Lichtgrenze

Berlim: como vai ser a festa dos 25 anos da queda do Muro

Lichtgrenze

Neste momento estou me mordendo de inveja de quem está em Berlim para a festa dos 25 anos da Mauerfall, a derrubada do infame muro, ocorrida em 9 de novembro de 1989.

A celebração vai culminar com um espetáculo belíssimo, repleto de simbolismos e com grande participação popular.

Para este fim de semana, o antigo Muro de Berlim foi redesenhado por balões iluminados, presos ao chão por hastes. É a instalação Lichtgrenze, ou Fronteira das Luzes, criada pelos irmãos Christopher Bauden (um mestre da light art) e Marc Bauden (cineasta). São 15 km de balões que cortam a cidade exatamente por onde passava o Muro.

Cada um desses 8.000 balões tem um padrinho. Na noite de 9 de novembro, todos os padrinhos estarão a postos ao lado dos seus balões, transformando a fronteira de luz numa fronteira humana.

Cerca de 200 dos padrinhos são associações e farão pequenas celebrações perto ou a caminho dos seus balões. Orquestras de trombones de igrejas protestantes vão tocar perto de seus balões na estação Ostbahnhof e na ponte Oberbaumbrücke. Joggers que usam as pistas junto ao Muro vão correr 25 km até chegar ao seu balão. O artista Thierry Noir vai pintar uma seção da East Side Gallery. O coro da congregação de Friedrischswalde vai se apresentar perto do seu balão no cemitério Invalidenfriedhof.

Às sete da noite, ativistas e autoridades que tiveram importância na queda do Muro (entre eles, Michail Gorbachev e Lech Walesa) estarão a postos no Portão de Brandenburgo para dar início à cerimônia.

É quando a instalação vai virar performance.

Revivendo o que aconteceu há 25 anos, o Muro vai ser gradualmente derrubado pelos próprios berlinenses. Só que desta vez, em vez de machadinhas, eles vão soltar os balões das hastes, desfazendo a fronteira das luzes. A ascensão dos balões vai acontecer ao som da Ode à Alegria (quarto movimento da Nona de Beethoven), tocada pela orquestra Staatskapelle de Berlim e cantada pelo coro da Ópera do Estado, sob a batuta do maestro argentino (radicado em Berlim) Daniel Barenboim.

O movimento vai ser coreografado. O primeiro balão a subir ao céu vai ser solto às 19h20 no portão de Brandemburgo. Às 19h25 sobem os balões da Potsdamer Platz e do Checkpoint Charlie; às 19h30 os do Memorial do Muro; às 19h35 os do Mauerpark; às 19h40 os da East Side Gallery; e finalmente às 19h45 os balões das pontes (brücke) Oberbaum e Böse — onde, depois do último balão ter subido, acontecerá uma queima de fogos de artifício.

Preparem os lenços, vai ser lindo de chorar.

Para nós que não estamos lá em Berlim, o jeito é no domingo, lá pelas 4 da tarde (3 da tarde no Norte-Nordeste) dar uma zapeada nos canais a cabo para ver se alguém está aproveitando a transmissão ao vivo da TV estadual de Berlim.

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10 comentários

Estarei la, e,o que é melhor, totalmente por acaso! 🙂
sera que vai ser muvuca estilo reveillon em Copa? gostaria muito de escutar a 9a no portao de Brandemburgo mas to com medo da multidao!

    Olá, Tita! Podemos assumir que muitas pessoas vão querer ir às ruas e comemorar esta data histórica. Vá e se achar que está muito cheio, se afaste um pouquinho, mas não deixe de participar. 😉

    Hj já tinha bastante gente por lá então imagino que domingo vai ficar quase insuportável, mas eu não perco de jeito nenhum! Está tendo um greve de trens por aqui (até 2a cedo) então muita gente que viria de cidades da região deve mudar de ideia (e dos subúrbios tb) – essa é a minha esperança pq só isso que explicaria a região não ficar lotada rs.