Quando o Brasil vai ser um Bric do turismo?

Ricardo Freire
por Ricardo Freire

Cristo Redentor, Rio de Janeiro

O país tropical, abençoado por Deus e bonito por natureza nunca esteve tão por cima. E desta vez nem é por causa do futebol. Alguém se lembra de algum outro momento em que fôssemos tão respeitados lá fora? Sucesso econômico retumbante, o Brasil é saudado como a próxima potência emergente. Será que algum dia o Brasil vai ocupar, no cenário turístico internacional, um lugar semelhante ao que está conquistando na economia global?

Não será fácil. Segundo os relatórios da Organização Mundial de Turismo (o mais recente se refere a 2009; o relatório de 2010 deve sair nas próximas semanas), faz muitos anos que o número de visitantes estrangeiros ao Brasil está estagnado em torno de 5 milhões (incluindo os visitantes a trabalho). O México recebe quatro vezes mais turistas do que nós; a Tailândia, três vezes mais; a África do Sul (que não tem nenhum vizinho emissor), o dobro. Temos apenas 25% mais turistas estrangeiros que a República Dominicana. Até o pequeno Uruguai (do Chuy ao Prata, com uma sazonalidade fortíssima) consegue receber quase metade dos visitantes internacionais que chegam ao Brasil inteiro (do Oiapoque ao Chuí, em verão permanente).

O mercado doméstico, que tradicionalmente tem sustentado a indústria do turismo, está em rota de fuga. Em 2011 os brasileiros gastaram US$ 16 bilhões no exterior (contabilizadas apenas as divisas obtidas por cima do pano) e foram os campeões mundiais em aumento de despesas em viagens internacionais; gastamos lá fora 52% a mais do que em 2009. Em segundo e terceiro lugares no campeonato do esbanjamento  vieram os árabes sauditas e os russos – que entretanto se contentaram em gastar respectivamente 28% e 26% a mais. Em contrapartida, os visitantes estrangeiros deixaram no Brasil pouco mais de um terço do que gastamos lá fora: US$ 6 bilhões. O aumento com relação a 2009, de 11%, apenas acompanha a valorização do real. Os dados são da Organização Mundial do Turismo, confirmados pelo governo brasileiro.

A força do real explica em parte esses números – mas, como veremos a seguir, ajuda a encobrir nossa falta de interesse em ver o turismo internacional acontecer de fato no Brasil.

O melhor do mundo. Os relatórios de competitividade no turismo internacional editados pelo Fórum Econômico Mundial (a entidade que está por trás dos encontros de Davos) são reveladores das qualidades e deficiências do Brasil na área do turismo. O mais recente foi divulgado na semana passada, e traz o Brasil em 52º lugar no ranking da competitidade turística internacional – seis posições abaixo do relatório de 2011.

O 52º lugar não seria de todo mau – afinal, continuamos na frente de mercados vizinhos turisticamente mais evoluídos, como Chile (56º) e Argentina (60º) – se não fosse por um detalhe: a nota do Brasil é inflada por uma espetacular primeira colocação no item “Recursos naturais”. Pasme: os senhores sisudos de Davos concordam com a afirmação de que moramos num país tropical, abençoado por Deus e bonito por natureza. Mas agora pasme ainda mais: o país nº 1 em recursos naturais não consegue fazer com que visitantes gastem mais do que um terço do que seus moradores gastam no exterior.

Falta de prioridade. A classificação dos países é dada pela ponderação de 75 indicadores, divididos em 14 pilares importantes (“recursos naturais” é um desses pilares). Destrinchando o boletim do Brasil, o país oscila entre a 65ª. e a 85ª. colocação na maioria dos itens. Duas notas bastante baixas, porém, chamam a atenção.

Uma é no item “prioridade governamental para o turismo”, em que o Brasil ocupa a 104ª. posição entre os 160 países pesquisados. Não é culpa exclusiva do governo. A falta de prioridade ao assunto apenas reflete uma mentalidade bem estabelecida entre as classes educadas de que esse negócio de turismo internacional é para república de bananas, não para um país industrializado. (Tenho consciência de que boa parte dos leitores que chegaram até aqui estão achando esse texto um desperdício de papel e tinta.) Enganam-se. O turismo é um setor econômico importantíssimo também em países desenvolvidos. A Espanha está em 14º lugar no item prioridade governamental ao turismo. A França, em 17º. A Suíça, em 21º.

A outra nota decepcionante é a que ganhamos no item “efetividade de marketing e branding” – não fomos além do 95º lugar. O país dos jogadores de futebol, de Gisele, de Paulo Coelho e das Havaianas – que espalham bandeirinhas pelo mundo inteiro – não consegue se comunicar como destino de viagem.

O país do evento. O maior sucesso do turismo internacional brasileiro está na captação de eventos. Neste item, estamos no primeiríssimo time: o Brasil é o número 8 do mundo. E vamos continuar bem: nos últimos anos, o Brasil captou os dois maiores eventos do planeta: uma Copa do Mundo e uma Olimpíada. Brasil 2014 e Rio 2016 têm a responsabilidade de fazer o turismo internacional pegar no tranco. Será que dessa vez vai?

É possível. Mas o Brasil não pode mais continuar bom apenas no atacado. É preciso saber atuar no varejo.

Na grande arena onde se dá o corpo-a-corpo pelo turista independente, a internet, o Brasil ainda está na idade da pedra. O site oficial do turismo brasileiro – Braziltour.com – é confuso, incompleto e, em alguns momentos, ilegível. Há trechos em que a versão para o inglês parece ter sido feita pelo tradutor do Google, de tão macarrônica. No plano regional, há muitos sites de cidades que sequer oferecem a versão em espanhol.

O que estamos perdendo. O prejuízo do Brasil com a escassez de turistas internacionais vai muito além do rombo de US$ 10 bilhões entre o que os viajantes brasileiros gastam lá fora e os estrangeiros deixam aqui. O turismo é a última indústria que emprega mão-de-obra intensivamente. Recomendo a todos os que acham que esse assunto é uma tolice que façam o que fiz ano passado: passem uma semana em Punta Cana, onde todos os resorts permanecem com lotação considerável mesmo na baixa temporada, gerando um sem-número de empregos visíveis a olho nu, e depois percorram os resorts brasileiros – a maioria deles dependendo de convenções de empresas para ter alguma lotação fora das férias escolares.

2011 vai ser um ano particularmente duro para as pousadas – a escassez de feriados (que este ano caem em dias que não permitem pontes) vai minguar ainda mais a receita na baixa temporada. Enquanto isso, o turismo de negócios vai ótimo, obrigado, com aviões lotados e falta de quartos de hotel em muitas capitais.

Nem o Ministério do Turismo nem a Embratur são culpados pela valorização do real e pela vontade do brasileiro de viajar para o exterior. Mas as duas autarquias não deveriam tapar o sol com a peneira, usando números fora do contexto para que pareçam tão positivos quanto os dos demais setores da economia. A presidente Dilma Roussef, que já demonstrou ter os dois pés na realidade, bem que poderia intervir no mundo do faz-de-conta do turismo internacional no Brasil. Este é um setor em que há muito o que crescer, e rapidamente. A capacidade instalada é adequada, a ociosidade é tremenda, a baixa temporada é interminável. Um pouco mais de vontade de receber visitantes (que tal despolitizar a flexibilização do visto de entrada para canadenses e americanos?) e uma presença competente na internet trariam bons resultados muito antes de 2014.

Publicado originalmente na minha página Turista Profissional, que sai toda 3a. no suplemento Viagem & Aventura do Estadão.

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64 comentários

Regis
RegisPermalinkResponder

Dificilmente você vai encontrar alguém que discorde desse seu texto. O difícil, porém, é conscientizar os governos sobre a importância do setor turístico na economia. Nossos aeroportos são vergonhosos, não há investimento em mão de obra qualificada para atender o turista, os meios de transporte entre as cidades são capengas e a violência urbana assusta. Sinceramente: não vai ser nessa década que alguma coisa vai mudar...

marcelo linhares

gostei da matéria, parece bem relevante.
se a copa não for um sucesso é capaz de queimar nosso filme de vez lá fora.
muito obrigado.

Helder
HelderPermalinkResponder

Quando viajo para o exterior duas das maiores motivações que eu tenho são transporte público de qualidade (facilidade de locomoção) e segurança. Acredito que se tivessemos isso por aqui já seria um bom começo smile.

Luciana Bordallo Misura

Assino embaixo Riq. Mas você não falou dos preços. Os preços de tudo no Brasil assustam quem vem de fora, mesmo quem ganha em dólar, libra ou euro. Das diárias de hotel astronômicas, passagens aéreas, restaurantes, tudo é caro. Tenho muitos amigos aqui nos EUA que já deram uma olhada em viagens pro Brasil e desistiram com os preços (além da distância). Ninguém discorda que o Brasil é lindo e todos tem vontade de ir, mas é bem mais longe que os destinos do Caribe por exemplo e o triplo do preço. A Tailândia é longe mas é barata, Punta Cana é perto e é barata, Cancún idem...e aí quando entra a falta de organização do país pro turismo internacional...não vale a pena pra eles encararem horas de viagem, pagarem o triplo do preço e ainda ficarem perdidos no Brasil, sem falar em segurança sad Se o Brasil fosse vendido no exterior como uma barganha (não só vendido, mas se fosse de fato), aposto que ia ter mais gringo encarando a falta de infra e segurança e as horas a mais no avião.

Ricardo Freire

Sem dúvida o real forte é o grande culpado pela escassez de gringos. Só que não se faz nada pra atenuar/compensar/contornar isso... um site que não falasse em "Humanity Cultural Heritages in Brazil" e "Tourism Nautical" na capa, e não acusasse tantas "no attractions found, try another segment" já ajudaria...

(Já que cobrar o visto no desembarque, como fazem Chile e Argentina, é acabar com a dignidade nacional...)

Alessandra Fiorini

Riq
E não é só para o estrangeiro que os preços daqui são caros, não. Eu tenho cotado muito os resorts do nordeste e os preços com 1/2 pensão são equivalentes ou até mesmo mais caros que os de all inclusive no caribe, por exemplo. Sai mais barato 1 semana em NY do que 1 semana no nordeste.
E aí, para qq um, brasileiro ou não, não vale a pena.

Tadeu Zanoni
Tadeu ZanoniPermalinkResponder

Sem dúvida nenhuma: tem que acabar com a exigência do visto. Ficamos para trás e perdemos lugares.
Só mais uma coisa: estive na África do Sul durante o Carnaval e vi a diferença entre os aeroportos deJoanesburgo e Cape Town para Guarulhos. Precisamos melhorar muito. Precisamos de um aeroporto novo aqui em SP.

priscila
priscilaPermalinkResponder

a luciana tem razao... o mexico tem praias tao lindas quanto no brasil so' que e' bem mais barato para o americano ir para o mexico, costa rica e porto rico do que ir para o brasil...

Dri
DriPermalinkResponder

Concordo com vc tb Lu. E, como moradora do Rio posso AFIRMAR que a cidade não tem infraestrutura para receber turistas. Meu cunhado, americano (do tipo com muito $$, empresário) veio para o Rio a primeira vez ano passado. Na primeira noite tivemos um apagão de mais de 4 horas na Zona Sul. No segundo dia, uma chuva torrencial que fez com que ele tivesse que voltar para o Marriot com agua acima dos joelhos. Chegando na sua suite master, ele pode verificar a enorme lingua negra se formando na praia. Apesar de estar numa das suítes mais caras do hotel, as toalhas extras q ele pediu para secar as pernas estavam semi-poídas. Quando ele quis conhecer a churrascaria Porcão "verdadeira" (está acostumado com a de Miami), colocaram vários itens a mais na conta. Para fechar com chave de ouro, overbooking no voo. Qualquer um poderia argumentar que se tratou de falta de sorte, mas as principais reclamações dele não foram sobre o apagão/enchente/erro na conta. As principais reclamações foram:

1-Vender um lugar por conta de suas belezas naturais x valão de esgoto na praia
2- Preço abusivamente elevado x serviço oferecido (ele ficou especialmente revoltado com a hospedagem no Solar do Império em Petrópolis)

Ele disse basicamente a mesma coisa que a Luciana comentou: Para fazer turismo de belezas naturais, eu vou ao caribe que é mais perto e mais barato...

Dri
DriPermalinkResponder

Só mais um exemplo revoltante: Um dos melhores vinhos que produzimos aqui no Brasil se chama Miolo Terroir. Ele é encontrado a venda aqui no RJ por preços que variam entre R$80,00 e R$130,00. No site da própria Miolo só é possível comprar caixa com 6 unidades, a bagatela de R$510,00. Pois sabem quanto esse mesmo vinho custa nos EUA? US$12,00. SIM. DOZE DOLARES. Ou seja, é possível comprar um produto brasileiro de ótima qualidade por 1/4 lá fora do que aqui. Como explicar isso a um turista?

Ila Fox
Ila FoxPermalinkResponder

Em San francisco conheci um taxista russo que já viajou 6 vezes para o Rio de Janeiro, brinquei que ele era mais brasileiro que eu que só fui conhecer a cidade maravilhosa o ano passado. wink

Acho que temos potencial sim, só temos que aprender a respeitar e valorizar mais o turista. No Rio por exemplo tive a infelicidade de lidar com taxistas mercenários que cobram 3X mais (sem querer ligar o taxímetro, que é ilegal). Isso sem contar hoteis que tratam vc com desdém, donos de restaurante e garçons fazendo pouco caso... coisa que num país turistico eu (ainda) não vi.

gabebritto
gabebrittoPermalinkResponder

Enquanto o Turismo e seu Ministério forem entregues a políticos que não entendem NADA do assunto, vamos continuar sendo esta vergonha turística.

Mari
MariPermalinkResponder

falou tudo.

Thiago Melo
Thiago MeloPermalinkResponder

Concordo e assino embaixo com tudo que disse! Sou formado em turismo e me dói o coração ver tudo isso e não poder fazer quase nada. Vejo como um problema quase cultural que acaba por afetar no desenvolvimento turistico. Como disse uma amiga ai em cima, os preços no Brasil são muito elevados, porque brasileiro quer tirar vantagem em tudo. Quer ter lucros exorbitantes, por exemplo. Uma pousada em Buzios chegou a me oferecer um pacote simples de reveillon por 11mil reais para 2 pessoas. Em paises vizinhos como Argentina, cobrasse um preço acessivel a todos. E isso ajuda bastante.
Outro ponto é a pasta ministerial ser usada como moeda de troca entre os partidos. Não tendo ninguém qualificado para assumir as rédeas e botar a máquina para funcionar.
Tenho vergonha dos sites que apresentam o Brasil na internet, nada funcionais, cheios de erros que mais confundem do que esclarecem os visitantes.
Enfim temos um longo caminho a percorrer. Tenho fé e trabalho bastante para que um dia possa ao menos ver uma luz no fim do túnel.

Maryanne hotelcaliforniablog.wordpress.com

Concordo com tudo que foi dito acima, o Brasil é caro, nao tem segurança pro turista, mas é o país que todos querem conhecer. Acho que um ministerio competente poderia fazer muita diferença. Acho muito triste sabermos que um governo novo, que já sabia que teremos Olimpiadas e Copa do Mundo, faça da pasta do Turismo, um cabide de emprego em troca de votos. Assim vamos continuar muito mal, e se perdermos esse momentum, ninguem sabe qdo será o proximo.

alex serpa
alex serpaPermalinkResponder

O que se esperar do turismo, quando a sua maior "autoridade" promove festas em motéis com dinheiro público? Não pode ser sério um país assim...
Em relação aos preços, gostaria de saber se alguém sabe me explicar porque um feriadão em Penedo (que, diga-se, não é a meca do turismo nacional) custa em torno de 700 euros, média de 175 euros por dia? Será só o Real valorizado? Este preço paga um hotel bem razoável em Paris, com o Euro que também é uma moeda cara...Talvez seja um ciclo vicioso. Os hotéis ficam vazios a maior parte do ano e tentam compensar nos feriados. Mas aí, vale mais a pena passar o feriado em Buenos Aires ou em Santiago, o que deixa o hotel vazio e assim vai.

Manuel
ManuelPermalinkResponder

Pra fazer um exemplo, viajar desde Colombia até Brasil costa o mesmo que viajar de Colombia até Europa (e somos paises vicinhos), os hoteis no Brasil costan muito mais que um hotel 5 estrelhas no caribe, os traslados custan o doble que custa um traslado em outro destino onde a gasolina custa 3 vezes mais que no Brasil.

Tudo isso é inacreditável !!

Fernanda
FernandaPermalinkResponder

Concordo na íntegra! Os hotéis aqui são caríssimos. Acabei de voltar de NY, fiquei no Roosevelt. meu marido foi a SP, ficou em um hotel que nem era de rede, 3 estrelas e pagou a diária mais cara que a do Roosevelt. Fora que comer nos EUA, mesmo sendo em dólar está mais barato que no Brasil.

Viajante Oficial

Faltando pouco mais de 3 anos para a copa sabemos que difilmente teremos transporte público de qualidade, segurança, portos e aeroportos funcionando a contento e uma rede hoteleira capaz de assegurar aos visitantes estrangeiros um mínimo de serviços de qualidade. Para mim, infelizmente, acho que por tudo isso a copa no Brasil será um fiasco.

João Gomes
João GomesPermalinkResponder

É isso aí concordo com tudo isso e parabéns Riq pelo texto. Mas a pergunta é: qual o nosso envolvimento e o que faremos para melhorar isso? Acho que esperar por políticas públicas não é a melhor solução...

Deise de Oliveira

Também, o preço de se viajar para muitos destinos do Brasil (como muitas partes do Nordeste) sai mais caro do que viajar para Miami, por exemplo.
Além disso, a falta de estrutura básica tanto para o turista gringo quanto para o brasileiro, preocupa muito.

Clara
ClaraPermalinkResponder

Como já foi dito por várias pessoas, o Brasil está caro, muito caro. Mas não concordo que seja apenas por uma moeda, o real, valorizada. O custo Brasil é grande, e por qualquer coisa que se paga, paga-se também impostos. E qual é o gringo que vai querer pagar imposto(embutido nos preços) aqui no Brasil?? Fala sério, por mais lindo e interessante que seja o nosso país, o gringo não virá à turismo, no máximo a eventos, e gastará pouco.

Estive vendo o preço de pousadas em Visconde de Mauá para o carnaval que passou, e cheguei à conclusão que iria economizar em estadia e comida indo ao exterior. Porque pousadas, em feriado, só aceitam pacotes a preços exorbitantes. Se elas não oferecerem preços minimamente competitivos, vão passar por enormes dificuldades.

Clara
ClaraPermalinkResponder

Esqueci de comentar sobre as nossas estradas: sem comentários!

Sylvia
SylviaPermalinkResponder

Falando sério : a imensa quantidade de especialistas-turistas que temos aqui no site todos os dias, prova que é viável a formação de grupos sem interesse profissional e com trabalho não remunerado para encontrar caminhos e implantar soluções.
Pq não viablizar uma ONG do turismo ?
Aposto que Dilma aplaude lol

Alessandro A.
Alessandro A.PermalinkResponder

Concordo com tudo e como eu já disse antes: Riq para Ministro do Turismo!!! smile

leobopp
leoboppPermalinkResponder

2 votos!!!

Marcio
MarcioPermalinkResponder

Acho um absurdo o descaso do nosso país com o turismo. Também acho que o sensacionalismo da nossa mídia influencia até os brasileiros. Não acho a violência aqui tão ostensiva. Claro que é incomparável andar no Canadá e em Recife, mas dá pra encarar. Buenos Aires não é tão segura assim, Los Angeles, Cairo, Washington tb. Toda grande cidade merece cuidados. Acho q há um exagero. O problema é a mistura dos fatores: real caro, serviços ruins, violência real x aparente, falta de infraestrutura...
Achar o culpado é fácil, difícil é encarar o desafio de mudar o cenário. Por isso, alguém que conhece realmente o assunto deveria assumir o Ministério do Turismo, e não políticos indicados em alianças partidárias. Precisamos de alguém como...como...o Riq! wink

João Gomes
João GomesPermalinkResponder

Eu já tinha pensado nessa campanha: 3 votos!!!

leobopp
leoboppPermalinkResponder

Essas grandes questões nacionais só são resolvidas pouco a pouco. Alguns setores poderiam se mobilizar para resolver os seus próprios problemas e assim gerar uma onda de melhorias ao redor.

Para viajar para a Europa e EUA, você reserva um quarto em qualquer muquifo através da internet e só paga depois da estadia. Aqui, se bobear, tem que fazer um depósito, enviar um fax, etc.

O atraso tecnológico e mental de muitas empresas e empresários do setor é gigantesco.

Majô
MajôPermalinkResponder

O que eu ia dizer é o que a Luciana disse, turismo no Brasil é muito caro, para nós e para os estrangeiros. Acho preço de hotéis e pousadas um absurdo. Idem restaurantes no Rio e São Paulo.

Marcela
MarcelaPermalinkResponder

Riq,

parabéns pelo tópico e por levantar essa importantíssima discussão!

Quero discordar daqueles que acham que o Brasil é caro... não acho! Nas grandes capitais européias não é fácil encontrar um bom hotel por menos que 100 euros. Mas pelo equivalente em reais (+ ou - R$ 240,) encontram-se ótimas opções na maioria dos lugares. Idem para alimentação. Onde um Europeu encontra um "rodízio", ou um buffet "coma o quanto puder" por 30 euros? Cerveja a 2 euros?

Acho que nosso grande limitador é a falta de infra estrutura, principalmente de transportes. Todo feriado é sinônimo de caos: aeroportos e estradas não suportam a demanda atual. Crescer como? Isso sem falar na carência de aeroportos. Quantos existem fora das capitais? E desses, quantos são atendidos pelas grandes companhias aéreas?

É claro que existem outros problemas...

E eu espero que a copa não seja o fiasco profetizado!

Ila Fox
Ila FoxPermalinkResponder

Concordo com a parte da alimentação, na europa achei tudo muito caro e não tão gostoso (para meu paladar brasileiro). Em compensação aqui nos EUA eu acho mais barato e farto que no Brasil

Alessandra Fiorini

Riq
Estive agora em março com minha família no Hotel Fazenda Mazzaroppi, como não encontrei outro post para colocar minhas impressões, vou colocá-las aqui. O link com este assunto é o preço: no carnaval, o valor para uma família com 4 pessoas sai pelo mesmo valor da Disney.

COMO É O HOTEL FAZENDA MAZZAROPPI

Minha intenção era um hotel onde pudéssemos relaxar, enquanto as crianças se divertissem, e se pudesse aliar isto à proximidade de São Paulo, melhor. Pesquisei no VnV, mas nada havia sobre estes hotéis-fazenda próximos a São Paulo.
Perguntando para alguns vizinhos e amigos, a indicação foi unâmine: Hotel Fazenda Mazzaroppi.

Já havia ficado no Hotel Fazenda Barra Bonita, onde, exceto as acomodações – quarto pequeno, pouco armário, banheiro sem janela (de um lado, um box com vaso, de outro, um box com chuveiro, com a pia no meio dos dois), todo o resto é excelente, mas este fica há 3 horas de São Paulo, o que não era meu objetivo.

Há 1:30 hs de SP, via Airton Senna-Carvalho Pinto, o Mazzaroppi é perto, como eu queria. Na reserva, fui informada que receberia um upgrade de quarto, pagaria standard mas ficaria num luxo.

No check-in, o atendente simpático mas apressado explicou o funcionamento do hotel, mas faltando dizer o que estava ou não incluído na diária. Senti falta também de uma explicação (do atendente ou de algum monitor) sobre a recreação.

Chegando lá, fomos acomodados na Ala 600, num quarto com manchas de infiltração no teto, lama na porta e muito pernilongo no quarto. De um lado do quarto, ficava a garagem (um caramanchão coberto de trepadeiras) para o carro, num chão de seixos e lama/terra. Do outro, uma porta que dava num corredor. Detalhe é que a porta que dava para o carro somente abria/fechava por dentro, sendo assim cada vez que quiséssemos sair com o carro teríamos que dar uma bela volta. Além disso, esta porta era de uma pequena varanda, cuja vista... era o carro.
Não entendi o upgrade. Fiquei imaginando que, se aquele era o luxo, quem estava no tal standard tava ferrado.

Pedimos mudança de quarto, e desta vez fomos colocados na Ala 400, onde a garagem tinha chão de paralelepípedo e a porta era direto para o carro, tendo uma varanda no lado oposto, com uma bela vista do campo dos cavalos.

Aí eu já gostei. Quarto grande, banheiro grande, camas ótimas, lençol e travesseiro gostoso e muito limpo. TV de plasma de 42”, ar condicionado silencioso, frigobar, secador de cabelo potente, armários suficientes para a bagagem de um casal e 2 filhos. Internet no quarto paga.

Todos os funcionários são excelentes (à exceção do primeiro atendente, aquele apressado), desde a atenciosa e gentil camareira (Cida era a minha), ao porteiro e aos garçons do restaurante e da piscina. Sempre gentis, sempre atenciosos, sempre educados, e, principalmente, cuidadosos e atenciosos com as crianças. Os tios do cavalo, simples e gentis; os tios do pedalinho e da pescaria, carinhosos – aqui tenho que observar que eles tiveram o cuidado de colocar anzóis pequenos e sem pontas, que cuidado bom de se ver!

Um restaurante com tamanho bom, com tratamento acústico no teto, o que evita ouvir o barulho para quem está de fora e também absorve aquele burburinho infernal de praça de alimentação. Lá, não tem, é tudo silencioso, gostoso, e a comida... maravilhosa! Tudo é gostoso: até aquelas receitas difíceis que você come já esperando que possa estar não-tão-bom, lá está uma delícia.

Café da manhã farto, almoço e jantar fartos, com opções diet, tudo muito saboroso. Não há estação de carnes, mas as carnes oferecidas no buffet sempre estavam macias e suculentas. Na verdade, você nem tem tempo de sentir fome: quando vê, já está na hora de comer de novo.

À tarde, há a Culinária Caipira: eles montam uma banca e servem alguma delícia lá pelas 5 da tarde – bolinho de chuva, bolo de chocolate, de fubá... e dá-lhe comer cada bolo mais gostoso que o outro!

Antes de dormir, fica à disposição dos hóspedes no hall da recepção um chazinho de erva-doce ou cidreira.

Restaurante para as crianças, com comida mais “infantil”. O suco oferecido às crianças, na única vez que usei o espaço, era tipo Tang. Na alimentação, nuggets e batata-frita. Fraquíssimo.
Ao lado do restaurante, há o “Cantinho da Mamãe”: uma pequena cozinha para preparo das mamadeiras. Apesar de sempre estar tudo lavado, passa a impressão de falta de higiene. Só fornecem leite integral. Frutas devem ser solicitadas. Há recipientes com achocolatado, leite em pó, maizena. A água, de um filtro de torneira que não passa muita confiança. Neste ponto, não gostei.

A estrutura do hotel é ótima: piscinas boas e em bom tamanho, com cadeiras e guarda-sóis em número suficiente mesmo com o hotel em lotação máxima. 2 piscinas infantis com tobogã pequenos e 1 piscina de 1,50m de profundidade com um belo toboága. 1 piscina climatizada na mesma área das demais, protegida por uma tenda tipo circo.

Campo de futebol de grama; 2 quadras de tênis; 1 espaço para eventos (deduzi); lagos de pescaria (farta de pequenos lambaris, treinadinhos para deixar as crianças felizes); cavalos bem tratados e muito, muito mansos, ideais para crianças, que podem usá-los sem medo; charretes; galinhas e lebres espalhados por todo o hotel; bocha; salão de jogos; trenzinho; academia; brinquedoteca; e uma tenda de circo onde são apresentados teatrinhos para a criançada.

O que é pago na recreação: arvorismo (só tem aos finais de semana); bicicletas/triciclos (caríssimo: R$ 14,00 o triciclo por 30 min. – nisso eles podiam melhorar); pedalinho (R$6,00 por 30 min.).

O que é pago de consumo: todas as bebidas consumidas durante as refeições e qualquer consumo fora do horário das refeições.

Como a fazendo era propriedade do Mazzaroppi, tendo sido usada inclusive como locação para seus filmes, há a casa do Jeca-Tatu (original) e um pequeno cenário do Sítio do Pica-Pau Amarelo.

A recreação, durante a semana, é fraca, mas melhora muito a partir da sexta-feira. Atende muito bem as crianças, divididas por faixa-etária, mas até uns 12 anos. Depois disso, os adolescentes ou se encaixam nas atividades infantis ou nas dos adultos.

Senti falta de uma recreação mais organizada. Um exemplo? Mesmo que na programação (afixada no hall da recepção) dissesse “Almoço dos Bichos” ou “ Jantar do Chapéu”, nada havia deste tema durante a refeição. Neste ponto, a recreação do Barra Bonita supera.

Mas estas são pequenas faltas que, quando comparadas ao restante, são irrelevantes. O hotel vale a pena. A estrutura é ótima, e a comida é excelente. Para crianças pequenas, a recreação é suficiente (mas precisa de uma atenção maior).

O que chama a atenção é o cuidado com as crianças, tanto no trato dos funcionários como em pequenos detalhes como por exemplo, o redutor de assento no banheiro e a grade protetora da cama, já existente no quarto. Não precisei, mas me parece que eles também fornecem carrinhos de bebê.

Entro no time dos que recomendam o Mazzaroppi. Volto lá assim que puder, sem medo e achando ótimo. Meu próximo destino é o hotel de Campos do Jordão que eles acabaram de inaugurar, a Villa Mazzaroppi. Tenho certeza que ficarei satisfeita.

Wallace
WallacePermalinkResponder

Os estrangeiros que conheço que adorariam vir ao Brasil, não deixam de vir por causa dos preços nem nada, mas porque a maioria se pela de medo de vir aqui. E pelo que volta e meia acontece no Rio e em São Paulo e repercute na TV, devo admitir que o medo não é de TODO infundado.

Dé
PermalinkResponder

Como ja' disseram ai' em cima, um dos grandes problemas no Brasil é a falta de segurança. Moro em Paris, quase todo francês que eu conheço morre de vontade de conhecer o Brasil, mas todos eles tem medo da violência.

E' sempre a mesma historia: "uau, vc é brasileira, que legal! Adoraria conhecer o seu pais, parece tão lindo, mas... é verdade tudo o que dizem sobre a violência?".

E eu tenho que responder a verdade, né?

Ila Fox
Ila FoxPermalinkResponder

Tudo bem que o acidente não foi do lado brasileiro, mas este tipo de coisa também espanta turistas:

Acidente nas cataratas do Iguaçu -
http://g1.globo.com/parana/noticia/2011/03/sobreviventes-de-acidente-nas-cataratas-prestam-depoimento.html

Vagner
VagnerPermalinkResponder

Já falei uma vez isso aqui, mas o comandante não gostou muito não: RICARDO FREIRE PARA MINISTRO DO TURISMO!

E sem querer ser chato, já sendo: a Embratur é autarquia, o Ministério do Turismo não.

Vida de Turista

Esse post é tema para um debate inteiro.

Deveria existir um local para os blogueiros e internautas discutirem ações concretas para atrair turistas estrangeiros e melhorar o turismo no país.

O site Tecnisa Ideias poderia servir como inspiração.

Adolfo
AdolfoPermalinkResponder

Ricardo,

Muito bom o texto, mas acho dificílimo que o Brasil seja realmente um "BRIC" do turismo, por pequenas, mas importantes razões :

1) o Brasil é muito longe dos EUA e da Europa. Pela metade do tempo, vc está no Caribe, no Havaí, no Mediterrâneo ou no Oriente Médio. Pelo mesmo, estará na Ásia. E se gasta muito menos e se vê coisas tão bonitas quanto.
2) os preços aqui, mesmo com se o dólar estivesse valorizado, são abusivos pelo serviço e qualidade prestados.
3) é difícil, muito difícil achar pessoas que falem inglês, mesmo em São Paulo ou no Rio. Taxistas então, é quase impossível.
4) Não há uma política séria de promoção das belezas do Brasil, nacionais e culturais. Infelizmente se fala mais do que é ruim do que do que é bom (e infelizmente por muitos brasileiros).
5) tudo é muito longe, ou seja, se vc quiser visitar numa mesma viagem de férias (para aproveitar o longo percurso) o Rio, Foz e Salvador, vc vai perder muito tempo de avião, o que deixa o turista com preguiça.
6) a infraestrutura é péssima - aeroportos, portos, rodoviárias, taxis, tudo. Cadê o Brasil Pass ???

Lucia Malla
Lucia MallaPermalinkResponder

Adolfo, concordo muito. Mas só pra dizer 2 coisas:

1) A TAM tem um BrasilPass pra estrangeiros ou brasileiros residentes no exterior. Fui outro dia pesquisar pra um britânico amigo meu q está mochilando pelo Brasil (e que ironicamente tem reclamado muito do preço de tudo, mesmo tendo ele libras!). O Passe é uma piada de muito mau-gosto, não traz praticamente nenhuma vantagem ao "viajante-padrão" de passe. O passe South American da LAN é MUITO mais jogo pra um estrangeiro - ou seja, renega-se o Brasil e conhece-se o Peru, Argentina, Chile, etc. Uma tristeza de oportunidade perdida.

2) Não me preocupo com taxistas q não falam inglês - isso a Ásia tá cheia. Mas q pelo menos haja um serviço FREE que o estrangeiro possa ligar e ser traduzido pro taxista, por ex. É assim q Japão, Coréia e China se viram muito bem com os turistas. Em todos os taxis, na janela tem colado um adesivo com o número toll-free do tradutor. Funciona muito bem e não acho tão difícil de adotar no Brasil (se é q já não existe e só não é marketeado...).

E concordo com todos q dizem que o Brasil é caro. É muito caro, mesmo, desanimador até. A hotelaria então, perdeu a noção completamente - na última viagem q fizemos de road trip pelo Brasil percebemos q os preços de hospedagem eram insanos quando comparados com hospedagem "similares" na Argentina, por ex., onde estivemos meses antes.

Andre L.
Andre L.PermalinkResponder

Lucia, as cias. aéreas brasileiras estão bombando com a demanda interna, falta avião para abrir novos vôos. Elas não tem nenhuma necessidade de buscar passageiros do Exterior, os vôos da TAM "decolaram" no mercado e vivem lotados - e mais caros que os das cias. internacionais - de brasileiros que preferem viajar com atendimento em português e conexões fáceis dentro do Brasil.

Ou seja, não há incentivo de mercado para que criem passes interessantes. O que poderiam fazer é facilitar a compra de bilhetes internos com cartões internacionais (já tive 3 amigos de fora com problemas de fazer isso) e criar sites internacionais em inglês decentes, principalmente a Gol...

Ana Carolina
Ana CarolinaPermalinkResponder

Apesar desse motivos acho que temos mais "culpados". Moro na espanha e visitar o Brasil é muito caro, só de passagem se vao 1000€ ida/volta. Os hoteis sao muito caros, por exemplo: aqui se pode ficar em um hotel 3 estrelas bom por €50 em media, no brasil por esse valor só encontrei um Ibis em Santo André e que considero com um péssimo atendimento.
Outro item sao os voos internos que sao carissimos para os padroes europeus.
Acho o Brasil lindissimo mas por esses preços é impossivel viajar e ficar mais que duas semanas.

carlos bruno
carlos brunoPermalinkResponder

tamb?m acho que o principal problema que dificulta o turismo no Brasil ? o preço dos hotéis e resorts, que são muito elevados em relação a outros países indepentemente da questão do real estar valorizado. Não há cabimento que para um brasileiro seja mais barato viajar para um all inclusive em punta cana do que no nordeste ou a miami do que passar alguns dias na zona sul do rio.

Andre L.
Andre L.PermalinkResponder

Com diferenças cambiais e problemas estruturais que afetam todo o país é difícl pensar em "resolução" a curto prazo. O Brasil não vai ter trens confortáveis, segurança para andar a noite na rua etc. amanhã, nem daqui a 10 anos.

Todavia, países igualmente problemáticos (ou mais, como África do Sul) conseguem desenvolver suas atividades turísticas.

Já mencionaram o serviço de tradutor por telefone celular, medida simples que dá um certo espaço de conforto para o turista estrangeiro. Mas por experiência própria digo: para um estrangeiro comprar um cartão GSM, é um suplício. Os vendedores exigem um CPF, coisa que o estrangeiro obviamente não tem. Pouquíssimos sabem de normas que permitem a venda de celular sem CPF para estrangeiros no Brasil. Ora, será que é muito difícil a Embratur se organizar com as principais operadoras para colocarem quiosques nos 4 ou 5 aeroportos internacionais que recebem 80% do movimento de fora?

Transporte é outro caso complicado, não teremos rede de trens rápidos entre as cidades do Nordeste - por exemplo - jamais. Mas será que é difícil demais organizarem um serviço VIP de ônibus/vans com motoristas que falem inglês, apenas diurno, entre os aeroportos e suas principais praias próximas? Quantas vezes aqui no VnV a gente não lê sobre um traslado que custa bem mais que as opções normais, mas é recomendado por ser confiável etc.?

Mesmo nos casos de turismo de natureza, onde teoricamente o Brasil é imbatível, a inércia é grande demais. Nos resorts de selva de Manaus, os preços estão na estratosfera. E há muito espaço, mas as opções mais baratas sempre descabam para a linha "roots". Internet no meio do mato via satélite pode ser cara, mas custa ter água quente e ar-condicionado movimentador por um gerador a diesel?

Guilherme
GuilhermePermalinkResponder

Tenho dúvidas se algum dia ofereceremos condições dignas para o turista, principalmente o estrangeiro, desacostumado com aquilo que para nós já virou rotina e não nos chama mais a atenção.
Um passeio pelo centro de São paulo, por exemplo, que seria bastante interessante devido à indiscutível beleza dos seus prédios, normalmente se transforma numa corrida de obstáculos, onde somos obrigados a "pular" os mendigos deitados pelas calçadas... A Praça da Sé, diga-se, mais parace um albergue público a céu aberto. No Guarujá, os bancos das prais são ponto de encontro de moradores de rua. Em Salvador, no Pelourinho, a água de coco é três vezes mais cara para os gringos e evidentemente eles percebem que estão sendo ludibriados...
Eu acho até que os estrangeiros tem muita vontade de vir ao Brasil, mas certamente não tem vontade de voltar ao Brasil... E fazem, então, uma péssima mas real propaganda do que encontram por aqui em termos de estrutura, respeito, segurança, limpeza, etc... E esse é o grande problema para engatarmos.

PêEsse
PêEssePermalinkResponder

Sei que vou falar mais do mesmo, truísmos, obviedades, repetições, pessimismos e rabugices, mas seguem minhas opiniões a respeito das razões pelas quais o Brasil vai demorar muito a ser um BRIC do turismo (e que também servem para mostrar porque eu sou absolutamente descrente de que as Olimpíadas e a Copa vão fazer com o Brasil algo sequer parecido com o que houve em Barcelona).

- Segurança: em nenhum lugar do mundo se está 100% seguro, sabe-se disso. Mas aqui a coisa é particularmente preocupante. Para o turismo, o que importa não é só a insegurança em si (se ela existe mesmo ou não, na prática). Basta que se tenha a chamada “sensação de insegurança” para que o viajante se sinta desestimulado a ir para determinado lugar. E essa sensação de insegurança tem sido cada vez mais disseminada. Já contei aqui que, no RJ, na sexta-feira roubaram (roubo mesmo, com arma) a câmera maior de um amigo. No domingo, ele estava fotografando todo cheio de receio com a câmera portátil, levaram de novo, arrebatando da mão dele. Em Salvador uma amiga foi vítima de seqüestro relâmpago na primeira tarde na cidade. Alguém pode dizer que são casos isolados (embora eu saiba que não são), mas de casos isolados em casos isolados... Em tema de segurança pública, o Brasil precisa tomar (e dar) um choque de realidade. Esse suposto crescimento no número de empregos tem de servir, no mínimo, para retirar pedintes das ruas e dos semáforos, para acabar com os flanelinhas (tente explicar a um norte-americano a função e a razão de ser de um flanelinha e veja a cara de estupefato que ele fará). O combate às drogas (usuários e traficantes) deve ser intensificado de verdade (e não só na mídia) porque grande parte dos crimes patrimoniais (com ou sem violência) tem por causa as drogas. Com isso (mas não só com isso, porque o problema não é simples), a “sensação de insegurança” diminuirá e o país pode vir a se tornar menos desestimulante.

- Transporte aéreo: exceto quando as passagens estão em promoção verdadeira (os leitores do Aquela Passagem sabem que várias das promoções feitas pelas empresas aéreas são mais marketing do que preços baixos de verdade), voar dentro do Brasil é caro. E essas promoções verdadeiras são mais aproveitadas pelo viajante brasileiro, que, justamente porque sabe que como regra as passagens são caras, fica aguardando e monitorando essa janela de oportunidade. O turista internacional se beneficia disso muito pouco, o que lhe encarece a viagem. Além disso, os aeroportos são uma piada de mal gosto. Desconfortáveis (faltam cadeiras para esperar, wifi, tomadas, fingers, em alguns o ar condicionado não funciona), lentos na devolução das bagagens, têm filas seguidas e intermináveis, sem alternativas para passar o tempo, sem opções para alimentação. Para comparar países com realidades parecidas, o Tadeu Zanoni falou aí em cima nos aeroportos de Johanesburgo e Cidade do Cabo. De fato, o aeroporto brasileiro que for eleito o menos ruim não chegará nem perto desses dois, de modo que não precisa nem comparar com Frankfurt, Miami nem com os aeroportos asiáticos.

- Transporte rodoviário: as estradas, com exceção das do Estado de SP, são uma lástima. Inseguras, mal sinalizadas e pessimamente conservadas (no Nordeste, por exemplo, que teria tudo para incentivar viagens de carro entre as praias do litoral, a buraqueira, que já não é pequena, sempre aumenta durante a temporada de chuvas). Alugar carro é nauseante. Além da muita burocracia (a vistoria demoradíssima antes e depois é só um dos fatores) gerar invariavelmente um atendimento lento, os preços são elevados. O Brasil é, de longe, o país mais caro onde já aluguei carro. E eu sempre alugo carros econômicos (minha única exigência em qualquer lugar é ar condicionado), seja onde for. Os ônibus de longa distância são confortáveis, mas a demora natural da “longa distância” faz a balança pender para o transporte aéreo, apesar de tudo. Os ônibus de curta distância comumente são desconfortáveis.

- Transporte urbano: o transporte público é inteiramente deficiente. Demorado, sem previsibilidade, desconfortável e de pouca abrangência. Isso vale, inclusive, para a maioria das capitais. O viajante que não quer se submeter a isso passa a ter de alugar carro ou andar de táxi, que, com raras exceções, é caro. E, seja qual for a hipótese, tem o trânsito, cada vez mais insuportável inclusive nas capitais menores.

- O custo: discordo de quem acha que “a culpa é do real valorizado”. As análises a médio e longo prazo do mercado que têm sido divulgadas mostram que, mesmo quando a economia americana se recuperar, mesmo quando a China valorizar mais sua moeda e mesmo quando o Banco Central do Brasil adotar mais procedimentos em defesa dos exportadores, medidas que contribuem para o dólar aumentar de valor, o dólar vai ficar em torno de R$ 2, valor que se reputa ideal e conciliador de interesses. Ou seja, no médio e no longo prazo a coisa – conscientemente (crises etc. não fazem parte dessa análise) – não vai mudar muito, não. O problema é que se acostumou a um real desvalorizadíssimo e agora alguns ficam torcendo para o cenário anterior voltar, o que provavelmente não acontecerá. O Brasil é caro não porque o dólar está valendo menos mas porque é caro mesmo. Talvez as explicações sejam muitas (falta de concorrência, margem de lucro exorbitante, impostos, custos, folha de pessoal) mas o fato é que é viajar no Brasil, além de todos os problemas acima, é caro, bem caro. Vejo aqui no VnV os preços que algumas pessoas pagam em pousadas simples e fico impressionado. Quando se chega ao mercado das pousadas de charme, então... Nos resorts, paga-se caro por all inclusives cuja qualidade do que está included é sempre um risco ou uma questão de sorte. Recentemente, hospedei-me em um hotel fraquíssimo (velho, sem nenhuma estrutura além de um quarto com ar condicionado e banheiro) em João Pessoa pagando R$ 220 (algo em torno de US$ 130 ou 90 euros). Menos que isso só se ficasse no centro. É desestimulante. Talvez com exceção de Paris (mas incluindo Roma), sempre consigo no exterior, seja onde for, hotéis de um determinado nível que, no Brasil, custam bem mais, isto é, comparando um mesmo produto e fazendo a conversão, aqui é sempre mais caro. A alimentação é outro item que, se ainda não é mais caro que no exterior (em SP e no RJ já é faz tempo), é igual. Agora, se a refeição for acompanhada de vinho, no Brasil seguramente será mais caro.

- Falta crônica e atávica de vocação para o turismo: quem vem para o Brasil vem porque quer. Quase não há trabalho de incentivo nem de divulgação ao turismo internacional. Os sites nacionais e os das cidades são uma desgraça. Enquanto isso, o órgão de turismo da Suíça disponibiliza excelentes e completos aplicativos gratuitos para iPhone (sentiram a diferença de nível? Os caras já estão em outro padrão...). Em tese, quem precisaria mais dos recursos financeiros vindos do turismo? Não há placas nem sinalização em inglês nem em espanhol. Quase ninguém fala um idioma estrangeiro (sequer espanhol, que muitos se recusam a estudar a sério sob o fundamento – falso – de que é parecido com o português). Em Natal, quem está fazendo curso de inglês e italiano se preparando para a Copa de 2014 são... as prostitutas (lotaram três turmas de inglês e uma de italiano). Há duas semanas, no Viena do aeroporto de Guarulhos, um turista anglófono depois de muita luta desistiu de pedir uma água de coco e sucumbiu a um suco de laranja, porque a atendente não tinha a menor idéia do que ele estava querendo dizer, mesmo ele apontando para o produto. Nos EUA, se alguém quiser, é possível ter uma boa noção do Grand Canyon, do Yosemite etc. parando o carro a poucos metros da atração. No Kruger, na África do Sul, é a mesma coisa. As coisas são facilitadas. Aqui, não (fico com o exemplo da Chapada Diamantina). Como se isso não bastasse, politicamente a perspectiva é péssima. Os principais entes governamentais ligados ao turismo (o ministério, a INFRAERO e até a ANAC) não entendem muito do que estão fazendo, são indicações políticas (sempre defendi que os ministros e secretários de turismo deveriam ser gente que viaja muito). A iniciativa privada é acomodada, dependente e pouco profissional, não pressiona o governo nem assume as rédeas da coisa, não faz a sua parte. O Brasil precisa deixar de ser um país .gov e passar a ser um país .com

Há quem veja as coisas positivamente, afirmando que as perspectivas são boas e que quem afirma o contrário é porque está com síndrome do patinho feito ou com complexo de vira-lata inferioridade. Eu acho que os comentários nesse post (abalizados, porque feitos por quem realmente viaja muito) comprovam que não é bem assim, não.

Olhe, com todos esses motivos, acho que cinco milhões de visitantes estrangeiros por ano no Brasil já é bastante coisa...

Eunice
EunicePermalinkResponder

Também acho que não é o real valorizado que afasta os turistas. É que os preços aqui são caros mesmo. Um cafezinho em qualquer shopping de Salvador custa o dobro ou o triplo que em Lisboa, em um café de classe ( convetendo em euros ). Com os preços praticados no Brasil, com nossos problemas de segurança e infra-estrutura poucos virão.

Lorena
LorenaPermalinkResponder

É dureza mesmo, eu admito que faço parte das estatisticas, sou de SP e no Carnaval cotei pousadas (mediazinhas) no litoral norte, ai fiz as contas com refeições inflacionadas e outros gastos, conclusão: Com a mesma grana passei a semana do Carnaval em Barcelona, e acho até que as horas de viagem foram as mesmas, já que para ir ao litoral em feriados é complicado. Então, sempre que faço a comparação, achando passagens razoáveis, vou para o exterior..

Walter F Leite

Ricardo, matéria assim, seria bom que nossos gestores públicos (todos, incluindo os 3 poderes) recebessem uma cópia. Esse post é um bom tema para ser discutido com o setor público e você Ricardo será sempre o nosso Comandante.

Samuel Paiva Arantes Junior

Riq , tenho uma opnião que pode estar errada , mas me baseio inclusive por mim. o Brasil tinha uma demanda reprimida por viagens ao exterior , e as pessoas sempre quiseram coisas que aqui devido a nossa ridicula carga de impostos torna mais dificil te-las e com isso quando viajamos sempre compramos coisas , e não somente passeios ou teatros etc... e isso explica esse gasto absurdo , penso eu . ja quem vem ao brasil vai comprar o que??? passeios , ingressos a parques , hoteis , restaurantes.. porque para comprar coisas nosso pais nao ofeece nada apreços atrativos mesmo com o dollar e euro valendo mais que real. é isso.

Leandro
LeandroPermalinkResponder

Hoje eu considero esta questão do visto como "coadjuvante" no problema da falta de atratividade do Brasil para o turismo internacional, o maior problema parece ser a equação preço X qualidade dos serviços, sem dúvida alguma entre as piores do mundo.

Saulo
SauloPermalinkResponder

Parabéns pelo artigo e também para todos que se manifestaram. Qualquer coisa que eu dissesse seria repetitivo pois concordo com tudo que já, brilhantemente, foi dito. Só acrescento que esse artigo e os comentários deveriam cair imediatamente nas mãos de nossa Presidente que, de início, deveria despedir o Ministro do Turismo e colocar em seu lugar alguém minimamente preparado e bem intencionado.

Karine Prusch
Karine PruschPermalinkResponder

Concordo em gênero, número e grau e estou divulgando o seu texto no Profissão? Turismóloga! também.

É impressionante o amadorismo como o gov. Brasileiro e a sociedade tratam o Turismo.

Chega, Turismo é coisa séria! Passou da hora de tomarmos providências.

Como disse o Saulo no comentário anterior, o Ministro do Turismo deveria ser alguém qualificado, preparado e que tivesse envolvimento com o Turismo. O MInistro Pedro Novais foi acusado para fazer uma festinha de comemoração de seu novo cargo em um MOTEL com dinheiro público!!!

Alooo Dilma! Turismo não é brinquedo!

Zayra
ZayraPermalinkResponder

O governo ja encontrou uma maneira de diminuir a diferenca entre o que os brasileiros gastam no exterior e o que os estrangeiros gastam no Brasil: aumentou o IOF das transacoes feitas com cartao de credito no exterior de 2,38% para 6,38%. Assim, eles trazem de volta uma parte do que saiu. Com esse pensamento acho improvavel que alguma coisa mude.

Alex Melo
Alex MeloPermalinkResponder

Para entendermos a importancia dada ao turismo no pais, é só ver o naipe do nosso ministro do turismo - um sem noção de 80 anos que nos 79 anteriores nunca fez nada na área, que só está lá por ordem do Sarney e que usa dinheiro do governo para pagar motel!

Mas as pousadas e outros tem sua parcela de culpa também... aqui a demanda interna poderia ser muito maior na baixa temporada, mas muitos lugares continuam cobrando caríssimo, então não adianta reclamar.

Para ver como pode melhorar: tinha comprado num site de compras coletivas um fim de semana em Monte Verde pelo custo de 1 diária - fui no meio de Fevereiro (não vejo muita época pior para cidade de montanha)e o hotel estava lotado!
Foi só vender mais barato que lotou o lugar - pena que a maioria prefira cobrar caríssimo, mesmo ficando vazia...

Tom
TomPermalinkResponder

Como um norte-americano que viajou bastante pelo Brasil, e que continua amando o país, eu gostaria de compartir a minha perspectiva com o grupo.

Fiquei apaixonado pelo Brasil faz 15 anos, quando cheguei em fevereiro e conheci Rio de Janeiro, Salvador e Arraial d´Ajuda. Eu tinha 20 anos, e curti a festa no Arraial, a beleza natural do Rio e a cultura de Salvador. Passei 3 semanas, de mochileiro na época quando um real valia um dólar, e fui inspirado aprender portugues, e voltar várias vezes ao país. Por que? O Brasil tem praias belas, mas não são as mais belas do mundo. Tem natureza exuberante, mas não é a mais dramática do mundo. Tem cidades belas, comida boa, mas não o melhor do mundo. Mas o que tem, de primeiríssimo no mundo, é uma cultura e o povo. É por isso que eu volto sempre. Mas como se vende isso ao turista potencial? Como disfrutar do bate-papo no boteco se vc não fala portugues?

Tenho mil historias muito legais das minhas viagens pelo Brasil, mas hoje estamos falando das difculdades. Então:

O Brasil sim é caro. (Não era sempre assim. Me lembro da época faz 9 anos na qual o dólar beirava 4 reais, e o Brasil era bem barato mesmo. Aproveitei muito nessa época, então não sente tão ruim que hoje o país está caro. Acho que com o dólar à mais ou menos 2 reais, as coisas ficariam bem mais razoáveis.) Mas como foi comentado muitas vezes, o maior problema não é só o real alto. Tampouco é a relação preço x qualidade, mas isso também é um problema sério. Para mim, o problema maior é que viajar no Brasil é difícil mesmo pelos estrangeiros, muito mais ainda se vc não fala portugues. Quem é do exterior frequentemente se sente obrigado comprar uma viagem com uma agencia, porque não se sente confortável planejando tudo sozinho. Aí o preço sobe mais. Requer mais pesquisa, mais preparação. O turista casual desiste. E sim, essa dificuldade contribui muito à imagem negativa do Brasil como lugar de turismo, muito mais do que a requisição do visto. Isto é mais penoso ainda, porque a imagem geral do Brasil no exterior é muito positiva.

Falando do visto, concordo que o Brasil perde muita competitividade ao exigir o visto com anticipação, e não no aeroporto. Outro problema é que hoje, muitas empresas que trabalham com vistos aqui nos Estados Unidos - poderiam se chamar despachantes - tem interesses fortes em que a situação não melhore.

Outras coisinhas:
- a falta da regulamentação e falta dum sistema de reclamação quanto as empresas de turismo. A lei brasileira é ótima quanto à proteção do consumidor, mas quais são os recursos que tem o turista internacional quando uma empresa não faz o que promete, e já ficaram com seu depósito bancário? (e sim, é muito, mas muito muito chato ter que fazer um depósito para reservar uma vaga quarto num lugar que vc nunca viu ou num serviço que vc nunca provou)
Por que é que a maioria das pousadas não coloca suas tarifas nas suas páginas de internet? Dá muita preguiça escrever pedindo preços. Meu favorito é que te dão a oportunidade de fazer uma reserva, sem revelar em lugar algum qual seria o preço. Realmente tem gente que reserva sem saber quanto vão pagar? O efeito é negativo em dois sentidos: primeiro, deixa a impressão de que o dono não respeita muito o consumidor. Segundo, muito pior, dá a impressão de o preço depende de quem quer saber. Se eu escrevesse em ingles ou frances, receberia um orçamento diferente?
- Por que no Rio de Janeiro, em muitos restaurantes, só se vende pratos para duas pessoas a preços absurdos. E se estou jantando com alguém que quer comer alguma coisa diferente, que fazemos? Prefiro não jantar no seu estabelecimento. Perdeu o negocio.

Mas não quero terminar meus comentários sem oferecer pelo menos uma teoria ou explicação da situação do turismo no Brasil também. O Brasil é um país do tamanho dum continente, uma democracia, com um povo que tem muitas necessidades, como qualquer país do seu porte. Então exigir que o governo priorize o turismo no Brasil, ou bem a infraestrutura pelo turismo, é muito mais difícil que, por exemplo, num país menor como a Republica Dominicana, que depende do dólar do turista. Com tanta desigualdade, é políticamente difícil justificar a inversão de recursos no desenvolvimento do sistema de parques nacionais, mesmo que seja boa ideía. Além disso, separados dos seus vizinhos pela amazonia e os llanos (as populações dos países vizinhos tampouco tem muitos recursos para realizar viagens de turismo), separado do resto do mundo pelo mar, falantes duma língua bela mas pouca comum no resto do mundo, não é surpreendente que os principais capitais brasileiros não desenvolveram mecanismos pelo turismo internacional. Me lembro da primeira impressão que tive do Rio de Janeiro, faz 15 anos: este lugar não parece a nenhuma outra parte da America do Sul, nem dos Estados Unidos, nem de Europa. O Brasil parecia totalmente único, pouco preocupado com o resto do mundo. (Até diria que Rio de Janeiro, a pesar de ter as olimpíadas, continua assim.) Essa característica faz parte do seu charme, mas também gera dificuldades para quem não é de lá.

Finalmente, para muitas pessoas, o Brasil fica longe. Eu moro em Los Angeles. Daqui, Londres fica a 5456 milhas, Tokyo fica a 5451, Moscú a 6078. Rio de Janeiro? Fica a 6294 milhas. O Brasil sim é abençoado por Deus, mas nem Deus pode faze-lo ficar mais perto dos principais mercados alvos. É lógico que a maioria dos voos vão direto a São Paulo: primeira classe vive lotado de executivos. Isso faz o nordeste ficar mais longe ainda.

Tudo acima dito com o maior carinho pelo Brasil! Reconheço que aqui nos Estados Unidos, também temos um monte de problemas.

Um abraço!

PêEsse
PêEssePermalinkResponder

Interessantíssima a análise da Luisa do Arquivo de Viagens sobre o turismo no Brasil:

http://arquivodeviagens.wordpress.com/2011/05/09/turismo-no-brasil/

PêEsse
PêEssePermalinkResponder

Brasil incluído em listas de países mais problemáticos para emitir visto para americanos

- http://www.aquelapassagem.com.br/vistos-brasil-incluido-em-listas-de-paises-mais-problematicos-para-emitir-visto-para-americanos/

exigencia de reserva previa y pagada, una carga de profundidad contra el viajero español independiente : de viaje a Brasil

[...] destino turístico para los españoles (Ricardo Freire se preguntaba acertadamente no hace mucho si Brasil iba a ser también un Bric en el área de turismo y creo que los hechos nos van proporcionando día a día una respuesta muy clara). Se podrán [...]

Alice
AlicePermalinkResponder

Adiro à campanha Riq para Ministro do Turismo!

Lali
LaliPermalinkResponder

Eu acabei de voltar de Paris e me chocou muito a quantidade de turistas por lá. E parece ser assim o ano todo. Morei anos no Rio, mais precisamente quase em frente ao bondinho do corcovado. Fiquei só imaginando metade dos turistas que vão à Versailles (por exemplo) tentando subir o bondinho... Bem, nem vou falar da Torre Eiffel...rs Seguindo o bordão: E na Copa, como faz?...rs. Mas numa coisa, a gente ganha fácil, viu? Em que lugar do mundo, o povo é tão simpático e interessado no turista como no Brasil? A sensação que tive em Paris foi de que o parisiense não tá nem aí pra gente. Eles ficam como que num aquário, sendo observados, e agem como se fossemos invisíveis. Ah... saiu da linha... esporro!!!! Em quem quer que seja, branco, preto, japonês, etc...
Aqui, não, é só ver alguém falando inglês que todo mundo se interessa, puxa papo, dá dicas, oferece ajuda... Será que estou errada?

exigencia de reserva previa y pagada, una carga de profundidad contra el viajero español independiente | Viajar Nación Virtual

[...] destino turístico para los españoles (Ricardo Freire se preguntaba acertadamente no hace mucho si Brasil iba a ser también un Bric en el área de turismo y creo que los hechos nos van proporcionando día a día una respuesta muy clara). Se podrán [...]

Pablo
PabloPermalinkResponder

Bela regiao do litoral carioca!!!! aliás Rio de janeiro tem um litoral maravilhoso... também para o sul do Rio, Angra, Paraty e suas ilhas sao recomendáveis.. ohhh Brasilll!! se por acasso tem alguem indo para Paraty (cidade que adoro) pode se informar aqui http://www.paratyonline.com sobre tudo que esta rolando por lá!! eventos, promocoes, atividades, balada, etc ..abss

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