Washington: 11 razões para não ficar só no bate-volta

Newseum, Washington, D.C.

A convite de Capital Region USA, fui representando o Viaje na Viagem em um giro de seis dias por Richmond, Annapolis e Washington, DC. Objetivo: descobrir o lado menos sisudo e mais manemolente da capital americana, e ter um gostinho do que oferecem algumas cidades dos arredores.

Aventuras em Washington, DC

Ok, manemolente talvez seja um pouquinho de exagero. Mas a variedade de centros culturais, restaurantes e atividades ao ar livre em Washington revelam um lugar muito mais vibrante do que o bom e velho Lincoln em sua poltrona de mármore nos levava a crer.

Há alguns anos tive a oportunidade de experimentar a modalidade “Washington por um dia”, e posso dizer: vale a pena dedicar à cidade mais tempo do que só um bate-volta a partir de Nova York. Três dias são o ideal para curtir a Washington que existe para além dos cartões-postais. Querem ver? Eis 10 coisas super bacanas de Washington que não se faz em um bate-volta:

1 – Provar frutas fresquinhas no Eastern Market

Berries no Eastern Market

Eastern Market, Washington, DC

Taí, se tem um passeio sempre legal de se fazer em qualquer lugar é visitar o mercado daquela região. O Eastern Market (225 7th Street SE) é o mais antigo de Washington – está de pé em Capitol Hill desde 1873, tendo inclusive sobrevivido a um grande incêndio alguns anos atrás. Se a parte interna com poucas lojas não chega propriamente a impressionar quem conhece o Mercado Municipal Paulistano, a visita se completa com o movimento nos arredores. Aos sábados e domingos, é um programão: muita gente passeando nas ruas, vários restaurantes simpáticos pela 8th Street e Pennsylvania Avenue, uma feirinha de antigüidades logo na esquina e adoráveis bancas de fruta e vegetais na parte externa do mercado. E, sim, a “provinha” é uma prática que existe pelos lados de lá também! Vi desde todo tipo de berry a tomates muito vermelhos, passando por rabanetes tão bonitos que poderiam ser astros de Hollywood.

2 – Ver os monumentos de outros ângulos

Bar Point of View, Washington, DC

No bate-volta a DC, o que se conhece da cidade é a Casa Branca, o Capitólio, o Washington Monument… Ficando por lá mais um pouco, também se vê tudo isso — mas de ângulos diversos. Washington não tem arranha-céus, o que faz dos terraços ótimos postos de observação da cidade. O P.O.V. (point of view, ou ponto de vista, em bom Português) é um bar lounge no topo do W Hotel (515 15th Street NW), com uma vista de cair o queixo. Sua localização é tão privilegiada que daria até para ver Donald Trump fazendo churrasco no jardim, se Donald Trump resolvesse um dia fazer isso. Da varanda avista-se o Jefferson Memorial, o Lincoln Memorial, o Pentágono, o Washington Monument… Enquanto bar, bem, é daqueles com dress code e um certo narizinho em pé. De qualquer maneira, minha sugestão é fazer uma reserva, colocar uma roupinha bonita e tomar uns dois drinks admirando o belo entardecer.

3 – Dormir em Washington

Hotel Rouge, Washington, DC

Essa parece bastante óbvia, não é mesmo? Pois nada óbvio é o Hotel Rouge (1315 16th Street NW) onde fiquei hospedada. Talvez vocês até me diriam que já ficaram em um hotel com um lobby todo vermelho, ou um hotel que oferecesse vinho de cortesia todas as tardes, ou um hotel com roupão de oncinha no armário do quarto, ou mesmo em um hotel tão pet friendly que seria capaz de um rottweiler ser o seu vizinho de quarto. Mas, todas as anteriores? Em Washington, DC? Pois é! Temos um bom exemplo de como pode ser cool e bem humorada esta cidade.

4 – Ir às compras na charmosa Georgetown

Georgetown, Washington, DC

Georgetown, Washington, DC

Georgetown, Washington, DCGeorgetown, Washington, DCGeorgetown, Washington, DC

Em um bate-volta a DC, dificilmente se dispõe de tempo para comprar qualquer coisa além de um chaveirinho escrito USA. Já quem passa três dias na cidade pode se dar ao luxo de ir bater perna durante algumas horinhas por Georgetown. O bairro herdou o charme dos tempos em que era uma cidade portuária. Zara, Gap, Sephora, Urban Outfitters, Barnes & Noble e até uma Apple Store convivem lado a lado com lojinhas locais, sebos e afins ao longo da M Street e da Wisconsin Avenue. Vale a visita a Paper Source (3019 M Street NW), com toda sorte de utilidades e inutilidades divertidas para casa e escritório. Para os entusiastas de cupcakes, filas se formam pelo famoso red velvet da Georgetown Cupcake (3301 M Street NW) — famoso mesmo, já que a loja virou até tema de reality show. Dá para comprar o bolinho para viagem e levar para as margens do rio Potomac, descendo a Wisconsin Avenue. A área verde e aberta se chama Georgetown Waterfront Park, de onde se avista o estado da Virginia, logo na margem oposta do rio, e a bonita Key Bridge.

5 – Andar de bicicleta. Andar de metrô. Andar!

Washington, DC

Washington, DC
Capital Bikeshare, Washington, DC

Washington é uma cidade de distâncias curtas, onde se perder é praticamente impossível — as ruas paralelas, em sua grande parte, seguem o pouco criativo porém praticíssimo esquema de letras e números, e são cortadas por longas avenidas em diagonal, batizadas com nomes de estados americanos. Isso a torna bastante amigável para caminhadas. Os ciclistas também parecem muito bem-vindos, com estações de aluguel de bicicletas da Capital Bikeshare espalhadas por todo lugar. Já o metrô é um pouco mais complicado – não pelo esquema das linhas, mas por causa da maquininha de comprar tickets. Vixe, quantas instruções! Confesso ter me enrolado e precisado da ajuda de um funcionário. Mas o desafio homem versus máquina recompensa, uma vez que o metrô em DC chega a praticamente todos os pontos de interesse do viajante. Fora que dominar o funcionamento do transporte público é o que nos faz ter experiências mais próximas das de quem vive na própria cidade, não é mesmo?

6 – Aproveitar festivais e atividades ao ar livre

Bata lá na Praça, Washington, DC

O calendário cultural de Washington é cheio de atrações durante todo o ano e – que maravilha! – boa parte é de graça. Música em museus, cinema ao ar livre, walking tours… O site Washington.org é uma ótima fonte de consulta para saber o que acontece e o que está por vir na cidade, mas mesmo caminhando é possível se surpreender com algo especial (como um inusitado ensaio de percussão com grife brasileira na Farragut Square). Entre os maiores eventos do ano está o National Cherry Blossom Festival, que celebra com diversas atividades o início da primavera e o florescer das cerejeiras. Ano que vem, em comemoração ao centenário da chegada das árvores, a promessa é pintar Washington de rosa.

7 – Cair na noite

Ben's Chilli Bowl, Washington, DC

É um fato: o número de jovens residentes cresceu tanto em Washington que quase um terço da população na capital americana tem entre 20 e 30 e poucos anos. Pode-se comprovar isto matematicamente com dados do censo, ou com a simples observação da variedade de clubes e bares na cidade! O Going Out Guide do Washington Post tem cara de ser uma boa fonte para pesquisa, mas no quesito balada é sempre bom ter opiniões de gente de carne e osso. A pesquisa DataBóia então perguntou para alguns locais: qual o “quente” da noite em Washington? As respostas foram amplas: Adams Morgan. U Street. H Street. Dupont Circle… you choose! Eu planejava conhecer o 9:30 (815 V Street NW) ou o Black Cat (1811 14th Street NW), mas depois de três cervejas em Adams Morgan o cansaço me venceu. Apesar disso, ficou muito claro que ainda mais quente do que todos os bares e clubes é o lotadíssimo Ben’s Chili Bowl (1213 U Street NW), a casa de cachorro-quente mais tradicional da cidade, há 50 anos no mesmo endereço – o que, considerando a sua história, é uma vitória e tanto.

8 – Descobrir que museus podem ser a maior diversão

American History Museum, Washington, DC

Newseum, Washington, DC

Newseum, Washington, DC

American History Museum, Washington, DCVista do Newseum, Washington, DCNewseum, Washington, DC

Ok, eu sempre soube disso, mas quanta gente não discorda? Talvez por não conhecerem ainda o National Museum of American History, do Smithsonian Institute (1400 Constitution Ave NW; entrada gratuita). E antes que me digam “Ai, que saco, História Americana…” pensem nos sapatinhos da Dorothy. No chapéu do Michael Jackson. Na roupa da Mulher-Gato. No Caco, dos Muppets. Na cozinha de Julia Child. Nos vestidos das primeiras-damas (maior concentração feminina jamais vista em uma ala de museu, diga-se de passagem). Logicamente, muito da história política dos Estados Unidos tem espaço de destaque por lá, mas por vezes contada de maneira inusitada (com pôsteres de campanhas eleitorais, charges, um jogo de tabuleiro dos Kennedy, o saxofone do Bill Clinton…). Falando em contar histórias, outro museu incrível é o Newseum (555 Pennsylvania Avenue NW;  ingressos a USD 24,95), que mostra a história do jornalismo de forma super interativa e um tanto quanto nua e crua. A seção de fotos vencedoras do Prêmio Pulitzer é verdadeiramente emocionante. Na ala dedicada ao 11 de setembro, as capas de 127 jornais de todo o mundo na manhã seguinte à tragédia, e um pedaço da antena que ficava no alto da Torre Norte. No terceiro andar, uma homenagem a mais de 2 mil jornalistas mortos enquanto trabalhavam, com menção a Tim Lopes e outros profissionais brasileiros.

9 – Provar diferentes sabores

Quem faz bate-volta a Washington não tem tempo de almoçar com calma, e janta batatinha frita dentro do ônibus. Já quem fica na cidade por mais tempo pode escolher entre experiências gastronômicas de qualquer estilo, preço e nacionalidade. O jantar no asiático Zentan (1155 14th Street NW) ficará para a história sob o capítulo “O dia em que suspirei por uma salada”. Obrigada, Susur Lee, por inventar essa loucurinha de Singapore Slaw com 19 ingredientes. Muito, muito obrigada.

10 – Visitar cidades e estados vizinhos

Annapolis a pé

Adicione alguns dias ao seu roteiro por Washington DC para conhecer a pitoresca Annapolis, em Maryland, e para fazer um giro pela Virginia, incluindo Richmond e Old Town Alexandria.

O Comandante Ricardo Freire pede para acresentar um 11º motivo:

11 – Não passar entre 6 e 8 horas e meia na estrada num mesmo dia

“De trem a viagem entre Nova York e Washington leva, nos trens de alta velocidade, 2h50 em cada sentido. De ônibus você leva pelo menos 4h15 para ir e outro tanto para voltar. Quer um bate-volta menos cansativo e mais proveitoso? Passe o dia na Filadélfia!” (Riq)

Leia mais:

Passagens mais baratas para Washington DC no nosso parceiro Kayak

Encontre seu hotel no Booking

Faça seu Seguro Viagem na Allianz Travel

Aluguel de carro em Washington na Rentcars em até 12 vezes e sem IOF

Passeios e excursões em Washington com a Viator

235 comentários

Boa noite,
Gostaria de tirar uma dúvida: vale mais a pena ir para Washington de trm ou ônibus?
Viajaremo em maio/2020.
Obrigada pela atencao

    Olá, Juliane! O trem é mais confortável e civilizado. O ônibus é mais econômico.

Viajo a Washington em 1 semana. Ainda preciso adquirir 2.500 dólares e o câmbio está enlouquecido. Pensei em levar euros – que já tenho – e trocar lá por dólares. Consideram uma má idéia ? Indicam alguma casa de câmbio?
Muito grata por qualquer dica!

    Olá, Simone! Comprar euros seria uma má idéia, mas se você já tem os euros, pode levar. Troque numa Travelex fora do aeroporto, de preferência no centro da cidade.

Atenção: Os comentários são moderados. Relatos e opiniões serão publicados se aprovados. Perguntas serão selecionadas para publicação e resposta. Entenda os critérios clicando aqui.