Pulando de carnaval em carnaval

Ricardo Freire
por Ricardo Freire

Das matérias que eu escrevi no tempo em que eu era o Turista Profissional da VIP, esta é uma das minhas favoritas. Foi feita no carnaval de 1999, quando eu ainda usava cabelos. Estou louco para refazer o circuito, incluindo o que não deu para fazer -- a Noite dos Tambores Silenciosos, no Recife, a saída de algum bloco afro, em Salvador. Sexta em São Paulo também seria uma possibilidade. E uma tarde em Floripa, quem sabe...

Infelizmente as melhores fotos (incluindo todas as do alto do trio da Banda Eva) foram para a revista e, se voltaram (são A.D., antes das digitais), não sei onde botei. Mas acho que dá para passar o clima.

Ziriguidum pra você também!

[E só para esclarecer: eu apareço segurando duas latinhas de cerveja em váááárias fotos não significa uma inclinação gourmet por cerveja quente, não; é a cerveja do fotógrafo, o meu amigo Nick, que eu estou segurando...]

É possível estar em três lugares ao mesmo tempo? Desafiando uma lei elementar tanto da física quanto da educação física, este ano decidi realizar minha mais antiga fantasia de folião -- ir ao Rio, a Salvador e ao Recife num mesmo carnaval. A idéia era comparar os três maiores carnavais do Brasil da maneira mais objetiva que existe: fazendo um test-drive do modelo 99 de cada um deles. Qual a diferença entre desfilar no Sambódromo, subir as ladeiras de Olinda e tirar o pé do chão na Praça Castro Alves? Em quatro dias eu saberia o que uma pessoa em pleno uso de seu juízo levaria pelo menos três anos para descobrir.

Para revestir a pesquisa de algum rigor metodológico, segui o exemplo da Liga das Escolas de Samba e elaborei minha própria lista de quesitos. Em cada um dos carnavais eu teria que avaliar, se possível num estágio semelhante de sobriedade: 1. a animação (de uma a cinco estrelas na escala Ziriguidum); 2. o espaço (para o folião brincar); 3. o tempo pulado (porcentagem do tempo em que você efetivamente chacoalha o esqueleto); 4. a azaração (possibilidade de se dar bem); 5. o custo (para entrar no carnaval -- sem contar passagem nem hotel); 6. a velocidade etílica (quantas l/h -- latinhas por hora?).

Isto feito, o passo seguinte foi montar a ordem dos desfiles -- que, apesar de geograficamente incorreta, é a que fazia mais sentido carnavalesco:
• sábado de manhã no Recife, para o Galo da Madrugada;
• sábado ao anoitecer em Olinda;
• domingo no Rio, para assistir ao desfile e sair numa escola;
• segunda e terça em Salvador (o único carnaval que eu ainda não conhecia).

Antes de qualquer coisa, preciso advertir o leitor que, para cumprir esse roteiro, o sujeito não pode ser bom da cabeça -- e, depois de emendar frevo, samba e trio elétrico, fatalmente acaba doente do pé. Nada, porém, que não se resolva com um bom estoque de guaraná em pó, Neosaldina, Engov, Merthiolate e Band-Aid.

Sexta-feira: São Paulo-Recife

Amanheço no aeroporto, pronto para iniciar minha excursão pinga-pinga ao país do carnaval. Abro os jornais e levo um choque -- Rafael Greca teve a mesma idéia que eu! O portentoso ministro do Turismo faria concorrência a Momo nos três carnavais aonde eu ia, e em mais um: Florianópolis. Mas as semelhanças acabavam aí. Enquanto a folia itinerante do ministro se resumiria a um entra-e-sai de jatinhos, carros oficiais e palanques chapa-branca, meu carnaval peripatético tinha se tornado uma operação de guerra, envolvendo amigos, colegas de trabalho, a iniciativa privada e o submundo da contravenção em três Estados diferentes.

No Recife, dona Elenita, mãe de meu amigo Paulo André, já deveria estar às voltas com o sururu e a dobradinha que restaurariam minhas forças no dia seguinte, na volta do Galo da Madrugada. No Rio, um motoboy iria até a Tijuca apanhar a fantasia do Salgueiro que eu comprei pela Internet e que deveria ser deixada em Botafogo, nos escritórios da Conspiração Filmes -- onde ela ficaria esperando por mim até uma reunião de trabalho providencialmente marcada para o domingo de carnaval. Em Salvador, se tudo estivesse nos conformes, Reginaldo, o cambista de mortalhas que uma amiga baiana me arranjou na última hora, viajaria até Itapoã e entregaria meu abadá do bloco Beijo nas mãos de Beth Nunes, gerente do Sofitel (que tinha se comprometido por fax a guardar a muamba a sete chaves até a minha chegada, na segunda-feira). Ainda na Bahia, uma colega tentava agitar um convite para o camarote de Daniela Mercury,  enquanto outro amigo batalhava para que eu desfilasse em cima do trio da Banda Eva, no dia da despedida de Ivete Sangalo. De garantido, na verdade, só mesmo o ingresso para a mesa de pista do Sambódromo, também comprado pela Internet, e que tinha chegado dois dias antes por Sedex.

Eu sei como você se sente: eu também estava exausto só de pensar.

Eram 11 da manhã em São Paulo (10h no Recife) quando pedi minha primeira cerveja de carnaval à aeromoça da TAM. O carrinho ainda estava arrumado com as térmicas e os sucos do café da manhã, e outra comissária precisou ser destacada para ir lá dentro catar uma latinha. Constrangido, tive vontade de explicar que no dia seguinte, a essa hora, eu já estaria frevando no Galo, e por isso precisava adiantar o fuso horário do meu organismo para a metabolização de fermentados -- mas se nem você, que está acompanhando os propósitos estritamente científicos desta empreitada, acreditou nisso, imagine ela.

Cheguei ao Recife (pronuncia-se Ricífi) a tempo de uma caminhada na areia fofa da praia, preparando as pernas para a maratona dos próximos dias. Nas barracas perto dos hotéis, aqui e ali, alemães avulsos, totalmente alheios ao carnaval, tomavam sol ao lado de garotas praticantes de uma modalidade extremamente íntima de turismo receptivo. À noite, umTaxista de Cristo me levou, com o rádio devidamente sintonizado numa AM evangélica, ao pré-carnavalesco de Boa Viagem. Ganhei uma filipeta de ensinamentos bíblicos ao desembarcar, e talvez por isso tenha alcançado a Iluminação duas quadras adiante, ao ler, numa plaquinha vermelha de madeira, uma inscrição de extraordinário conteúdo metafísico -- CERVEJA: 3 É 2.

Sábado de manhã: Recife

Tradicionalmente, o Galo da Madrugada é o primeiro grande evento do carnaval brasileiro. Por mais que alguns lugares (incluindo o próprio Recife) tentem antecipar o início dos trabalhos, o certo é que o país só entra em estado de carnaval depois que assiste na TV à mesma tomada aérea de sempre: o centro da cidade invadido por mais de um milhão de pessoas, e uma voz familiar ao fundo dizendo "Francisco José, do Recife, para o Jornal Hoje".

O que aquela gente toda está fazendo nesse formigueiro? Pulando carnaval? Não: entrando no Guinness. Todos os anos, a população inteira do Recife comparece pessoalmente e ainda leva os vizinhos, com o objetivo expresso de quebrar o recorde de público do Galo anterior. "O maior bloco de carnaval do mundo", proclamam os jornais. Com efeito: o domingo e a segunda-feira são do Rio, terça só dá Salvador, e mesmo nos outros dias as estrelas do carnaval pernambucano são os bonecos de Olinda -- mas no sábado quem reina é o Recife.

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Se alguém pedir minha opinião, no entanto, vou dizer que a graça de sair no Galo não está em ajudar a engordar as estatísticas. O genial do Galo da Madrugada é fazer você acordar cedo para pular carnaval. Tomar café pensando em carnaval. Ver gente fantasiada na rua às oito da manhã. Encontrar sua turma às 8 e meia. E, o mais imprescindível de tudo: chegar antes das 10 e pegar o comecinho do desfile.

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Quem pega o Galo no início, ainda no bairro de São José -- muito antes de haver quórum que justifique um boletim ao vivo do helicóptero da Globo -- encontra o bem mais raro do carnaval: espaço para pular. Como eu vim a descobrir nesses quatro dias, pular carnaval no Brasil é muito parecido com ser empurrado para dentro de um vagão do metrô de Tóquio na hora do rush. Mas o começo do Galo é uma exceção: você ainda tem seu espaçozinho para brincar, e mesmo para tentar aprender um ou outro passo do frevo. (Acredite: a três Schincariol por R$ 2, até você consegue frevar.)

Lá pelo meio-dia, quando a sua seção do Galo entra na rua da Concórdia, ocorre um fenômeno curioso: o seu protetor solar perde o efeito, desponta a primeira bolha dentro do seu All Star, e você tem a nítida sensação de que o desodorante de todo mundo à sua volta venceu. Daí você tenta enxugar o suor de uma sobrancelha, e só então percebe que sua mão direita está imobilizada ao redor de uma latinha que não contém mais cerveja, mas que serve de amortecedor entre o seu peito e as costas de uma camiseta amarela onde se lê a palavra ROMÁRIO. Nesse momento você desconfia que chegou a hora de desistir de entrar no Guinness e resolve ir pegar uma praia, porque o carnaval é uma criança e à tarde ainda tem Olinda.

Sábado ao entardecer: Olinda

Com as forças restabelecidas pelo caldinho de sururu, pela dobradinha, pela carne-de-sol, pela macaxeira e pelo jerimum de dona Elenita, e com o pé devidamente acolchoado por Band-Aids, lá fui eu para a segunda estação da minha via sacra carnavalesca.

Olinda (pronuncia-se Oh!linda) é o cenário mais bonito que alguém já mandou construir para um baile de carnaval. As casinhas coloridas já vêm fantasiadas (de Brasil Colonial), e os moradores -- uma mistura de gente simples, artistas e malucos-beleza -- são foliões naturais. Junte-se a isso as orquestrinhas de frevo que sobem e descem as ladeiras carregando tubas, trombones e clarins, e você tem o carnaval mais encantador do país.

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Nas ruelas de Olinda são amplificadas todas as qualidades do carnaval de Pernambuco: a espontaneidade, a democracia, o amadorismo -- a zona, mesmo. É o último carnaval "de esquerda", em que ninguém paga nada para entrar, e onde você passa a maior parte do tempo a salvo de patrocínios e merchandisings. As pessoas ainda se fantasiam, muitas em blocos de três (os hits deste ano: DDDs e Tiazinhas). As meninas bonitas do Recife vêm "brincar" à tarde, e os turistas são definitivamente mais "cabeça" e menos "maurícios" do que os que vão a Salvador.

Para quem quer frevar no pé -- ou, como se diz aqui, fazer o passo -- a dica é a mesma do Galo: descobrir os blocos no início de seus desfiles, longe dos focos de aglomeração. Só assim você vai conseguir chegar perto dos metais e sentir o efeito de ouvir "Vassourinhas" em seu habitat natural. (Depois que o seu bloco passa por lugares movimentados, como o entroncamento dos Quatro Cantos, você acaba se distanciando da orquestra, não ouvindo mais nada e tendo que usar sua latinha como amortecedor entre o seu peito e as costas de uma camiseta qualquer com dizeres tipo ACESSÓRIOS PARA CELULAR.) Até o final do carnaval você vai ter aprendido a cantar o hino do Elefante (oh!linda/quero cantar/a ti/esta canção), que é de arrepiar, e a reconhecer o refrão dos metais de mais quatro ou cinco frevos de antologia.

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Entre a passagem de um bloco e outro, a coisa se acalma, e você fica livre para zanzar pelas ruelinhas, paquerar, ou ficar bebendo cerveja em frente aos botecos, ao som dos últimos sucessos da música baiana. MÚSICA BAIANA? Não, você não entendeu mal. Toda música mecânica que se ouve nos alto-falantes dos botecos de Olinda vem da Bahia: dê-lhe Timbalada, Netinho, Ara Ketu, Banda Eva. Os fundamentalistas costumam espumar contra esta "invasão estrangeira", mas mesmo na folia esquerdista de Olinda o mercado acaba prevalecendo. Sem consumidores suficientes para justificar o investimento da indústria fonográfica (ao contrário do que acontece com o forró e o mangue-beat, seus conterrâneos), o frevo é uma música ameaçada de extinção. Isso confere tons ecológicos ao carnaval pernambucano: sair atrás de uma orquestra de metais em Olinda é como ir ver tartarugas marinhas em Fernando de Noronha.

A diferença é que Noronha limita o número de visitantes, e Olinda está a cada ano mais lotada. Para não me acusarem de contribuir para piorar a situação, encerro meu relato pernambucano fazendo propaganda do novo carnaval que vem se realizando nos bairros restaurados do Recife Antigo -- não tive tempo de conferir, mas pelo que dizem é (quase) tão charmoso quanto a festa em Olinda.

Domingo: Rio de Janeiro

Além de ser um dos melhores lugares para se passar o carnaval, o Rio (pronuncia-se Ríiiu) é também, disparado, o melhor lugar para quem quer fugir completamente da folia. Primeiro, porque a população debanda -- o que torna o Rio o único ponto de toda a costa brasileira que fica mais vazio entre o sábado de Zé Pereira e a quarta-feira de cinzas do que no resto do ano. Depois, porque enquanto no Recife ou em Salvador o carnaval persegue você dia e noite por toda parte, no Rio a festa tem local e horário definidos. Participar dela é uma decisão de foro íntimo, que depende inteiramente da sua iniciativa pessoal. Tanto assim, que chegar ao Rio em pleno domingo de carnaval é como chegar ao Rio em plena Bienal do Livro: você só fica sabendo do evento se abrir os jornais ou ligar a TV.

Graças a um atraso de duas horas e meia da Transbrasil, meu tempo em terra firme estava tão cronometrado quanto desfile de escola de samba. De cara, tive apenas 45 minutos para torturar os vizinhos de meu amigo Romildo (que me deixou as chaves de seu apartamento no Leblon) com a execução ininterrupta do samba-enredo do Salgueiro, faixa 7 do CD das escolas do grupo especial. Felizmente, deu para decorar o refrão -- tanto eu quanto os vizinhos: "tem jangada no mar/mareia, meu amor/mareia...". De lá saí atrasado para a Conspiração Filmes, em Botafogo, onde eu teria uma rápida reunião de trabalho (nas horas não-vagas eu sou publicitário) e pegaria minha fantasia, que eles gentilmente tinham mandado buscar na sede da ala Vai Sacudir, na Tijuca. Até então, tratava-se de uma fantasia virtual: eu tinha escolhido pela Internet, pago com DOC via home-banking e combinado os detalhes de entrega por e-mail. E agora ela estava ali, materializada do jeitinho que eu tinha visto no site (eu escolhi a fantasia que tinha menos plumas). Tudo muito asséptico, organizado, cibernético.

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Sinal dos tempos. A primeira vez que desfilei, em 1994, pela Imperatriz Leopoldinense, o processo ainda era todo analógico. Tive o privilégio de conseguir sair numa ala cuja dona era ninguém menos que a porta-bandeira Maria Helena, a grande estrela da escola e um dos mitos do carnaval carioca. Como a entrega atrasou, tivemos que ir em bando até a favela do Buraco Quente, no dia do desfile, buscar as fantasias onde elas estavam sendo confeccionadas: no próprio barraco da Maria Helena (algo como você ser figurante em "Central do Brasil" e ir buscar seu figurino na casa da Fernanda Montenegro). Maria Helena estava num mau humor do tamanho de um carro alegórico, tresnoitada por ter desfilado no dia anterior em São Paulo -- e nada indicava que ela se recuperaria até à noite. Enquanto ela implicava com isso ou aquilo, um pequeno exército de parentes e vizinhos aplicava plumas e laminados nas fantasias, empesteando o ar de cola e nos fazendo sair de lá pré-doidões para o desfile. No final, Maria Helena esteve majestosa como sempre e a Imperatriz foi campeã.

Voltando a 1999: coloquei minha fantasia do Salgueiro no porta-malas, deixei o carro alugado num estacionamento mambembe a três quadras do Sambódromo (R$ 5 com portão fechado a chave; uma pechincha, pelos padrões paulistanos), e parti para meu primeiro desfile como espectador. No meio da noite eu sairia para pegar a fantasia no estacionamento, desfilar e ainda voltar à minha mesa no setor 5 para ver o resto do desfile. (Só depois de passar pela borboleta do Sambódromo é que eu notei a turistada deixando suas fantasias numa sala improvisada como guarda-volumes. Ou seja: toda a complexa operação fantasia/porta-malas/carro alugado/estacionamento poderia ter sido evitada.)

Quais as diferenças entre ver da mesa de pista e assistir pela TV? Uma coisa, infelizmente, é igual: a luz. Nas vezes em que desfilei eu nem tinha reparado nisso, mas foi só virar platéia para me dar conta de que era a primeira vez que eu via um mega-show iluminado por luz branca. Aqueles refletores de estádio podem ser ótimos para transmissões de jogo de futebol, mas não servem para iluminar espetáculos da Broadway. Joãozinho Trinta vem reclamando disso há anos, e por conta própria está instalando refletores de show em alguns carros alegóricos. Na verdade, a maior prova do talento dos carnavalescos é o fato de eles conseguirem fazer desfiles deslumbrantes apesar daquela luz de serão no escritório.

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Já o quesito destaques & celebridades fica muito mais interessante ao vivo do que na telinha. Localizar rostos (e corpos) conhecidos no meio do bololô é bem mais divertido do que receber aquelas pessoas prontas e editadas no enquadramento de sempre. A mesma coisa vale para as peladonas: soltas na avenida, em plano geral, elas são muito mais provocantes e transgressoras do que quando aprisionadas nos closes da TV. Não, não é uma vinheta globeleza: é o carnaval no Rio. Mas para mim nada supera a revelação do SOM. Assim, em maiúsculas, mesmo. Depois de uma vida inteira acompanhando o desfile pelos alto-falantes da TV da minha casa, só agora, assistindo na avenida, eu consegui perceber que as baterias tocam de maneira diferente em cada escola. Sim, cada bateria tem seu próprio baticum. Isto é incrível. Estou pasmo até agora.

Quem quer desfilar e depois voltar para o seu lugar precisa deixar que atarrachem uma fita vermelha apertadíssima no seu pulso. A fita é apertadíssima por dois motivos: 1) para você não conseguir passar a pulseira adiante para outra pessoa na avenida; 2) para testar a eficiência do serviço de assistência médica em casos agudos de gangrena.

Saí, fui até o estacionamento mambembe, vesti minha fantasia inteira pela primeira vez. Pois bem. Eu diria que a única vantagem de não ter mais mãe viva é poupar uma senhora distinta de ver fotos que provem que o seu filho um dia já saiu por aí de: legging amarelo; sunga verde-limão; botas de cano alto combinando com a sunga; camiseta verde, amarela e azul com uma estrelona de lantejoulas douradas no peito; um tucano empoleirado nas costas, de onde saem hastes flexíveis com pompons verdes e pompons amarelos; e um escudo azul com estrela dourada para ser empunhado pela mão direita. Muito prazer, Capitão América do Sul.

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Só que esse vem a ser o grande barato do desfile no Rio: fazer você se fantasiar de alguma coisa muito extravagante, e poder botar toda a culpa no carnavalesco da escola. Dali a pouco, na sua ala, você vai encontrar mais 150 na mesma situação constrangedora. Juntos, vocês vão esquecer que estão vestindo algo ridículo e vão cantar alguma coisa que tampouco vai fazer sentido, tipo "tem jangada no mar/mareia, meu amor/mareia". (Mas o melhor é quando você já sai fantasiado de casa. Descer o elevador fantasiado, atravessar o saguão do hotel fantasiado, passar na roleta do metrô fantasiado, encontrar outros componentes com a sua fantasia ainda no vagão -- tudo isso talvez seja mais divertido até do que desfilar.)

Tendo desfilado duas vezes pela Imperatriz, uma escola que sempre ganha o júri mas dificilmente ganha a arquibancada, sair no Salgueiro se revelou uma experiência totalmente diferente: a torcida levanta, canta junto, agita bandeirolas. Ali embaixo, na avenida, você tem 60 minutos para cumprir o seu papel -- mezzo figurante de teatro rebolado, mezzo jogador de futebol em decisão de campeonato. Aproveite. Em nenhum outro grande palco do carnaval brasileiro você vai dispor de tanto espaço por tanto tempo. Enquanto a sua fantasia não começar a se desintegrar, você está livre para pular. A não ser que surja algum problema técnico -- como aconteceu com a minha ala. Em ação, nossa fantasia de Capitão América do Sul se transformou num artefato bélico de alto impacto. Toda vez que alguém empreendia um movimento ousado -- como atravessar a ala de um lado para o outro, fazer uma curva brusca ou ultrapassar um outro componente -- fazia com que os tais pompons verdes e pompons amarelos ligados por hastes flexíveis às asas do tucano virassem verdadeiras boleadeiras de peão. Depois de levar umas três pomponzadas na cara (e distribuir outras tantas), resolvi não fazer de minha fantasia uma arma, e sambei na mesma longitude até o final da avenida.

De volta à mesa de pista, acompanhei as escolas restantes se sucederem uma igual à outra, feito capas de disco do Roberto Carlos. Os gringos das mesas próximas já tinham ido todos embora quando passou a escola que valeria a noite: a Viradouro -- que claramente pertencia a uma outra categoria, quase justificando um ingresso à parte. Quando deixei a Sapucaí, perto das 6 da manhã, eu só pensava em duas coisas. Uma: por que não entregam logo a direção geral desse negócio para o Joãozinho Trinta? A outra: será que eu ia conseguir dar uma cochiladinha antes do vôo para Salvador?

Segunda e terça: Salvador

Bem-vindo ao Woodstock do Faustão.

Enquanto o Recife freva e o Rio desfila, Salvador (pronuncia-se Salvadô) se interna numa espécie de festival de rock, em que o rock se chama axé music. Durante quatro dias, todas, absolutamente todas as caras e bundas famosas da música pop baiana vão se apresentar para as massas, cantando em cima de caminhões. Salvador é a nossa Motown -- uma Detroit que, em vez de fabricar música black e carros, produz música afro e trios elétricos.

Comece esquecendo tudo o que você aprendeu em velhos LPs do Caetano. Hoje em dia, atrás do trio elétrico só não vai quem não comprou seu abadá -- um uniforme que custa entre R$ 300 e R$ 700, e dá direito a furar o cordão de isolamento de um determinado bloco. Quem não tem dinheiro vai de "pipoca": fica plantado na calçada e assiste a um pedacinho do show de cada artista que passa. Não deixa de ser uma modalidade de distribuição de renda: você dá uma grana para a sua banda favorita, e ela se apresenta de graça para todo mundo com preparo físico para passar o dia inteiro imprensado na multidão. Finalmente, um ou dois andares acima da pipoca, em sacadas de apartamentos e camarotes temporários, ficam todos os que preferem assistir a tudo sem temer pelo destino de seus relógios.

Cheguei ao hotel sem ter dormido nada nas últimas 30 horas (acho que exagerei no guaraná em pó). Vesti o abadá -- sim, ele estava lá, me esperando no hotel -- e me mandei para o Campo Grande, onde o meu bloco, o Beijo, já devia estar se armando.

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Salvador tem dois circuitos de desfiles. No centro, entre o Campo Grande e a Praça Castro Alves, desfilam os blocos tradicionais, por ordem de antigüidade. Na praia, entre a Barra e Ondina, desfilam os blocos fundados de dez anos para cá. Cada bloco sai em dois ou três dias diferentes, e tanto os tradicionais quanto os novos sempre contratam grandes bandas. Essas bandas podem ser nomes de projeção nacional -- Timbalada, Daniela Mercury, Olodum, Banda Eva, Chiclete com Banana, Netinho, Ara Ketu, É o Tchan -- ou ser ídolos regionais com reputação de grandes animadores de trio, como Asas de Águia, Ricardo Chaves, Cátia Guimma, Jammil. Na segunda-feira o Beijo sairia com a Banda Beijo -- que tem aquela menina Gil como vocalista (hit: "Peraê"). Nos desfiles de sábado (que eu perdi) e de terça, a atração era o Netinho.

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Acabei chegando cedo demais ao Campo Grande. Meu bloco demorou quatro latinhas, um acarajé e dois queijos de coalho para sair. Fiquei observando os abadás dos outros blocos -- assim como o meu, quase todos pareciam uniforme de time de futebol: uma Holanda aqui, um Bragantino ali. De repente passaram vários meninos com uma camiseta igual, onde se lia nas costas: CORDEIRO. Fiquei intrigado. Quem seria Cordeiro? Um meia-esquerda do Bahia? Um juvenil do Fluminense de Feira que foi vendido ao PSV Eindhoven e já se naturalizou para disputar a Copa Européia pela seleção da Finlândia? Não. "Cordeiro", descobri logo em seguida, é o nome do profissional que segura a corda do bloco e não deixa a pipoca invadir.

E a pipoca, você sabe, é o retrato do povo brasileiro: alegre, festeiro, paciente, pacífico -- numa palavra, a-ter-ro-ri-zan-te.

O Beijo saiu, e minha primeira impressão foi que eu não estava usufruindo de um espaço condizente com os R$ 450 que eu tinha pago pelo abadá. Na minha ingenuidade de neófito, eu imaginava que do lado de dentro do cordão de isolamento o folião poderia se movimentar com mais facilidade do que Zinédine Zidane na área do Brasil. Nananinanina. Em alguns trechos do desfile, a única diferença entre você e a pipoca é o seu abadá. Você é uma pipoca oficial, uma pipoca de uniforme, uma pipoca com crachá. Não que isso incomode os desfilantes. Na verdade, a proximidade física de pessoas do sexo oposto com grana suficiente para estar ali apenas facilita a prática do esporte oficial do carnaval de Salvador: o beijo roubado. A todo momento espocam beijos hollywoodianos entre adolescentes que "ficam" 30 segundos, 45 segundos, um minuto -- e se separam. Mas se você quiser só dançar, fique à vontade. Não importa quem esteja em cima do trio, nas próximas quatro horas você vai poder balançar ao som de todos os hits da música baiana, incluindo os das outras bandas. Os refrões mais fortes são precedidos do comando "SAI DO CHÃO!!!!", e daí é como comemorar um gol. (Ao final do desfile a sensação é que o seu time ganhou de 150 a zero.)

Com tantos blocos saindo em locais e horários conflitantes, você precisa se organizar para aproveitar tudo o que o carnaval de Salvador tem a oferecer. Agora: se você tiver amigos influentes, então não esqueça de trazer agenda e secretária (um helicóptero também não iria mal). Na metade do desfile do Beijo, no centro, eu já estava atrasado para ver a o Crocodilo, o bloco de Daniela Mercury, que passaria na praia. Eu tinha convite para assistir ao Crocodilo do melhor ponto de observação possível: o próprio camarote de Daniela -- onde políticos, socialites, artistas, patrocinadores e candidatos a patrocinadores são mantidos a salvo da fome e da sede por Lícia Fábio. (Lícia é uma espécie de chefe informal do cerimonial da Bahia. Se você só tiver direito a conhecer uma pessoa em Salvador, trate de preencher sua cota com Lícia Fábio.)

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Devo admitir que a primeira vez que me acenaram com o convite eu achei esquisitíssimo. Eu não queria "assistir de camarote": eu queriapular o carnaval. Mas eu ainda não tinha me dado conta de que o carnaval na Bahia é muito mais que uma sessão de aeróbica -- é um festival de música pop. E a melhor maneira de assistir a todos os shows é, sim, em cima de um camarote -- onde, por sinal, você vai estar na mesma altura do artista se apresentando no trio. Acabei perdendo o show de Daniela, mas vi de pertinho as duas Sheilas Perez. E adorei o trio MPB de Margareth Menezes -- com Elza Soares, Edson Cordeiro e Jair Rodrigues de convidados. Fiquei pensando: por que não um trio dos Paralamas? Um trio do Skank? Um trio do Lulu Santos?

E como mordomia pouca é bobagem, no dia seguinte meu amigo Pedro me ligou para dizer que sua namorada Karla tinha conseguido um lugar para mim (e para meu amigo Nick também) em cima do trio da Banda Eva. Era o último desfile de Ivete Sangalo como funcionária, antes de partir para o sonho do trio próprio, o Maderada. Você deve ter visto Ivete chorando na TV. Eu vi ali, em cima do trio. Vi também Ivete olhando e acenando para a pipoca em todas as direções. Vi três adolescentes na janela de um prédio terem uma crise de choro histérico porque Ivete estava olhando para o outro lado da rua quando o trio passou por elas. Vi Ivete parar tudo e dizer: "eu não sou melhor que vocês, não. Eu sou melhor com vocês". Uma gracinha, Ivete Sangalo. E pensar que no ano que vem ela vai fazer sucesso em outro trio -- e a gente muito provavelmente vai babar também por Emanuelle Araújo, sua sucessora no Eva. Vou contar uma coisa para vocês: se o futebol brasileiro tivesse a competência e a vitalidade da indústria do carnaval da Bahia, não só todos os nossos ídolos continuariam jogando aqui, como a Copa do Mundo iria ser sempre no Brasil.

Depois de descer do Eva ainda saí no Beijo (você vai me desculpar, mas eu adoro Netinho), passei no camarote de Daniela Mercury e fui atrás do Crocodilo. Oito quadras mais tarde, quando Daniela cantou "Chuva, suor e cerveja", dei por completa minha experiência baiana e fui pulando até o ponto de táxi.

Quarta-feira: Salvador-São Paulo

Pelo certo eu teria que acordar cedo e sair no Arrastão da Timbalada -- uma invenção de Carlinhos Brown para você poder ir atrás dos trios elétricos sem ter investido num abadá. Mas não deu. Eu já tinha saído no Galo da Madrugada, já tinha saído em Olinda, já tinha saído no Salgueiro, já tinha saído no Beijo, na Banda Eva, no Crocodilo, na TAM, na Transbrasil e na Varig. Agora eu ia sair era na praia e pronto.

 Na volta da praia, arrumando a mala, liguei a TV: estavam passando a apuração do julgamento das escolas no Rio. O Salgueiro caiu fora logo. Como você sabe, ganhou a Imperatriz -- e o símbolo da festa acabou sendo Maria Helena, a porta-bandeira, chorando estrepitosamente para as câmeras. Comparei com o choro de Ivete Sangalo. Lembrei outra vez de 94, quando fui até o barraco da Maria Helena buscar minha fantasia. Fiquei com vontade de repetir o sururu de dona Elenita, no Recife, e de cantar o hino do Elefante de Olinda. Afinal, o que foi mais divertido? O carnaval de esquerda de Pernambuco? O mega-show do Rio, na platéia e no palco? Ou o Woodstock do Faustão em Salvador?

 Não sei. De toda essa minha incansável pesquisa de campo, só consegui extrair uma verdade absolutamente científica, que vale tanto para quem gosta como para quem não gosta de carnaval:

Cerveja engorda.

39 comentários

Alexandra
AlexandraPermalinkResponder

Riq...só você mesmo!!! Encantador como sempre, mas só de ler estou exausta pra este e pros próximos 4 carnavais! Bom descanso pra nós todos...: - )

Leandro
LeandroPermalinkResponder

Eu li numa revista (não me lembro qual) que o Recife Antigo está decadente e que, por isso, muitos bares estão fechando, tem algum detalhe?

Ricardo Freire

Leandro, na categoria lugar-com-um-monte-de-botecos-um-do-lado-do-outro-para-ir-à-noite o Recife Antigo já não está com essa bola toda há muito tempo.

Mas sempre tem um ou outro bar que continua interessante -- dificilmente, porém, na Rua do Bom Jesus, que foi a rua do bochinhão e que foi decaindo.

A Rua da Moeda virou um pólo de maracatu nos fins de semana, com aulas de maracatu a céu aberto. O Shopping Paço Alfândega, apesar de não ser um megasucesso, tem lojas bacanas, bons restaurantes e danceterias que bombam.

Nos últimos tempos, para os lados do centro, é a região da Boa Vista que está atraindo o povo mais descolado. O bar do momento entre o povo-cabeça é o Central, na Rua Mamede Simões, uma travessa da Rua da Aurora.

Mas no carnaval, até onde me contam, o Recife Antigo continua bacanaço -- uma grande opção para quem não quer ficar só no paqueródromo de Olinda.

Alessandro
AlessandroPermalinkResponder

Nossa, Riq, que delícia... Estou aqui calminho no frio, mas agora me sinto como se tivesse pulado todos os carnavais aí... wink
Perguntas: Nao tem daquela camiseta Riq (R) para vender? wink E tem texto seu sobre as vezes que vc desfilou para Imperatriz? É a minha escola de coracao... Bom carnaval, Riq! Abracao!

N Breault
N BreaultPermalinkResponder

Ricardo. Como sempre e' divertido ler os seus textos. Eu e meu maridos rimos muito sobre a nova medida de performance criada por voce: l/h. Essa foi boa. Abracos. Nil

Carmen
CarmenPermalinkResponder

Quizá el vino engorde menos que la cerveza, pero la cerveza fresquita está tan buena!!!...

Aquí hay muchos y famosos carnavales, como el de Cádiz y el de Canarias, pero nunca los he comprendido. Son como las Fallas muy populares, o la Love Parade...Sólo los entendía como diversión colectiva a lo bestia, como algo ancestral ligado a los humanos. Seguro que Lévi-Strauss tendría mucho que decir sobre ellos...

Pero ahora estoy segura que sí hubiera estado en algún carnaval brasileiro cambiaría de idea y los adoraría...

Ricardo NIT-RJ

Olá Riq; tú conheces o hotel Vila Rica em "Ricífe"? O que tu achas? E o Holliday Inn? Bem, é que estou na dúvida em qual ficar, estarei em "Ricífe" em abril por 3 dias a trabalho e emendo + 6 em puro lazer; sei que o vila Rica fica na praia e que o Holiday a 3 quadras e estou na dúvida. Me ajude! Abraços, Ricardo.

Ricardo Freire

Alessandro, essa camiseta Riq(R) era do tempo em que eu tinha uma agência chamada Propaganda Registrada, que era do mesmo grupo da W/Brasil. Eu saí dela em maio de 98 -- foi quando tirei o semestre sabático e escrevi o "Viaje na Viagem". A idéia da camiseta foi do Roberto Lautert, o Alemão, que era co-diretor de criação da agência. TODO MUNDO TINHA A SUA! Pessoal e intransferível. Os crachás (o prédio exigia) eram simples: uma foto do funcionário vestindo a camiseta com o seu nome e a marquinha registrada. Bacana, né?

Ricardo Freire

Ricardo-NIT, os dois hotéis são extremamente ficáveis. O Vila Rica tem uma localização mais agradável, por estar na beira da praia. O Holiday Inn está a três quadras da praia, mas está a três quadras do melhor trecho da praia -- a praia em frente ao edifício Acaiaca.

Se bem que... esse ano abriu uma "estação verão" na areia, com bar e restaurante integrado, em frente à rua Padre Carapuceiro. E isso é mais perto do Vila Rica. Xovê... eu iria pro Vila Rica.

Alessandro
AlessandroPermalinkResponder

Que barato, perfeito mesmo... Vc deveria reeditá-la para os fas do Viaje... wink

Malu
MaluPermalinkResponder

Ric, que delícia de texto....nosso comandante é demais.
Concordo com o Alessandro e que tal vc ir pensando na camiseta para o encontro dos viajandões com crachá, foto e tudo mais?
Nosso carnaval em São Paulo está uma delícia: sem trânsito e cinemas vazios. Melhor assim!!!!

pautadodia
pautadodiaPermalinkResponder

fantástico... mto bom

Dani G.
Dani G.PermalinkResponder

Fiquei depressiva depois d eler essa matéria !! Ah vontade de ter um carnavalzinho na Bahia esse ano, viu ?

Mas, Riq, vc de Capitão América estava imbativel !!! smile

Cristina
CristinaPermalinkResponder

Oi moço,

nossa, eu adoraria participar de um projeto revival destes,
não conheço Ricifi e também nunca consegui estar in loco nos outros dois no carnaval..fiquei me deliciando com suas performaces...realmente o Cap América...
no mais concordo com o quisito cerveja..rs
abraços de santos, Sp pra voce

Gustavo Maciel

Que bom que "o frevo é uma música ameaçada de extinção" deixou de ser uma verdade de lá pra cá! Esse ano ele esteve mais forte do que nunca, graças, em parte, pelas medidas que priorizam o frevo sobre o axé nos pólos carnavalescos do nosso estado. Medidas que foram chamadas de "idéia de jerico" por Caetano, numa unilateralíssima reportagem do JN da semana passada, feita por Maurício Kubrusly.

Axé é festa, frevo é carnaval.

Silvia Mascarenhas

Riq, que matéria incrível!!! Adoro, na verdade, amo ler os seus textos! Ri demais da sua jornada no carnaval em 99! Que animação!

Lafa
LafaPermalinkResponder

Capitão América... do Sul!!! Muito legal o texto e as fotos. E só de pensar que, no passado, você evitava publicar fotos de você... "Hoje o samba saiu, lá lalaiá, procurando você / Quem te viu, quem te vê / Quem não a conhece não pode mais ver pra crer / Quem jamais esquece não pode reconhecer." smilesmilesmilesmile. Abraços.

Cássia
CássiaPermalinkResponder

Adorei! smile

A sacada do Francisco José é PERFEITA. Sem ele falar do Ricífi, o Carnaval ainda não começou...

Hugo
HugoPermalinkResponder

Definitivamente não gosto, e chego a dizer que nunca gostei de pular carnaval. Por causa disso nesses últimos dias fiquei em casa, descansando, assistindo uns bons filmes e lendo algumas revistas.

Mas nada melhor do que, depois disso tudo, ler uma reportagem como essa e sentir como se tivesse pulado carnaval durante 5 dias inteiros. Cansei só de pensar e já estou pronto para o ano que vem.

Márcia
MárciaPermalinkResponder

Querido Riq

O Recife Antigo está muito melhor que Olinda, isso pra quem passou dos 35, e já brincou em Olinda nos tempos áureos, com mais lirismo e segurança. Reconheço que no quesito espontaneidade e criatividade o pessoal de Olinda ganha sempre nota 10. O Recife Antigo ainda não atingiu o patamar de Olinda, as pessoas ainda ficam mais contindas e arrumadas. Mas no quesito respeito e animação Recife Antigo ganha nota máxima. Isso reflete na própria programação cultural. Tanto que grupos tradicionais como Bloco da Saudade (fervo de bloco) , A Cabra Alada (maracatu), agora só tocam no Recife Antigo, abandonaram Olinda de vez, pela desrespeito que sofriam durante o desfile na Cidade Alta. E até o bloco "Eu acho é Pouco", olindense de nascença, já tem mais agenda no Recife Antigo que em Olinda. Venha conferir, próximo ano espero vc por aqui.

Anny
AnnyPermalinkResponder

Riq,
muito boa a matéria, mas definitivamente vc precisa se organizar para repet'-la e atualizá-la. Como o carnaval mudou em alguns aspectos. Principalmente no Rio: praias abarrotadas de gente e lixo e blocos pipocando por toda a cidade exigindo grande organizaçào para se locomover. E a Ivete se tronou musa absoluta em carreira solo...E para completar Salvador, falta sair no Camaleão!
Bjs,

Fernando Sevá

Grande Riq!!

Num domingo pós-carnaval, nada melhor do que ler as suas matérias sobre ele grin

Estavamos no mesmo ano então em olinda (a única diferença é que você ainda conseguia contar as latinhas de cervejas srsrr) , minha irmã que morava em Recife me convidou para passar umas férias por lá, incluso aí o Galo Guiness que na rua da Concórdia não me deixou sair de dentro pois fui arrastado para o epicentro do bloco pelo movimento do empurra empurra srsrsrsr !

Esse agora de 2007 passei mais um vez em Rio Branco, aqui o governo resolveu a cerca de 8 anos resgatar o carnaval mais tradicional, especialmente na área revitalizada da orla do Rio Acre, o que já é muito saber que não estamos presos entre prédios, dá uma sensação muito boa ! Na primeira metade da noite, o carnaval é mais tradicional e mais família, à medida q vai ficando mais tarde, as músicas e os frequentadores vão ficando assim, digamos mais ecléticos srssrr !

Grande Abraço

Claudia Carmello

Que lindo isso aqui, hein, Riq? Achei agora por acaso... Ressucitou meu plano de Carnaval em Olinda, que ainda não conheço. É que, em termos de pular Carnaval, os bloquinhos de rua do Rio estavam irresistíveis pra mim nos últimos quatro anos. Só no ano passado achei que a coisa estava lotada demais e resolvi só descansar em Ilhabela esse ano. Mas também porque estava precisando economizar uma grana. Mas, taí, Olinda 2010 é o plano. Bejo

Guilherme Lopes

E o carnaval está chegando!

Riq ou Bóia, cadê os post da última vez que o Riq foi para o Carnaval de Salvador? Lembro que ele vestiu uma fantasia. Sabe qual? Não achei via google...

; )

A Bóia
A BóiaPermalinkResponder

Olá, Guilherme!

Aquele post foi apagado do servidor em que estava armazenado grin

Guilherme Lopes

Que pena!

Ô Bóia, veja se você pode me ajudar.

E veja se essa minha pergunta vale a pena figurar no Perguntódromo: Estou indo para Salvador. Vou ficar hospedado em Ondina e já comprei algumas blocos/abadás. Porém deixei um espaço para na programação para ir em alguns blocos tradicionais, pequenos e gratuitos. Quais são as opções? O que a tripulação indica?

; )

Eunice
EunicePermalinkResponder

Guilherme. Dia 02/03 ( quarta ) os blocos acústicos se encontram na Barra - A Banda do Habeas Copus homenageando o Paroano sai Milhó,Gravata Doida e vários outros-15 blocos mais ou menos- blocos irreverentes e acusticos. Vai ser um dia especial- a concentração deve ser no bar do Habeas Copus, na Marques de Leão. Todos os dias -- no circuito Batatinha- Pelô- bandinhas,grupos de teatro, pessoas fantasiadas, tudo gratuito;muito legal. A passagem do Gandhi pela Castro Alves. A saída do Ilê. A Banda Eva vai sair sem corda para se encontrar com Moraes Moreira na praça Castro Alve,na terça. Margareth Menezes vai comandar um trio sem cordas no dia das Mulheres, 08/03; Carlinhos Brown vai comandar, no sábado, percussionistas de vários blocos - de graça,sem corda. Vc pode ver a programação oficial do carnaval no site: http://www.carnaval.salvador.ba.gov.br/2011/Programacao/CircuitosOficiais2011.asp. Preste atenção também nos bailes de Carnaval. Margareth tb sai segunda, com Tonho Materia, de graça.

Guilherme Lopes

Muito obrigado, Eunice!

Vou olhar direitinho e qualquer dúvida eu te pergunto!

Li um post da Adri Lima sobre o Gravata Doia e deve ser bem bacana... Mas só chegamos na madrugada de sexta para sábado!

; )

Adri Lima
Adri LimaPermalinkResponder

Guilherme,

As dicas da Eunice são quentes, como sempre.

Além delas, sugiro pegar a programação em www.portaldocarnaval.ba.gov.br e ver, preferencialmente no Circuito Barra Ondina, quando saem os trios independentes. Há trios muito legais, como o de Armandinho (herdeiro dos criadores do Trio Elétrico Dodô e Osmar) e outros grandes músicos, é só ficar de olho.

Eu gosto também da pipoca do Microtrio - é uma topic, pasme, com uma banda inteira dentro. Vale muito a pena.

Melhores lugares pra pipocar: Em frente ao Farol da Barra, bem no gramado, e no Clube Espanhol.

Vumbora pipocar no sábado, antes do seu bloco, seja ele qual for! Te mando um email.

Guilherme Lopes

Vamos sim!!!

; )

Adri Lima
Adri LimaPermalinkResponder

Riq e Dona Bóia, acho que salvei esses posts do Carnaval no computador, em .pdf. Vou dar uma procurada. Foi um carnaval inesquecível, por diversas razões, uma delas foi ter o mega prazer de conhecer meu guru de viagens! smile

Adri Lima
Adri LimaPermalinkResponder

Gente, fui ontem no último Grito de Carnaval dos Mascarados. Foi fantástico. Banda Os Mascarados (não tem mais Margareth) e Moraes Moreira como convidado. Foi no Clube Fantoches de Euterpe, um lugar que andava super decadente e que estão revitalizando, assim como todo o Largo 2 de Julho. Tirei umas fotinhas do Iphone, saíram horríveis, mas vou ver se preparo um post de qq jeito! smile

Adri Lima
Adri LimaPermalinkResponder

Ah! Tem um bloco, que não é gratuito, mas tá dando um bochicho bom na cidade: chama O Bloquinho, com Jau, cantor e compositor soteropolitano MUITO bom. Acontece no Largo Teresa Batista, segunda de carnaval, à tarde. Começa com um show de Jau, como um esquenta - depois, a banda sai pelas ruas. Começou ano passado, nunca fui, mas já me programei pra ir esse ano! tá R$80 a meia e $160 a inteira. Não tem abadá, e sim uma peça que eles estão chamando de 'pano', algo como uma mortalha.

Guilherme Lopes

Que bacana!

; )

Adri Lima
Adri LimaPermalinkResponder

Guilherme, essa dica não te serve pq vc chega depois... mas o Bloco Mascarados é sem custo, só tem que estar fantasiado. O público é predominantemente GLS. Gosto de ir pra concentração do bloco, não costumo acompanhar porque ele sai na quinta praticamente de madrugada... e sexta eu ainda trabalho, caramba! Mas é muito animado e divertido. Remete muito aos carnavais de baile e marchinhas.

Adri Lima
Adri LimaPermalinkResponder

Gente, não consigo parar de falar de Carnaval. razz

andre
andrePermalinkResponder

Fiz um roteiro parecido mais recente, no carnaval de 2012 : Recife/Olinda (incluindo galo) de sexta a domingo pela manhã. Salvador domingo e segunda (incluindo camarote Othon e bloco Olodun) Rio de Janeiro na terça de carnaval em diante (incluindo bloco na terça e desfile das campeãs no sábado no sambódromo), pulando de aeroporto em aeroporto, voos madrugadores e dormidas nas salas ecumênicas dos aeroportos.

Daniele Guidi
Daniele GuidiPermalinkResponder

Riq me deparei com este texto e foi sensacional!!!
Adorei! Parabéns, pela coragem, pelo texto que ficou ótimo e com o qual me diverti muito.
São tanto anos depois mas é tão atual!!
bj Dani

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