A dispensa (temporária) do visto para gringos -- e o (pouco) que se pode esperar disso

Ricardo Freire
por Ricardo Freire

Museu do Amanhã

A primeira recomendação da Organização Mundial do Turismo para qualquer país que queira realmente fazer do turismo uma fonte importante de divisas é eliminar a barreira do visto de entrada.

O Brasil é um dos raríssimos países que adotam a tal política da reciprocidade diplomática, que pelo mais genuíno vira-latismo é apoiada por quase todo mundo que eu conheço, menos eu e uns dois ou três outros esquisitões. O que ninguém se dá conta é que país que exige visto de turista ou é um regime fechado ditatorial; ou tem paranóia de segurança; ou teme imigrantes ilegais; ou não entende o negócio do turismo. O nosso é claramente o último caso.

Por teimosia ideológica ou chauvinismo mal colocado, migramos oportunidades de emprego à mão-de-obra do Nordeste e da Amazônia para o Caribe, o México, o Peru, a Costa Rica, contribuindo para que o Brasil seja um exportador líquido de turistas, quando deveria ser um dos países mais visitados do mundo.

Imagine se o Brasil lançasse mão de medidas realmente agressivas para atrair turistas. Como, por exemplo, a isenção de IVA na hospedagem de 19% que os turistas estrangeiros têm no Chile, de 18% que têm no Peru e de 21% que têm no Uruguai. Ou a devolução de 18% de IVA na conta de restaurantes que os turistas ganham no Uruguai! Por que os governos chileno, peruano e uruguaio fazem isso? Para se humilhar no plano internacional? Para se rebaixar ante os visitantes? Não: para atrair moeda forte, gerar negócios e empregos da maneira capilarizada de que só a indústria do turismo, hoje em dia, é capaz. (Todas as outras indústrias, não sei se você notou, migraram para a China.) Mas vai explicar para um brasileiro que um hotel, aqui, pode custar menos para um gringo do que pra nós. (Só que, quando a gente vai pro Chile ou pro Uruguai, adora esse desconto, né? Às vezes é o fator decisivo na balança para batermos o martelo por um destino.)

Essa digressão sobre isenção de imposto para gringos (que não está em discussão e tenho que certeza que, nessa encarnação, nunca estará) é só para ilustrar como a questão do visto é ainda mais bizantina. Enquanto a gente impõe barreira de entrada para o turista americano, canadense ou japonês, o Peru abre a porta, estende o tapete vermelho e dá 18% de desconto na hospedagem. Tem como competir? Por isso é que, quando estive no Peru, em plena média temporada de setembro-outubro, as cidades turísticas estavam cheias de gringos. Enquanto isso, o Brasil se contenta com o turismo doméstico, que só funciona em feriado e férias. Fora de feriados e férias, nossos destinos turísticos estão batendo lata; em muitos lugares você não consegue sequer formar um grupo para fazer um passeio de forma mais barata. Perdemos a chance de que haja mais investimento, mais qualidade, mais infra-estrutura no turismo doméstico. Quem quer investir num setor com 10 meses de baixa temporada, que dificulta de propósito, com extremo afinco, a entrada dos clientes mais cobiçados do mundo?

O primeiro projeto para dispensar americanos, canadenses, japoneses e australianos do visto de entrada foi proposto na Câmara dos Deputados em 2005. (Na minha opinião, já tarde demais. Deveria ter sido proposto no primeiro dia depois da saída dos militares, que é o milieu em que a doutrina da reciprocidade faz sentido.) Nunca foi para a frente. Ano passado, finalmente, a idéia foi encampada pelo governo e agora conseguiu-se aprovar uma dispensa temporária de visto de entrada para visitantes dessas quatro nacionalidades, que desembarcarem no Brasil entre 1º de junho e 18 de setembro de 2016. A portaria foi publicada dia 30 de dezembro.

Eu deveria ser o primeiro a comemorar. Mas a portaria é tão tímida (para não dizer: envergonhada), tem um timing tão pouco conveniente, e está envolta num marketing tão pífio, que o meu medo é que não traga nenhum resultado palpável e acabe dando razão aos oponentes do fim do visto.

Arpoador

It's not about the Olympics, stupid

Os autores da proposta do fim temporário do visto sabem que o projeto é apenas um balão de ensaio. A intenção é mostrar que o Brasil não acaba nem vai para a vala das republiquetas das bananas depois que o primeiro americano passar pela imigração sem ter requerido o visto com antecedência.

(A propósito, o fato de não exigir o visto prévio não tira o direito do agente de imigração de barrar um americano ou canadense ou japonês ou australiano na entrada. Exatamente como acontece com a gente na Europa. Fecha parênteses.)

No entanto, para que o balão de ensaio apresente resultados que provem a eficiência (ou a falta de eficiência) da medida em atrair mais turistas, seria necessário que vigorasse durante um período mais elástico, que não deixasse o turista refém de um intervalo tão curto para aproveitar a bonança.

O ideal é que funcionasse durante um ano inteiro. A Olimpíada daria o gancho para um ano em que o Brasil festivamente se abriria ao turismo internacional, levantando barreiras e oferecendo um pacote de facilidades tourist-friendly -- uma espécie de Visit Brazil Year, embrulhado para divulgação numa grande campanha de marketing. A Tailândia fez isso nos anos 90 e rapidamente ascendeu à primeira divisão do turismo mundial. Desde 2012 eu prego essa idéia em palestras. No meu balanço da Copa, publicado no Estadão no fim de julho de 2014, escrevi que ainda dava tempo de fazer de 2016 um Visit Brazil Year. No finzinho de 2014 o ministro-tampão Vinicius Lages passou a ventilar a idéia de um Ano Olímpico do Turismo. Em 2015 o presidente da Embratur Vinicius Lummertz também andou falando em algo por aí.

Hmpf: o projeto foi capado primeiro pelo Congresso, que limitou a vigência da dispensa de visto só até 18 de setembro, e depois pela Presidência, que empurrou a data inicial de 1º de janeiro para 1º de junho.

Em vez do Ano Olímpico do Turismo, teremos o... Menos de 1/3 de Ano Olímpico do Turismo.

Por que a medida provavelmente será inócua

1 | A Olimpíada não precisa da isenção do visto

Os americanos, canadenses, japoneses e australianos que já tenham comprado seus ingressos ou pacotes para a Olimpíada e ainda não tenham providenciado o visto vão adorar não precisar enfrentar a burocracia dos consulados brasileiros no exterior para viajar.

No entanto, assim como aconteceu na Copa do Mundo, a exigência de visto não é um grande empecilho para o turista de eventos (a Alison McGowan do Hidden Pousadas Brazil chama de "eventeiro"). O mais difícil é conseguir ingresso e ter grana para hospedagem. Conseguir visto é só um perrengue a mais. Não existe outra Olimpíada acontecendo em agosto de 2016 no México, na Costa Rica, na República Dominicana, no Peru ou no lado argentino de Iguaçu. E mesmo que a necessidade de tirar visto fizesse muitos desistirem da viagem, naquele momento não seria uma questão crucial para o destino: há muito mais interessados em participar do que ingressos ou vagas em hotéis.

Na Copa, mesmo com o visto, os americanos foram o segundo maior grupo de visitantes estrangeiros, atrás apenas dos argentinos. Todas as cidades-sede estiveram cheias durante os jogos. O Rio já está lotado para a Olimpíada; não seria necessário criar nenhuma facilidade para a vinda do turista nessa época.

A medida só se justifica para essa época específica se a idéia for vender viagens a turistas sem-ingresso. É exatamente o que eu propus em 2010 para a Copa de 2014, no artigo Como fazer de 2014 a Copa do Turismo: minha sugestão era tirar o foco das cidades-sede e dos jogos e convidar o mundo a curtir o clima de festa da Copa em qualquer lugar do Brasil.

Para isso dar certo em 2016, porém, será preciso que o marketing incorpore alguma sinceridade. Se o Brasil fizer uma campanha fazendo de conta que liberou o visto para o americano poder vir para a Olimpíada, será dinheiro jogado fora. Acho que um esforço eficaz seria focar explicitamente, sem pudor, no viajante que nunca pensou em vir à Olimpíada. Algo como "entre junho e setembro de 2016, você não precisa de ingresso, nem de visto, para descobrir as belezas do Brasil".

(Aliás, acho que vou fazer um postzito em inglês aqui pra Bóia...)

2 | A liberação não tira proveito do pós-Olimpíada

Depois da Copa, o Brasil se auto-inflingiu um novo 7x1: conseguiu não fazer absolutamente nenhum marketing turístico a partir do sucesso do Mundial entre os visitantes. Não houve nenhum follow-up, nenhum aproveitamento do saldo turístico positivíssimo do certame. Não convidamos os turistas dos países visitantes a retornar e visitar outros destinos brasileiros.

É provável que tenhamos terminado 2015 com menos visitantes estrangeiros do que em 2014, mesmo com o real em franca desvalorização. É um feito e tanto.

O fato da liberação do visto terminar para desembarques no dia 18 de setembro (4 semanas depois do final da Olimpíada, dia 21 de agosto) mostra que a miopia e a inércia que nos fizeram desperdiçar o momentum da Copa podem se repetir nos Jogos Olímpicos.

Durante três semanas (provavelmente) ensolaradas em agosto, o Rio de Janeiro será mostrado em todo o seu esplendor a todas as horas do dia para o mundo inteiro -- e em especial para dois mercados onde o Brasil tem um potencial imenso de crescimento, Estados Unidos e Canadá. Os 21 dias de propaganda intensa do Rio certamente despertarão o desejo de muitos norte-americanos para vir ao Brasil. Seria o momento de começar, e não de terminar o programa de isenção de vistos.

(Sobre o Canadá: 1 milhão e 300 mil canadenses vão todos os anos a Cuba -- nem Fidel nem Raúl jamais exigiram que canadenses fossem ao consulado cubano requerer visto de entrada. Mais canadenses viajam a Cuba do que à Itália ou à França. Com a isenção do visto, o Brasil teria possibilidade, no médio e no longo prazo, de abiscoitar uma parte desse contingente. Mas acordos comerciais levam tempo para ser feitos, os canadenses que procuram sol normalmente viajam de pacote, e inverno do ano que vem está fora da isenção do visto. O efeito da isenção no mercado canadense deverá ser próximo de zero.)

Minha esperança: que a liberação temporária faça alguma cosquinha no número de visitantes americanos (talvez na carona da valorização do dólar...) e faça a medida ser estendida 'temporariamente' até 2017, e então até o fim do verão de 2018, então até... para sempre, quando finalmente percebermos que a suprema humilhação internacional não está em isentar unilateralmente americanos e canadenses de visto de entrada. A suprema humilhação internacional (e um preju colossal na economia) está num país deste tamanho receber praticamente o mesmo número de turistas estrangeiros que o balneário de Cancún.

Atenção: isto não é um debate

Antes de terminar, devo esclarecer que os textos que produzo sobre esse assunto são apenas em modo desabafo. Já perdi esperança de convencer uma pessoa que seja de que a reciprocidade é uma tolice, uma barreira comercial auto-infligida que mina a nossa competitividade numa das poucas indústrias em que podemos competir com vantagens naturais. Também não tenho tempo para discutir com quem acha que o Brasil não tem condições de receber nenhum turista -- já sei sua opinião e seus argumentos, não precisa me contar. Publicarei opiniões contrárias que sejam formuladas de maneira respeitosa, sem apelar a argumentos risíveis como "segurança nacional" ou "narcotráfico" (riscos que despareceriam magicamente se os Estados Unidos deixassem de exigir visto de brasileiros e não precisássemos mais da reciprocidade, certo?). Mas saibam os comentaristas desde já que não tenho paciência, tempo ou ânimo para replicar. (Investir um dia inteiro produzindo esse texto já saiu caro demais para mim; tenho muito trabalho atrasado.)

Só queria mais uma vez deixar registrado o que eu penso. Talvez um dia arqueólogos digam que faz sentido.

Leia mais:

61 comentários

Carla
CarlaPermalinkResponder

Faz todo o sentido do mundo, Riq... e, pode acreditar, somos mais do que dois ou três esquisitões...

Marcie
MarciePermalinkResponder

É permitido dizer que eu concordo? smile
E que, apesar das dores de cabeça que você vai ter com alguns comentários, super valeu você ter perdido o dia escrevendo este texto. Se você conseguir com que uma só pessoa analise os fatos com esta clareza, já é lucro.

José Roberto Yasoshima

Parabéns pelo texto. Cuba, com todo o embargo, recebeu 3 milhões de turistas, o Brasil continua patinando nos 5 milhões, ou seja 0,5% de todos os turistas internacionais.

Nanda de Lor
Nanda de LorPermalinkResponder

Nao eh o visto que diminui a entrada de turistas, mas a falta de educacao e burocracia do consulado brasileiro no exterior - sem contar os precos das passagens aereas para o Brasil eh muito mais caro do que para o Brasil.
O funcionarios do consulado brasileiro aqui em SF faz a vida dos turistas virar um inferno! Eles so trabalham na parte da manha e fecham em todos feriados americanos e brasileiros.

Mirella
MirellaPermalinkResponder

Também concordo com você, não faz sentido continuar com ess tortura do visto, até o Canada vai começar a facilitar o processo, está na hora de fazermos o mesmo, mas de forma ainda maia aberta.
O dolar em alta, realmente atrai mais visitantes e nos deixa mais competitivo na america latina, pois somos um país caro para se visitar.
Sobre Cuba, na minha opiniao, eles ganham da gente, pois a localização é mais privilegiada. Mas se eles fazem charts pra lá e outros países do caribe, poderíamos sim alavancar uma parcela desse pessoal com empresas como sunwing e air transat.
Eu acho o Brasil um desperdício turistico!!!
Adoro suas filosofias!!!
Cheers

Ale Tricolor
Ale TricolorPermalinkResponder

Riq, o seu (ótimo) texto é auto-explicativo (com hífen para cutucar o pessoal da reforma ortográfica ?). Você tocou no ponto exato: vira-latismo. Marketing turístico não é o forte dos nossos governantes e congressistas. Como consolo, informo que vocês (você e uns 2 ou 3) não estão sozinhos nessa. Agora, somos 3 ou 4! ? Grande abraço.

Gabriel Britto

Esperava este post desde o momento em que as pessoas começaram a se declarar contra a isenção temporária. Obrigado. Agora não preciso mais tentar explicar o raciocínio no Twitter. =)

Paula Brum
Paula BrumPermalinkResponder

É preciso desmistificar essas assertivas arcaicas e que nos afastam do mercado competitivo, embora tenhamos tanto potencial. Obrigada pelo excelente texto, salvo para ser usado sempre que necessário - e acredito que até as Olimpiadas usarei muitas e muitas vezes.

Mari Campos
Mari CamposPermalinkResponder

Excelente! P.S.: Riq, não perca as esperanças: foi com vc mesmo, já há um tempinho, que eu entendi de uma vez por todas porque a reciprocidade é uma tolice smile

Maria Luiza Araujo

Continue a nos in-formar (com hífen mesmo, para ressaltar nossa falta de conhecimento na área), por favor. E, também, divulgar sua tese. Quem sabe, um dia, consigamos deixar de ser um "desperdício turístico", como Mirella muito bem colocou?
Somos um país riquíssimo, naturalmente turístico, com belezas para agradar todos os gostos, só precisamos de políticos inteligentes e decentes - isso sim, raridade em nosso Brasil, infelizmente.

Adele
AdelePermalinkResponder

Ricardo, desconhecia a situação atual da exigência dos vistos com base na reciprocidade.
Se soubesse da exigência pura e simples, talvez eu achasse que ela é correta. Porém, seu texto aclarou as consequências da aplicação desse princípio do direito internacional que dá a falsa sensação de igualdade entre nações, e escancarou o quanto a reciprocidade é absurda quando falamos em turismo e entrada de dinheiro estrangeiro, especialmente diante da atual crise econômica.
Sigo sempre o blog e é muito interessante receber informações de outras facetas do mundo do turismo - além das preciosas dicas que sempre venho buscar para a montagem de qualquer roteiro!
Abraços e que tenhamos um 2016 menos decepcionante!!

Gabriela
GabrielaPermalinkResponder

Comecei a ler o post por curiosidade, afinal te acompanho pelas maravilhosas dicas! Mas em resumo, isto tudo é mais um reflexo de no Brasil, as pessoas responsáveis por determinados assuntos, serem leigas sobre a área que assumem. E para piorar, mem se interessam por aprender e agarrar a oportunidade de fazerem um trabalho útil para o país, que na verdade devia ser a intenção de quem assume estes postos. Isto ocorre em todas áreas: turismo, saúde, educação, etc. Não desista de nos informar! Eh muito bom ouvir argumentos de pessoas que sabem o que estão dizendo!

Anderson
AndersonPermalinkResponder

Não perca as esperanças. Foi lendo um texto seu sobre o assunto há algum tempo que me convenci. E sempre que o assunto surge, passo adiante. Falando em americanos, estive na Guatemala recentemente, onde a infraestrutura para o turismo é mais modesta que a brasileira, com graves problemas de violência nas cidades, nas estradas e até nas trilhas para hiking, e é impressionante a quantidade de americanos gastando aos tubos por aqui. Qual é o segredo? Não podem ser só as horas de voo.

Nereu Jr
Nereu JrPermalinkResponder

Acho que qualquer ser pensante com um mínimo de bom senso tende a concordar contigo Rik. #pelofimdoviralatismo

Marcelo Jesus
Marcelo JesusPermalinkResponder

Toda vez que ouço falar em reciprocidade lembro do que dizia há praticamente quarenta anos o grande Aparício Torelli - Barão de Itararé - o Brasil é um país com os pés firmemente plantados no chão, e as mãos também...

Adorei a frase da Mirella, somos realmente um verdadeiro "desperdício turístico", com destinos fantásticos e únicos no planeta (Amazônia, Foz do Iguaçu, Lençóis, Rio, Pantanal), enfim...

Tina
TinaPermalinkResponder

Comandante, concordo com o seu texto em genero, numero e grau!!!!
Fico indignada que o Brasil desperdíce tanto potencial turístico (e com isso alavanque a economia, pois o Turismo representa quase 10% da economia mundial, e supera outros setores como a indústria química (8,6%), a agricultura (8,5%), a educação (8,4%), a automação (7%) ou a bancária (5,9%). O turismo emprega diretamente 105 milhões de pessoas em todo o mundo, sete vezes mais que a indústria de automação e cinco vezes mais que a química.
É realmente lamentável que nossos governantes não se dão conta da importância que o Turismo só traz o crescimento da economia no Brasil.

CARMELA
CARMELAPermalinkResponder

...não tinha visto por este ângulo...valeu... adorei o texto!!!

Alexandre Sousa

Talvez um dia possamos debater ideias.
Parabéns por dividir seu conhecimento conosco.
Te acompanho por que percebeu seu vasto conhecimenfo em turismo.

Rita
RitaPermalinkResponder

É tudo verdade! Mas nosso governo está mais para aumento de impostos do que isenção de impostos!! Sabe, mudar essa questão da reciprocidade precisa alterar a constituição e isso dá taaaaaaanto trabalho para nosso congresso... coitados, já trabalham taaaaanto de terça a quinta...

Débora Prass
Débora PrassPermalinkResponder

É muito triste ver como o turismo é tratado nese país. Ir a Miami ou Cancun dá depressao, vendo cidades como o Rio ou alguma do litoral do nordeste com muito mais beleza natural, cultura e gastronomia recebendo em um ano a quantidade de turismo que Miami ou Cancun recebem em uma semana ( sei la se as quantidades sao essas, mas é algo absurdo nesse nivel). Vc falou muito bem da capilaridade da indústria do turismo, distribui renda rápidamente e em todos os niveis. Até o vendedor de biscoito Globo lucra mais com a cidade cheia. Mas vc tem razao em outra coisa: nada vai mudar nessa encarnação.

Guilherme
GuilhermePermalinkResponder

Excelente texto, Ricardo. Abriu meus olhos pra essa situação.

Guilherme
GuilhermePermalinkResponder

Concordo 99% contigo, Riq.
Minha unica discordancia é na definição: o que a gente tem é "complexo de pitbull" ... esse megalonanismo da gente querer sempre fazer o contrario, latir alto, pra disfarçar algum trauma ou complexo de inferioridade...

Walter Bianchi

Ricardo, não desista! Continue insistindo. Água mole em pedra dura tanto bate até que fura!

Ana Elisa
Ana ElisaPermalinkResponder

Concordo com você, mas discordando um pouco de um único ponto: não acho que a isenção de visto de turismo um ponto tão importante assim para aumentar o número de turistas no país. Falta estrutura para receber o turista, tanto o brasileiro e principalmente o estrangeiro.
Trabalho em pleno Centro - que deveria ser chamado oficialmente de Histórico - do Rio de Janeiro e canso de ajudar turistas completamente perdidos.
A isenção ajudaria? Sim, obviamente. Mas não acho que seja determinante.

Claudia
ClaudiaPermalinkResponder

Eu nunca tinha pensado muito sobre isso, no fundinho achava até justo que os gringos passassem a mesma chateação que a gente passa para o visto, mas você está coberto de razão. Minha sogra americana já falou que nunca iria visitar a gente no Brasil justamente por causa do visto, um amigo do meu marido que está viajando o mundo como nômade digital também não quis incluir o Brasil no roteiro entre outras razões por causa do visto... Pequenas amostras do que acontece aos milhões...

Alexandre
AlexandrePermalinkResponder

Texto excelente. Este é mais um aspecto da nosso provincianismo desconfiado, sempre achando que "estão querendo levar vantagem sobre a gente". Assim, abraçamos um nacionalismo patético, atualmente encampado pelas esquerdas, que prefere ficar falido sozinho que repartir alguma riqueza com empresas estrangeiras (pré-sal, por exemplo).

Bianca Tonelli

Marketing turístico brasileiro ficou totalmente estacionado no tempo. Enquanto hoje em dia "Colombia és passión" e tantos outros países reverteram sua imagem negativa na América Latina e mundo a fora, o Brasil segue "sentado em cima da bunda" esperando o turista bater a porta (mas só depois de conseguir o visto). Esta linha de pensamento é digna de estudos mais aprofundados que pretendo propor aos meus alunos de RI que farão o TCC este ano. Volto com mais detalhes futuramente! ????????

André Aguiar
André AguiarPermalinkResponder

Em compensação no Peru os ingressos para atrações turísticas como Machu Picchu custam três vezes menos para os nativos. Aqui o brasileiro paga o mesmo valor que o gringo paga para visitar o pão de açúcar por exemplo.

Túlio Pires Bragança

Perfeito o texto, Ricardo. Morando aqui na Argentina vejo o quanto o Brasil está atrás em vários aspectos. O primeiro passo seria esse de acabar com o visto, imitando o mesmo sistema chileno e arentino.

Bruno Meireles

Ricardo, além de concordar com vc em 100%, digo mais : falta na condução de nossas políticas de turismo gente como vc, com sua expertise !!

Daniel Conceição

Concordo com tudo.

E mais uma vez me sinto um homem-de-neandertal vendo como o Brasil trata o turismo... Ah, me sinto assim também com outras questões, mas deixa pra lá. Deixa eu ficar revoltado só com o turismo, que já é bastante revolta...

Hugo
HugoPermalinkResponder

Enquanto o mundo inteiro trabalha para atrair turistas, o Brasil age como se isso não fosse importante. Temos lindas praias, belas cidades e um povo acolhedor. Falta um governo que queira investir no turista, ao invés de manter uma política atrasada e ultrapassada de reciprocidade.

Bruno Cerboncini

Seu texto mudou a minha forma de ver o tema, sempre achei justa a política de reciprocidade, mas você abriu meus olhos para a insensatez desse artifício. Parabéns pelo texto. Espero que assim como eu, outras pessoas possam também mudar a opinião sobre o assunto. Abraços.

Tarcisio Araujo

Você deveria ser o Ministro do Turismo!!! Excelente texto!! Parabéns!!

Claudia Beatriz

Muito bom Riq!
Alguem encaminha o texto pra Brasilia por favor! wink

Lore
LorePermalinkResponder

Há tempos concordo com sua opinião e que bom que o tempo que voce usou para escrever um texto tão claro está mostrando a insensatez da nossa política tosca no turismo. Que voce continue espalhando sua opinião para mais e mais pessoas enxergarem o óbvio. Parabéns!

Samira B
Samira BPermalinkResponder

Mais uma pra dizer: Não desista, foi o viajenaviagem que me convenceu, muito tempo atrás, da tolice que é a reciprocidade. Já somos uns 6 ou 7 gatos pingados, então.

Márcia
MárciaPermalinkResponder

Você está certíssimo. Em época de crise, não poderíamos desperdiçar esta oportunidade de renda para tantas pessoas neste imenso país. Agora uma coisa temos que admitir: Estamos anos-luz em termos de estrutura, segurança, capacitação de pessoal, etc.. Estive agora em Conservatória, Cidade das Serestas, no Estado do Rio, em pleno feriado de Reveillon, com a cidade cheia de turistas e não achei um restaurante decente aberto. Deram férias para os funcionários. É um caso a pensar.

Emília Galvao

Se o cargo de Ministro do Turismo fosse preenchido por eleição direta, Ricardo Freire já estaria lá!

Alessandro Ayres

Riq, perfeito!!!

Você foi o primeiro que me alertou para esse fato anos atrás e desde então sempre tento convencer o maior número de pessoas sobre esse fato. O visto é simplesmente um desserviço para o turismo brasileiro e uma burrice imensa de nossos governantes. O mais impressionante é que fico torcendo para que os EUA e Canadá derrubem logo o visto para brasileiros, pois sei que essa é única maneira de mudarmos a situação por aqui, já que dificilmente teremos iniciativa própria para tal.

Rodrigo Barneche

Essa síndrome de vira-lata ainda acaba com a gente... parabéns pelo texto, comandante!

Caio
CaioPermalinkResponder

Excelente texto!!! Por sinal, vivo em Quito onde não há praias (a mais próxima está a 5h e não oferece muitos atrativos) e se conhece facilmente os pontos turísticos em 3 dias. O governo daqui investe forte em propaganda para os americanos e o resultado é que há um grande fluxo de turistas durante todo o ano aqui.

Wallace
WallacePermalinkResponder

Só queria dizer que também sou um "esquisitão" e sempre quase apanhei dos conhecidos que ficam inflamados sobre este assunto...vai entender.

Luiza
LuizaPermalinkResponder

Excelente texto Riq. Eu como turismóloga, profissional ativa do turismo, concordo em gênero e número. Torcemos que o "para sempre" não seja utopia!

Maryanne
MaryannePermalinkResponder

Só vi o post hj e concordo com tudo. E agora, só para piorar, ainda tem a zika. Gringo morre de medo de mosquito tropical e acho que isso vai acabar impactando as Olimpíadas também.

Gustavo - Viajar e Pensar

Atraso ma s cConcordo também em gênero número e qualquer outro ponto.
Uma informação extra, que a ultra ditadura chinesa liberou a necessidade de visto para turismo e negócios para viagem de até 6 dias em seu território.

http://onemileatatime.boardingarea.com/2015/12/29/china-transit-without-visa-six-days/

@GusBelli

Gabriela
GabrielaPermalinkResponder

Eu leiga , não sabia que o Brasil exigia visto , só descobri quando meu namorado americano se programava para vir ao Brasil, achei interessante e "justo" a reciprocidade , ficamos felizes quando liberou a entrada sem visto, pois ele vai chegar amanhã 5 de julho , eu não havia parado pra pensar no quanto essa nossa reciprocidade no visto afeta o turismo no Brasil , então como eu não sou o tipo de pessoa que lê e concorda eu fui pesquisar sobre quantos turistas de outros países recebemos por ano, é realmente é ridículo , um país tão grande como o nosso , com o dólares valorizado era pra estarmos cheios de gringos lavando a égua aqui , levando em consideração que nosso clima é agradável o ano inteiro, estamos sendo burros !

Carol Owen
Carol OwenPermalinkResponder

Decidi ir pra o Rio de última hora.Comprei ingressos p eventos, paguei hotel e comprei passagem aérea. Tenho passaporte americano válido, mas meu passaporte brasileiro acabou de vencer e viajo em dois dias, portanto sem chance de que chegue um novo a tempo. Será que vou ter problemas pra entrar e sair do Brasil com meu passaporte americano? Tentei ligar pra o consulado aqui e somente vai pra secretária eletrônica. Alguém pode me dar uma luz? Obrigada, desde já!

A Bóia
A BóiaPermalinkResponder

Olá, Carol! Normalmente não haveria problema, mas não sei se você precisaria de um visto no passaporte americano... Vou compartilhar sua pergunta no perguntódromo, mas o melhor é obter uma informação, ou do consulado, ou ao menos da cia aérea, que certamente só deixará você embarcar caso seu documento seja válido no destino.

Flor Amarela
Flor AmarelaPermalinkResponder

Boia, eu acho que o visto americano foi dispensado durante o periodo das Olimpiadas, deixou a vida facil para os americanos smile

Neftalí
NeftalíPermalinkResponder

Oi Carol. Mas você não tem um RG, ou alguma carteira de identidade brasileira, mesmo antiga? Se tiver, entre no Brasil com esse documento, seria o ideal.
Se não tiver, entre como americana mesmo, você não vai precisar de visto por causa das Olimpíadas:
http://novayork.itamaraty.gov.br/en-us/rio_2016.xml
Mas um conselho! Se entrar com o passaporte americano, de jeito nenhum diga ao agente da Policia Federal, na entrada ao Brasil, que você é brasileira ou tem passaporte brasileiro vencido, pois por lei você deveria entrar no Brasil com um documento nacional.

A Bóia
A BóiaPermalinkResponder

Claro, até setembro não precisa visto!!!

Carol Owen
Carol OwenPermalinkResponder

Obrigada Boia e Neftali. Tenho sim documentos brasileiros (cpf e RG). Alem disso estou em dia com minhas obrigacoes eleitorais perante o Brasil. Acho que vou arriscar entrar e sair como americano. Vou ao Brasil com frequencia e entro sempre com meu passaporte brasileiro, mas dei bobeira dessa vez e nao percebi que estava pra expirar...seja o que Deus quiser. A companhia aerea disse que nao haveria problemas, mas nao consigo confirmar com o consulado de jeito nenhum, pq eles nao responderam a e-mail e nem atendem o telefone.

Neftalí
NeftalíPermalinkResponder

Oi Carol! Entre e saia dos EUA com seu passaporte americano, e entre e saia do Brasil com seu RG, mostrando o passaporte americano somente no check in na sua volta aos EUA, para comprovar que você pode entrar no país. É o que o consulado confirmaria. Você não vai ter nenhum problema! Aproveite bastante, o clima de festa no Rio já está espetacular!

Mirella Matthiesen

Ia falar a mesma coisa que a Neftalí.
Você pode entrar com RG e acredito que até a carteira de motorista brasileiras.

Erica A
Erica APermalinkResponder

No Quora li algo a respeito disso, e é isso mesmo, nem deixe eles sonharem que você é brasileira. No tópico várias pessoas passaram por situações parecidas e não aconteceu nada demais, no pior dos casos receberam broncas quando os agentes descobriram que eles eram daquele país e estavam usando outro passaporte.

Cesar
CesarPermalinkResponder

Não se impede um cidadão de voltar para o seu país. Por qualquer meio que Carol comprovar que ela é cidadã brasileira a entrada dela será permitida. Já quanto a sair do seu próprio país e entrar em um país do qual não se é cidadão, aí sim, é uma outra história e deve atender à burocracia vigente.

Diego
DiegoPermalinkResponder

Olá. Aqui vai a orientação de quem trabalha a mais de 5 anos com isso, dentro do aeroporto:

Você pode entrar normalmente no Brasil. mesmo com passaporte vencido brasileiro, a polícia federal não pode te barrar na entrada, pois você é brasileira nata. O importante é realmente NÃO esquecer o passaporte brasileiro, pois se apresentar somente o americano, pode ser que eles embacem pois americanos precisam de visto para entrada no Brasil. E se voce tiver o RG, aí melhor ainda, pode ficar tranquila.

Carol Owen
Carol OwenPermalinkResponder

Obrigada Diego. Li agora sua resposta e foi exatamente isso q aconteceu. Entrada tranquila com o passaporte brasileiro expirado. Sai com o RG. Tudo certo.

Atenção: Os comentários são moderados. Relatos e opiniões serão publicados. Perguntas serão selecionadas para publicação e resposta. Entenda os critérios clicando aqui.
Bóia de férias. Só voltaremos a responder perguntas que forem postadas a partir de 3 de junho. Relatos e opinões continuarão sendo publicados.
Cancelar