Catavento Cultural: o museu onde as crianças podem mexer em tudo

Heloísa Dall'Antonia
por Heloísa Dall'Antonia

Entrada do Catavento, astronomia e insetos

Guardadas as devidas proporções, levar uma criança ao Catavento Cultural e Educacional, em São Paulo, é como convidá-la a participar de um episódio de 'O Mundo de Beakman', o inesquecível programa que passava na TV Cultura na década de 90. Ok, sem Rosie e Lester, é bem verdade. Mas a ideia de mostrar na prática conceitos de física, química, óptica, eletricidade e afins, de um jeito que até quem não pretendia acaba aprendendo, está ali em toda a sua criatividade.

Instalado no Palácio das Indústrias, que já foi inclusive sede da prefeitura da cidade, o museu foi inaugurado em 2009 e desde então se tornou um dos pontos mais visitados de São Paulo. E assim que você entra na bonita construção do escritório de Ramos de Azevedo fica fácil de entender o porquê: praticamente todas as informações expostas ali pedem a participação do visitante de alguma forma, seja olhando por uma abertura, apertando um botão que causa uma ação específica ou até caminhando por dentro de um órgão humano para mostrar seus problemas.

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Avião na entrada do Catavento

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As descobertas começam ainda na entrada que leva à bilheteria: um avião, locomotivas e carroças de outras épocas ficam expostas ao ar livre. O espaço também abriga um aperitivo do que se verá dentro do museu: duas conchas a 30m de distância uma da outra em que, cochichando em uma, é possível se ouvir na outra; e uma esfera de granito de duas toneladas que, por contar com a inércia, pode ser movida sem muito esforço.

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Meteorito Catavento

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Lá dentro, as exposições seguem a lógica do nascimento da Terra. Então, a primeira a ser vista é Universo, que começa com informações sobre astronomia, sistema solar, observação do céu e outros planetas. Um pedaço de meteorito e uma estrutura mostrando o Sol são pontos altos dessa área. Dali, o visitante segue para uma ampla área que retrata os biomas, o interior e as paisagens do nosso planeta, da tundra ao deserto.

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Na continuação, o tema passa a ser a Vida. E aqui é como se uma aula de ciências da escola ganhasse o jeitão de parque de diversões: todas as informações (e elas não são poucas, acredite) têm apresentações coloridas, com interação e representações divertidas. Há a árvore da vida, pequenos animais vistos em microscópios, aquário, espaço para conhecer o canto de aves do Brasil e uma grande área dedicada ao corpo humano. Além de ver órgãos do corpo humano e aprender sobre DNA e afins, uma área bastante interessante é a que mostra como funciona o aparelho olfativo: um maquinário grandão com estilo steampunk oferece uma série de cheiros perfumados para serem sentidos. Há vídeos para assistir, tanto em pequenos cineminhas como nas telas que apresentam dados sobre os temas.

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Bolha de sabão no Catavento

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A área a seguir é a mais interativa de todas: o Engenho. Ali estão reunidos dezenas de conceitos de física, óptica, mecânica e termologia, sempre com experimentos explicadinhos. Alguns precisam de um dos instrutores para funcionar (como o que mostra a fabricação de raios), mas a maior parte deles pode ser testada com o apertar de um botão ou “botando a mão na massa” mesmo. As explicações são certeiras e interessantes. É muito divertido notar como adultos até então apenas acompanhando crianças, se soltam completamente nessa área, participando das experiências propostas (como a de fazer uma bola de sabão do seu tamanho, por exemplo), mexendo em todos os itens e prestando atenção nas explicações dos guias.

Borboletário do Catavento

Pela área aberta no centro do Palácio das Indústrias é possível visitar o Borboletário e ter acesso às arcadas subterrâneas, onde estão outros espaços, como a exposição que traz vários esqueletos mostrando a evolução do ser humano, além de amostras de arte rupestre, uma árvore genealógica, a evolução de nosso cérebro e da locomoção; a nave em que os visitantes se tornam astronautas que podem conhecer a Lua e consertar o Hubble; o submarino que simula um transporte aquático de pesquisa, mostrando aos tripulantes os oceanos e uma área dedicada ao brinquedo Lego, que utiliza uma linha educacional dos bloquinhos coloridos para mostrar como mecânica e física podem ser interessantes.

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No andar superior, a Sociedade ganha destaque, com explicações de questões mais próximas de nosso dia a dia. Há um laboratório de química, dados sobre tecidos, uma apresentação de o que há por dentro da parede das casas, uma seção de nanotecnologia, com jogos e vídeos, ecologia e a evolução dos mais diversos tipos de máquinas. O caráter educativo fica claro em áreas como a que mostra o que acontece com o corpo de alguém que usa algum tipo de droga.

Algumas dos espaços mais curiosos são o Monte dos Sábios, uma parede de escalada em que telas dispostas no alto mostram importantes personagens da história e suas invenções e a Arte que Revela a História, em que quadros de Cândido Portinari são usados para mostrar momentos da história do Brasil.

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Apesar de todas as atividades propostas dentro do Catavento serem gratuitas, algumas precisam de senha para serem acessadas. É o caso das existentes nas arcadas subterrâneas (Aventura no Sistema Solar, Do Macaco ao Homem, Viagem pelo Fundo do Mar e Se Liga no Lego) e algumas outras, como o Borboletário, a Nanoaventura, o Monte dos Sábios, o laboratório de química e o Estúdio de TV. Há dois horários de distribuição de senhas, às 9h e às 14h, e cada pessoa pode retirar duas (e voltar para a fila, ou esperar pela leva do próximo horário). Como visitante comum, porém, você só terá acesso a essas áreas aos fins de semana, feriados e na época das férias escolares (as atrações ficam dedicadas exclusivamente a grupos de escolas durante a semana no período letivo).

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O simpático espaço Café com Lua serve bebidas e petiscos e proporciona uma bonita vista do Borboletário.

O Catavento fica a uma curta caminhada da estação Pedro II do metrô (Linha Vermelha). Está pertíssimo também do Mercado Municipal (o Mercadão). Infelizmente, nenhum dos dois trajetos é totalmente seguro, sobretudo quando começa a escurecer. Prefira ir de táxi ou carro.

Catavento Cultural e Educacional

  • Av Mercúrio, s/n - Pq Dom Pedro II | tel. 11/3315-0051 | Aberto de 3ª a domingo das 9h às 16h (com permanência até às 17h). Consulte o site para abertura em feriados | Ingresso a R$ 6 (gratuito aos sábados), somente em dinheiro | Estacionamento pago nas dependências do Palácio das Indústrias

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7 comentários

Alex Melo
Alex MeloPermalinkResponder

Levei minha filha ai quando ela nem tinha 2 anos, e depois com quase 4 novamente. A cada vez ela interagia mais com uma experiência ou outra, e a gente fazia bagunça junto.
Na primeira vez fui durante a semana e estava muito vazio, fácil de ver tudo. Aproveitamos que o estacionamento é um valor só (e não é caro) e almoçamos no Municipal, depois voltando para ver as exposições que faltaram. Chegou a render um post no blog: https://devoltaoutravez.wordpress.com/2013/09/07/catavento-cultural/

Quando voltamos num domingo estava lotado. Ainda assim, depois de entrar no museu dá para ficar a vontade e fazer tudo com tempo. O Catavento está sempre nos tops de São Paulo no Tripadvisor e tem motivos para isto.

Adriana Pasello

Já fizemos o Catavento com as crianças. Vale a pena voltar nas várias fases do desenvolvimento infantil porque eles vão aproveitando de forma diferente. Uma pena que não tenhamos esse tipo de lugar em várias capitais brasileiras.

Dani S.
Dani S.PermalinkResponder

Lá vou eu pra São Paulo de novo, e o Catavento não pode faltar! Excepcional museu interativo - só queria que ficasse mais perto, pra poder ir toda semana sad

Larissa
LarissaPermalinkResponder

Criança de 1e meio entra?

A Bóia
A BóiaPermalinkResponder

Olá, Larissa! Sim.

Juliana
JulianaPermalinkResponder

É recomendado pra crianças de que idade? 3 anos e 5 anos aproveita?

A Bóia
A BóiaPermalinkResponder

Olá, Juliane! É mais interessante para crianças que já tenham aula de ciências.

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