Serra da Capivara, com Petrolina e Teresina: roteiro completo

Ricardo Freire
por Ricardo Freire

Parque Nacional da Serra da Capivara

De todo o (limitado) vocabulário de clichês usados em textos de turismo, o termo "tesouro" é certamente um dos mais abusados. A gente só percebe isso quando chega a hora certa de usar -- e daí se vê na obrigação de enfatizar que não, não se trata de um exagero.

Parque Nacional da Serra da Capivara

Brasileiras e brasileiros, a Serra da Capivara, no sul do Piauí, é, de fato, um tesouro. Como eu disse neste outro texto, são as nossas linhas de Nazca (ou as nossas Pirâmides. A nossa Petra. A nossa Pompéia). A maior coleção de arte pré-histórica ao ar livre do planeta, em exposição num parque nacional de organização impecável. Vale a pena encarar a longa distância (as estradas estão ótimas) e a hospedagem básica (porém limpinha!) para se embasbacar com a qualidade, a diversidade e a força que esses desenhos têm ao vivo.

A viagem fica mais redonda quando você aproveita para passear pelo rio São Francisco e/ou emendar ao Delta do Parnaíba, quem sabe pegando uma praia no surpreendente litoral do Piauí.

Estratégia & roteiros

São Raimundo Nonato, que é a base para visitar o Parque Nacional da Serra da Capivara, está a 380 km de Petrolina (via Afrânio) ou 510 km de Teresina -- em estradas de asfalto refeito recentemente e em ótimo estado. E desde junho de 2016, já é possível voar de Teresina a São Raimundo!

Entre sítios abertos à visitação e trilhas organizadas, o parque rende fácil uns quatro dias de visita. No entanto, caso você não seja estudioso de arqueologia, rato de Discovery Channel ou andarilho empedernido, um ou dois dias intensos com o "best of" do lugar estão de bom tamanho.

Se você tiver apenas 3 ou 4 dias para esta viagem, voe a Teresina num domingo ou quarta-feira, pernoite e pegue o vôo na manhã seguinte a São Raimundo.

Tendo mais mais dias para a jornada, dá para explorar mais o sertão e de chegar até o litoral.

Com 5 dias, chegue por Petrolina. Aproveite para passar um sábado e um domingo por ali: é quando saem os passeios pelo rio São Francisco (o de sábado passa pela represa de Sobradinho e faz visitas a uma fazenda de frutas e a uma vinícola; o de domingo pára em ilhas para tomar banho no Velho Chico). De lá você vai de carro ou ônibus a São Raimundo, e retorna para pegar seu vôo de volta.

Com 8 dias, você pode passar o fim de semana em Petrolina (chegue na sexta, saia na segunda), três noites em São Raimundo e mais duas em Teresina, indo de avião ou ônibus à capital e pegado seu vôo de volta lá. Nesse caso, alugar carro não é uma boa opção, pois você gastaria uma fortuna (tipo R$ 1.000) só de taxa de retorno; os trajetos teriam que ser feitos de ônibus.

A partir de 11 dias, já dá para esticar até a costa. Faça o percurso dos 7 dias (de ônibus entre Petrolina, São Raimundo e Teresina) e em Teresina alugue um carro. Prossiga a Parnaíba, passando pelo Parque Nacional de 7 Cidades. Programe duas noites em Parnaíba; no segundo dia, faça o passeio pelo Delta. Passe os últimos dois dias em Barra Grande do Piauí, a jóia do litoral piauiense. Acrescente quantos dias de praia você puder (você merece esse descanso). Dirija os 450 km de volta a Teresina, entregue o carro e voe de volta.

Petrolina & Juazeiro

Nego d'Água

Nego d'Água, Juazeiro

Na minha opinião, a grande falha das antigas matérias de viagem sobre a Serra da Capivara era reduzir Petrolina à mera condição de aeroporto mais próximo do parque. A viagem fica ainda mais interessante quando você aproveita a escala.

Orla de Juazeiro

Da orla de Juazeiro

O lugar tem mística. De um lado, Pernambuco. De outro, Bahia. No meio, uma das maiores celebridades nacionais: o rio São Francisco. Petrolina é rica e toda produzidinha; tem porte de pequena capital. Juazeiro tem a orla mais bonita, onde desponta a escultura do Nego d'Água -- pena que boa parte da beleza do centro histórico esteja escondida por placas e letreiros. Já cantava Luiz Gonzaga: "Petrolina, Juazeiro / Juazeiro, Petrolina / Todas duas eu acho uma coisa linda / Eu gosto de Juazeiro / E adoro Petrolina".

Barquinha Juazeiro-Petrolina

Barquinha entre Petrolina e Juazeiro

No dia da chegada, atravesse o rio de barquinha -- custa R$ 1,30 cada perna -- e aprecie o pôr do sol num dos barzinhos à beira-rio da orla de Juazeiro.

No fim de semana funciona o Vapor do Vinho, que faz passeios pelo São Francisco.

Ouro Verde, Petrolina

Vinícola Ouro Verde, Casa Nova/BA

O roteiro de sábado combina ônibus com catamarã. Você é levado pela estrada até a represa de Sobradinho, onde começa a navegação (incluindo a experiência de usar uma eclusa). De lá o vapor segue à a fazenda Fortaleza (onde se cultivam mangas e uvas) e os visitantes continuam de ônibus à vinícola Ouro Verde, do grupo Miolo, em Casa Nova (BA). Ali você aprende que a produção de vinho no interior do Nordeste não tem a ver com idealismo ou utopia -- é que o clima permite duas safras por ano,o que viabiliza a produção de vinhos jovens e de preço baixo. Você acompanha o processo de fermentação do brandy produzido para a espanhola Osborne, faz uma degustação de vinhos Miolo e Almadén e encerra a visita na lojinha, onde estão à venda vinhos brasileiros e de parceiros estrangeiros da Miolo -- além da grande estrela da sua produção no São Francisco, o premiado tinto Testardi (teimoso, em italiano). O passeio custa R$ 145 (preço de 2016).

(A visita também pode ser feita de segunda a sexta, de carro ou táxi. É preciso agendar pelo telefone 74/3536-1132 ou 74/3527-4193. Saia da cidade pela BR 235, passe reto pelo aeroporto e prossiga; 40 km depois de ter deixado a cidade, você verá o portal com o touro da Osborne na própria estrada).

Rio São FranciscoRio São Francisco

Rio São Francisco, visto de Petrolina

No domingo o catamarã faz um passeio mais simples, apenas pelo Velho Chico, com parada para banho em ilhas rio acima, com forró pé de serra a bordo. O passeio custava, em 2013, R$ 30.

O Julio Cesar Corrêa, do Bala Perdida, tem lindas fotos do passeio fluvial (e também das Dunas do São Francisco, em Casa Nova, um lindo lugar desconhecido até pelos moradores da região).

Ana das CarrancasAna das CarrancasAna das Carrancas

Ana das Carrancas

Petrolina tem o Museu do Sertão; Juazeiro, o Museu Regional do São Francisco (a casa onde nasceu João Gilberto, que não é um museu, fica na mesma praça). Petrolina é forte em artesanato: visite o museu-ateliê de Ana das Carrancas, que fazia carrancas de barro sem pintura, e depois passe na Oficina do Artesão Mestre Quincas, onde há bonitas peças de madeira.

Onde ficar: Petrolina & Juazeiro

Quality PetrolinaQuality PetrolinaIbis Petrolina

Quality | Quality | Ibis

O novíssimo Quality Petrolina é, disparado, o hotel mais confortável da cidade (deve ser também o edifício mais alto). Está na orla, mas num trecho que só agora está sendo devidamente urbanizado. Dá para ir andando a uma pizzaria, uma churrascaria e um misto de botequim com sushi bar.

Para estar no lado mais tradicional na orla, fique no Petrolina Palace -- mas vá sabendo que o destaque ali é a localização. Já o Ibis Petrolina também é novinho, mas está fora da orla (em compensação, é praticamente anexo ao River Shopping).

Em Juazeiro, o Grande Hotel de Juazeiro está de frente para uma prainha e tem vista do São Francisco. No coração da muvuca da orla de Juazeiro, o Baia Cook tem quartos básicos e está em cima de um dos barzinhos mais animados (o próprio Baia Cook).

Onde comer: Petrolina & Juazeiro

Bode Assado do ÂngeloFavorito, Petrolina

Bode Assado do Ângelo | Favorito

À mesa, a maior curiosidade da região é o Bodódromo de Petrolina -- um enclave de restaurantes especializados em churrasco de carneiro (sim, o bode agora está só nos nomes dos restaurantes). Fui numa noite devagar, durante a semana, e enquanto a maioria dos lugares estava vazia, o Bode Assado do Ângelo estava bombando -- pedi um meio carneiro na brasa que veio acompanhado de baião-de-dois (fartamente gratinado com queijo coalho) e uma macaxeira que se desmanchava.

Ainda em Petrolina, o Flor de Mandacaru (fica fora do centro, num endereço difícil de encontrar; vá de táxi) e a Maria do Peixe (bem na orla, debruçado no rio) são os regionais  mais elogiados. Querendo variar de baião e macaxeira, vá ao descolado Capivara ou cacife o bistrô Favorito, ambos na orla de Petrolina. Se a idéia for só petiscar, o Empório 845 tem ótimos espetinhos.

Na orla de Juazeiro, o Baia Cook tem ambiente de boteco fino; o Cais do Porto tem pizza, petiscos e mesas junto à murada.

Como chegar: Petrolina & Juazeiro

Petrolina

Padre Cícero presenteando Dom Malan com o relógio de Petrolina

O aeroporto de Petrolina é servido por vôos diretos do Recife (Gol e Avianca), Salvador (Azul e Avianca) e Brasília (Avianca), conectados à toda malha dessas cias.

O aeroporto fica a 10 km da orla de Petrolina (12 km da orla de Juazeiro). O táxi funciona pelo taxímetro.

São Raimundo Nonato & Serra da Capivara

Pedra Furada

Pedra Furada

O Parque Nacional da Serra da Capivara abrange áreas de quatro municípios; São Raimundo é apenas o maior deles -- e o que oferece melhores condições de hospedagem. O parque é um Patrimônio Cultural da Humanidade da Unesco desde 1991.

São Raimundo Nonato

São Raimundo Nonato -- mas não pense que a cidade é toda bonitinha assim, não

Ali se encontra a maior coleção de arte rupestre ao ar livre do mundo. As pinturas mais antigas foram datadas em 12.000 anos. As gravuras não se limitam a representar figuras humanas, animais e plantas. As mais expressivas descrevem rituais religiosos, cenas de caça, de parto e de sexo. Esses graffitis pré-históricos só chegaram intocados até o nosso tempo porque nossos antepassados mais recentes tinham medo de fazer qualquer intervenção; achavam tudo obra do sobrenatural. (Vai por mim: você também vai achar...)

Serra Talhada

Serra Talhada

Mesmo se não escondesse esse (olha aí de novo) tesouro, a região já valeria a visita pelas lindas formações rochosas, que continuariam deslumbrantes se estivessem no Arizona, em Nevada ou no Atacama. O miolo do parque guarda vales estonteantes. (Andando pelas estradas você vai querer fazer paradas para fotografar.)

Mas para além das inscrições rupestres e da beleza do cenário, a Serra da Capivara tem um significado especial para a ciência: as escavações no sítio do Boqueirão da Pedra Furada identificaram vestígios de presença humana de 58.000 anos -- demonstrando que o homem já tinha chegado à América bem antes das migrações pelo norte, via Estreito de Bering. Americanos ainda contestam as provas (dizem que o material coletado é resquício de incêndios, não de fogueiras organizadas), mas europeus endossam o trabalho da equipe capitaneada por Niède Guidon (a arqueóloga brasileira de ascendência francesa a quem devemos a existência do parque). A descoberta é celebrada no moderníssimo Museu do Homem Americano, a 2 km do centrinho de São Raimundo, onde projeções, hologramas e mesas de luz contam a história do povoamento das Américas segundo o que foi escavado na Serra da Capivara.

Como visitar: Serra da Capivara

Parque Nacional da Serra da Capivara

Parque Nacional da Serra da Capivara

Existem 14 circuitos organizados que podem ser percorridos pelos visitantes -- sempre na companhia de um guia autorizado. O site da Fundação Museu do Homem Americano, co-gestora do parque, traz todas em detalhe.

A entrada custa R$ 12,50. Mas atenção: não dá para contratar o guia na entrada do parque; é preciso já chegar acompanhado de um. E como a grande maioria dos guias têm outros empregos, o recomendável é contratar um guia com antecedência por intermédio do seu hotel. Assim você garante que terá guia durante a semana e que não faltará guia para você num fim de semana.

Os guias são superbem treinados (tudo o que é relacionado ao parque tem padrão Niède Guidon) e cobravam, em 2013, entre R$ 80 para passeios de meio-dia e até R$ 120 para passeios de dia inteiro. Se você não estiver de carro próprio, vai precisar também tratar um táxi para acompanhar você, o que pode custar mais R$ 150 ou R$ 200 (o que não é muito mais caro que a diária de um carro alugado, não). O guia ou o hotel podem achar o taxista para você.

Macaco-prego

Macaco-prego

O parque abre supercedo, às 6h, e fecha às 18h, todos os dias. Os circuitos mais procurados ficam a 18 km (Desfiladeiro da Capivara) e a 30 km (Baixão da Pedra Furada) do centro da cidade. Já o Museu do Homem Americano fica perto do centro (siga a placa da UNIVASF), e abre das 9h às 17h, de terça a domingo. Se agendado com antecedência e pago à parte, o sítio do Baixão da Pedra Furada abre para visitas noturnas, com iluminação especial.

Parque Nacional da Serra da Capivara

A sinalização também é pré-histórica smile

Aproveite a antecedência do contato para montar sua visita com o guia. A partir da sua disponibilidade de tempo e do tamanho do seu interesse por arte rupestre ou caminhadas, ele montará o seu plano de visita.

Parque Nacional da Serra da Capivara

Um bisão?

Eu só tinha um dia e, por indicação do guia Wilk Lopes (recomendo: wilkamorimlopes@hotmail.com), fiz um roteiro absolutamente redondo, que me deixou deslumbrado e ao mesmo tempo saciado.

Desfiladeiro da Capivara

Desfiladeiro da Capivara

Saímos às 7h30 do hotel e fomos para o circuito do Desfiladeiro da Capivara. Visitamos quatro "tocas" com inscrições rupestres, entramos numa caverna (a Toca do Inferno) e depois subimos ao mirante para a primeira sessão oooooh que lindo do dia. Esta primeira parte consumiu cerca de duas horas (depois da entrada no parque) e envolveu uma caminhadinha de meia hora.

Cerâmica Serra da CapivaraCerâmica Serra da Capivara

Cerâmica Serra da Capivara

De lá demos uma passada na fábrica da Cerâmica da Serra da Capivara, outro gol de dona Niède. Ali, uma matéria-prima abundante na região -- argila -- é transformada em cerâmica vitrificada de estilo japonês, decorada com motivos rupestres do parque. A fábrica emprega mão-de-obra local e exporta sua produção para redes como Tok & Stok e Pão de Açúcar.

Cerâmica Serra da Capivara

Cerâmica Serra da Capivara

De segunda a sábado é possível ver os artesãos em ação; no domingo, só dá para comprar. Todas as peças têm 20% de desconto.

Trilha da CapivaraRestaurante Trilha da Capivara

Restaurante Trilha da Capivara

Próxima parada, almoço caseiro, no restaurante Trilha da Capivara, no povoado Sítio do Mocó. Galinha caipira, carne de sol, pirão (de galinha, substancioso, o melhor de todos os pirões!), arroz, macaxeira, salada. Querendo, dá tempo para um auto-nocaute pós-prandial na rede...

Parque Nacional da Serra Talhada

A caminho do Baixão da Pedra Furada

Eram duas da tarde quando fomos para a segunda etapa do passeio -- o filé da Serra da Capivara: o Baixão da Pedra Furada. Ali estão reunidas as maiores estrelas do parque: o mural com as duas cenas mais famosas (o logotipo do parque e o beijo) e o cartão-postal, a Pedra Furada.

Boqueirão da Pedra Furada

Parque Nacional da Serra da Capivara

Quer ver mais inscrições rupestres? Clique aqui

É ali também que foram descobertos os vestígios mais antigos de presença humana nas Américas. E de quebra ainda há o mirante do Alto da Pedra da Furada, que (me garantiu o Wilk e vou acreditar nele) descortina o cânion mais bonito do parque.

Alto da Pedra Furada

Alto da Pedra Furada

Alto da Pedra Furada; pena que nublou...

Assim como no turno matinal, entrei de carro até muito perto das áreas a serem visitadas; não caminhei muito mais do que meia hora, não.

Museu do Homem AmericanoMuseu do Homem Americano

Museu do Homem Americano

Saímos do parque a tempo de passar no Museu do Homem Americano, outro equipamento de primeiro mundo à nossa espera no sertão do Piauí. À moda do Museu da Língua Portuguesa de São Paulo e do Museu das Minas e do Metal de Belo Horizonte, este pequeno museu usa a tecnologia (mesas de luz sensíveis ao toque, projeções, hologramas) para fazer um resumo organizado e refrigerado daquilo que vimos ao ar livre no parque.

Museu do Homem Americano

Museu do Homem Americano

A entrada custa R$ 15 (preço de 2016) (e, como falei mais acima, não esqueça que o museu fecha nas segundas-feiras).

Museu do Homem AmericanoMuseu do Homem Americano

Museu do Homem Americano

Foi um dia bastante puxado: saí do hotel às 7h30, voltei às 17h30. Mas para o meu nível de curiosidade arqueológica (e de tolerância aos elementos, sem o devido contraponto de conforto na hospedagem), foi suficiente -- e inesquecível. No dia seguinte, prossegui viagem em êxtase.

Tenho certeza que na caixa de comentários aparecerão depoimentos de quem ficou mais dias e fez mais passeios e vai garantir que vale a pena. Não duvido, de jeito nenhum. Só queria deixar registrado que, para alguém do meu perfil, esse roteiro foi mega-satisfatório, inclusive na seqüência -- cada etapa superou a anterior, me deixando com a sensação de que vi o que existe de melhor no parque.

Quando ir: Serra da Capivara

Serra da Capivara

Outubro: quente e seco

A época seca vai de maio a outubro. O inverno, teoricamente chuvoso, vai de novembro a abril -- mas faz três anos que chove minimamente. O parque é visitável o ano inteiro; na seca os dias são melhor aproveitados (mas o sol amplia a sensação de calor).

Onde ficar: São Raimundo Nonato

A Serra da Capivara seria perfeita para um hotel como os chilenos Explora ou Tierra Atacama, que permitem combinar turismo de atividade com relaxamento em iguais proporções. Poder visitar o parque da Serra da Capivara em passeios de meio dia e voltar para o hotel para curtir a piscina ou fazer tratamentos de spa seria um sonho. A propósito: acorda, Alice!

Hotel Serra da CapivaraHotel Serra da Capivara

Hotel Serra da Capivara

O Hotel Serra da Capivara fica a 2 km do centrinho da cidade, à beira da estrada para Teresina. A construção é estatal e as instalações são antiquadas e espartanas (mas as camas são box e o ar condicionado, split). O staff, porém, é excelente; o café da manhã, também. É o hotel mais freqüentado pelas autoridades, tanto políticas quanto científicas, que visitam a cidade, e tem contato com todos os guias. Muitos hóspedes jantam no restaurante do hotel. Se quiser sair para o centrinho, você vai precisar de táxi.

Hotel RealHotel Real

Para poder sair de noite a pé pela cidade, o hotel mais bem-localizado é o Real. Peça para ficar num dos apartamentos renovados.

Ainda no centro, o hotel Bella Vista é o mais novo da cidade. A Pousada Zabelê tem acomodações básicas, mas está próxima do foco da vida noturna.

Junto aos sítios arqueológicos, o Albergue Serra da Capivara funciona no mesmo complexo da fábrica de cerâmica.

Onde comer: São Raimundo Nonato

Pizzaria do PaulinhoChurrascaria Varanda

Paulinho | Varanda

Não faltam pizzarias e churrascarias em São Raimundo. Recomendado por uma seguidora do Instagram, fui experimentar o calzone de carneiro com queijo coalho da Pizzaria do Paulinho (gostei, mas na sua vez sugiro que você peça para não colocarem os dois riscos de ketchup por cima!).

Comi um bom frango na brasa com acompanhamentos regionais no Varanda, que fica na rua da muvuca, com muitos bares um ao lado do outro.

O restaurante mais elogiado é o Bode Assado do Tanga, mas chegar não é muito fácil; vá de táxi ou peça para o seu guia mostrar o caminho.

Como chegar: São Raimundo Nonato

De avião

Desde junho de 2016, o aeroporto de São Raimundo Nonato recebe dois vôos por semana de Teresina, operados pela Piquiatuba, em aviões Cessna 208 Caravan de 9 passageiros. A rota é operada às segundas e quintas, saindo às 8h de Teresina (chegada: 10h17) e às 14h15 de São Raimundo (chegada: 17h). Há uma escala em Picos tanto na ida quanto na volta. As tarifas começam em R$ 249 por trecho.

De carro

De Petrolina a São Raimundo Nonato

De Petrolina a São Raimundo Nonato, pelo bom asfalto

São Raimundo está a 300 km de Petrolina via Remanso, mas essa estrada tem 40 km praticamente sem asfalto. O caminho todo asfaltado (em ótimo estado) tem 380 km.

De carro, saia pela BR 470 em direção a Afrânio (120 km). Logo depois de Afrânio já é a fronteira com o Piauí. Logo depois da fronteira haverá um posto fiscal. Existe uma estrada que sai meio escondida à esquerda, logo depois do posto fiscal. A placa indica QUEIMADA NOVA; pode seguir que é por ali. Continue seguindo as placas para São João do Piauí. Em São João haverá indicação para São Raimundo (esse trecho final é pela BR 020).

De São Raimundo Nonato a Teresina

De Teresina a São Raimundo Nonato

Vindo de Teresina, são 510 km, sem erro, via Floriano. Os 60 km iniciais (ou finais, se você vier de São Raimundo) têm tráfego pesado, mas os outros 450 km serão percorridos sem stress, por uma estrada que está um tapete.

De ônibus

A rota entre Petrolina e São Raimundo Nonato é feita pela Gontijo. A viagem leva 6 horas (e vai por Casa Nova e Remanso, ou seja, pega o trecho de chão).

Já a linha Teresina-São Raimundo Nonato é operada pela Transpiauí. A viagem leva 7 horas.

    Teresina

Centro de Convenções

Mural do Centro de Convenções

Você vai se surpreender com Teresina. OK, a capital piauiense talvez não seja a melhor pedida para o próximo feriadão -- mas estando no seu caminho, não tem por que não ser uma escala prazerosa.

Teresina

Perto da Ponte Estaiada

Todo mundo sabe que Teresina é a única capital nordestina que não tem praia e que a cidade é calorenta pra dedéu. Verdade. O que pouca gente desconfia é que Teresina é uma cidade organizada, com belos parques à beira-rio e super bem-equipada de ambientes refrigerados grin

Vai por mim: Teresina

Poty Velho

Poty Velho

Uma tarde é o suficiente para citytourzar a capital do Piauí. Depois do almoço (sugiro a carne de sol do São João), siga até o povoado de Poty Velho, onde há uma comunidade de ceramistas.

Encontro dos rios, Teresina

A esquina do Poty com o Parnaíba

Mesmo se você não gostar das peças à venda, o passeio valerá pela vista do encontro dos dois rios que abraçam a parte mais antiga da cidade: o Poty e o Parnaíba.

Palácio de Karnak e Catedral de Teresina

Palácio de Karnak e Catedral de Teresina

De Poty Velho você pode dar uma passadinha no Centro Histórico. O Palácio de Karnak, sede do governo estadual, costuma ter exposições no saguão.

Teatro 4 de SetembroCentro de Artesanato

Teatro 4 de Setembro | Centro de Artesanato

A uma quadra dali fica a Praça Pedro II, onde estão o Teatro 4 de Setembro, de fachada clássica e o antigo cinema Rex, hoje um clube, de linhas art-déco. Do outro lado da praça do teatro você encontra um Centro de Artesanato (com uma oferta mais variada que em Poty Velho, incluindo jóias de opala de Pedro II).

Ponte Estaiada, TeresinaPonte Estaiada, Teresina

Ponte Estaiada, Teresina

Saia do centro velho em direção à mais nova atração da cidade, a Ponte Estaiada sobre o rio Poty. Suba ao mirante: o elevador (também panorâmico) funciona de terça a sexta entre 11h e 19h e sábado, domingo e feriados entre 10h e 18h. A entrada custa R$ 3 e lá do alto se avista a cidade e também o rio Parnaíba.

Teresina

Teresina, vista do mirante da Ponte Estaiada

Quando você descer, já ao entardecer, perceberá o teresinense saindo da toca e começando a povoar as duas margens do rio, aproveitando as pistas de cooper e o verde dos parques. Termine o dia com uma passadinha na Nova Potycabana, o parque urbano onde está o THE AMO, a bem-sacada versão teresinense do I amsterdam smile

The Amo

Gotta love Piauí

Se quiser ver se tem algum show do seu agrado à noite, dê uma olhadinha na Agenda Teresina.

Ah, sim: e não saia do Piauí sem beber uma cajuína, o néctar clarificado de caju que, geladinha, é uma delícia. (Você encontrará no frigobar do seu hotel e nos restaurantes de comida típica.)

Onde ficar: Teresina

MetropolitanMetropolitan

Metropolitan

O hotel mais confortável da cidade é o Metropolitan, que fica a uma quadra do Palácio de Karnak, no centro velho. No subsolo funciona uma super academia de ginástica; o bar da piscina, no terraço, é um point de happy hour.

Blue Tree Rio PotyBlue Tree Rio Poty

Blue Tree Rio Poty

À beira-rio, o Blue Tree Towers Rio Poty é o hotel que tem mais cara de férias. O prédio é cavernoso, mas os apartamentos são bastante arejados; a piscina é bem gostosa.

O hotel mais próximo da vida noturna (e dos shoppings) é o Palácio do Rio. Ainda para esses lados, mas numa localização menos conveniente, está o novinho Gran Arrey.

Vizinhos ao Blue Tree há dois hotéis com bom custo x benefício -- o Executive Flat Rio Poty e o econômico Fórmula Flat.

O Ibis Teresina fica encravado numa área do centro povoada por clínicas e hospitais; é usado por quem vai a Teresina para tratar da saúde.

Onde comer: Teresina

São João, Teresina

São João, Teresina

Se você só fizer uma refeição em Teresina, vá ao São João, restaurante de um prato só, mas um prato formidável: uma carne de sol suculenta, lambuzada na manteiga de garrafa, acompanhada por macaxeira e baião-de-dois (arroz com feijão verde). Minhas fontes teresinenses garantem que a filial da avenida Nossa Senhora de Fátima é tão boa quanto a matriz, que fica fora do centro.

Av. N. Sra. de Fátima, Teresina

Corredor gastronômico da N. Sra. de Fátima

A avenida Nossa Senhora de Fátima, por sinal, funciona como corredor gastronômico-botequinístico de Teresina, no trecho à altura da rua Antônio Castro Franco. Por ali estão os botecos Orelha de Van Gogh, Seu Boteco e Budega. O maior grupo de restaurantes da cidade, o Favorito, tem três casas vizinhas: a Brasserie Favorito (onde atua o chef piauiense Naim, que teve uma ótima passagem pelo paulistano Cantaloup), a Forneria Favorito e o libanês Aroma Árabe.

Allium

Hamburguinhos-canapés no Allium

Ainda na região você encontra o animado Allium (com cardápio moderninho, freqüência eclética e um concorrido open bar de caipiroskas na quarta-feira),  a filial teresinense da rede Coco Bambu (que só tem pratos para duas ou três pessoas, e não faz meia-porção em hipótese nenhuma), o bem-cenografado Favorito Comida Típica e dois restaurantes de personalidade: o Boa Vida, que tem pratos equilibrados e saudáveis (sem os quatro carboidratos concomitantes que caracterizam a cozinha nordestina), e o Olik, que funciona dentro de uma loja de objetos de decoração e tem um cardápio enxuto e bem executado.

Boa VidaOlik

Boa Vida | Olik

Como chegar: Teresina

Teresina recebe vôos diretos de Brasília, São Paulo, Campinas, Fortaleza e Recife. Desde São Raimundo Nonato são 510 km. Parnaíba, no litoral, está a 350 km. A rota de ônibus a São Raimundo Nonato é feita pela Transpiauí. A Parnaíba, pela Guanabara.

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74 comentários

Daniela Fusco
Daniela FuscoPermalinkResponder

Carla! Eu tb !!! Setembro/2019 !

Luiz Pucú
Luiz PucúPermalinkResponder

A qualidade do teu relato é realmente fascinante vou anotar todas as dicas Adorei o texto e a qualidade das fotos .Parabéns e um abraço

Igor Ferraz da Fonseca

Olá, boa noite. Estou pensando em ir no feriado de carnaval 2020 à Serra da capivara. Minha pergunta é: o parque e os museus funcionam nos dias do carnaval? Como são as cidades (são Raimundo, Petrolina, Teresina) no carnaval?
Pesquisei na internet e parece que não há mais voo entre Teresina e são Raimundo nonato. Não dirijo e não gostaria de depender de ônibus de linha. Existe outra forma para locomoção? Algum transfer de Teresina ou Petrolina? Obrigado desde já!

A Bóia
A BóiaPermalinkResponder

Olá, Igor! Realmente o vôo não existe mais. Não temos informações atualizadas sobre operadores de passeios para lá. Sugiro que você ligue para o parque para se informar.

Andrea barbosa

Olá, ótimo texto! Obrigada! Meus pais, que são professores de história aposentados, gostariam muito de visitar o parque. Minha dúvida é se os passeios exigem muito fisicamente. Eles são idosos.

A Bóia
A BóiaPermalinkResponder

Olá, Andrea! O ideal é estar com carro (ou taxista). Neste caso, será preciso andar muito pouquinho, as estradinhas chegam bem perto dos sítios a visitar.

Marcia
MarciaPermalinkResponder

Olá ! Acabo de chegar da Serra da Capivara, amei! O melhor é pegar voo para Petrolina pois a estrada está otima até SRN e o tempo é menor que chegar por Teresina. Esta dica foi do pessoal da Selva Branca agencia de receptivo que me atendeu super bem lá! No final de 2018 foi inaugurado o museu da natureza que eu super recomendo para uma visita final, ele é muito bem elaborado com direito a realidade virtual. Aproveitem!

Alex Pinter Balint

Segui as dicas desse post e fiz redondinho o roteiro de 8 dias, chegando na sexta a noite por Petrolina e voltando no outro domingo por Teresina. Funcionou muito bem !

Cheguei na sexta de noitão em Petrolina e fiquei hospedado no Ibis devido ao programa de fidelidade Le Club, gosto da rede Accor. Mas quem puder fique na Orla, a vista do rio é muito bonita.
No sábado fiz um passeio de lancha no Rio São Francisco, banho muito gostoso.
Optei por não fazer o passeio Vapor no Vinho pois achei o passeio muito turísitico.

No domingo fui no Museu do Sertão, passeio pela orla, peguei a barquinha para Juazeiro.
De noite experimentei a carne de carneiro no Bodódromo e gostei.

Na segunda de manha fiz o passeio na vinícola Terra Nova (Miolo) e na volta de carro parei em Sobradinho para fotos. Obra de engenharia impressionante.
Depois do almoço peguei o onibus da viação Gontijo para São Raimundo Nonato e depois de 6 horas de viagem e várias paradas por cidades no caminho cheguei na rodoviária de SRN.

Em São Raimundo Nonato fiquei hospedado no Real Hotel, num quarto da ala reformada
Fiz 3 dias e meio de passeios com a empresa Selva Branca, recomendo. Guia e motoristas muitos bons, empresa séria.
É de cair o queixo na primeira visita a uma toca com as incrições rupestres de 8000 - 12000 anos. Emocionante.

E as formações rochosas são belíssimas.
Nos 4 dias visitei vários sítio arqueológicos, formações rochosas belíssimas, baixão da pedra furada, serra vermelha, desfiladeiro da capivara, visitei a fábrica de cerâmica, vi a revoada de andorinhas, fii a visitação noturna e fui nos museu do homem americano e no museu da natureza. 3 dias e meio pode parecer muito tempo mas não achei. No mínimo 2 dias inteiros valem a pena, são muitas as atrações.

Saí de São Raimundo Nonato de ônibus e depois de 8hs num onibus com ar condicionado bem geladinho cheguei na Rodoviária em Teresina. Um dia e meio em Teresina é suficiente para conhecer a cidade. Fui na dica do texto e jantei a melhor carne de sol da cidade no restaurante São João. Fui nos parques , nas atrações do centro , no encontro dos rios Poty e Parnaíba, subi no Mirante da Ponte Estaiada e tomei muita Cajuína gelada para suporter o calor muito forte.

A Serra Da Capivara merece ser visitada. E o local precisa de turistas para movimentar a economia do local e o trabalho da arqueóloga Niede Guidon precisa ser conhecido pelos brasileiros. Graças as dicas e post do Viagem na Viaje já viajei muito por esse Brasilzão e posso dizer que a riqueza e beleza da Serra da Capivara e seus sítios arqueológicos me surpreendeu muito. Podem ir que não vão se arrepender.

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Bóia de férias. Só voltaremos a responder perguntas que forem postadas a partir de 3 de junho. Relatos e opinões continuarão sendo publicados.
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