placa FORD) está outra sem barracas!
    O meu medo: concordo com o RIQ, quanto à solução da ocupação. Nada contra barracas, uma tradição aqui. Mas deixem a gente ver o mar!
    A minha apreensão: o pessoal das barracas… O povo sempre à mercê das decisões de poderosos.
    Tinha a Catedral na p do Flamengo, Riq, que abria os trabalhos com o Bolero de Ravel, tocava rocks anos 60-70-80, sem aché,pagodes e similares e era discreta, lá em cima no meio dos coqueiros: um réquiem!
    Tristeza: das últimas vezes, gradativamente, a invasão plástica nas praias de Itacaré… Comecei a ir lá quando a estrada era de terra e o paraíso devia ser ali ou por perto…
    Plástico na praia: tou fora!
    Posso ser a agente financeira da ONG?

Moro em Curitiba onde persiste o frio, continuam os dias cinzentos, os transeuntes são mal-humoradas e o pior, não há praia. Então, desde adolescente procuro lugares sem conterrâneos, sem TV, sem garrafas PETs, sem cadeiras de plástico e preferencialmente, sem famílias histéricas na areia. Até inícios dos anos 80, Bombinhas era super! Logo depois veio o asfalto e muitas cadeirinhas de plástico. Nos anos 90, a minha família cresceu, optamos pela Guarda do Embaú… sem farmácia, sem trocentos mercadinhos, sem restaurantes e sem plástico. Contudo, alguém descobriu que Zulu era o rei da pocilga. Vieram as patys e todos os pets. Depois disso, fomos mais longe… e na Bahia encontrei Arraial D´Ajuda, cheio de modernos em Bistrôs europeizados e ainda, mais plastificados.
Desde então decidi ir, somente, a lugares inexplorados pelo mundo plástico, ou seja…

RICARDO,ja faço parte desta ong des de minha infancia ,sim claro eu ja tenho por profissão o desenvolvimento e a fabricaçao de objetos de decoraçao ,e digo mais :alem de participar efetivamente ,de sua ong ,faço questão de doar alguns objetos desenhados por mim ,e de mta aceitaçao no mercado …kkkkkkkkkkkkkk abraço amigo ,meu apoio é incondidional conte comigo de verdade

ps adorei sua pagina ,me diverti mto alem de ser mto feliz ,no reportar a sequencia ,valeu …

O Cleber pisou na bola na sua defesa. Eu estava até achando que ele tinha escrito ( a tal ¨bichisse¨) num exagero de linguagem mas teria sido melhor não escrever mais nada. Ficou parecendo que ele acha bichice mesmo e cá pra nós, se não que ler a opinião ( por sinal já antiga) do Riq, no blog do Riq e com toda a verve literária do Riq seria melhor fazer igual a programa ruim na tv: usa o controle remoto pra mudar de canal ou simplesmente desliga.

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