Réveillon fora do Brasil: o que esperar

Ano Novo em Sydney (foto surrupiada de um blog do Estadão)

Não, não espere encontrar no exterior um Réveillon como o do Brasil. O único lugar onde a virada do ano é comparável é em Sydney — que, como você vê na foto, faz o espetáculo de fogos mais bonito do planeta (e deixa os nossos no chinelo).

Em vários lugares você vai encontrar festas animadas, mas em nenhum canto do mundo, nem mesmo na Austrália, o Réveillon tem o significado transcedental que tem no Brasil.

Recapitulando: o Réveillon é a festa religiosa mais importante do calendário brasileiro. É quando a gente se livra da ziquizira, zera tudo e invoca forças maiores para nos levar adiante no ano que começa. Para isso precisamos estar num lugar auspicioso, de preferência à beira-mar. Criamos algumas das mais bonitas (e divertidas) superstições de ano novo do mundo inteiro, como vestir branco e pular sete ondas. Mesmo longe da areia, nossos Réveillons são de arromba, e ponto final.

No exterior não é assim. É uma noite importante e de gala — mas sem o elã que a data tem no Brasil.

Portanto a primeira coisa que você precisa ter em mente ao passar o Réveillon no exterior é baixar a expectativa. A sua viagem pode ser linda, mas esta noite em particular tem tudo para deixar a desejar. Faz parte.

Dito isto, vamos às particularidades dos Réveillons em diversos lugares.

Figurino

Em festas de Réveillon do Hemisfério Norte a cor predominante é o… preto, com detalhes brilhantes (máscaras e chapéus com lantejoulas). Apareça todo de branco, e você vai fazer, ahn, sucesso 😳

Festas de rua

Existem na maioria dos lugares. Nos lugares frios, porém, costumam se dissipar logo depois da meia-noite — porque não dá mesmo para ficar na rua por muito tempo. A mais decepcionante de todas é a famosa festa da Times Square, em Nova York. Repito: a mais decepcionante de todas é a famosa festa da Times Square, em Nova York. Programa de índio 5 tacapes. Você passa perrengue para chegar (revistas ostensivas), passa aperto (uma multidão digna de carnaval em Salvador (na pipoca, não dentro da corda), passa frio (de lascar) e não vê nada. Melhor assistir pela TV.

No Hemisfério Norte, valem o esforço e o frio a meia-noite Madri (todos comem um gomo de uva a cada badalada do relógio da Puerta del Sol) e Edimburgo, onde a festa vara a noite.

No Hemisfério Sul, Sydney tem um Réveillon lindão junto à Harbour Bridge — e Valparaíso, no Chile (a 1h30 de Santiago) tem linda queima de fogos e festa na rua a noite inteira.

Não importa onde você vá encarar uma festa de rua, atente para a questão do transporte. Só saia do hotel sabendo exatamente como você vai voltar. (Não, não pergunte para mim: pergunte para o recepcionista do seu hotel. Ele vai dar a informação correta e específica para o seu caso.) Não conte muito com táxi nesta noite; os que continuam circulando são bastante disputados.

Ceias de ano-novo

Fuja! Sobretudo no Hemisfério Norte. São carissíssimas e não valem o que custam. Com a grana que você gasta para comer em buffet nesta noite você vai a um restaurante estrelado no dia 30 ou no dia 2 e tem uma refeição de rei. Não pode haver nada mais estranho à nossa cultura de Réveillon do que as ceias de ano novo dos gringos.

Na praia

Ilhas e balneários do Caribe, do Índico e do Pacífico, onde faz calor nesta época, têm festas animadas, claro. De novo: só não espere as tradições brazucas. O bom é que você sempre vai estar perto do mar e pode fazer seu ritual por conta própria 😀

Balada

É forte nessa noite em qualquer lugar do planeta. Tente descobrir as que não estejam inseparavelmente associadas a ceias, e seu bolso vai agradecer. Uma ótima central de informação para baladas boas e que não levam à falência é a recepção de um albergue bochinchado. Dê uma passadinha em dois ou três e você vai descobrir os flyers. Depois jogue na internet para ver se as festas são quentes mesmo…

Buenos Aires

Quem mora na cidade confirma: o Natal é mais animado que o Réveillon. Até porque o Réveillon de Buenos Aires é em Punta (ou Mar del Plata). Se você estiver na cidade no Réveillon e quiser animação antes da hora da balada (que em Bs. As. só engrena às 2h da matina), a dica é reservar um jantar em Puerto Madero (mesmo sendo caro, parecerá barato por causa do câmbio) e ficar para o show de fogos que acontece por lá. Alguns restaurantes e casas noturnas vendem ceia + balada (caro, mas vale o raciocínio exposto há pouco). Também dá para esperar até a hora da balada avulsa começar em casas como o Asia de Cuba. Quando chega perto do fim do ano, o blog do Guia Óleo abre posts sobre ceias de Natal e Ano Novo.

Voltar para o hotel é complicado: os táxis somem perto da meia-noite e só voltam a circular lá pelas quatro da manhã.

Punta del Este

Tem o melhor Réveillon ao sul do Rio de Janeiro. Festas particulares concorridas (todo mundo à procura de convite) e balada fervida.

Europa e países frios: minha sugestão

Em vez de investir numa ceia cara e sem-graça, passe durante o dia em mercados/delicatessens e compre coisinhas finas e gostosas. Invista o que você gastaria num jantar em dia comum nesta operação, e você vai ter uma maravilhosa ceia pique-nique no quarto do hotel. Passe a meia-noite na festa de rua mais próxima do seu hotel (pense duas vezes se a distância não permitir voltar caminhando). Trace a ceia antes ou depois disso. Emende numa balada ou… durma cedo e aproveite o dia seguinte para fazer lerês ao ar livre, já que a cidade vai estar lindamente vazia.

110 comentários

Passei um reveillon em POUGHKEEPSIE, cidade a 90 milhas de New York, na fila da balada. Foi legal pois estávamos em 10 primos, só nós pulando e gritando na porta da balada…e a gringada toda olhando pra gente como se fossemos OVNs. Realmente Ano Novo só no Brasa mesmo…

Por uma questão de recesso no trabalho, aproveitei os feriados de fim de ano para viajar. Como no Brasil tudo fica ainda mais caro, passei os três últimos em Amboise, Nova York e Ushuaia. Em Amboise foi excelente, em um restaurante local com uma ceia divina e nenhum colega turista para quebrar o clima. Em NYC foi legal, com uma festa até que divertida no Tavern on the Green. Em Ushuaia foi menos bom. Só um jantar gostosinho em um lugar desanimado. Mas acho que quando não se viaja especificamente para o réveillon, ou seja, quando você está no meio de uma viagem e o réveillon acontece, as expectativas diminuem. A data passa a ser apenas mais um feriado.

Como, na minha religião, o reveillon não é sacramento, eu aproveito pra NÃO fazer um monte de coisa nessa época, e viajar depois, com menos stress e menos dindim. É revoltante o tanto que acham que podem cobrar no Brasil por qualquer ceia meia boca, e até passagem aérea nessa época é difícil de conseguir.
Aprendi: gasto o dinheiro de uma ceia comprando coisa gostosa e faço uma ótima ceia pique-nique… na minha casa!! E rezo para Nossa Senhora do Reveillon abençoar todas as minhas viagens futuras… :mrgreen:

Viajantes, vos pergunto: onde eh barato (aqui no Brasil ou no exterior) passar o reveillon (e a semana subsequente) ? Em outras palavras, pra onde eu posso fugir da multidao nesta epoca ? BsAs? Santiago? Montevideo? Serra Gaucha? Foz ? (Obs: moro em Florianopolis/SC)

Ond

    Reveillón é absurda e desproporcionalmente caro em qualquer destino “turístico”. Diárias custarão em geral pelo menos o dobro, a menos que vc decida ir para algum lugar do tipo Brasília, por exemplo (já fiz isso, e foi legal, deu pra curtir a cidade bem vazia e ainda descolar uma festa animada, mas não muvucada, à beira-lago com um nível de sofisticação culinária e de produção que custaria 6X mais em algum destino “turístico”).

    Complementando a pergunta acima: Não necessariamente (ou até preferencialmente não) precisa ter festa …
    Ou seja, onde as diárias de hotel não fiquem exageradamente caras por causa da data 31/12-01/01 …

Meu depoimento de Reveillon em Amsterdam:
Desde o fim da tarde as pessoas começam a festejar, com fogos e muita bebida. Começam os shows (acho que na praça Dam, estou sem meus registros…) e à meia-noite a praça está cheia de pessoas de diversas nacionalidades. Não há muito controle ou segurança, vi muitas garrafas de vidro no chão e as pessoas soltavam fogos perto de você, sem cerimônia. Começa a contagem regressiva da meia-noite e tcharam! Acabou a festa. Apagam as luzes do palco, o som, e as pessoas vão buscar suas festas particulares. Foi difícil até arranjar um lugar pra comer, depois disso.

Quando fui, já parte dessa tripulação maravilhosa, só fiz constatar o que já sabia na teoria – mesmo sendo decepcionante, não foi surpresa! Mas uma colega do albergue ficou super indignada por ter caprichado na produção até as 23h e a festa ter acabado 1h depois! 🙂

Passei o reveillon passado em Santiago. No dia 31, a cidade funcionou normalmente. Todas as festas eram muito caras, idem para as ceias. Por isso, fiquei com minha esposa no quarto e pedimos jantar do cardápio do hotel. Foi surpreendentemente barato (não gastamos 90 reais com a comida). Compramos uns petiscos e 2 vinhos no supermercado e com isso nos divertimos com cerca de R$ 150. A festa de rua fica no centro, um pouco longe de onde estávamos (Radisson santiago, ótimo por sinal). Durante o dia passamos por lá e já tinha um movimento. Vários santiaguinos me disseram para deixar a máquina em casa (uma D5000 que chama atenção), pois seria perigoso levá-la. Desistimos pois parecia ser um PIB (programa de índio burro), e ficamos vendo a festa pela TV mesmo. Uma grande vantagem em relação ao Brasil foi que o hotel não me vendeu uma pacote de tantos dias. Marquei os dias que quis, na quantidade que quis, sem qualquer problema, o que é impossível por aqui – sempre querem 7 noites, começando no dia 26. Agora, Santiago no dia 1º é deprimente. Ninguém na rua, todos os pontos turísticos fechados, até almoçar foi difícil…No final das contas, fomos andar no centro, com ele só para nós, o que acabou sendo bem divertido.

Meu irmão passou um reveillon com a esposa nos Estados Unidos uma vez e tb ficaram decepcionados. Depois da meia noite todo mundo some mesmo e “cabô”! Não era exatamente o que esperavam.

Parecia legal na teoria mas tb passar longe da família e amigos, e sem animação do povo brasileiro foi bem frustrante segundo eles.

Grande post – mas tambem pessima lembranca pra mim, ja que hj eh dia 10 de agosto e eu tenho 0 planos para o reveillon… 🙁

O Último revellion foi o segundo que passei fora do Brasil. Como no post e comentários acima. Nada, absolutamente nada mesmo se compara ao Revellion no Brasil. O Primeiro que passei fora do Brasil foi em Stuttgart, um frio de matar, os fogos até foram bonitos mas também só isso.
O Segundo deles aqui nos EUA, já sabendo da furada que é nem saimos de casa… Fizemos uma ceia em casa mesmo assistimos o show da Times Square pela TV e lá pela meia noite e pouco já estavamos dormindo..
Já escutei histórias de pessoas que vão a Times Square usando fraldas geriátricas..Não há condições de sair do local nem para ir ao banheiro.. Imagine só entrar o ano novo desse jeito..

Já passei Reveillon na California, e foi difícil achar alguém pra sair comigo no dia, meus conhecidos americanos foram dormir as 22h já que trabalhavam no outro dia! Pra ver o quanto se importam com a data…

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