Turistas do mundo, uni-vos

Minha crônica na Época desta semana.

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Muito antes de me tornar um autor de guias de viagem eu já era um ávido colecionador de guias de viagem. Tenho uma estante repleta de livros que ensinam a ir a lugares aonde nunca fui. Laos. Sardenha. Patagônia. Fiji. Comprava por impulso – e por receio de não encontrar na hora em que precisasse. Até recentemente, guias impressos eram a única fonte de informação confiável para planejar uma viagem. Mas hoje, se você sabe procurar direito na internet, os guias derivados de árvores não são mais tão indispensáveis assim. Alguém aí está interessado num Time Out Amsterdam com preços em florins, num Lonely Planet Mozambique editado em 1999 ou num Frommers Seattle 2003? Estão novinhos: foram de um dono só e nunca saíram da garagem.

O que aconteceu nos últimos tempos, porém, é muito maior do que simplesmente a transferência de conteúdo dos livros para a internet. Na rede, as informações dos guias podem ser comentadas, atualizadas e complementadas por turistas não-profissionais que fizeram as mesmas viagens. Trata-se de um processo em que todos aprendem: viajantes e guieiros. E que está apenas no começo. Os guias impressos não acabarão; ficarão melhores, incorporando as experiências e insights de quem viaja à paisana.

Mas existe um assunto em que os autores de guia já estão perdendo a autoridade: a indicação de hotéis. O grande fenômeno da internet-para-viagem é a força dos sites especializados em resenhas de hotéis feitas pelos próprios hóspedes. O maior deles, o TripAdvisor, já tem mais de 10 milhões de resenhas em seus arquivos. Sua ferramenta de busca é tão sofisticada, que localiza hotéis com quartos disponíveis nas datas em que você precisa, ordenados segundo as avaliações dos viajantes. Você pode ler todas as críticas e, ao se decidir por um hotel, fazer sua reserva em tempo real, comparando cotações de quatro ou cinco mega-agências de viagem virtuais.

O poder do TripAdvisor é tamanho, que já começaram a surgir esquemas para influenciar os resultados. Recentemente o Times londrino revelou a existência agências especializadas em criar perfis de viajantes fictícios. Depois de construir uma vida na internet, eles são registrados como membros do TripAdvisor, para melhorar a avaliação dos hotéis dos seus clientes. Mas a prática é marginal e já está sendo combatida pelo portal.

Em outros portais – como o Booking.com, o Venere.com e o Hostelworld.com (este, especializado em albergues) – as falsas resenhas são mais difíceis de ocorrer, porque só quem efetivamente fez uma reserva pelo site pode comentar sobre o hotel em que se hospedou. Apesar de trabalhar com um número menor de hotéis, o Booking.com permite peneirar as resenhas por perfis (viajantes sozinhos, amigos, casais jovens ou maduros, com filhos grandes ou pequenos). A tendência é que a pesquisa fique ainda mais específica: no Venere, já há a distinção entre casais héteros e gays.

O viajante brasileiro ainda está participando pouco dessa revolução. De todos os sites citados aqui, só dois (Booking e Hostelworld) têm texto em português; mas as resenhas são, em sua imensa maioria, em inglês. A língua inglesa, contudo, não impediu que os brasileiros adotassem o Orkut, o Flickr e o YouTube – que acabaram forçados a criar suas versões brazucas. Existem alguns foruns interessantes em português (no meu blog, por exemplo, não passa um dia sem que eu aprenda coisas incríveis com meus leitores). Mas o ideal seria que marcássemos presença nos sites mundiais – até para poder partilhar com os viajantes do mundo as dicas do Brasil.

(Parênteses só entre a gente aqui no blog: e não é que a danada da Sylvia fez um comentário exatamente a propósito disso no post de Búzios?)

12 comentários

Oi Riq. em outro post seu, vc recomendava o hotel cohiba em playa del carmen. Somos 8 com idades bem distintas, gostaria de saber mais sobre esse hotel e se vc poderia indicar mais alguns outros para o roteiro, em Merida, por ex. Ficaremos 7 dias e não pretendemos ficar em resort all inclusive, mas alugar carro e passear. Obrigada

Só quero saber uma coisinha :
O que é que precisa para o pessoal do Tripadvisor se ligar que tem
que ter uma versão em lingua portuguesa ?
Números ? Só isso ? Se for é uma barbada …

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