rascunho onde ficar paris

A Bóia
por A Bóia

Assim como é muito fácil amar Paris, é muito difícil amar um hotel em Paris. Todos, em todas as faixas de preço, parecem muito caros pelo que oferecem. Nos últimos quinze anos, banheiros têm sido reformados, mas ainda assim os hotéis mais baratos (desculpe: os menos caros) ainda podem vir com instalações hidráulicas no limite da indignidade. O café da manhã raramente está incluído (custa de 8 a 12 euros em hotéis que não sejam de alto luxo). Calefação é default, mas ar condicionado é um item raro (preste atenção ao reservar para julho ou agosto).

O jeito é se conformar de antemão com espaços pequenos, preparar o espírito (e o bolso) para pagar 120/150 euros por hotéis com as reformas em dia em localizações cobiçadas. (Em bairros menos conhecidos pelos turistas, dá para conseguir bons hotéis na vizinhança dos 100 euros.) Procure um hotel que deixe você na melhor pista para explorar Paris -- ou para curtir um cantinho específico da cidade.

A cidade é oficialmente dividida em 20 arrondissements (diga: arrondiss'mã), que são zonas demarcadas em espiral. Você identifica o arrondissement no final do endereço -- Paris 1 (ou 75001) é o 1º arrondissement; Paris 20 (ou 75020) é o vigésimo. Quanto menor o número, mais central é o arrondissement. O 1º arrondissement engloba Notre-Dame e o Louvre. Este mapa de um usuário do Google traz os vinte arrondissements demarcados. Os arrondissements mais centrais garantem mais passeios a pé e viagens mais curtas (e com melhores conexões) de metrô. Os arrondissements de números mais altos (de 15 para cima) ocasionam percursos mais longos de metrô.

No entanto, além de se referir ao bairro pelo número (tipo: "le Sixième", para o 6º arrondissement), os parisienses também se referem a trechos demarcados dentro de um arrondissement pelo seu nome específico -- como Marais, St.-Germain, Quartier Latin, Montmartre. Para confundir mais um pouquinho, às vezes um desses bairros se espalha entre dois arrondissements -- como ocorre com o Canal St.-Martin, que começa no 10ème e vai até o 11ème.

Então ficamos assim: use o sistema numerado para definir se o arrondissement é central ou não; guie-se pelo nome do bairro quando estiver à procura de um astral específico.

Aqui vai uma seleção de localizações interessantes, cada uma com seu modo de usar.

Très central: Châtelet/Les Halles, Louvre

Não espere ruas charmosas nem vida noturna animada nos arredores da estação Châtelet-Les Halles (na verdade, um complexo de 3 estações, unidas por um emaranhado subterrâneo). Mas com 5 linhas do metrô, 3 de RER e a distâncias caminháveis de inúmeras atrações dos dois lados do Sena, a localização é imbatível para turistar. Entre os hotéis com bons preços, destacam-se o Hôtel de la Place du Louvre, que tem ares clássicos, e o Victoria-Châtelet, que ganhou um banho de loja e atende em português. O Best Western Aux Ducs de Bourgone é estilosinho.

Procurando o preço mais baixo possível, encare (sem grandes expectativas!) um Timhotel -- o Timhotel Le Louvre fica perto do museu, e o Timhotel Palais-Royal tem localização quase chique.

Com orçamento mais folgado, eu investiria em regiões mais charmosas. Mas se você quer um 4 estrelas com padrão business nessa localização centralíssima, o Novotel Paris Les Halles é uma boa opção. Para vir com crianças, o Citadines Les Halles, que tem apês de quarto e sala que acomodam até 4 pessoas.

Très charmoso: Marais & île St.-Louis

Se a sua lógica de hospedagem é "quero dormir no lugar mais gostoso de passear", então é difícil bater o eixo Marais-Île St.-Louis. Centrais, porém fora da rota dos ônibus turísticos, desprovidos de cartões-postais monumentais e sem metrô exatamente na porta, são procurados por visitantes mais descolados do que os dos lugares mais óbvios da cidade.

O grande hotel do Marais é o Pavillon de la Reine, localizado num pátio atrás da praça, e que dá ao hóspede a impressão (mas só a impressão) de ocupar os antigos domínios da rainha Anna d'Áustria. Se o seu bolso não é fundo o suficiente para cacifar o Pavillon, tente o outro hotel com localização imediata à praça, o Hôtel de la Place des Vosges, pequeno e renovado, numa ruazinha que dá direto num dos arcos da praça.

Na primeira transversal da praça, o Turenne Le Marais tem quartos confortáveis. Ali pertinho, o Jeanne d'Arc tem astral charmosamente alternativo e uma localização preciosa, junto a uma pracinha freqüentada pelas famílias do bairro. O St.-Paul Le Marais tem ambientes caretinhas; o Grand Hôtel Malher tem quartos pequenos porém bastante aprumados, e é o mais próximo do metrô.

Na área mais gay do bairro, o Caron de Beaumarchais é rebuscado, o Grand Hôtel du Loiret é cleanzão e o Duo, quase no Beaubourg, é o mais metido.

Fora do Marais propriamente dito, mas a meio caminho do Canal St.-Martin, o My Hotel in France Le Marais é super bem-apessoado e costuma ter preços ótimos.

Na île St.-Louis, todos os hotéis são fofos. O menos caro é o St.-Louis-en-l'Isle. Tanto o Hôtel des Deux-Îles quanto o Hôtel de Lutèce têm custo x benefício mais interessante do que o Hôtel du Jeu de Paume.

Très Rive Gauche: Quartier Latin & St.-Germain

A Paris dos estudantes e dos intelectuais é pontilhada de pequenos hotéis.

O Quartier Latin -- um emaranhado de ruelas contíguo à île de la Cité -- é a maior mina de hoteizinhos e restaurantes baratos. Alguns são bons quebra-galhos, como o Les Degrés de Notre-Dame, onde dá para ficar por menos de 100 euros (subindo com sua mala por uma escada apertadinha), mas nesta faixa de preço é bem difícil achar hotéis sem reclamações. Incrementando um pouco o orçamento, já é possível encontrar hotéis mais estilosinhos, como o Cluny Square e o Hôtel du Levant.

A região da rue des Écoles, perto da Sorbonne, tem ótimos hotéis na faixa até 150 euros, como o colorido Moderne, o confortável Agora St.-Germain, o classicão Villa Panthéon e o renovado Claude Bernard. O charmoso Atmosphères (antigo Sully St.-Germain) tem uma pegada contemporânea e é um pouco mais caro que os vizinhos. O bacana desta região, na minha opinião, é poder aproveitar os restaurantinhos da rue de la Montagne Geneviève (que passam batidos aos freqüentadores da muvuca do Quartier Latin) e subir até a Place de la Contrescarpe (à noite) e aos mercadinhos da rue Mouffetard (de dia).

A rue St.-André-des-Arts e o Boulevard St.-Germain conduzem a St.-Germain-des-Prés, onde a muvuca diminui e os preços sobem. Americanos (e Danuza Leão) adoram esse cantinho, e não dispensam uma parada nos cafés Deux Magot e Flore e na brasserie Lipp. Se você não tem medo de colchas que combinam com o papel de parede, aproveite a perfeita localização do Le Régent, na chique rue Dauphine. O Hôtel des Marroniers vale pelo charmosíssimo pátio interno. O Hôtel de Seine tem ambientes rebuscados mas tem diárias abaixo de 200 euros. Caso o seu orçamento permita diárias até 300 euros, considere o personalíssimo Hôtel Artus, na rua mais cobiçada do pedaço, a rue de Buci.

St.-Germain também tem o seu apart da rede Citadines, com estúdios (para duas pessoas) e apartamentos de 1 quarto (para até 4 pessoas); alguns apartamentos têm vista para o Sena.

Très verão: Canal St.-Martin

Nas minhas últimas três viagens a Paris me hospedei nesta região -- em hotéis e num apartamento alugado. Atualmente é meu cantinho favorito de Paris -- pela despretensão, animação (no verão é a maior muvuca), jovialidade e bons preços. Já estou gostando mais daqui do que do meu queridinho Marais...

O hotel mais cool do pedaço é o Le Citizen, de apenas 12 quartos, todos com vista para o canal. Não é barato (mas no Marais custaria o dobro).

No miolinho do bairro, em meio às lojas e bistrozinhos, considere o charmoso Garden St.-Martin ou os econômicos Soft e Kyriad Paris 10.

A meio caminho entre a estação République e o Canal, o Ibis Styles Paris République deixa você na porta tanto da vida boêmia do bairro quanto da estação mais prática da região.

Dentre os hotéis nas redondezas da Gare de l'Est, o Timhotel Gare de l'Est (vizinho ao Jardin Villemin) e o Ibis Gare de l'Est (numa ruazinha transversal do Boulevard Magenta) são os que têm localização mais simpática (dá até para esquecer que você está pertinho de uma estação de trem).

Très bom negócio: Bastille

A região da Bastille é uma ótima alternativa para quem procura bons preços, localização razoavelmente central e vida noturna nas redondezas do hotel. A estação Bastille é servida por três linhas de metrô. Você estará perto do charme do Marais (e não muito longe do Canal St.-Martin). O miolinho do bairro (rue de la Roquette, rue de Lappe, rue Keller) é coalhado de bares e inferninhos muvucadaços -- mas a cena mais descolada ocorre ao longo da rue de Charonne e suas transversais.

Pertinho da estação, dois hotéis com excelente relação custo x benefício são o Paris Bastille (decoração em cinza e vinho, diárias desde 100 euros) e o Pavillon Bastille (bem charmosinho, diárias desde 110 euros). Na linha mais básica-funcional, com preços que podem chegar abaixo de 100 euros, você encontra o Ibis Bastille Opéra e o Campanile Bastille. Há um segundo Ibis na região, mas a uma estação da Bastille, o Ibis Faubourg St.-Antoine.

Os dois hotéis com personalidade forte do pedaço ficam na rue de Charonne: o Hi Matic, onde o check-in é self-service e a comida é comprada em máquinas (diárias abaixo de 100 euros), e o Blc Design, um paraíso para quem gosta do gênero tudo-branquinho (diárias um pouco acima de 100 euros).

Très Amélie: Montmartre

Montmartre é assim: na parte baixa, ao longo do Boulevard Clichy, o astral é de bairro da luz vermelha, com Moulin Rouge, inferninhos, sex shops e prostituição de rua; mas o único perigo está em entrar num dos bares, onde o forasteiro é assaltado com contas absurdas.

Caminhe uma quadra morro acima, porém, e o ambiente de zona dá lugar a uma Paris romântica e pitoresca. Boa parte de Amélie Poulain foi filmada por aqui, e é fácil se pegar suspirando pelas ruelas e escadarias do bairro. Há um foco animado de vida noturna na rue des Abbesses, e restaurantinhos charmosos aparecem em todo canto. A localização, porém, não é central; as caminhadas a partir do bairro não são as mais bonitas, e os percursos de metrô são longos e quase sempre envolvem baldeações. De todo modo, dá para achar bons preços por aqui.

O troféu de localização mais romântica do bairro vai para o Timhotel Montmartre, que não apenas fica numa pracinha, como também tem uma escadaria. Ainda na parte mais alta do bairro, considere outro hotel básico, o Comfort Place du Tertre, ou se o seu orçamento permitir parta para o mais metido do pedaço, o Terrass.

O entorno das ruas Lepic e Abbesses oferece hotéis com boa relação charme x localização x preço, como o caprichoso Basss, o colorido 29 Lepic, o romântico Hôtel du Moulin, o rústico Grand Hôtel de Clermont e o hostel (com quartos privativos também) Plug Inn.

Dois aparts bons para ir com família estão na quadra de cima do boulevard: o Adagio Montmartre e o Citadines Montmartre. O Ibis Paris Sacré-Coeur fica no próprio boulevard de Clichy; já a dupla Ibis Montmartre e Mercure Montmartre ocupa um complexo moderno, numa rua perpendicular ao boulevard.

Uma quadra abaixo do boulevard, o Libertel Montmartre Opéra está totalmente renovado e costuma oferecer preços convidativos.

Très cartão-postal: perto da Torre Eiffel

A região da Torre Eiffel tem uma das maiores concentrações de hotéis em Paris. Ficar perto da Torre é um fetiche -- e, para quem não conhece a cidade, é um ponto de referência familiar. Mas... quer minha opinião? O lugar é bonito, organizado, seguro... mas faz você dormir e acordar na Paris dos turistas. Quaisquer uma das localizações anteriores nesta página vai te dar um gostinho mais autêntico de Paris.

Eu sei, seus amigos já vieram e adoraram. Então, se você faz mesmo questão, deixo meu pitaco. Procure ficar à direita (de quem olha para o Sena) da Torre Eiffel. Dali você sai caminhando para o miolinho do 7ème e a St.-Germain. Prefira o entorno das rues Cler (de mercados) e St.-Dominique (de bistrôs). Por ali você acha o maneiríssimo Amélie, o clean-estiloso Cler, o romântico Tour Eiffel, o preto-e-branco Hôtel de la Paix e o cinza-e-vermelho Lévêque.

As propriedades da Accor na área ficam do outro lado, mais distante, da Torre. O Mercure Centre Tour Eiffel é moderno que o Mercure Tour Eiffel Grenelle. O apart Citaines Tour Eiffel está ao lado do metrô La Motte-Piquet-Grenelle, enquanto o Ibis Paris Tour Eiffel está junto à estação Cambronne (a 1,5 km da Torre propriamente dita).

Très básico: os Ibis que valem a pena

Entre Ibis, Ibis Styles e Ibis Budget (antigo Étap), há dezenas de hotéis da rede econômica preferida pelos brasileiros espalhados por Paris. De cara, eu descartaria os Ibis Budget -- estão todos na periferia; os percursos não compensam a economia. Ao escolher seu Ibis, não se deixe enganar pelo nome: na hora de batizar um hotel (e isso vale para toda categoria, não só para os Ibis), o marketing fala mais alto que a geografia, e os estabelecimentos ganham nomes de atrações a quadras e quadras de distância.

Fiz uma seleçãozinha de Ibis com localizações onde eu me hospedaria. Os marcados em vermelho têm localização "quente" -- pelo meu critério superpessoal (estão nas minhas regiões favoritas da cidade). Os marcados em laranja tem localização que eu julgo "interessante" -- o entorno vale a pena. Os com marcadores cor de burro quando foge têm localização "conveniente", mas não muito estimulante. (Os que não estão nesta lista não têm -- sempre na minha opinião -- boa localização.)

Minhas localizações preferidas

Recomendo o Ibis Styles République por estar junto a uma estação de metrô poderosa (République, com 5 linhas) e estar a meio caminho entre duas regiões bacanérrimas, o Marais e o Canal St.-Martin. O Ibis Gare de l'Est também é conveniente para curtir o Canal. O Ibis Bastille Opéra fica perto do Marais e da noite animada da Bastille.

Localizações interessantes

Existem vários Ibis burburinho dos Grands Boulevards, perto da Ópera e da Galerias Lafayette, onde turistas, parisienses e imigrantes se misturam. Dê uma conferida no Ibis Styles Lafayette Opéra, no Ibis Grands Boulevards Opéra e no Ibis Opéra Lafayette.

Bordejando o território de Amélie Poulin tem o novinho Ibis Montmartre e o antiguinho Ibis Sacré-Coeur.

Outros Ibis circundados por uma vida noturna descolada são o Ibis Styles Voltaire République, na região da rua Oberkampf, e o Ibis Bastille Faubourg St.-Antoine, para curtir a rue de Charonne.

Querendo dormir e acordar na modernidade de Bercy, o Ibis Styles Bercy está aí pra isso.

Finalmente, tem dois Ibis que te deixam numa Paris urbana e democrática, com custo de vida menos caro: o Ibis Avenue d'Italie e o Ibis Italie Tolbiac.

Localizações convenientes

Quando fui a Paris pela primeira vez, há quase 30 anos, o entorno das estações de trem era amedrontador. Hoje não chega a ser bonito, mas é super encarável (e bastate seguro).

No entorno da Gare de l'Est, o Ibis Styles Gare de l'Est TGV e o Ibis Styles Château Landon não estão longe do Canal St.-Martin.

O Ibis Gare du Nord TGV é prático para quem vem ou vai a Londres ou Bruxelas; o Ibis Gare Montparnasse serve para quem vai seguir de trem a Lourdes.

Très chic: Ritz & cia.

Para uma extravagância completa -- de repente, aquele upgrade das últimas duas noites, que fazem a viagem parecer ter sido inteira de luxo --, comece seu unidunitê pelos cinco hotéis mais veneráveis da cidade: o Ritz, dono da Place Vendôme; o Plaza Athénée, com suas varandas floridas na avenue Montaigne; o Le Meurice, o clássico da rue de Rivoli; o Hôtel de Crillon, ancorado na Place de la Concorde; e o George V, já há algum tempo um Four Seasons, na elegantérrima avenida que lhe empresta o nome.

Sem o peso da tradição, considere dois hotéis de luxo na rue St.-Honoré: o sereno Mandarin Oriental e o inquieto Hôtel Costes. Pertinho do George V, o Pershing Hall tem o jardim vertical mais bonito de Paris.

Se bem que hotel de luxo que tem tudo para dar o que falar nos próximos anos acabou de abrir em maio de 2015: o Les Bains, nova encarnação da discoteca mais célebre de todos os tempos de Paris (na região do Beabourg).

Très família: quartos triplos ou quádruplos

Não é fácil achar quartos grandes bons e bem-localizados numa cidade que se caracteriza por hotéis de quartos diminutos. Vários hotéis têm um ou outro quarto triplo ou familiar, ou ainda quartos que podem ser conjugados.

Para encontrar os hotéis com quartos triplos ou quádruplos disponíveis nas datas que você precisa, use o buscador do Booking, especificando o número de pessoas por quarto. Se houver crianças, o buscador vai perguntar a idade. Então vão aparecer acomodações aptas a hospedar o grupo. Você pode ordenar os hotéis disponíveis segundo vários critérios, como notas dos hoóspedes (selecione as dadas por familias) ou por preço. Caso ordene por preço, descarte os hotéis com nota inferior a 7 (se achar hotéis com notas superiores a 8, considere fortemente!). Faça a sua seleção, dê uma olhadinha na localização de cada um deles, e boa estada!

A busca fica mais fácil quando você já procura direto nas redes de apart-hotéis Citadines e Adagio. A Adagio, do grupo Accor, costuma ter tarifas mais simpáticas. Dois endereços da rede são especialmente simpáticos para famílias com crianças pequenas: o Adagio Paris Bercy, junto ao parque de Bercy ao shopping Bercy Village, e o Adagio Buttes Chaumont, pertinho do gostosíssimo parque Buttes Chaumont.