Em Atins, reencontrando a Luzia (e o camarão mais gostoso do mundo)

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Ricardo Freire
por Ricardo Freire

post11-sup2016

Atins

Praia do Atins

Oito anos se passaram desde que vim aos Lençóis Maranhenses. Muita coisa mudou. O que mudou menos foi Santo Amaro: com exceção do calçamento do miolinho da vila, tudo está mais ou menos do mesmo jeito que encontrei em 2005. Barreirinhas está mais bem-apessoada: a beira-rio ganhou um deck civilizadinho, o centro da cidade está limpo e o turismo, muito organizado; a cidade parece mais próspera do que há oito anos.

Atins

Atins

Atins

AtinsAtkns

Atins

As mudanças mais interessantes, a meu ver, aconteceram em Atins. Visualmente, o lugarejo mudou muito pouco. Mas da minha última viagem para cá, Atins pegou a rebarba da rebarba da onda do kitesurf dessa costa norte do Nordeste. O kite é a melhor coisa que pode acontecer a um vilarejo de praia. Junto com as pranchas a vela aparecem pousadas charmosas e restaurantes de gringos, de olho em turistas que permanecem mais tempo do que nós outros, os sem-vela, que ficamos no pula-pula do pinga-pinga e mal paramos quietos.

Atins

Pousada CajueiroPousada Maresia

Pousada Cajueiro Atins / Pousada Maresia

Venha na temporada das lagoas cheias (julho e agosto) e você também terá motivos para ficar mais tempo. Há lagoas a 40 minutos de caminhada (não é preciso gastar os tubos com jipe), a praia é deliciosa (mas você vai precisar levar água e víveres, porque não tem serviço de bordo) e as pousadas oferecem mais charme e conforto do que as de Santo Amaro.

Atins

Urucum

No meu segundo dia na cidade, marquei um passeio de jipe até uma lagoa que ainda estivesse bonita (ainda tem duas: a da Capivara e a Tropical), com pit stop na volta no Restaurante da Luzia.

Eu tinha escrito sobre a Luzia na Época, em 2005 (leia aqui). Desde então ela já tinha me mandado vários recados pelos leitores. Depois daquela crônica, a Luzia voltou a constar do Guia 4 Rodas (de onde nunca devia ter saído). A última visita de celebridade que se abalou até lá por minha causa foi a da nossa presidenta Silvia Oliveira, que relatou tudo aqui.

Eu tava nervoso. Será que a Luzia ia me reconhecer? Eu não avisei nada ao Del, da Pousada Cajueiro, que guiaria o passeio. Só disse que fazia questão de ir na Luzia -- e não no irmão, que abriu um restaurante ao lado, pilotado pela cunhada da Luzia, que se desentendeu com ela e levou a receita. "Ah, mas eu levo sempre na Luzia mesmo", me garantiu o Del. Ah, bom.

Restaurante da LuziaRestaurante da Luzia

Restaurante da Luzia

Passamos no restaurante (que agora se escreve com "u" mesmo; em 2005 era restalrante com "l") e entramos pra encomendar. Apareceu a Luzia. Eu perguntei: "Lembra de mim?"

E ela:

- Ricardo?

E me abraçou forte. Ô, Luzia!

O restaurante cresceu e agora tem também três quartos, que recebem andarilhos que vão cruzar o parque dos Lençóis a pé, com guia. O cardápio também se alongou; o meu camarão da Luzia é o "camarão grelhado da casa". Em 2013, custava 25 reais a porção para uma pessoa, com arroz, feijão de corda e salada de tomate. Continua barato, gente. A fama não subiu à cabeça da Luzia.

Conversamos um pouquinho sobre a vida, ela disse que eu não envelheci nada (mentira, Luzia! Tô acabadão; você é que continua igualzinha), mas já estava na hora de eu seguir até as dunas, senão perdia o passeio.

Como foi o passeio? Foi assim:

Atins

Lagoa da Capivara, Atins

Lagoa da Capivara, Atins

Lagoa da Capivara, Atins

A caminho da Lagoa da Capivara, Atins

mrgreen

Na volta, nada de Luzia no salão. O entardecer virou o horário nobre do restaurante: os jipes voltam do pôr do sol trazendo os clientes que encomendaram camarão na ida.

Camarão da Luzia

Cinco minutos depois de sentado, aparece a iguaria: uma porção supercaprichada (com duas ou três vezes a quantidade normal...) do melhor camarão que já provei.

Camarões da Luzia

E quer saber? Continuam tão deliciosos quanto eu me lembrava. Tenros, mas sem perder a consistência. e com um tempero delicioso (e secreto).

A grelha

Já estava saindo quando lembrei que não tinha tirado uma foto com a Luzia. Fui atrás dela na cozinha, e ela estava aperreada com vários pratos saindo ao mesmo tempo. Não queria tirar foto daquele jeito -- então foi soltar e molhar os cabelos.

Luzia e eu

Na saída, trocamos beijinhos. E ela me fez prometer que não ia demorar tanto tempo pra voltar de novo.

Leia mais:

 post11-rod2016-03

39 comentários

Liliana
LilianaPermalinkResponder

Quando estive lá este ano, em abril, eu disse que estava lá porque havia lido que este era o melhor camarão do mundo. Ela disse na hora: você leu a matéria do Ricardo Freire, né? Acho que a sua matéria foi um divisor de águas no restaurante dela. E se o camarão foi o melhor que já provei, igualmente inesquecível foi seu pirão de camarão que ela me deu a honra de passar a receita, tenho tudo gravado num vídeo!

Ludmila
LudmilaPermalinkResponder

Liliana, eu vou agora em abril... as lagoas estavam cheias quando você foi?

Mirella (@mikix10)

Que delícia de posts Riq, é como se tivesse ido lá na Luiza e no Lençois com você.
Eu cheguei pertinho daí em setembro, mas o delta do parnaíba foi minha parada final... os lençois ficou pra outra oportunidade.
bjin e conta mais dessa viagem smile

Arthur / agoravaimesmo.com

Êêêêê!!!! Supermomento da expedição pé-na-areia de 2005, devidamente relembrado, revisto e recordado!

Carla
CarlaPermalinkResponder

Também fui teletransportada agora para a Expedição Pé-na-Areia... Caramba, que milhagem acumulada essa nossa aqui no VnV! wink

Zé Maria
Zé MariaPermalinkResponder

Que saudade deste tipo de postagem... escrita com o coração wink

Ana Claudia
Ana ClaudiaPermalinkResponder

Eu tambem matei a saudade... escrito com o coracao.

Helenice Figueiredo

Riq,

Você sempre nos encantando com seus relatos. Você é demais! Beijos.

Filipe Archer
Filipe ArcherPermalinkResponder

Foi esse tipo de post que tornou o Vnv o que é. Abraços e boa viagem.

Oscar | MauOscar.com

Que post bacana Riq!!

Cristina
CristinaPermalinkResponder

Perfeito, comandante, eu já estava sentindo falta da foto com a Luzia. Que droga que eu sou alérgica a camarão por que esses estão lindos...

Heidi Rosi Sardá

Olá Ricardo!! Fiz a experiencia nos dois restaurantes, da Luzia e do Antonio, fiquei hospedada nos quartos que a Luzia disponibiliza junto ao restaurante. Jantamos lá e experimentamos o famoso camarão. O atendimento da Luzia foi frio e totalmente impessoal, tentamos negociar um transfer para Atins com eles e eles nos pediram R$200,00 para fazer; com muita má vontade por sinal. No dia seguinte após o passeio nas lagoas, fomos almoçar no restaurante do Antonio que estava lotado, fomos atendidos maravilhosamente bem pela Dna Magnólia, o camarão lá foi mil vezes melhor, maiores e uma porção bem mais generosa, e conversando com ela que gostaríamos de ir para Atins, ela prontamente nos apresentou o dono de uma pousada em Atins que fez o transfer de graça para a pousada dele, pousada Irmão, muito boa que eu recomendo.

Vanessa Dias
Vanessa DiasPermalinkResponder

Heidi,
Minha experiência na Luzia tb não foi das melhores, ela não foi nada simpática.

Lili-CE
Lili-CEPermalinkResponder

Lindo post. Fiquei com os olhos cheios d'água e morrendo de vontade de conhecer a Luzia.

Maryanne
MaryannePermalinkResponder

Que história legal. Se eu fiquei emocionada, imagine a Luzia.

Marcia Palhares

Concordo com a Helenice. O Riq tem um jeito de escrever que encanta mesmo!! Parabéns!

Flavia (@ladyrasta)

Ai que saudades dessa viagem que fiz praí, quando lordrastajr era pequenininho... Tô aqui com lágrimas nos olhos. E Atins é uma gracinha, muito mais legal que Caboré, sempre me arrependi de não ter ficado lá...

Adri Lima
Adri LimaPermalinkResponder

Adorei o relato, Riq! Que delícia esses reencontros!

Rosana Freitas

Foi ótimo rever este paraíso! Em junho do ano passado me hospedei em Atins na Pousada Rancho do Buna. Fiquei encantada com a pousada e com a natureza de Atins!! A praia é uma delícia, super tranquila, e dá pra ver o encontro do rio Preguiças com o mar. Fui ao restaurante do Antônio (irmão da Luzia) e adorei o camarão dele tb!! Como no ano passado não tinha chovido mto por lá, só conseguimos encontrar a lagoa do Mário com água, mas mesmo assim valeu mto a pena fazer o passeio de jipe. Pra quem tem disposição para caminhar, recomendo fazer a travessia de Atins até Santo Amaro: os guias locais levam os turistas até as comunidades que vivem no meio dos Lençóis para pernoitar e saem bem cedo para continuar a caminhada, passando por dunas e lagoas.

Fábio Pastorello - Viagens Cinematográficas

Que legal, adorei ficar em Atins, por essa possibilidade de ir caminhando até as lagoas. Ou até escolher a praia. Isso sem falar nos camarões da Luzia. Show! Legal recordar aqui pelo VnV.

Carmem
CarmemPermalinkResponder

Nossa, Riq! Se o relato já nos faz chorar de emoção, imagino o encontro.
A vida vale por esses momentos, não é?
Ana e eu experimentamos o camarão da Luzia antes de 2005 e amamos. Bom saber que a Luzia segue oferecendo essa delícia a quem chega até o seu restaurante.

Viajante Oficial

O texto do RF como sempre é primoroso, mas. . .

Conheço bem essas "praias desertas": TÔ FORA.
"RestaLrantes" com menu "africano" e onde
quem conhece a cozinha sai correndo.
Pousadas e/ou hoteis sem a menor estrutura.
Onde Sol, sol e mais sol é o único atrativo.
Longe da civilização e dos bons costumes.
Eu adorava quando tinha 20 anos e uma mochila nas costas.

Marilia Boos Gomes

Saímos de Barreirinhas e fomos até Atins em cinco quadriciclos, capitaneados por jovens guias da Tropical Adventure (excelente).
Ida e volta somaram 4 horas, serpenteando pelas dunas em um balet único e emocionante.
Destino: o restaurante da Luzia, cujo camarão decepcionou. Muito!Para começar, chegou frio à mesa.
O passeio valeu pelo percurso deslumbrante. Cordial abraço.

Eneida
EneidaPermalinkResponder

Oi Riq,

Concordo com os "colegas" acima. Post delicioso que nos faz lembrar porque embarcamos na sua viagem e voltamos sempre e sempre ao VnV.

Os posts utilidade pública são necessários, mas estes que vêm do coração são um refresco para a alma!

Marcio DF
Marcio DFPermalinkResponder

Oi comandante.
Eu li sua crônica de 2005 e em 2012 estive em Atins. Claro comi o camarão da Luzia. Não existia o restaurante da cunhada. É assim, tudo evolui, modifica, vezes para melhor, vezes para pior. Há lugares que se vai e não se volta. Também há lugares onde é preciso voltar antes de morrer para comprovar que encanto, beleza, lindeza, não é coisa apenas da imaginação, como: São Petersburg, Veneza, Moscou, Barcelona, Londres, Buenos Aires, Valparaizo, Quito, Rio, Salvador, Maceió, Amsterdan, Floripa, Madrid, Florença, Porto, Paris, Parintins, Bonito, Buenos Aires, Parintins, Machu Picchu, Cuzco, Lisboa, Santiago, Roma, Nova York e Atins.

Alex Melo
Alex MeloPermalinkResponder

Faz tempo que não ficava emocionado com uma história aqui no VnV.
Que delícia de história, do início a fim!

Cleide
CleidePermalinkResponder

Olá!! passei por esse paraíso em agosto e tive o prazer de experimentar o camarão da Luzia que, na barraca do Antonio e da Magnólia, é muuuuuito melhor......e o atendimento e simpatia então, sem comparação!!!!

Josimara
JosimaraPermalinkResponder

Oi Ricardo,

Assim como você vivi momentos incríveis nos lençóis maranhenses e em Atins!! Fiz belíssimas fotos!!! Curtam lá no blog :

http://100dimensoes.blogspot.com.br/2013/11/lencois-maranhenses-deserto-de-areia.html
abs
Josi Brignol

Eduardo
EduardoPermalinkResponder

Olá! Parece que em Atins o Ricardo ficou hospedado na Pousada Cajueiro. É uma boa pousada? Ele recomenda?

Obrigado.

A Bóia
A BóiaPermalinkResponder

Olá, Eduardo! É uma ótima pousada, ele gostou muito. A Maresia também lhe pareceu bacana. O Rancho do Buna é a mais tradicional da região e é muito bem recomendada.

Naomi
NaomiPermalinkResponder

fui em 07/2011 (relato: http://nancinaomi.net63.net/ma.html#lm)

fiquei no Rancho do Buna que é bom, mas surreal.
Simples, inusitada, num estilo rústico chique (?), acho que é do jeito que estrangeiro gosta. Com direito a ducha fria e ventilador de mesa, nada de frigobar, TV ou AC. Depois de dormir com toda aquela rusticidade e ser acordado de madrugada com uma sinfonia de galos, gansos e outros animais cantando em plena madrugada, um café da manhã com direito a tapiocas maravilhosas (uma salgada com queijo, tomate e manjericão e uma doce com mel e tahine, as melhores que já provei na vida) e chá inglês importado dos mais variados tipos (nunca vi tanta variedade, nem nos supermercados dos EUA). Surreal! Foi uma experiência inesquecível, bom para conhecer e passar alguns dias.

Patricia Gontijo

Ricardo, não sei se você conhece , mas não vi nenhuma recomendação quanto ao restaurante Céu Aberto em Atins. Se ainda não conhece está perdendo. Comida de excelente qualidade , ambiente bem decorado ( considerando o esquema do MA) e o atendimento impecável. Como éramos sete achamos que a indicação de torta de caranguejo e macarrão com mariscos seria pouco acrescentamos por nossa conta uma muqueca de raia. Todos nós comemos muito bem ( em todos os sentidos rsrs) e ainda sobrou. Nem precisaria comentar do preço , pois foi muito barato (R$34,00 por pessoa com bebidas e café ) mas o que mais me surpreendeu foi o tempero.

MÁRLON ALIBERTI

DECEPÇÃO NO CANTO DE ATINS!
Guiado pelo viagemnaviagem que sempre me leva para experiências maravilhosas, dessa vez não tive a mesma sorte... Estava em Barreirinhas (visitando Lençóis) e convenci três amigos a ir até Atins para conhecermos o "famoso" Camarão da Luzia. Contratamos um barco para viagem de 90min. Ao chegar no restaurante, que fica a 15min de onde o barco ancora, fomos mal recebidos pela Luzia. Ela não fez nenhuma questão de nos atender bem, o restaurante estava vazio. O lugar tinha tudo para ser o máximo (afastado, natureza linda e uma comida que já foi notícias em vários meios de comunicação). Mesmo assim, a sensação foi de decepção pela falta de hospitalidade da proprietária. A comida não é boa quanto haviam nos falado. Para terminar, fomos informados que nosso guia não poderia nos buscar lá e que teríamos que nos virar para voltar para o barco. A única saída foi contratar um novo carro 4x4 do próprio restaurante (R$100,00) para nos levar. E mais uma vez a Luzia só fez nos assustar sem dar nenhum apoio em um lugar que era totalmente novo e de difícil acesso para turistas. NÃO VALE A AVENTURA!

Wallace Andrade

O Canto de Atins continua com a mesma magia! Estivemos lá em Junho de 2015 e almoçamos no Antônio. Optamos por comer no Antônio, pois é o único que oferece cartão de crédito.

João Bogdan
João BogdanPermalinkResponder

Os Lençóis são emocionantes pela beleza incomum.
Quanto aos camarões, tanto da Luzia, quanto do Antônio, nada tem de especial. Pela fama de que são precedidos, na verdade são uma decepção.
É puro marketing e badalação exagerada.

A Bóia
A BóiaPermalinkResponder

Realmente.... camarões na grelha... grelhados no ponto exato para continuarem tenros mas descolar da casca... depois de serem marinados numa marinada que só tem por lá... é... realmente, são iguais a todos os camarões que você já comeu Brasil afora, certo? Aposto que o Ricardo Freire ganha rios de dinheiro fazendo marketing para a Luzia! Será que ela manda dinheiro direto para a Suíça?

val
valPermalinkResponder

ai que fomeeee!!!!

Ligia Vial
Ligia VialPermalinkResponder

Olá,

Gostaria de saber se consideram Atins um bom destino também para curtir praia. A maioria dos posts que li relatam sobre as lagoas que obviamente iremos conhecer, mas falam pouco sobre a praia em si. É bonita? Vale a pena ficar uns 6 dias só aproveitando a praia? Depois de conhecer os lençóis por Santo Amaro e Atins queríamos aproveitar uns dias de mar e estou achando Barra Grande um pouco distante pelo tempo que temos, a não ser que a praia seja bem mais linda que Atins. Muito obrigada!

A Bóia
A BóiaPermalinkResponder

Olá, Ligia! A praia em Atins proporciona um bom fim de viagem pelos Lençóis, a praia é um atrativo, mas o lugar não chega a ser um balneário. O kite é o motivo para estender a temporada por lá. Barra Grande, apesar de também ser point de kitesurfistas, é mais adequada para quem não veleja.

http://www.viajenaviagem.com/o-que-fazer-lencois-maranhenses

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