Cuidado com a síndrome do 'overplanning'

Ricardo Freire
por Ricardo Freire

Estação St. Pancras, Londres

Quem cunhou o termo foi o Ruy Mendes, um trip que comenta pouco mas comenta bem. Eu estava tentando convencer alguém a planejar com menos rigor uma temporada... na praia (!), quando ele tascou, preciso: "temos aqui vários clássicos de overplanning, doença que acomete muitos comentaristas deste blog". Bingo!

Veja bem: não é culpa sua. De uma certa forma, somos levados a planejar atividades demais por uma questão até cultural. As excursões nos ensinam a viajar assim, oferecendo a logística para uma overdose de atividades. As operadoras de pacotes nos ensinam a viajar assim, nos colocando em hotéis mal-localizados e então compensando com uma overdose de passeios. E, finalmente, a internet nos leva a viajar assim, com a overdose de informação que nos oferece.

Por isso é necessário a gente parar um pouquinho e organizar os pensamentos. Eu proponho que na sua viagem -- para qualquer lugar -- você programe aqui e ali um tempo livre para descobrir coisas, um tempo livre para mudar de idéia, um tempo livre para entender o que está vendo.

Se você tiver um tempo livre agora, leia isto que publiquei ontem na minha página Turista Profissional, que sai toda terça-feira no suplemento Viagem & Aventura do Estadão.

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É difícil evitar: quanto mais você planeja uma viagem, mais coisas surgem para fazer; mais lugares parecem imperdíveis. Na era dos blogs, dos fóruns de viajantes, do conteúdo de turismo distribuído de graça por guias e jornais na internet, quem busca informação pode acabar soterrado por uma avalanche de dicas.

Tentar encaixar todas essas descobertas no seu roteiro é fatal para qualquer viagem. Pouco do que parece factível no papel costuma resistir aos contratempos da vida real. Saiba como não acabar numa dessas categorias de turistas overplanejadores:

O turista 30 horas. Saímos de férias para descansar do trabalho - mas quando nos damos conta, estamos com uma agenda ainda mais apertada do que no escritório. Acordar várias vezes de madrugada para tomar o primeiro voo, pegar praia a 200 quilômetros de distância, cabular refeições, prever uma sequência de visitas a lugares com filas intermináveis - parece que precisamos pagar as férias com sofrimento.

Como evitar: hierarquize os passeios. Eleja um evento importante por dia; faça os outros só se der tempo e você não estiver cansado. Durma bem e pense nas paradas para almoço e jantar como programas. Evite fazer bate-voltas a lugares que fiquem a mais de uma hora e meia de distância.

O turista nunca-chega.
Muita gente encara um lugar apenas como um trampolim de onde pular a outro. Você sabe que sofre disso quando chega a Maceió e só consegue pensar em Maragogi. Roma? É uma cidade de onde se vai a Capri. O maior exemplo de nunca-cheguismo que presenciei foi durante um cruzeiro ao Prata. O navio aportou em Punta del Este durante um lindo dia de verão. Teríamos o dia inteiro para explorar o local. Mas boa parte dos passageiros optou por pegar o passeio de um dia inteiro a... Montevidéu.

Como evitar: antes de pesquisar sobre lugares próximos, abasteça-se de informações sobre o lugar onde você vai desembarcar primeiro. Parece óbvio, mas será útil em muito casos.

O turista já-que
. Variação mais popular do nunca-chega: ao descobrir que está perto de algum outro lugar interessante, arranja um jeito de passar por lá. "Já que estou do lado..." Quando percebe, o roteiro virou um pinga-pinga infernal, e metade do tempo é perdida entre check-out, deslocamento e check-in.

Como evitar: monte bases. Passe vários dias num mesmo lugar, e faça bate-voltas a lugares próximos apenas depois que der o lugar por esgotado. Transforme o já-que: "Já que estou aqui, vou descobrir coisas que eu não sabia que existiam aqui mesmo".

O turista enciclopédico. Este reverencia todos os verbetes que encontrem registro na sua memória. Viajar é "ticar" todos os lugares sobre os quais já tiver lido. Qualquer nome conhecido vira uma fixação que precisa ser conhecida tête-à-tête, mesmo que saia completamente do caminho. Toda cidade antiga vira tão importante quanto Veneza. Qualquer praia parece tão bonita quanto o Sancho ou o Espelho.

Como evitar: não se impressione tanto com os lugares dos quais você já ouviu falar. Na maioria das vezes, os lugares mais interessantes serão aqueles que não faziam parte do seu repertório. Diminua o ritmo da sua viagem, e esses locais vão aparecer bem no seu caminho.

Estude. Priorize. Relaxe. Pesquisar e planejar são essenciais ao sucesso de uma viagem -- mas é preciso saber processar os resultados para não sofrer uma overdose de informação. Apure suas escolhas: separe o realmente imperdível do meramente complementar. E deixe tempo livre na agenda: com o dever de casa feito você vai identificar com clareza a hora de mudar os planos.


219 comentários

Rosa
RosaPermalinkResponder

Um Guia simplesmente perfeito!

sergio lopes
sergio lopesPermalinkResponder

Brilhante post!
Cheguei hoje de 15 dias entre Canada e EUA. Agora, após 45 países e viajando muitas vezes só, aprendi que o planejamento é necessário, mas precisa deixar tempo para aproveitar.
Precisa também tempo para improvisar. Viajar por conta é muito diferente das excursões.

oscar
oscarPermalinkResponder

Pois é acho que todos nós sofremos desta "doença" principalmente quando ainda nao somos viajantes experientes, uma vez conversando com um grupo de expatriados de uma multinacional um deles disse. Quando voce tem 20 anos voce quer conhecer tudo e mais um pouco, mesmo que passe mais tempo viajando do que curtindo o local visitado.
Aos 30 voce ja começa a se interessar mais por lugares específicos, visitar museus e nada de fazer viagens loucas para conhecer tudo ja que.... esta pertinho..
Aos 40 voce ja conheceu um pouco das coisas do mundo e agora voce começa a querer se aprofundar na gastronomia e cultura do local
Depois dos 50 seu interesse é em viajar com o maximo de conforto possivel, aliado a boa gastronomia e um pouco sightseeing.
Na verdade acredito que essas fases nao estao diretamente ligadas a idade mas sim à sua experiencia como turista. Eu confesso que estou numa fase de transiçao entre os 20 e os 30.. O que segundo a teoria dele encaixa na minha idade. rsrs
Alguem concorda com isso?

Sylvia
SylviaPermalinkResponder

É isso mesmo Oscar , tem a fase do "preciso de tudo já", onde a gente consome qualquer coisa, pois não tem nada.
A fase do " eu não quero mais, não gosto mais" é a mais complicada,pois pode chegar ao extremo de não querer consumir mais nada .

Isabel O., Portugal

Sinto-me um bocado adolescente retardada com este post - estou a caminhar para os 50 mas a ser uma viajante entre os 20 e os 30.
É que eu raramente repito sítios e fico cheia de pena se não estico todas as posssibilidades possíveis.
Shame on me...
Agora que já montei, do ponto de vista de reservas, toda a minha viagem à Provença, Córsega e Sardenha para o próximo Verão, dou por mim a achar diariamente mais um vilarejo "imperdível".
A culpa é vossa, que dão dicas "de morrer". Ainda bem que quase ninguém foi às duas ilhas. Como o tempo por lá não vai ser muito, ia ficar frustrada por não poder ir atrás das sugestões...

Sylvia
SylviaPermalinkResponder

Hehe!
Os extremos sempre fizeram parte do meio termo.
Começa com nada , pula para o excesso e só então chega onde deve.
Hoje não tem como fugir da over-info e o segredo está em saber quando parar de coletar e o que registrar.
( ainda não encontrei o ponto antes da saturação , só paro quando sei que passei dos meus limites wink )

Rodrigo Barneche

Eu costumo manter um pensamento reconfortante que acaba por aliviar a consciência do overplanning: Deixa pra próxima.

Encaro toda viagem não como a única, mas sim como a primeira. Assim, se não der pra fazer aquilo que todos dizem ser imperdível, ou porque apareceu algo mais 'na mão' para fazer, tenho a desculpa para eu mesmo de que guardei isso ou aquilo para uma próxima visita.

Já estive 2 vezes em Puerto Madryn, por exemplo, mas ainda não fui à Punta Tombo, acabei vendo os pinguins na Península Valdés (1ª vez) e no Cabo dos Bahias (2ª) pq esses lugares acabaram se mostrando mais viáveis naquele momento. Tenho na minha cabeça que deixei a maior pinguinera da Patagonia para a próxima ;o)

CarlaZ
CarlaZPermalinkResponder

Eu sou igual ao Rodrigo...deixo pra proxima.
Quando vou embora de uma cidade penso...na proxima vez quero ficar hospedada em tal bairro...fazer tais passeios etc..

Gabi de Madri
Gabi de MadriPermalinkResponder

Já me curei dessa síndrome, agora só viajo pra curtir. Quando estive uns dias no Porto ano passado, por exemplo, ficamos um dia inteirinho sentados à beira do rio, indo de um bara outro e depois a algum restaurante, sempre acompanhados de um bom vinh, vendo gente passar, sentidno a brisa, curtindo a vista. Foi o melhor dia na cidade! Recomendo o slow travel, é uma delicia!

Alexandre
AlexandrePermalinkResponder

PERFEITO!!

Rachel Simões

Ricardo,

Esse texto veio bem a calhar!!
Percebo que hoje prefiro viajar com mais calma mesmo que isso signifique conhecer menos atrações e lugares. Prefiro saborear um lugar a mastigar vários só de passagem.
Aproveito para lhe perguntar: O que vale a pena conhecer estando hospedada no Arraial D'ajuda Ecoresort? Vou em setembro com marido e filho de 6 anos e não sei se tem algum lugar imperdível nas proximidades. Vamos dia 4/09 e voltamos em 8/09. Mucugê, Pitinga, Trancoso o que não devemos perder? Será que conseguimos traslado a partir do hotel para Trancoso, por exemplo?

Obrigada,

Rachel

Paula Bicudo
Paula BicudoPermalinkResponder

Rachel, o hotel é muito confortável e tem um parque aquático do mesmo grupo (portanto grátis) bem próximo ao hotel. E há translados gratuitos para lá. O hotel também oferece translados gratuitos pro centrinho de Arraial, que é super charmoso, e vale a pena conhecer.
Para Trancoso, você pode contratar um passeio, acredito que no próprio hotel. Não o fiz pois estava com crianças muito pequenas e pegar praia por lá, uma vez que a praia em frente ao hotel não é muito bonita.

Paula Bicudo
Paula BicudoPermalinkResponder

Ó-T-E-M-O texto! Eu tenho medo de gente que diz que conheceu "Paris inteira" em 5 dias. Fujo dessa gente...

Carla
CarlaPermalinkResponder

Hahaha... Paulinha, tem gente que acha que "conheceu" a Europa inteira em 15 dias... wink

Marco Cavalheiro - Buenos Aires Dreams

li uma frase em algum lugar: a mulher pergunta para o marido: onde estamos? ele diz: são três da tarde, então deve ser Bélgica... smile

Lili-CE
Lili-CEPermalinkResponder

menina, 5 dias em Paris equivale a um city tour em que vc "vê" as coisas p/ depois voltar para aqueles de que mais gostou, não dá nem pro começo... rs... Detalhe: eu ainda aguardo meu retorno à Paris para senti-la devidamente. Passei exatamente isso: 5 dias inteiros.

Natalie
NataliePermalinkResponder

Será que essa situação do turista 30 horas não tem a ver com a idade e a experiência do viajante? Porque sempre rola aquela dúvida... "será que um dia eu vou conseguir voltar?"

Eu sei que tudo é uma questão de prioridade, mas essa história do "já que" me pegou de jeito e eu estou sentido uma dificiculdade maior para fechar meu roteiro pela Espanha do que eu senti quando montei o dos EUA. O mais impportante é sempre aprender a viajar mais e melhor a cada novo roteiro smile

Alex Melo
Alex MeloPermalinkResponder

De última hora me apareceram mais 10 dias de férias e estou me mandando pro Leste Europeu prá 20 dias - com menos de 2 meses prá planejar, estou bem na parte de tentar colocar tudo num roteiro só.

É dificil escapar to "Já que" que é bem meu estilo, viu.. hehehe

Paula Bicudo
Paula BicudoPermalinkResponder

Eu tô adorando planejar uma viagem com uma criança de 2 anos pela Itália. Vamos ficar 15 dias apenas entre Firenze e a Costa Amalfitana. Totalmente na contra-mão de outras viagens minhas. Total slow travel.

Wanessa
WanessaPermalinkResponder

Eu acho que o estilo de viagem de cada um tem muito a ver com a idade, a experiência, a perspectiva de futuras viagens - ou a falta dela - e gosto pessoal mesmo (conheço gente q não se sente "viajando" se não visita 259 atrações por dia). Para terminar a viagem feliz e satisfeito, é preciso a gente se conhecer bem e saber o tipo de experiência que quer ter. Por isso que, quanto mais se viaja, melhor se viaja.

Wander
WanderPermalinkResponder

Lendo o VnV por alguns anos já incorporei muitas destas idéias que já estavam esparssas nos vários coments do blog. É o que podemos chamar de slow-travel, viajar para curtir os lugares com qualidade sem preocupar com quantidade. Vou pra Italia agora em junho e lógico vou fazer alguns lereles : Uffize, Academia, Colisseu,Vaticano, Doges, torre de Pisa, mas também estou deixando tempo livre, pra curtir o que quiser e o que der na cabeça, ou simplesmente descançar, sem muita preocupação de colocar mais coisas do que já programei; se der ótimo, se não fica pra próxima. Mas quando digo que vou ficar 6 dias em Florença, lá vem alguém dizer que não posso deixar de ir a Siena ou Arezzo, ou percorrer a Toscana. Quando digo que vou ficar 5 dias em Veneza, lá vem alguem dizer que é muito tempo pra só ficar em Veneza e já diz para fazer bate volta em Verona ou ir até algum outro lugar. É isso ai, este post sintetiza bem tudo o que ocorre na pratica do viajante. E overplanning é um termo muito bem bolado para dizer tudo isso: merece ir pro dicionário da bóia.

Ricardo Freire

Se o lugar é realmente bacana, nenhum tempo é demais.
Se não for suficientemente bacana, põe-se em ação o plano B. Simples mrgreen

Dionísio
DionísioPermalinkResponder

Bah, eu tenho essa síndrome...mas na hora lá no destino eu relaxo, porque já sei bem o que quero e não quero fazer.

Tenho um amigo argentino que foi turista enciclopédico. Naqueles anos em que a Argentina atrelou o câmbio do peso ao dólar na relação 1/1, este meu amigo simplesmente varreu o mundo! Na casa dele ele exibe um mapa mundi com alfinetes coloridos em todos os lugares que ele visitou e simplesmente quase não se vê mais mapa.

Uma ocasião, ao ver a Europa crivada de alfinetes, perguntei por que ela havia ido à Polônia e ele respondeu :"porque me faltava".

Aliás, o que tem de argentino que aproveitou aquela época...

Victor Hugo
Victor HugoPermalinkResponder

Esse post me lembrou minha primeira viagem a BsAs. Até hoje eu tenho uma lista interminável de sites "favoritados" sobre o destino. Tanto que uns 15 dias antes da viagem eu disse pra mim mesmo: chega de pesquisar e ler!! Pois sabia que voltaria frustado. Noves fora, acabei descobrindo que bater perna na cidade foi muito mais interessante e alguns locais "imperdíveis" perdidos foram ótimas desculpas pra voltar pra lá dois anos depois...

Zé Maria
Zé MariaPermalinkResponder

Oh Senhor... protejei o VnV dos excessivos google-overplanning nos comments, amém smile

George
GeorgePermalinkResponder

Perfeito como sempre.Eu já passei pelas 3 fases;dos 20 anos,quando era importante conhecer o máximo de lugares gastando o mínimo,pulando refeições,entrando em várias filas por dia...escrevo diários de viagem desde 1990,e às vezes quando leio dou risada e não imagino COMO fiz aquelas coisas...só como exemplo,cito uma vez que fui a Eurodisney próximo de Paris(1992),e o preço da entrada(USD 42,00) era mais alto do que eu estava pagando de diária no hotel(USD 35,00)!!!!!!!!!!!!;dos 30 anos,quando comecei a me importar um pouco com a qualidade e a localização do hotel,tentava não pular refeições nem pegar voo em horário inconveniente...,mas ainda não saía do Brasil com todos os hotéis e voos reservados,o que ainda me causava problemas;agora estou na fase de viajar com todos os hotéis e voos reservados,alguns restaurantes tb,e só vejo o que tenho vontade,não "tenho que" fazer nada...afinal estou de férias...Aquelas loucuras de pegar voo SP/Frankfurt(uma noite sem dormir na econômica),e em seguida Frankfurt/Hong Kong (outra noite sem dormir na econômica)não faço mais...
Achei ótimo o que fez a Gabi de Madri;eu tb já fiquei tardes em Paris sentado no Deux Magots tomando um cafè au lait e vendo o movimento...e não me arrependi!
Enfim,talvez não tenha tanto a ver com a idade e sim com o espírito de cada um,com o momento que vc está vivendo...

Natalie,fiz um tour pela Espanha no ano passado,não sei em que "idade" vc está,mas se quiser ajuda...george0007@uol.com.br.

Carmem
CarmemPermalinkResponder

Ei, George, não se arrependeu da tarde no Deux Magots nem na hora da cibta? kkkkkkk

Carmem
CarmemPermalinkResponder

Ops... errinho de digitação: cibta = conta!

Carla
CarlaPermalinkResponder

Me parece que essa ansiedade pode ter mesmo a ver com a dúvida que perpassa a cabeça do viajante: "Será que um dia eu vou voltar?" Nunca tive essa síndrome, apesar de ser super irriquieta - fico estressada se o slow travel for slow demais... lol Mas fico feliz se tiver atividade na medida certa, sem fadigas desnecessárias - dispenso programas de índio, não faço nada só porque um ou outro disseram que era imperdível. Aliás, eu sempre viajei, desde que me entendo por gente, como quem está na fase dos 30 anos - nunca gostei de viagens por territórios muito extensos, nem com deslocamentos malucos - mas acho que vou demorar pra chegar à fase de só querer conforto e gastronomia, porque sou curiosa demais... O importante é que a viagem seja feita para agradar a mim mesma (e, claro, a quem viaja comigo), não para dar satisfação a quem quer que seja, para cumprir "obrigações sociais" ou "bater metas". Se eu não tiver a chance de ver tudo em determinado lugar, paciência - é mais importante ter minhas próprias boas lembranças do que uma coleção de fotos de cartão postal pra mostrar... wink

Mari Campos
Mari CamposPermalinkResponder

Por isso que eu acho, Carlota, que não tem a ver com idade, não; acho que tem mais a ver com o período da vida ou com o DNA mesmo mrgreen

Alessandra Fiorini

Eu sou a Rainha do Overplanning. Admito. E gosto. Mas no meu caso, o overplanning restringe-se à SÓ pensar na viagem e montar um roteiro - e não é, de forma alguma, saturar meu dia com mil lugares e passeios a fazer. Monto o roteiro, sim, mas se amanhece o dia e o que planejei não dá para ser feito, mudo sem problemas ou traumas. Separo os lugares, leio sobre eles, vejo a história, escrevo, grifo, enfim... "viajo na viagem"... e adoro fazer isso!
Fico boba com quem viaja sem nem sequer saber onde fica o hotel, a história dos lugares - isso definitivamente não é comigo.
Adoro planejar, planejar, planejar... over and over again!

João Barcelos

Eu estou um pouco com você, Alessandra. Adora planejar horrores, ler muito sobre o lugar, as vezes até tentar aprender a lingua, etc.. Tudo bem que tudo em exagero é errado, mas acho que as pessoas tem que fazer aquilo que lhe agrada.

De que adianta convencer uma pessoa a ficar uma tarde sentada vendo a vida passar num bistrô em Paris se ela está louco pra ver um monte de igrejas e pontos turísticos? O que vale é a satisfação. As vezes o overplanner vai chegar no hotel exausto, mas muuuuuuuito mais satisfeito do que se tivesse tido um dia super relaxante.

O Rick Steves (que é um overplanner dos bons) sempre usa uma frase muito boa, que vale pra várias situações: "be flexible".

Ricardo Freire

Isso não é overplanning, Alessandra. Isso é pesquisar bastante -- viajar na viagem, como você disse -- e é o dogma central da minha religião. O overplanning é tentar entuchar na viagem tudo o que se pesquisou wink

Alessandra Fiorini

É, acho que o entuchamento é o "overplaccing" - smile

Riq, estou embarcando dia 18 para minha primeira viagem à NY. Com um roteiro OVER planejado, viajado, que depois vou completar com "o que pensei em fazer - o que realmente fiz". Se você quiser, se você achar que interessa àqueles que vão pela primeira vez à NY, por favor me mande um email que eu te encaminho!
bjs

Flavia
FlaviaPermalinkResponder

Eu acho que só consegue relaxar na viagem quem pesquisou muito, pq não fica histérico querendo conhecer tudo e já formou convicção pra decidir o que vale ou não vale a pena pra vc.

Valéria
ValériaPermalinkResponder

Concordo com vc, Alessandra. Tb gosto de pré-viajar na viagem e tento organizar um roteiro que me oriente (mas não me congele).

Vejo pelos comentários que vc já voltou de NY. Gostaria muito de saber se vc fez roteiros diários (foram do tipo que incluem o local do almoço?) e se foram úteis (tb vou à NY pela primeira vez em julho, com marido e duas filhas de 11 e 09 anos e estou elaborando os roteiros).

Tenho anotado várias dicas dadas aqui. Tremenda ajuda!!!

Abçs

Sylvia
SylviaPermalinkResponder

Olha Valeria , como muitas outras, NY faz parte do pedaço do bolo que é fácil de misturar.
Impossivel é tentar determinar o tempo que vais levar em cada lugar , pois entre chegar, sair e se deslocar tem tanta coisa no meio do caminho que só de olhos vendados para não parar , entrar, dar uma olhadinha ..
*Em nenhum dia consegui ao menos olhar para a minha lista de opções de almoço wink , e olha que estavam todas na bolsa , uma listona por bairro - rua- tipo de comida..
E não fiquei entrando em loja toda hora , não .
Levei uma lista das lojas-conceito que queria visitar : a Hollister do Soho ,a Abercrombie da 5º.. etc
Aliás, fica aqui um pergunta para os especialistas em varejo : qual destas duas aí de cima chegou primeiro?
( são clones em tudo , até nos modelos vivos com trajes de banho na porta , e com os maridos das clientes desmaiados nos cantos cheios de sacolas )

Alessandra Fiorini

Valéria,
Eu fiz o roteiro dia-a-dia baseada no mapa de NY. Peguei por região e tentei colocar no dia os locais próximos. Apesar de fazer roteiro para cada dia, mudamos conforme o clima - o primeiro solão que abriu, fomos ao Central Park, por exemplo.
Deu certo - conseguimos fazer o que havia no roteiro e mais coisas, sempre com muita calma, pois acho que coloquei menos lugares do que o dia comportava. No caminho, conforme descobríamos os lugares, íamos acrescentando. No dia do West Village, por exemplo, foi um passeio delicioso pelas ruas que começou com Chinatown, Little Italy, Soho, Washington Square... e terminou nas casas antigas do Village, ainda dia.
Colocava no roteiro os restaurantes próximos, mas não deu certo: a gente acabava almoçando/jantando em lugares por onde passávamos, não ficava procurando pelo restaurante que havia anotado, pois na hora da fome qualquer um estava valendo - e há lugares bons aos montes.
O que posso te dizer é que lá é tudo consumo: vc compra, compra, compra. Eu adoro, mas chega uma hora que vc tem que brecar, senão vc não faz outra coisa - em qq lugar que vc vai, tem loja de grife ou coisas interessantes - e aí vc deixa de passear, ver lugares legais, porque está comprando.
O passeio pelo WVillage que te falei foi assim: combinamos que, naquele dia, não iríamos comprar nada - e foi o dia que mais passeamos (apesar de comprar vinhos lá - ops).
Como vc vai em 3 "mulheres", vai ter trabalho para se conter!
Lugares que te aconselho visitar: NY Public Library (entrar e vagar pelos corredores); Grand Central Station; Central Park (alugue bikes, é delicioso, e pegue um mapa no Dairy - Visitor Center, senão vc não acha os lugares); West Village (Grove st, Bleecker st, ruas próximas: há muita casa e vila antiga, com placas do ano da cosntrução); Trinity Church e cemitério ao lado (é legal para suas meninas verem lápides de 1700, Alexander Hamilton, Robert Fulton); Federal Hall (Wall st - onde George Washington tomou posse: entre lá); Ellis Island (pesquise se tem alguém de sua família que chegou como imigrante); Intrepid Museum (acho legal mostrar à elas como é um porta-aviões que participou de guerras de verdade - veja a exibição multimídia, os alojamentos, o refeitório, os passaportes - muito emocionante); e claro, Museu de História Natural e o Met.
Acho que me empolguei no coment wink

Valéria
ValériaPermalinkResponder

Entendi, Sylvia, o que vale é misturar o planejamento previamente feito com o aproveitamento do improviso. Obrigada!

Pôxa, Alessandra, queria que vc tivesse se empolgado ainda mais no seu comentario.... Muito obrigada pelas dicas tão legais e que não estão nos guias... Os roteiros que vc fez parecem fugir do lugar comum. Adorei!! A impressão é a de que vc conseguiu planejar algo que foi além de simplesmente visitar NY, e pôde conhecer e vivenciar um pouquinho essa cidade...

Abçs smile

PS: aguardarei mais dicas nesse blog tão fantástico!!

Brenno
BrennoPermalinkResponder

É, realmente complicado.
Este "guia" vei em boa hora.
Preciso de uma viagem de lua de mel para julho e ainda não consegui decidir o destino.
Aliás, já decidi vários e mudei de idéia.
1º - Praia, que maravilha... Punta Cana, tudo lindo... mas aí penso? Será que 10 dias não é muito para ficar em um mesmo local?
2º - Agora, bateu a saudade do velho continente, Paris, como é apaixonante a cidade. Mas não consigo decidir.....

Enfim, C'est la vie!!"

Qualquer ajuda é bem vinda.

Parabens pelo site.

Brenno
BrennoPermalinkResponder

Obs; "veio" em boa hora.

Paula Bicudo
Paula BicudoPermalinkResponder

Brenno, lua de mel é muito pessoal e tem que ser decidida em comum acordo entre os dois. Tem alguns fatores que são determinantes, na minha opinião, como por exemplo a época do seu casamento. Eu acho meio depre viajar pela Europa em dezembro, janeiro e principalmente fevereiro, com aquela neve lamacenta derretendo, a não ser que vocês gostem de curtir lugares como neve, como por exemplo Suiça e afins.
Se vocês casarem na primavera ou outono, a Europa sempre é convidativa e romântica, e eu faria um slow travel tipo: Só Toscana, só Provence, Paris e Praga (cidade linda e romântica), enfim, ficaria curtindo o lugar por mais tempo e curtindo o conjuge.
Se vocês quiserem praia, não se esqueçam do Brasil, e todos os seus pequenos e charmosérrimos hotéis/pousadas exclusivos. Tem um monte de exemplos aqui no blog do Riq. As vezes é melhor que um Resortão em Punta Cana cheio de criançada.
Felicidades...

Meilin
MeilinPermalinkResponder

Bom, eu gosto é de bater perna...até cair exausta eekops: e dormir morrendo de felicidade, mas não necessariamente cumprindo agenda. O bom mesmo é sair andando a esmo enquanto os pés obedecerem.

nati
natiPermalinkResponder

Quando viajo, gosto de estar livre, só com idéias. De meus destinos, estudo muito sobre sua culinária, costumes, história, mas pouco sobre os lerês. Acho até que aproveito mais os caminhos que os objetivos. Um exemplo? Só “consegui” subir a Torre Eiffel em minha quinta estada em Paris, nunca dava tempo. Mas para chegar ao estágio de uma verdadeira slow travel ainda me falta muito.

Marco Cavalheiro - Buenos Aires Dreams

Felicidade é tomar um café da manhã de 04 horas na rua vendo o pessoal correndo feito louco. Não saber as horas. Almoçar quando estiver com fome. Descobrir coisas por acaso. Eu sempre faço um planejamento minuncioso do tempo que vou passar sem nada planejado...

ANDRE CAVALCANTI

Ric, permita-me educadamente discordar do termo "overplanning". Nenhum planejamento é excessivo, e planejar é viajar várias vezes. Eu mesmo estou "viajando" para NY há 4 meses e já "fui" a lugares que não imaginava existirem e colhi muitas dicas fantásticas aqui e em outros fóruns.

O problema que o seu post ataca, post com o qual concordo 100%, é a síndrome do apego ao planejamento. Não há nada de errado em fazer um planejamento detalhado, mas sim com querer se ater a esse planejamento como se fosse uma lista imutável de tarefas a cumprir.

Uma coisa é saber que em determinada região de uma cidade existem 2 ou 3 opções de restaurantes recomendados, outra é furtar-se a experimentar uma opção totalmente diferente que surgiu, atraente, apenas para repetir a experiência de outrem.

Sempre faço planejamentos detalhados das minhas viagens. De maneira geral cumpro 50% a 60% dele, pois descubro muitas coisas novas que trago de dicas para futuros planejadores. E não me incomodo por não fazer o planejado, pois, de certa forma, já "estive lá".

Abraços

João Barcelos

Concordo!

Isabel O., Portugal

Planear é bom sim...
Fujo das aulas, dos alunos desmotivados, dos tachos e das panelas, da minha cidade relativamente pequena.
Já sinto o cheiro da alfazema nas minhas narinas, de tanto ter olhado e estudado vilarejos deliciosos, junto a campos lilazes.
Depois, uns tempos antes de ir, paro, para me voltar a deslumbrar (no bom sentido) quando estiver, ao vivo e a cores, nos lugares sonhados.

Anna Francisca

Eu quero andar, andar e andar até cair morta de cansaço, como disse a Meilin. Como sou uma pessoa diurna, raramente saio à noite quando viajo. Chego cedo ao hotel, com um vinho debaixo do braço e feliz de tanta exaustão. Planejo minuciosamente os lugares aonde vou. Mas não sou "a turista nunca-chega". Chego lá e fico. Estou indo para o Leste Europeu com tudo overplanned. Há mais dicas anotadas do que serei capaz de cumprir. Parece que já conheço todos os lugares. Gosto assim. Andando, posso passar por um bar com aquela cerveja altamente recomendado pelos trips. Como não parar e conferir? Mas não chego a ser neurótica a ponto de seguir, sem tirar nem pôr, aqueles recomendados "roteiros a pé". Não gosto de chegar a um lugar sem saber o que ver, onde comer. Gosto de me perder... desde de que seja dentro do perímetro urbano planejado.

Rachel Simões

Paula Bicudo,

Obrigada pela resposta.
Então você gostou do hotel? Que bom, pois não tive uma impressão muito boa ao tentar fazer a reserva, pois foi meio complicado e demorado.
Quer dizer que a praia em frente ao hotel não é lá grande coisa?! Então, apesar de querer fazer uma viagem meio devagar, bem no estilo da Bahia, pretendo contratar um passeio até Trancoso.

Obrigada!
Rachel

Ricardo Freire

A praia em frente não é das top do Arraial, mas andando dez minutos você está num ponto ótimo do Araçaípe.

Não vale a pena se abalar até Trancoso pela praia; para você Trancoso vai valer a pena pelo entardecer no Quadrado, pelas lojas.

Deixe para decidir o que fazer depois que chegar, depois de ver o hotel, saber como estará o tempo.

Se quiser continuar o assunto sul da Bahia, por favor use algum dos posts do Sul da Bahia.

https://www.viajenaviagem.com/category/arraial-dajuda

douglas
douglasPermalinkResponder

o pior de todos é o deslumbrado

douglas
douglasPermalinkResponder

Eu sei que nao e o lugar certo, e voce gosta do lugar certo, mas nao haveria um formula ou forma de enviar o conteudo do texto para alguem, atraves deste post

Ricardo Freire

Infelizmente a gente não tem essa funcionalidade nesse template.

A alternativa é: clique no título, copie o endereço e mande por email.

O Zé tem a resposta:

Zé
PermalinkResponder

O que dá pra fazer é o seguinte:

1- No final de cada post tem aquele botãozinho verde, tão vendo? Clicando lá é possível mandar o endereço URL do post por e-mail para qualquer pessoa.

2- Para mandar o conteúdo do texto, sem os widgets, é só clicar no ícone da impressorazinha que aparece no final dos posts, tão vendo? Depois copie o endereço URL (só como curiosidade, note que vai ter um "/print/" no final da URL) e mande por e-mail (que pode ser feito direto do seu browser. Todos têm essa função)

mrgreen

Ricardo Freire

Meu Deus, como eu sou burro! Não sabia que aquele botãozinho verde compartilhava por email também! Vou consertar minha asneira.

Tiago
TiagoPermalinkResponder

Ué, Ricardo, você escreveu esse post para mim? rsrs

Cristina
CristinaPermalinkResponder

Adorei o post. Parabéns!
Sou uma pessoa noturna, mas nas férias, ando o dia inteiro e só saio uma noite por cidade, a despedida normalmente. Eu sou da turma que anota tudo, mas nem sempre faz tudo, mas desta vez não vou anotar todas as dicas mas tb não vou poder colocar meu dia off pq é uma viagem mais curta e é a 1a da minha mãe à Europa. Ela pediu Torre, Louvre e Versailles, mas este último, já disse a ela que só se der tempo...detalhe - não vou neles há mais de 10 anos. E quem mandou o casal da novela ir aos Jardins de Monet? Não cabe rsrs

Leandrim
LeandrimPermalinkResponder

EU não iria à Versalhes só se desse tempo. Se desse tempo eu faria qualquer outra coisa. Versalhes, para mim, é prioridade.

Andréa
AndréaPermalinkResponder

Riq,

Turista-morador. Este sabe viajar. Caminha sem pressa, faz compras no mercadinho da esquina, cumprimenta a vizinhança e se sente em casa em qualquer lugar do mundo. Chegar a essa categoria exige anos de estrada. E um estágio em todas as outras categorias de turista descritas por você. Mas quem chega lá sabe direitinho o que quer dizer boa viagem.

Tania
TaniaPermalinkResponder

Acho que esse post foi escrito pra mim e pra mais trocentas pessoas, e sp será oportuno.
Estou na fase exaustiva da briga interna entre racionalmente montar um "médio" slow travel pela europa, e a ansia "adolescente" de querer ver tudo. Estou planejando minha primeira vez na europa. E toda primeira vez, de qualquer coisa que se queira muito, é cheia de sonhos e expectativas. Sonhos e expectativas que esbarram na dura realidade do tempo e da grana disponível. Tenho consciência de que não vai ser possível relizar tudo que gostaria. A todo momento me pego dizendo a mim mesma, "não vai dar, esse lugar vou ter que deixar pra outra vez".E toma de montar vários roteiros. Tenho várias dúvidas que estou tentando resolver através da leitura do VnV,dos blogs, dos relatos, das respostas. Mas confesso, tá dificil pra caramba encontrar o ponto de equilíbrio entre o que a cabeça sabe ser o melhor e o que o coração deseja.
Abraços a todos e obrigada por tudo que já aprendi com voces.

Rafael Carvalho

Excelente observação! Acho que me incluo no "overplanning"!

Gilberto
GilbertoPermalinkResponder

Planejar já é começar a viajar. É começar a conhecer os lugares, e as ferramentas atuais p/ isso são fantásticas - o street view do Google é genial. Acho que um jeito legal de não ficar over é usar o mesmo procedimento que você recomenda para arrumar as malas: primeiro separe tudo que quer levar e depois elimine o que não precisa! Dá p/ fazer o mesmo com os lugares e passeios. Encaro o planejamento como uma direção, e não como uma camisa de força.

Arnaldo - Fatos & Fotos de Viagens

BEM, todas as opiniões são válidas e respeitáveis, na medida em que representam o gosto pessoal, algo que não se discute, na minha modesta opoinião. Todavia, como o assunto é imortante, aí segue a minha:

A única verdade incontestável acerca do tema é: quanto mais experiente o viajante, mais e melhor ele planejará sua próxima viagem. O que um viajante experiente mais almeja é uma viagem agradável, sobretudo sem contratempos incômodos decorrentes de falta de planejamento. e quando me refiro a ser "agradável", quero dizer, "do gosto pessoal daquele viajante", que é o que realmente importa.

Naturalmente haverá quem defenda a tese de que “quanto mais planejada uma viagem, menos espontânea ela é”, mas eu, que sou adepto da espontaneidade na vida cotidiana e até mesmo na profissional, não posso concordar em absoluto com afirmações como “quanto mais se planeja uma viagem menos surpreendente ela será”, aind aquie tenha profundo respeito por opiniões contrárias às minhas e alimente certo prazer por polêmicas em elevado nível.

Afirmam alguns que retiram-se graça e espontaneidade na mesma proporção que aplica-se planejamento a uma viagem: “Planeje menos, divirta-se mais!”, alegam os defensores do lema “Viaje sem planejar”.

No meu caso, se existe algo com o qual não consigo ser espontâneo é justamente no planejamento de uma viagem. A espontaneidade, aqui, implica em quase em negilgência com o planejamento. Ao contrário das afirmações divergentes, estou certo de que “quanto mais formalmente planejada uma viagem, mais divertida ela será”, todavia, é claro que me refiro a “programar” uma viagem de tal maneira a que ela esteja tão rigorosamente definida a cada segundo nem que retire tempo da contemplação desorpeocupada e do relaxamento. Refiro-me a tratar de “planejar” com o objetivo de “tirar o melhor" do lugar.

Para meu modo de pensar e ser (o que evidentemente não serve para todos, talvez sequer para a maioria), quanto maior o planejamento maior a possibilidade da espontaneidade numa viagem. Quanto mais nos prepararmos, melhor enfrentaremos o inesperado. Não posso mesmo compreender como algumas pessoas simplesmente negligenciam suas viagens e as deixam que se arruinem por falta de planejamento.

Também não critico quem quer fazer a "Europa em 15 dias", se esta for realmente sua única opção, seud esejo reakl, decisão tomada conscientemente. Não minha oponião é errado definir os gostos, o miundo e as pessoas linearmente. Se tal pessoa foi feliz optando conscientemente por fazer um continenteb em 15 dias, dou meus parabéns a ela!

Ainda com referência ao planejamento, sob a perspectiva de um viajante, toda viagem a um país estrangeiro é, por si, um evento com grande chance de ocorrência de erros e acontecimentos indesejáveis, esta sim uma afirmação que serve para todos linearmente.

No meu entendimento, planejar significa termos nossas viagens e vidas sob nosso próprio comando, e com tal liderança, controlarmos os alvos e nos preparamos para os prazeres, evitarmos as vicissitudes.

Planeje sua viagem e colha divetimento espontâneo. Planeje para fazer uma viagem render como programada e segundo seus gostos pessoais, com a mente livre de problemas.

Planejar é importante sim, tanto quanto viajar. Ser feliz é o que importa, e o planejamento ajuda muito!

Um grande aabraço a todos

Eduarda
EduardaPermalinkResponder

Falou e disse!

Aline Arantes
Aline ArantesPermalinkResponder

Adorei, Arnaldo! Na minha opiniao, o problema nao é planejar. O problema é nao ter jogo de cintura para fugir do planejamento, para mudar de ideia, para mudar de programa de acordo com o humor e os acontecimentos. O planejamento, inclusive, te dá mais ferramentas para isso. Com mais informaçao você fica mais seguro e com mais segurança fica mais fácil ser espontâneo. Com mais planejamento você aproveita melhor o tempo e com mais tempo você tem mais oportunidades de relaxar.

Rosa
RosaPermalinkResponder

Arnaldo, posso concordar ou não, mas não posso negar: adoro tudo que você escreve.

Isabel O., Portugal

Fã nº 2.
Já fui feliz em viagens de todo o tipo. Tenho como lema uns versos da poetisa Sophia de Mello Breyner - ousar a aventura, a mais incrível/ viver a inteireza do possível.

Lorena
LorenaPermalinkResponder

Eu sofro de overplanning! Os meus sintomas se encaixaram perfeitamente à descrição da síndrome!

Apesar de a tentação de planejar todos os minutos da viagem ser grande, me permito a um dia de "imersão", sem nadinha na lista de coisas a fazer. Um dia chego lá, só por hoje!

Dani G.
Dani G.PermalinkResponder

Eu planejo minhas viagens. Pesquiso hotéis lendo reviews e mais reviews, vejo o que tem perto dos hoteis, se há transporte fácil, se há estacionamento suficiente caso eu esteja de carro...

Faço listas e listas de possíveis lugares pra visitar, mesmo que eu não vá em todos eu sempre divido como "passeios para dias de sol", "passeios para dia de chuva", "passeios para dias de relaxar", etc etc. Sempre há o plano B. Ou até o plano C. Não acho que isso seja overplanning, pricipalmente viajando com crianças.

Pra mim o turista/viajante prevenido, é aquele que tem uma opção pronta casa seu vôo seja cancelado pelo vulcão (sempre, sempre, sempre ter um budget para EMERGÊNCIAS para não ficar implorando cia. aérea até por comida pq o dinheiro acabou...), já sai de casa com seguro caso fique doente, ou tenha seu óculos quebrado (como eu tive em NY). Se a pessoa tiver PLANEJADO, ela não perderá TEMPO procurando soluções pra probleminhas que aparecerão.

Prefiro sair de casa sabendo o que me espera !

Ricardo Freire

Sempre esclarecendo: em momento nenhum eu deprecio o planejamento e a pesquisa. Isso é o CENTRO do meu pensamento.

O problema é quando a pessoa sucumbe à overdose de informações e dicas e acha que TUDO está na categoria "ir a Roma e não ver o Papa". Que, por sinal, eu nunca vi nem faço questão nenhuma grin

Paula Bicudo
Paula BicudoPermalinkResponder

Acho que todo o planejamento é válido, o problema é a sanha de cumprir a risca todo o roteiro, sem tempor para ser surpreendido.

Dani, adorei os "passeios para dia de sol, de chuva, etc..."

Riq, sabe que eu, surrealmente, fui duas vezes a Roma e vi o Papa nas duas? Em ambas as ocasiões ele estava rezando missa no Vaticano, mas ainda era o João Paulo II.

Isabel O., Portugal

Há 48 horas que não faço outra coisa que ele está por cá e as televisões estão a dar uma cobertura brutal à visita... ah,ah

Marcie
MarciePermalinkResponder

Imagine o que dirão de mim: morei em Roma quase 15 anos e as únicas vezes em que vi o Papa foi no trânsito, o carro dela ao lado do meu.

Dani G.
Dani G.PermalinkResponder

Ahhhh, eu fui ao Vaticano ano passado e não vi o Papa ! Ele mora lá, é ? wink

Sabem onde eu vi o Papa ? O João Paulo II ? Em MANAUS. Acho que algo como 1980, 1982, não lembro. Eu era criança, mas ele passou no papamóvel em frente à minha casa, bem devagar, deu pra dar tchauzinho e tudo. Precisei nem sair de casa, qto mais ir à Roma ! grin

Paula, depois que mudei pra Europa eu me acostumei com essa coisa de o "que fazer nos dias de sol" e o "que fazer nos dias de chuva". Há tantos lugares indoors legais, então eu já viajo com a listinha, pq eu sei que o Pedrão tá sempre lavando a parte européia da casa dele lá em cima ! smile

Geni
GeniPermalinkResponder

Aonde eu aprendo a fazer planejamentos assim? Acho + seguro viajar desta forma, mas ainda nao sei fazer e fiz uma busca na net mas nao encontrei nada ensinando muito claramente. PS: Tenho uma menina de 5 anos e outra de 10 meses (preciso mesmo de planejamento!)

Daniel
DanielPermalinkResponder

Esse lance é realmente complicado.

Um vacilo muito comum, principalmente dos viajantes iniciantes pela Europa é o de incluir mais cidades do que seria possível visitar em seus roteiros.
A pessoa esquece das burocracias necessárias e tempo de deslocamento.

Alfândega, imigração, guichê de informações, câmbio, distância dos aeroportos aos centros, check in e out... Tudo isso deve ser levado em consideração num planejamento.

Eu escrevi uma crônica baseado nesse assunto no meu blog. Quem quiser dar uma lida, aí vai:
http://precisaviajar.blogspot.com/2009/09/chegando-numa-cidade-parte-1.html

diogo
diogoPermalinkResponder

djimais!

Carolmay
CarolmayPermalinkResponder

Me identifiquei totalmente com a síndrome de overplanning. Mas pelo menos uma das dicas eu sigo, sempre priorizo as coisas do dia. Marco milhares de coisas e vejo o que acho que vou perder mais tempo.
Fiquei assim depois de uma viagem ao Peru, na qual não tinha pesquisado nada, incluí uma cidade e perdi o melhor passeio que tinha: o ônibus chegou 1 hora depois da saída para o passeio de 1 dia e o vôo do dia seguinte saía 1 hora antes do retorno do passeio de 2 dias. Muito triste. Pelo menos descansei e caminhei pela cidade durante 1 dia e meio.
Agora descubro todas as possibilidades, preços e horários anteriormente!!!
Bjos

Carla
CarlaPermalinkResponder

Planejar é maravilhoso. Na minha opinião, estudar o destino é fundamental para aproveitar a viagem.

Mas isso não é overplanning - pelo que entendi, overplanning é se escravizar a um roteiro engessado e cumpri-lo a duras penas, custe o que custar... wink

Ricardo Freire

Egzatamente.

In Spirits
In SpiritsPermalinkResponder

Negócio é se preparar, cobrir algumas bases como principais estadias e alguns traslados, conhecer os roteiros possíveis, E DEU. Vai. Sai. Caminha. Olha. Olha pra cima (turista sempre se reconhece porque ele caminha olhando pra cima com um semi-sorriso no rosto). Conversa. Come. Bebe. O mundo é grande demais, diverso demais. Considero até um desrespeito não se permitir uma maior liberdade nas trips.

Abraço
Geraldo Figueras

flavia soares
flavia soaresPermalinkResponder

post super pertinente.
Tem uma outra coisa que também noto, principalmente quando vou pesquisar posts mais antigos: a repetição das perguntas, algumas são exatamente o assunto do post! Quer dizer, a resposta da pergunta é o próprio post!!!! isso acaba dificultando um pouco a vida de quem tá relendo os comentários, onde normalmente a gente acha dicas maravilhosas. É bom lembrar que a caixa de comentários também é um instrumento de pesquisa super útil e precisa ser mais valorizado.Vamos zelar pela sanidade do blogueiro que acaba respondendo infinitas vezes as mesmas perguntas...

Ricardo Freire

VAI PRA BÍBLIA!

Eu estou planejando um elenco de FAQs pra ter links prontos pra responder a quem pergunta o que já foi respondido ou, o pior de tudo, o que está escrito com todas as letras no post. Muita gente acha que é frescurite minha, mas não é só isso: é que é realmente importante manter as caixas de comentários enxutas para quem vai pesquisar depois. Estou pensando em implantar um sistema em que as perguntas respondidas com esses links prontos sejam removidas depois de 24 ou 48 horas (para dar o tempo para a pessoa ler).

Carmem
CarmemPermalinkResponder

Grande ideia! Concordo plenamente!

Andre Lot
Andre LotPermalinkResponder

Riq, já pensou em colocar um pequeno disclaimer quando a pessoa abre o Comentódromo? Esse comportamento é comum em alguns portais específicos de um tema que participo e são abertos: a pessoa trata caixas de comentários de artigos e posts como se fosse um balcão de informações sem se dar ao trabalho de ler ou fuçar no índice.

Anna Francisca

É um assunto interessante. Dá pano prá manga! Concordo com o Arnaldo em gênero, número e grau. Há turista, como já foi dito aqui, que fica dois dias em Paris e diz que "conhece" Paris. Para ele, talvez, os dois dias tenham sido suficientes e não tenha mais interesse em voltar. Quantas vezes muitos aqui já foram a BsAs? Várias. Querem voltar? Quantas vezes forem possíveis. Eu, por exemplo, já fui a Cuzco. Fiquei 3 dias. Conheço? Digo que sim e não tenho intenção de voltar. É questao de gosto, interesse. Sei também que se ficarmos no "tudo é relativo", não há mais conversa. Mas, planejamento acho essencial.

Carla
CarlaPermalinkResponder

Já eu sou diferente... Acho que eu não conheço nem a cidade onde eu moro... wink

Rogerio
RogerioPermalinkResponder

Oi pessoal. Tb sou adepto do planejamento e acho que pesquisar as atrações e novidades de um lugar já é uma forma de iniciar a viagem, além de diminuir a ansiedade quando ainda faltam alguns meses para o tão esperado dia (rsrsrs).

Concordo com o Riq qto à grande quantidade de informações que temos hoje disponíveis, especialmente pela Internet. Eu mesmo tenho vários links de blogs e revistas nos meus "favoritos". Faz até com que os guias impressos se tornem desnecessários.

Também não entendo esses roteiros malucos previstos em pacotes turísticos que mostram dez países em 20 dias. É uma coisa que não entra na minha cabeça. As pessoas passam mais tempo subindo e descendo do ônibus do que realmente vendo as cidades. Fora o fato de que vc se cansa de tanto fazer e desfazer as malas e carregá-las de um lado para outro. Na primeira vez que fui à Europa, fiz Paris, Londres e Barcelona por conta própria e depois peguei um pacote de seis dias pela Itália. Nessa ocasião pude comparar os dois estilos de viagem e vi que pacotes realmente não são para mim. Mas isso depende da filosofia de viajar e do orçamento de cada um.

Mas voltando ao tema do overplanning, concordo que não devemos e nem temos condições de ver tudo o que os guias recomendam. Acho que devemos fazer um planejamento diário do que queremos ver por área da cidade. Mas estando aberto a novas experiências no meio do caminho. Na minha opinião, não vale a pena ir naquela boutique moderninha ou naquele restaurante da moda se aquilo vai tomar uma manhã ou uma tarde inteira de deslocamento para um bairro distante.

Gostaria de te cumprimentar pelo site e pelo conteúdo da sua coluna no Estadão. É muito bom ver um tema que nos interessa seguido de várias opiniões de leitores. Isso faz com que viajar continue sendo um dos grandes prazeres da vida!

Paulo Torres
Paulo TorresPermalinkResponder

Eu me "overplanejo" não para ter uma programação rígida, mas para me informar ao máximo sobre meus destinos. Faço uma lista de coisas a se fazer na cidade e não me obrigo a ticar tudo, apenas tenho sempre diversas opções de coisas a fazer a cada dia - se amanhece chovendo, melhor ir a um museu do que àquele mirante com vista panorâmica da cidade. Se tem 900 japoneses na minha frente na fila pra entrar na Sagrada Família, melhor aproveitar o sol pra caminhar pela praia de Barcelona até o Aquário e tentar chegar mais cedo na igreja do Gaudí no dia seguinte. (E como costumo viajar sozinho, só preciso negociar meu roteiro do dia comigo mesmo.)

Léo Luz
Léo LuzPermalinkResponder

Agora, trips, haja argumento para ficar respondendo às questões do tipo: _Nao acredito que vc não foi à Praia do Francês. Só ficou em Maceió? Perdeu a melhor parte...(Argh!) Ou até, _Mas o que você ficou fazendo 5 dias em Pipa?

Ora essas, diplomaticamente posso continuar respondendo que fiquei descansando de papo pro ar, tomando café até às 11h, ido pra praia, voltando pra piscina, procurando ursinhos nas nuvens?

smile

Silvia Oliveira | Matraqueando

Tô com você, Léo! Quando fiz a Expedição Brasil Express pelo Matraqueando (nos dois últimos meses) eu só tinha um ou dois dias inteiros no destino (por isso, express...) Você precisa ver como teve gente que ficou magoado porque eu não fiz o passeio de buggy nas dunas de Genipabu em Natal e preferi o Forte dos Reis Magos... ou porque passei por BH e fui direto para o Instituto Inhotim e não visitei nenhum bar da capital mineira ou porque fui ao Rio e fiquei enfurnada no curso da Roberta Sudbrack... e nem dei um passeiozinho por Santa Tereza! Enfim, quando eu definitivamente consigo definir UMA prioridade nos meus destinos, todo mundo cobrou porque eu não abracei o mundo! :roll:

Gustavo - Viajar e Pensar

Realmente planejar é tudo, o problema é escravizar. Ficar escravo de um planejamento é horrível e você sofre.
Como muitos, depois de algumas viagens, se aprende, como tudo na vida.
Me dá arrepio quando alguém diz que vai 15 dias pra Europa com Roma, Florença, Paris, Londres e aí vai, não entendo, mas tudo tem seu mercado.
Uma verdade é a seguinte, pesquisando a viagem começa antes, você já vai entrando no clima, vai sonhando com os lugares, acho muito importante esta parte.

Fernanda Moreira

kkkkk tou rindo aki sozinha, pois, quando descobri o VnV tava no inicio do planejamento da minha viagem (com meu marido) pra europa central, e nao sei quantas noites passei com insonia, pois ficava lendo ate tarde e ia dormir com toda a ansiedade do que ainda tinha pra planejar, os hoteis a reservar, etc. Agora ja reservei quase tudo: passagem de aviao, hoteis, e ate algumas passagens de deslocamento... tem tanto site sobre os lugares nos meus favoritos, que antes de ir, vou so dar mais uma olhada para anotar as principais atraçoes... antes eu queria imprimir tudo pra levar e poder seguir! agora tou me esforçando pra relaxar, pois o estresse q em q eu tava era um sofrimento! viagem é pra curtir, mas tb pra relaxar!

Ana Cristina
Ana CristinaPermalinkResponder

Adorei o post de hoje- logo me fez lembrar minha primeira viagem pra Europa que eu fiz em 1997 e que foi super overplanning – em cada lugar que eu chegava eu queria conhecer tudo e muito mais. Fui com uma amiga que quando viu meu frenezi foi logo me dizendo que nao ia comigo pra nenhum lugar no outro dia - porque ia passar o dia caminhando, ia ao shopping ou ia sentar num café. So na minha segunda viagem que eu entendi ela e aprendi a relaxar nas viagens.
Quanto ao planejamento eu sou super a favor – agora mesmo estou no planejamento da minha viagem de quase 3 meses pela Europa – e ja me sinto viajando desde janeiro quando comecei a organiza-la. Quando eu chego nos lugares eu fico deslgumbrada com tudo que li a respeito e agora estou vendo ao vivo. E um prazer incalculavel – escolher o cidade, hoteis e os passeios. Agora eu realmente curto cada momento sem me preocupar de fazer todos os passeios.
Parabens Riq pela materia, me trouxe muitas lembrancas.

Atenção: Os comentários são moderados. Relatos e opiniões serão publicados. Perguntas serão selecionadas para publicação e resposta. Entenda os critérios clicando aqui.
Bóia de férias. Só voltaremos a responder perguntas que forem postadas a partir de 3 de junho. Relatos e opinões continuarão sendo publicados.
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