Um guia da Serra da Estrela a seis mãos

Portugal: Women in Black (foto: Beto Pachoalini)
Portugal: Women in Black (foto: Beto Pachoalini)

Até pouco tempo atrás, a Serra da Estrela para mim lembrava apenas um gostosíssimo queijo português de ovelha que é servido derretido no fabuloso (e caro pra dedéu) couvert do Antiquarius. Foi só a partir de uma pergunta aqui no blog que eu descobri que a Serra da Estrela é também um destino turístico importante de Portugal, aonde acorrem os portugueses em busca de uma experiência, ahn, alpina, sem sair do país.

Tempos depois o Beto Paschoalini, cujas raízes italianas estão migrando para Portugal via Moçambique, publicou um post só para contar, todo amostrado, que recebia em casa queijos inteiros quando visitado por emissários serranos.

Como acontece nos blogs bem-freqüentados, o post deu cria. A Cida L., que de vez em quando também aparece por aqui, fez uma pergunta sobre como subir à Serra a partir de Évora, e recebeu respostas abalizadíssimas não apenas do Toni Gravata, amigo e fornecedor queijeiro da família Paschoalini, como da nossa querida Isabel Oliveira (Isabel O., para os abreviados).

O Beto aproveitou e criou um post novo e utilíssimo a partir das dicas insiders dos ilustres tugas, o Pequeno Guia da Serra da Estrela — com direito até a Google Map mostrando a rota sugerida pela Isabel.

Um beijo, um queijo — e passe lá!

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30 comentários

estou planejando minha viagem a Portugal, e nas pesquisas encontrei este bate-papo… adorei!!!
Meu planejamento é iniciar em Lisboa e chegar até a aldeia onde nasceu meu Pai, Mairos, bem ao Norte. Pelos comentários no bate-papo, parecem conhecer muito a região. Quanto mais leio a respeito mais aumenta a expectativa em conhecer a terra de meus queridos antepassados.
Vou continuar lendo e vendo as fotos.
Abraços
Miriam

Adoro viajar e me encanta, antes, estudar a respeito do destino escolhido. Comecei a pesquisar sobre a Serra da Estrela, onde pretendo passar uns 3 ou 4 dias em outubro de 2010. O blog do Beto ja havia sido devidamente selecionado em meus faoritos, com os comentarios da Isabel, mas ter encontrado esse bate-papo, aqui no blog do Ricardo Freire, o mestre, ah, isso foi uma delicia! (Desculpem pela falta de acentucao, mas o notebook e novo e ainda nao configurei). Desculpem tambem pela intimidade com que vos trato, mas como disse, o papo de vcs estava tao gostoso que me sinto encorajada a faze-lo.
Gostaria de saber de voces, que dominam bem a regiao, qual a aldeia ideal para que eu e meu marido fiquemos baseados e possamos explorar, de carro, a serra nesses 3 ou 4 dias? Para ser a base, seria interessante que, ainda que pequenina, tivesse adega ou restaurante, enfim, o que fazer durante a noite… (ex: No Vale do Loire, nossa base foi Amboise.)
Tenho certeza que terei boas dicas de voces!
Desde ja agradeco imensamente!
Eliane Issa

Isabel, o meu também é advogado, mas adoooooooooora queijos portugueses e a última vez que a vigilância sanitária me pegou ele estava a meu lado, quase morreu de vergonha e tristeza, pois ficou a lembrançinha.

Nós moramos a sete quilómetros de Azeitão.
O queijo de Azeitão é do mesmo género do Serra (amanteigado, de ovelha) mas mais pequeno. É feito com o leitinho das ovelhas da Serra da Arrábida.
Quando fui ao Brasil visitar uns tios a minha sogra mandou-me um pacote para os presentear. Só quando lá cheguei percebi que tinha corrido riscos – dentro de papel de alumínio iam umas postazinhas de bacalhau.
O meu marido é advogado, todo legalista. Ficou para morrer e deu uma enorma bronca à mãe.
Os tios adoraram o presente.

Beto, nossa língua é muito difícil, mas nossa herança gastronômica é excelente. Amo Portugal, sou portuguesa por direito e prazer. Sinto-me muito bem lá. Sempre volta mais gordinha, não tem jeito, como tudo que gosto. Os portugueses são gentis, singelos e muito atenciosos. Mas o queijo da Serra da Estrela é sensacional. Sempre trago um queijinho, azeitão ou da serra. Por duas vezes a vigilância sanitária me pegou. Aí, eu fico aguardando a próxima viagem.

Beto, peço desculpa, não querendo ser pretensiosa a construção correcta é refastelar-nos-emos.

Essas dicas me ajudaram a decidir pela inclusão da Serra da Estrela em meu roteiro de viagem por Portugal, onde estarei pela segunda vez, em janeiro próximo. Depois de uma semana em Lisboa e 2 dias em Évora, sairemos em direção ao Porto, passando pela Serra (por 2 dias também) e as dicas de todos caíram como uma luva. Quando voltar, juro que conto tudinho. Obrigada e um abraço!

A região da Serra da Estrela é, de facto, um mini-mundo paradisíaco em termos (1)gastronómicos, (2)paisagísticos, (3)histórico/ arquitetónico e (4)ambiental, ampliado pela extrema simpatia e afectividade da população.
(1) O famoso e badalado queijo da Serra dispensa comentários mas… quem já visitou o Solar do Queijo da Serra, em Celorico da Beira? Contudo, a Santíssima Trindade (que me perdoem os crentes!) é Queijo, Pão e Vinho! Já conhecem o Museu do Pão, em Seia, com o seu restaurante? E os vinhitos da Cova da Beira (Betoooo!?), das adegas da Covilhã (Colheita do Sócio, Pedra do Urso), Fundão (Alpedrinha, Fundanos) e Belmonte (Quinta dos Termos)? Vale a pena reservar um tempinho na próxima visita.
(2), (3)e (4) Que tal uma descida da Serra da Estrela, da Torre para Manteigas (com paragem nas vendinhas de queijo e outros mimos)ao longo do vale do Zêzere, um fugida ao Poço do Inferno, seguindo para a praia fluvial de Valhelhas (a água é quentinha, Beto!), paragem para reabastecimento no Valécula (imperdível) e uma subida a Belmonte, visitando (a pé) a zona histórica junto do castelo? Daí a Sortelha é um pulo e merece.
Mas isto é apenas um aperitivo para vos deixar a meditar. Com tempo vou mandando mais.
Bons planos!

    Riq, o Toni (fala-se TonÍ) é de FACTO um grande sacana, nos atentando com queijos, pães, vinhos e outras propostas imorais de grande anfitrião que é. Refestele-nos-emos (eca!) oportunamente.

    Perdoem a constipação mental. Obviamente é
    refestelaremo-nos (eca! eca!).

Arrumando minhas fotos de Lisboa, achar esse post aqui, me lembra os idos dos anos 90, qdo a avó do meu 1o namorado era companhia frequente e só falava de Manteigas…um roteiro começando por Lisboa até Paris de carro é viável? he he

Presunto de Trás-os-Montes. Pão Alentejano. Anotaí, Riq. E, Isabel, nem mais uma palavra, senão eu não durmo hoje.

    ai gente, que saudade que deu de Portugal.. gastronomia espetacular!

    Beto e Isabel, eu já estive rapidamente nos Trás-os-Montes… Fiz base em Chaves, lugar onde há “caldas”, uma ponte romana e um belo hotel, o Forte de São Francisco, que é como uma “pousada de Portugal” à paisana. Antes de ser um forte, o lugar era um mosteiro. Os donos, o seu Ramos e a dona Silene, são pais de uma amiga minha e muito atuantes na Casa de Portugal aqui de São Paulo. Me refestelei com presunto de Chaves e e me perdi pelas estradinhas vicinais, passando por vilarejos com casas de pedra. Espetacular!

    http://www.forte-s-francisco-hoteis.pt/

    SOS PEDIDO DE TRADUÇÃO – o que são “estradinhas vicinais”? Zonas vínicolas, zonas vizinhas?
    Não volte aqui nos próximos tempos – recuperará os 12 quilos num piscar de olhos.

    Boa pergunta… não tenho certeza se a etimologia é de vizinho, não (de vinícola é que não é).

    Mas quer dizer estradas secundárias 🙂

    Do latim ¨vicinalis¨. Diz-se de coisas vizinhas, próximas; que pertence ou diz respeito às cercanias; diz-se do caminho ou estrada que liga povoações próximas. (Dicionário InFormal)

    Não recupera 12 quilos não, Isabel. Ele CONQUISTA 12 quilos inteiramente novos. :mrgreen:

    Os 12 quilinhos citados referem-se àqueles que o Ricardo diz ter perdido, respondendo a um comentário sobre a sua elegância no filmezinho de N York. Sendo assim já iriamos em 24, o que é uma maldade…

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