O primeiro e o último dia da viagem: não conte com eles

Ricardo Freire
por Ricardo Freire

Au revoir

Eu já toquei nesse assunto algumas vezes. Sobretudo quando falo de viagens picadinhas -- porque a gente tem a mania de se iludir com distâncias e horas de vôo, achando que um lugar está a "só duas horas" de outro. Quando a gente acha que um lugar está "a duas horas" de outro é porque são duas horas só de vôo, ou duas horas só de estrada -- sem contar  todos os trâmites entre a saída de um hotel, a saída da cidade, a chegada em outra cidade e a chegada ao outro hotel. E nessas, perde-se pelo menos meio dia -- e muito mais energia do que se imagina.

Ainda mais delicada é a situação do dia de chegada e, sobretudo, do dia da saída de uma viagem internacional. É mais feliz quem não arranja motivo pra se estressar nesses dois dias.

Coisas para não fazer no primeiro dia da viagem
I-95, Flórida

  • Depois de uma viagem noturna internacional, não emende uma viagem longa de carro. É dar sopa pro azar.
  • Não marque jantar ou show caros. Pode bater um cansaço e dar vontade de desistir.
  • Ticar lerês. Se você tiver uma lista de obrigações para cumprir imediatamente após desembarcar, é porque você programou dias de menos nesta escala.
  • Marcar conexões no mesmo dia com vôos ou trens que não estejam vinculados à passagem transatlântica. Mesmo que tudo dê certo, o stress não compensa.

Coisas para não fazer no último dia de viagem
Fila na Galleria Uffizzi

  • Viajar de carro até a cidade onde você vai pegar o vôo de volta. Há tantas coisas fora do nosso controle -- engarrafamentos, problemas mecânicos, desatualização de GPS, errinhos bobos -- que quaisquer 200 km podem trazer uma enorme dor de cabeça. De novo: mesmo que tudo dê certo, ninguém merece se estressar tanto no último dia de viagem. Melhor vir na véspera e pernoitar na cidade de onde parte o seu vôo.
  • Ticar lerês. É melhor fazer as últimas compras do que fazer os últimos museus.
  • Marcar conexões com no mesmo dia com vôos ou trens que não estejam vinculados à passagem transatlântica. Na volta, combinar low-cost ou trem com o seu vôo de volta ao Brasil é ainda mais perigoso do que na ida -- porque perder o vôo de volta sai muitíssimo mais caro e há muito menos opções de jeitinhos e gambiarras. Só faça isso se os vôos tiverem vínculo -- aí, em caso de atraso, você pelo menos tem direito a assistência/remarcação pela cia. aérea.

O que fazer no primeiro e no último dia da viagem internacional

Pense no dia da chegada e no dia da partida como câmaras de descompressão. Simplifique. Desencane. Deixe acontecer.

Na chegada, comemore o fato de ter chegado bem. Ou vingue-se dos perrengues do vôo de ida (essa hipótese é mais provável). Estique as pernas. Saia sem câmera, fotografe só com o celular (esse é o dia em que você está mais suscetível a mãos-leves). Tenha na manga lugares para comer que não exijam reserva (assim você só vai se der vontade). Nesse dia, mais importante que o melhor jantar é o melhor sorvete. Deixe o destino surpreender você. No dia da chegada, tudo o que vier é lucro.

Na partida, desacelere. Arranje tempo para parar e lembrar das melhores coisas da viagem enquanto você ainda está viajando. Não vai bater tristeza, não -- é mais provável que sorva os últimos momentos com mais intensidade, que tudo pareça mais colorido. Faça só o que você mais gosta. Sem perrengues. Sem stress. (O melhor mesmo é começar isso umas 48 horas antes, mas daí, eu sei, já é sugerir demais.)

Leve um  livro de casa. O livro que você mais esteja a fim de ler no momento. Chegue cedo ao aeroporto. Faça o check-in e comece do primeiro capítulo. Boa viagem.

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87 comentários

Maria
MariaPermalinkResponder

Fazer as malas sempre na véspera. Por mais tempo que vc tenha, acaba sendo uma correria fechar as malas na hora da saída. Chegue mais cedo ao aeroporto, faça o check-in sem filas, passeie no freeshop, e depois sente-se num restaurante legal no aeroporto, deguste um prato especial com um bom champanhe ou vinho.
Vc encerra a viagem com chave de ouro cravejada de brilhantes e esmeraldas ?⭐️✨?

Cristina
CristinaPermalinkResponder

Comandante subestimei uma viagem de 3 horas de carro até perto de Key West após a maternidade - dormi nada no voo da ida agora em Maio. Mascote VnV 10 anos me
chutando o tempo todo, turbulência, café da manhã c a família do seu quase Xara p pegar umas coisas e deixar outras e almoço pq tava na hora do pequeno - quase chegando em Marathon só ele podia dormir - eu tinha que conversar c o motorista (meu Rick). Fosse Key West eu ia conseguir conversar. Isso eu acertei

Sylvia
SylviaPermalinkResponder

Se o voo internacional noturno não sai da minha cidade, vou pra um hotel junto do aeroporto, e chego no embarque 2 horas antes d voo. Durmo ao menos 2 noites no destino d chegada antes de seguir viagem.
Na volta, faço duas coisas : compro uma diaria a mais no hotel pra chegar zerada no voo internacional noturno , e só volto pra casa um dia depois de chegar no BR.
Assim evito stress se houver atrasos d voos.

Adriano
AdrianoPermalinkResponder

Aeroporto destroi qualquer um, como exemplo a Europa,ficar de low cost em low cost é uma furada. muito cansativo e muito tempo perdido em aeroportos. Melhor mesmo é conhecer 2 a 3 cidades e aproveita-las bem.

Sergio
SergioPermalinkResponder

E se seu voo for a noite compre uma diaria a mais para não ter que ficar sem conforto justo no último dia e rstragar a viagem por isso

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